O Berro nas antas # 08
Hoje resgatamos mais uma matéria publicada em uma antiga edição d'O Berro.
Contextualizando o texto "resgatado": era ano 2000 e o país estava em meio às comemorações pelos 500 anos de descobrimento das terras brasileiras pelos portugueses.
Obviamente que, perante data tão simbólica, polêmicas não faltaram. E em Juazeiro do Norte, cidade que ainda iria completar 89 anos de fundação na época, a polêmica girou em torno de um grupo de cordelistas que propunha revolucionar a literatura de cordel, lançando novas formas e temáticas nos folhetos publicados pela Sociedade dos Cordelistas Mauditos (que há 11 anos anda com a mesma observação: é assim mesmo, com "u").
No dia do evento (01-04-2000), a equipe d'O Berro foi conferir. A nossa edição de abril daquele ano já estava praticamente fechada. Mas acabamos procurando um jeito de encaixar o registro daquele acontecimento. Ythallo Rodrigues fez um pequeno texto narrando o que se passara no SESC Juazeiro. Devido à falta de espaço na edição e à correria para enviar o jornal para a gráfica, as polêmicas em torno da "modernização" ou não da cultura dita "popular", que renderam acalorados debates, acabaram não tendo espaço no nosso texto. Mas valeu pelo registro rápido e rasteiro... enfim, O Berro estava lá!
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Abaixo, o texto publicado na edição 28 'O Berro (abril de 2000):
Agora são outros 500
por Ythallo Rodrigues
Era dia da mentira e verdadeiramente acontecia mais um evento cultural em Juazeiro do Norte. Foi no SESC o lançamento dos Cordéis da Sociedade dos Cordelistas Mauditos.
Houve, antes de tudo, uma palestra com o Prof. Fábio José, falando, num âmbito geral, da história literária desde suas origens, na Grécia antiga, até o modernismo e a libertação de padrões pré-estabelecidos. Foram palavras rápidas, mas bem esclarecedoras. Em seguida, a Profª. Cláudia Rejane colocou seu ponto de vista com relação à literatura popular e deixou uma pergunta bem interessante no ar: “será que realmente existe uma literatura popular?”. O poeta Abraão Batista também expôs sua opinião a respeito do cordel e suas raízes.
Logo após foram chamados os cordelistas mauditos: Daniel Batata, Camila Alenquer, Edianne Nobre, Fanka, Fernandes Nogueira, Hamurábi, Hélio Ferraz, Júnior Boca (Geraldo Júnior), Onofre Ribeiro, Orivaldo Batista, Salete Maria e Wilson Silman, sendo assim iniciado um debate com a participação de todos os presentes. O cordelista maudito Hamurábi fez um breve recital, seguido por uma encenação de Edianne Nobre e Orivaldo Batista, relacionada a cordéis que foram lançados.
O evento prosseguiu com apresentações musicais. Primeiramente, Camila Alenquer no violão fez dupla com Francisco Ferreira [Di Freitas] no violoncelo. O pessoal do hip-hop apresentou-se com bastante dignidade e não decepcionou. Ciço Gnomo, logo em seguida, com participação de Cleide Rodrigues, deu um clima de descontração ao evento; e Hélio Ferraz fez o encerramento, com uma pequena participação de Camila Alenquer.
O acontecimento promovido pela Sociedade dos Cordelistas Mauditos foi realmente de uma diversificação muito boa e mostrou: quando se quer, sempre se consegue. Não importa o meio artístico, e sim o empenho.
(abril de 2000)
O único Francisco Ferreira que toca violoncelo em Juazeiro do Norte é o vulgo (mundialmente conhecido) Francisco Di Freitas.
ResponderExcluirSaudades dos Mauditos!!!
ResponderExcluirFazem muita falta.
Gilmar de Carvalho