terça-feira, 27 de setembro de 2016

Uma Noite em 67



por Davi Oliveira

Um longo fio conecta um microfone a uma caixa de som, grandes holofotes, músicos lendários, acordes épicos, protestos, censura, vaias, violão quebrado, papéis de mocinho e vilão, uma plateia comprada em nome da audiência, recortes de interesses pessoais dos diretores... Parece uma ficção do gênero musical, no entanto esta é a atmosfera sob a qual foi realizada o famoso e polêmico 3º Festival da Música Popular Brasileira, em outubro de 1967.

Este festival foi criado pela TV Record e teve como participantes Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Roberto Carlos, dentre outros que possuíam como objetivo expor seus trabalhos e sua forma de pensar a música. Porém, este festival dirigido por Solano Ribeiro e Paulinho Machado nada mais era, em suas concepções, do que um simples programa de televisão.

Os diretores relatam que pensavam o festival como um programa que tivesse um protagonista e um antagonista, incentivando a plateia até mesmo a vaiar. Com isto, foi posto um microfone sob a plateia para que o telespectador que acompanhava em sua residência, pudesse se sentir “mais próximo” do show, ouvindo as manifestações do público.

Este programa ocorreu durante momentos importantes da história da Música Popular Brasileira. Primeiramente, nesta mesma época a música estava passando por uma fase de transição, da complexa Bossa Nova, gênero completamente influenciado pelo Jazz americano e pela influência do ritmo do Samba brasileiro (que por sua vez foi influenciado por ritmos africanos), em direção ao Tropicalismo, proposta estilística influenciada pelo movimento de contrarreforma que foi provocado pelas novas concepções da Arte Contemporânea na Europa e no continente Norte-Americano.

Com o Tropicalismo, buscava-se criar uma música que evidenciava a cultura “dos esquecidos”, trazendo à tona tudo o que o Brasil possuía de identidade e produção cultural na sua mais ampla pluralidade. Esta proposta de reforma foi tão marcante que gerou a memorável “passeata contra a guitarra elétrica”. A grande questão não era a inserção do instrumento (guitarra) na música brasileira, mas sim, a carga cultural do rock americano que passou a influenciar este movimento no ápice do surgimento e desenvolvimento da cultura pop.

Também encontramos em 67 a força da Ditadura Militar no Brasil, que acabou sendo fonte de criação das obras mais repletas de signos e figuras de linguagem da história da Música Popular Brasileira, devido à repressão esmagadora da censura no país. Na luta contra o exílio, torturas, falta de direitos para a população, que surgiram célebres compositores que fizeram da música e do movimento Tropicalista, sua militância contra a Ditadura.

O documentário Uma noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, evidencia através dos depoimentos coletados, todo este cenário cultural e histórico que o Brasil passava durante a realização do festival. Este audiovisual é marcado por depoimentos completamente descontraídos que criam uma atmosfera onde o telespectador se sente “frente a frente” com o entrevistado, como se estivessem tendo uma conversa casual em sua sala.

A inserção de trechos do festival de 67 no decorrer do filme, possibilita esta “ruptura” da constante tempo, transportando-nos nostalgicamente até o momento em que tudo ocorreu. Nestes fragmentos do programa encontram-se momentos marcantes do festival, como o ápice de ira de Sérgio Ricardo, que após as vaias da plateia não permitirem que ele pudesse tocar um novo arranjo para sua música “Beto Bom de Bola”, quebrou o violão no palco e arremessou-o na plateia, resultando em sua eliminação do programa.

Outro aspecto interessante é a surpresa dos músicos participantes deste festival, que ao serem entrevistados, descobrem que havia torcida organizada contra alguns, que existiam mocinhos e vilões e que tudo não passava de uma manipulação em prol da audiência. Talvez sem a existência deste documentário, estivessem até o presente momento sem sequer fazer ideia de que tudo isto ocorria nos bastidores. Estas revelações instigam reflexões sobre programas de auditório, interesses midiáticos, o quanto que o público realmente participa na construção de sua identidade e em como o mercado pode violentar a cultura e os artistas em prol do capitalismo.

Surgimento do Tropicalismo e da Jovem Guarda, o “lançamento” de ícones da música brasileira, cenário político do país, manipulação dos meios de comunicação e um panorama da relação entre compositores e a música, são os recortes que constroem este documentário, tornando-o um registro importante da história do país e um “documento assinado” pelos grandes nomes da Música Popular Brasileira. 
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Davi Oliveira é graduado em Música pela UFCA, violoncelista e compositor de músicas minimalistas. Estuda e trabalha com performance, dança contemporânea, teatro e Cinema. É terapeuta Holístico, professor de Yoga, Tai Chi Chuan, Reikiano e estudante de Esoterismo.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 32, de junho de 2016), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- O documentário da subversão no Cariri: ‘O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto’ e a multidão exterminada 
- Sales e salas
- A época em que está meu espírito
- Meus 10 melhores filmes de todos os tempos, por Ailton Jesus 
- As asas de Ythallo Rodrigues 
- Ecos que atravessam os séculos
- Canal Conspiração: uma cooperativa de audiovisual local, irreverente e subversiva 
- ‘Hannah Arendt: Ideias Que Chocaram o Mundo’, filme de Margarethe von Trotta

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

‘La Sapienza’, filme de Eugène Green, em exibição no Cine Sesc Crato



Cine Sesc Crato
Exibição do filme La Sapienza
Ficha técnica:
Título original: La Sapienza
Direção e roteiro: Eugène Green
Elenco: Fabrizio Rongione, Christelle Prot, Ludovico Succio, Arianna Nastro, Hervé Compagne, Sabine Ponte
Duração: 105 minutos
Ano: 2014
Países de origem: França, Itália
Classificação indicativa: 12 anos

“Alexandre Schmid (Fabrizio Rongione) é um brilhante arquiteto que, atormentado pela falta de inspiração, resolve embarcar em uma viagem de renovação, através dos estudos da arquitetura do lendário Francesco Borromini.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 26 de setembro de 2016, às 19h
No Sesc Crato-CE. Entrada gratuita.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

‘O Celuloide Secreto’, filme de R. Epstein e J. Friedman, no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme O Celuloide Secreto
Ficha técnica:
Título original: The Celluloid Closet
Direção: Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Roteiro: Vito Russo, Rob Epstein, Jeffrey Friedman, Sharon Wood, Armistead Maupin
Elenco: Lily Tomlin (narradora), Tony Curtis, Susie Bright, Arthur Laurents, Armistead Maupin, Whoopi Goldberg, Jan Oxenberg, Harvey Fierstein, Tom Hanks, Gore Vidal, Will H. Hays, Farley Granger, Quentin Crisