segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Conhecendo Carrière



por Ailton Jesus

Fazer parte do grupo Sétima é ser apresentado constantemente a grandes nomes do cinema e o deste ano foi Jean-Claude Carrière, autor de A linguagem secreta do cinema (1994), atual alvo dos estudos do grupo. Num primeiro momento a sensação é o impulso em bater à sua porta e lhe dizer que reconheço sua importância na história do cinema, mas pedir desculpas por só ter ouvido falar nele tão recentemente. Porém, o próprio já alivia meu peso quando diz em entrevista “se quiser fama, uma linda estátua feita de você, não seja roteirista. O escritor desaparece. Ele trabalha na escuridão” (1).

Pois bem, nascido em 19 de setembro de 1931 em Colombières-sur-Orb, um vilarejo no sul da França com 500 habitantes, filho de fazendeiros, Jean-Claude Carrière é escritor de livros e filmes, além de já ter também dirigido e atuado.

Na casa onde nasceu os únicos livros que haviam eram missais de sua mãe, e, por conta de seu interesse pela leitura, livros que ganhou como prêmio, de presente, e livros escolares. As imagens dos quadrinhos Tintin e Milu eram sua porta para o mundo além das montanhas que rodeiam o vilarejo.

Viu alguns filmes franceses no cinema quando pequeno, porém foram os alemães Os Nibelungos – A Morte de Siegfried (1924) e Metrópolis (1927), de Fritz Lang, que assistiu no colégio interno católico próximo a seu vilarejo, onde estudou durante a Segunda Guerra Mundial, que chamaram a sua atenção. De Metrópolis, duas imagens lhe marcaram profundamente: primeiro que ele não sabia o que era uma cidade, o que para uma criança de um pequeno vilarejo era o mesmo que uma lenda; a segunda era a imagem da mulher, que para ele também era um mistério, razão de, por muito tempo, ter acreditado que a diferença entre homens e mulheres é que elas carregavam camadas de metal por debaixo da pele.

Aos 14 anos a família se mudou para Paris, onde abriram um café e ele terminou o segundo grau, seguindo para o curso de História na École normale supérieure de Fontenay-Saint-Cloud em Lyon.

Foi ainda na universidade que escreveu seu primeiro livro, Lézard, publicado em 1957. Daí seu editor lhe fez a proposta de participar de uma competição para escrever um livro dos filmes As férias do Sr. Hulot (1953) e Meu Tio (1958, até então em filmagem) de Jacques Tati, e o próprio Tati escolheu Carrière para o trabalho. Em sua primeira reunião com Tati, o cineasta lhe perguntou se sabia algo sobre «fazer cinema» e ele respondeu que nada além de ser frequentador assíduo das salas de cinema. Então, Tati chamou Suzanne Baron, editora de seus filmes, e disse Suzanne, pegue esse jovem e mostre a ele o que é fazer cinema”. Assim ela fez, levando-o para a sala de edição (2).

Sob a guarda de Tati ele começa a observar a vida em busca de novas histórias, acompanha o dia-a-dia de sets de filmagem e conhece Pierre Étaix, assistente do diretor. Carrière e Étaix iniciam uma parceria, compartilhando roteiro e direção de dois curtas, Rupture (1961) e Heureux Anniversaire (1962), que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem. Os dois ainda fizeram outros filmes juntos nos anos 1960, e ao longo dos anos, Carrière ainda fez – e faz – muitas parcerias (3). Cineastas como Milos Forman, Louis Malle, Volker Schlöndorff, Andrzej Wajda e Jean-Luc Godard fazem parte dessa lista, porém a mais famosa delas é sua parceria com Luis Buñuel (4).

Buñuel e Carrière produziram seis clássicos, mas ressalto aqui os dois que tive oportunidade de conhecer: A Bela da Tarde (1967), tendo Catherine Deneuve como uma mulher da alta sociedade que passa suas tardes a se prostituir e que vez ou outra se perde em devaneios e desejos sexuais; e O Discreto Charme da Burguesia (1972), filme vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro e indicado ao de melhor roteiro, onde um grupo de amigos tenta constantemente fazer uma refeição juntos.

Uma enorme quantidade de roteiros levados à tela, seja em cinema ou televisão – 145 segundo o IMDB! – carregam sua assinatura. Jean-Claude Carrière não para. Em maio deste ano foi lançado filme escrito por ele e dirigido por Philippe Garrel, L'amant d'un jour, e já tem mais um com produção anunciada. É quase impossível conseguir acompanhar já que tenho “apenas” algumas décadas de atraso! Por isso, paro por aqui e vou logo assistir Salve-se quem puder (1980), parceria Carrière, Godard e Anne-Marie Miéville.

Notas:
1. Jean-Claude Carrière: 'If you want fame, don't be a screenwriter' (Jean-Claude Carrière: ‘Se quiser fama, não seja um roteirista’), entrevista realizada por Ryan Gilbey e publicada no site The Guardian em 28 de junho de 2012.
2. Entrevista em vídeo realizada por Andrzej Wolski em janeiro de 2010 para o site Web of Stories.
3. Artigo Jean-Claude Carrière’s Collaborations (As colaborações de Jean-Claude Carrière) publicado no site The Criterion Collection em 19 de setembro de 2016.
4. Interview with Jean-Claude Carriéré (Entrevista com Jean-Claude Carrière), entrevista realizada por Mikael Colville-Andersen em 26 de outubro de 1999 e publicada no site Zakka.
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Ailton Jesus: formado em Engenharia de Materiais pela UFCA. Por obra do destino também é ator, quando sobra tempo, músico, e usa o cinema como ferramenta de autoconhecimento.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 41, de dezembro de 2017), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- De repente soube, é cinema!
- Diante do meu amor pelo cinema
- O absurdo nosso de cada dia: as mulheres na Mostra 21 de 2017
- Meu romance com o cinema ou não era cilada, era amor
- Uma história: aniversário dos cinco anos do Grupo de Estudos Sétima de Cinema
- Longe deste insensato mundo
- Relato de viagem durante a IX Janela Internacional de Cinema do Recife
- ‘O Leitor’, filme de Stephen Daldry (2008): resenha crítica

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‘Azul Profundo’, filme de Aris Bafaloukas, no Cine Sesc Crato



Cine Sesc Crato
Exibição do filme Azul Profundo
Ficha técnica:
Título original: Apnoia / Apnea
Direção: Aris Bafaloukas
Roteiro: Giannis Tsiros, Yiannis Tsiros
Elenco: Sotiris Pastras, Youlika Skafida, Andriana Babali, Giorgios Karamihos, Akilas Karazisis
Duração: 87 minutos
Ano: 2010
País de origem: Grécia

“Dimitri (Sotiris Patras) nadador profissional, depois de conseguir sucesso em campeonatos europeus, mergulha nas águas de uma piscina escura. E assim como seu corpo flutua na água, as memórias do passado vêm inundando sua mente, lembrando-lhe seu relacionamento com Elsa (Youlika Skafida), uma ativista ambiental que desapareceu misteriosamente.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018, às 19h
No Sesc Crato-CE. Entrada gratuita.

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sábado com ensaio aberto da Glory Fate e rock acústico com Luiz Paulo e Raphael Nunes em Juazeiro do Norte



Rock e feijoada no Thunder Game Pub
Sábado, 17 de fevereiro de 2018, a partir das 13h
13h: feijoada ao som de música no vinil
17h: Ensaio aberto com a banda Glory Fate
19h30: Pocket Show (rock acústico) com Luiz Paulo e Raphael Nunes
No Thunder Game Pub
Av. Castelo Branco, 2804 (Juazeiro do Norte-CE).

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‘Cinzas no Paraíso’, filme de Terrence Malick, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Cinzas no Paraíso
Ficha técnica:
Título original: Days of Heaven
Direção e roteiro: Terrence Malick
Elenco: Richard Gere, Brooke Adams, Sam Shepard, Linda Manz, Robert J. Wilke, Stuart Margolin, Timothy Scott, Doug Kershaw, Richard Libertini
Duração: 94 minutos
Ano: 1978
País de origem: Estados Unidos

“No início do século XX, Bill e Abby formam um jovem casal que vive e trabalha em Chicago, mas passa a imagem de que são apenas irmãos. Quando decidem ir para o sul trabalhar nos campos, em companhia de uma garota, vão parar em uma fazenda no Texas, onde o proprietário se apaixona por ela.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 17 de fevereiro de 2018, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Som na Praça: sábado com carnaval alternativo em Crato



“O evento Som na Praça acontece neste dia 10 de fevereiro no largo da RFFSA. A ação é uma iniciativa da Rede ColetivoS, juntamente com o Coletivo Camaradas e o Ensaio Aberto Break Dance em parceria com a Secretaria de Cultura do Crato.

A ação tem como objetivo fazer a difusão da música caririense e proporcionar opções de entretenimento para o Cariri, de forma colaborativa e sem fins lucrativos.

Nesta edição, o evento conta com 5 apresentações de diversos gêneros, para que o evento ocorra de forma plural.” (sinopse da divulgação do evento)
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Som na Praça - Edição Carnaval
Com Bruno Rass e Johnny Positive, Dj Diego Moreira, DJ Felipe Midzion, DJ Kayran Freire e DJ Saymon Sun
Sábado, 10 de fevereiro de 2018, a partir das 18h
No Largo da RFFSA
Crato-CE.

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

De repente soube, é cinema!



por Josú Ribeiro

De repente soube que haveria um grupo de estudos, ou algo mais parecido com curso de Cinema. Não me lembro muito bem como era minha relação com o Cinema, mas me interessei por estudar algo diferente. Sabem como é, estava no 2º ou 3º semestre do curso de Psicologia, doido pra me enturmar com uma galera nova e assuntos novos, então, fui atrás de me inscrever. Era necessário ter a xerox do livro O que é Cinema - Coleção Primeiros Passos, então corri e já na gráfica encontrei um rapaz que também iria participar do curso. Conversamos sobre a nossa expectativa quanto ao grupo, e também sobre nosso time do coração, o Corinthians. Me lembro bem da sensação adocicada e prazerosa de poder ter os olhos mais atentos para algo que nunca pensei em estudar. Passou um tempo e fui me enturmando com diversas pessoas que já tinham um contato maior com o estudo sobre Cinema.

De repente, me apaixonei pelo Buster Keaton, fiquei com picuinha com o Chaplin, fiz um falso pacto com Godard, impliquei com Truffaut. Caí nos braços de Michael Haneke e nos deleites da voz da Marilyn Monroe. Então, aos poucos estavam sendo fincados os alicerces.

Foi estudando e discutindo Cinema – produção artística de tantas culturas – que acabamos refletindo também sobre nosso ser político. Nosso agir em sociedade, nossos desejos e fantasias, que são tão importantes para a nossa construção subjetiva, quando discutimos o que é real ou imaginário, por exemplo. Como o Cinema pode instigar um povo a se ver e reconhecer como protagonista de sua história, como no neorrealismo italiano, e/ou numa tomada por um Cinema próprio de raízes tão espirituais como o Cinema Novo.

Algumas dificuldades apareceram com o tempo. Passamos por várias fases, tivemos a etapa de seminários que baqueou muita gente. Tive incertezas quanto à minha permanência no grupo, pois o Cinema me requeria um espaço de maior dedicação, e tive que assumir isso, caso quisesse continuar.

De repente temos uma Revista! Nela compartilhamos ideias e sentimentos sobre filmes de autoras e autores que gostamos. E aqui e acolá brotam produções cinematográficas de alguns integrantes do Grupo Sétima, tudo isso, fruto de um estudo cada vez mais primoroso do Cinema. E foi nesse aprofundamento e dedicação que tive um contato mais íntimo com a Imagem, e me vi atraído pela fotografia. Veio como um tijolo na cabeça, abrindo um galo precioso e impreciso. Num momento de reclusão pessoal, a fotografia de rua me deu o oxigênio necessário, ao me calar a boca e me fazer andar, contemplar o silêncio dos lugares, e o barulho das pessoas.

Posso dizer que antes de estudar Cinema, eu estava com olhos, boca e ouvidos fechados. Olhos porque Cinema é também imagem, mexe com o nosso voyeurismo e com as diversas cores – incluam também nas cores os diversos tons de cinza e preto. Ouvidos porque é silêncio, intercalado por falas ou músicas diegéticas. E por continuidade, boca: porque Cinema é paladar! Paladar é saborear, e saborear é um ato laborioso. É tocar nos lábios, passar pelos lábios, abrir os dentes, salivar a língua, escorregar pela goela, e timbugar em frenesi!

De repente, hoje estou embutido no grupo, nos livros de Cinema, de imagem e cores. E nessa dinâmica de estudos no grupo, aqui e acolá pessoas novas surgem, proporcionando outros sabores, outras maneiras de saborear Cinema. O grupo é um caldeirão que por vezes borbulha e se acalma, alguém chega e põe mais lenha, mais tempero, tomamos a sopa de feijão e já temos um novo ânimo.

De repente... nada é de repente assim. O Cinema se fez casa, tomou-me por usucapião.
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Josú Ribeiro é poeta e músico. Formado em Psicologia na Unileão.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 40, de maio de 2017), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- Diante do meu amor pelo cinema
- O absurdo nosso de cada dia: as mulheres na Mostra 21 de 2017
- Meu romance com o cinema ou não era cilada, era amor
- Uma história: aniversário dos cinco anos do Grupo de Estudos Sétima de Cinema
- Longe deste insensato mundo
- Relato de viagem durante a IX Janela Internacional de Cinema do Recife
- ‘O Leitor’, filme de Stephen Daldry (2008): resenha crítica
- Meus 10 melhores filmes de todos os tempos, por Samuel Macêdo do Nascimento

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Estreia do show Caleidoscópio 70: Luiz Carlos Salatiel & Los Fractais



“Este show poderia ter sido feito nos anos 70! Se não foi possível lá é porque era para ser feito agora com a mesma irreverência, timbres e cores caleidoscópicas daqueles loucos e apaixonantes anos.”
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VI Festival Cordas Ágio
Show Caleidoscópio 70 - Composições de Geraldo Urano e Salatiel
Com Luiz Carlos Salatiel & Los Fractais

Sábado, 03 de fevereiro de 2018, 22h
Na Vila da Música Solibel
Endereço: Av. José Horácio Pequeno, nº 1366, Belmonte, Crato-CE
Entrada gratuita.

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‘Norma Rae’, filme de Martin Ritt, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Norma Rae
Ficha técnica:
Título original: Norma Rae
Direção: Martin Ritt
Roteiro: Harriet Frank, Jr., Irving Ravetch
Elenco: Sally Field, Beau Bridges, Ron Leibman, Pat Hingle, Barbara Baxley, Gail Strickland, Morgan Paull, Robert Broyles, John Calvin, Booth Colman, Lee de Broux
Duração: 110 minutos
Ano: 1979
País de origem: Estados Unidos

“Durante o verão de 1978, Norma Rae (Sally Field), uma nova sindicalista, luta contra o exploratório mercado trabalhista de sua cidade, que abusa das condições intoleráveis de trabalho perante à dependência da pequena população de Hinleyville à indústria têxtil local.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 03 de fevereiro de 2018, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Show com Abidoral Jamacaru e Banda no VI Festival Cordas Ágio, em Crato



“No dia 02 de fevereiro, às 23h, no Palco Padre Ágio, Abidoral Jamacaru & Banda trazem uma verve desconstruída em uma hibridização entre o regional e o universal, ‘um pé dentro de si e o outro no mundo’. Um convite ao público a girar em cirandas, a dançar na batida do coco e a sentir a força mais pesada dos riffs do rock e do blues. Com um repertório completamente repaginado de músicas de grandes compositores da contracultura, como Geraldo Urano, Abidoral apresenta seus já consagrados sucessos e algumas músicas de seu futuro CD.” (sinopse da divulgação do evento)
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VI Festival Cordas Ágio
Show com Abidoral Jamacaru e Banda
Sexta-feira, dia 02 de fevereiro de 2018, 23h
Na Vila da Música Solibel
Endereço: Av. José Horácio Pequeno, nº 1366, Belmonte, Crato-CE
Entrada gratuita.

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Mostra de cinema A Luz das Artes: sessões durante a Romaria das Candeias



“A Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte estará com uma programação especial para o período de Romarias de Candeias.

Nos dias 30 e 31 de janeiro e 01 e fevereiro acontecerá, no Memorial Padre Cícero, a mostra de cinema A Luz das Artes. São cinco filmes que serão exibidos em seis sessões. Pela manhã, elas acontecerão às 8h30. Já no turno da tarde, as exibições serão às 14h.

Os títulos escolhidos retratam fatos históricos envolvendo o Padre Cícero, Juazeiro do Norte e aspectos que remetem à fé romeira.

As exibições acontecerão no auditório do Memorial Padre Cícero e são gratuitas.” (sinopse da divulgação do evento)
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Programação da Mostra de Cinema A Luz das Artes:

Dia 30 de janeiro de 2018, terça-feira, às 8h30 e 14h, no Memorial Padre Cícero:
Candeias (Dir.: Augusto Pessoa e Felipe Wenceslau, 2016, documentário, 18min.): Documentário realizado na Romaria de 02 fevereiro de 2015, mostra o caldeirão cultural em que se transforma a cidade de Juazeiro do Norte durante a festa religiosa e revela uma visão fotográfica da beleza plástica da festa popular através de um olhar poético sobre a diversidade cultural da manifestação.

Dia 31 de janeiro, quarta-feira, às 8h30, no Memorial Padre Cícero:
O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Dir.: Rosemberg Cariry, 1987, documentário, 78min.): Depoimentos e imagens que relembram o massacre sofrido pela comunidade do Caldeirão liderada pelo beato José Lourenço, em Crato-CE.

Dia 31 de janeiro, quarta-feira, às 14h, no Memorial Padre Cícero:
Juazeiro, a Nova Jerusalém (Dir.: Rosemberg Cariry, 2001, documentário, 72min.): Mergulhando nas maravilhas e misérias do cotidiano da Cidade Santa de Juazeiro do Norte, no Ceará, o filme conta a história do Padre Cícero Romão Batista (1844-1934) e revela um universo desconhecido e fascinante para o espectador, onde o sonho se confunde com a própria realidade. O Espírito Santo, atendendo a um pedido de Nossa Senhora para salvar os homens das trevas e da destruição, desce ao Brasil e, no pequeno povoado de Juazeiro, encarna-se naquele que viria a ser o Pastor dos deserdados filhos da terra. Assim, inicia-se o mito do Padim Ciço na região do Cariri Cearense. À medida que os eventos da vida do Padre são contados (estudos, sonhos, milagres, viagem a Roma, lutas políticas, perseguições, etc.), eles se mesclam intimamente com a própria história do País.

Dia 1º de fevereiro, quinta-feira, às 8h30, no Memorial Padre Cícero:
Sedição de Juazeiro (Dir.: Daniell Abrew, 2012, minissérie, 140min.): Na segunda década do século XX, declara-se uma dualidade de poderes legislativos no Estado do Ceará. Tropas são enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo para Juazeiro do Norte. Padre Cícero, Floro Bartolomeu e seus soldados esperam o ataque. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará. Triunfa a Sedição de Juazeiro, a guerra de 1914.

Dia 1º de fevereiro, quinta-feira, às 14h, no Memorial Padre Cícero:
Milagre em Juazeiro (Dir.: Wolney Oliveira, 1999, documentário, 83min.): Ceará, 1889. Padre Cícero Romão Batista, pároco de Juazeiro do Norte, administra a comunhão aos fiéis. Entre eles está Maria de Araújo. Quando recebe a hóstia das mãos do Padre e pousa em sua boca, esta se transforma em sangue. O fenômeno se repete e se consolida a crença de que o Padre é um Santo e a Beata Maria de Araújo, um instrumento de Deus. As primeiras romarias começam a chegar a Juazeiro. O milagre pouco ortodoxo e de tanto apelo popular não agradou à Igreja Católica. Padre Cícero se vê privado dos místeres religiosos. Morre sem conseguir a absolvição, mas seu poder político perdura enquanto vive. A polêmica continua até hoje. Juazeiro do Norte é cenário de uma das maiores romarias do Brasil e Padre Cícero é venerado como um verdadeiro santo.

Todas sessões com entrada gratuita.

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Encenação do espetáculo ‘As Velhacas’ em Juazeiro do Norte



“As Velhacas é uma comédia que faz recorte da vida de duas velhas amigas que têm um ponto em comum: o vício de dar calotes na praça. Por conta de várias dívidas, reencontram-se e passam a morar juntas para fugir dos cobradores. Seja na praia, na tertúlia ou no bingo, elas sempre aprontam e deixam aquela conta extensa para pagar. Gerusa e Aretusa são ‘As Velhacas’ que se tornaram sucesso entre os cobradores. A peça surpreende o público com tiradas irreverentes e muita comédia do início ao fim.” (sinopse da divulgação do evento)
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Espetáculo As Velhacas
K’Os Coletivo (Fortaleza-CE)
Direção: Aldrey Rocha
Sexta-feira, 26 de janeiro de 2018, às 19h30
No Teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri - CCBNB Cariri
Entrada gratuita
Classificação: 12 anos.

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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Clipe de ‘Opostos bipolares se atraem’, música da Banda Algarobas



“Opostos bipolares se atraem”
Banda Algarobas
EP A estrada é longa e o caminho é deserto
Realização: Filmes de Alvenaria
Roteiro, direção, edição e câmera 3: Daniel Batata
Direção de fotografia e câmera 1: Ythallo Rodrigues
Câmera 2: Thiago Zanotti
Agradecimentos: Edson Xavier, Welson Mota, Graça Linhares e Dudé Casado
Apoio: Porão Rock

Clique aqui para ver o clipe oficial de “Cores”, da banda Algaboras.

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

‘Tudo o Que o Céu Permite’, filme de Douglas Sirk, no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Tudo o Que o Céu Permite
Ficha técnica:
Título original: All That Heaven Allows
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: Edna Lee, Harry Lee, Peg Fenwick
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead, Conrad Nagel, Virginia Grey, Gloria Talbott, William Reynolds, Jacqueline De Wit, Charles Drake, Leigh Snowden, Merry Anders
Duração: 89 minutos
Ano: 1955
País de origem: Estados Unidos

“Cary Scott é uma respeitável viúva da alta classe média, que se sente frustrada mas reencontra o amor ao se apaixonar por Ron Kirby, seu jardineiro.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 20 de janeiro de 2018, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Diante do meu amor pelo cinema



por Samuel Macêdo do Nascimento

No início de 2011 comecei a frequentar, assiduamente, as sessões do Cine Café que até hoje são organizadas e mediadas por Elvis Pinheiro. A partir dessa experiência, passo a me relacionar com o cinema de uma forma mais crítica. Um tempo depois, ano 2012, eu e Adriana Botelho (amiga-mãe), criamos e desenvolvemos o projeto Cine Arte Clube, que exibia curtas na região do Cariri, promovendo debates e seminários sobre as temáticas do audiovisual. Convidamos Ythallo Rodrigues e Elvis Pinheiro, futuros companheiros de grupo, para participarem das primeiras ações do projeto.

No mesmo dia da exibição do filme de Ythallo, Elvis me contou sobre a ideia de criar um grupo de estudos de cinema. Naquela noite passamos em algumas salas da então Universidade Federal do Ceará, campus do Cariri, convidando pessoas para aparecerem na reunião de estreia do grupo. Quarta-feira foi o dia escolhido para os encontros e na época eu cursava, na graduação, uma disciplina de Cinema Brasileiro que acontecia justamente nas quartas e por alguns meses fiquei alternando entre aulas e reuniões. Durante algum tempo não conseguia encontrar maneiras de conexões espontâneas com as pessoas que estavam no Grupo de Estudos, por uma questão óbvia: pessoas diferentes, de idades e formações distintas.

As relações começaram a ficar intensas e quando começamos a estudar livros do campo dos estudos de cinema, me vi obrigado a assumir uma postura mais disciplinada. Era necessário assumir um compromisso. Esse momento foi um divisor, fora e dentro do grupo. Estabelecido, o Grupo de Estudos Sétima de Cinema passa a discutir obras de teóricos importantes e isso fortaleceu não apenas a nossa observação enquanto espectadores, mas como pessoas que podiam pensar e escrever sobre cinema de forma fundamentada.

Os vínculos que até então eram sementes, brotavam e tornavam-se cada vez mais fortes. Nesses cinco anos aprendi, e continuo aprendendo, a lidar com as diferenças. Passei a confiar em pessoas estranhas, desobedecendo ao conselho mais primordial da infância. Vivi emoções diferentes, incluindo as surpresas das coincidências. Dois anos após ter sido apresentado ao teórico Robert Stam, dentro do Grupo, eu faria um curso presencial com o professor Stam, cara a cara.

Não sei como descrever o meu quarto porque estou dentro dele e estando dentro dele não posso hierarquizar sentimentos, lembranças, cores, cenas e experiências. Tenho a mesma sensação quando ouso dizer o que é o Grupo de Cinema de Estudos Sétima. Transpor sensações íntimas para o campo da linguagem é um trabalho árduo porque quase nunca conseguimos contemplar tantas histórias e sentimentos.

O meu amor pelo cinema foi mediado, como um namoro antigo que acontecia na sala da casa, geralmente tutelado pela presença de familiares. No nosso caso eram muitos olhares dentro de um espaço onde aconteciam reuniões, debates e conflitos que fortaleceram o nosso saber, não apenas sobre o cinema, mas sobre pessoas. Todos os integrantes do Grupo de Estudos compartilharam seus dons e isso jamais poderá ser apagado. Apesar de ser apenas cinco anos de história, tenho a impressão de que O Tempo, senhor de todas as coisas, alargou o tecido da nossa experiência.
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Samuel Macêdo do Nascimento é formado em Comunicação Social (Jornalismo), Mestre em Cultura e Sociedade e membro do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 40, de maio de 2017), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- O absurdo nosso de cada dia: as mulheres na Mostra 21 de 2017
- Meu romance com o cinema ou não era cilada, era amor
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- Longe deste insensato mundo
- Relato de viagem durante a IX Janela Internacional de Cinema do Recife
- ‘O Leitor’, filme de Stephen Daldry (2008): resenha crítica
- Meus 10 melhores filmes de todos os tempos, por Samuel Macêdo do Nascimento
- Na escuridão, te dedico. Sobre O Paciente Inglês

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Banda Algarobas realiza show em Crato



“Algarobas: a banda, que surgiu há 4 anos e já prepara seu segundo CD, pretende levar ao público músicas novas e também de seu primeiro trabalho, intitulado A estrada é longa e o caminho é deserto. Classificada pelo guitarrista Daniel Batata como uma banda que tem influências do rock progressivo e do post-rock, Algarobas mistura poesia e cinema em show com muita música experimental. O nome escolhido pela banda retrata uma árvore típica do sertão, assim como uma gíria popular do interior cearense que significa uma lorota. Assim, os quatro rapazes que dão corpo e som à Algarobas prometem um show rico em musicalidade e poesia na apresentação do Sesc.” (sinopse da divulgação do evento)
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Sesc Sonoridades
Show com a banda Algarobas
Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018, às 19h30
No Teatro Adalberto Vamozi (Rua André Cartaxo, 443, Crato-CE)
Sesc Crato
Entrada gratuita.

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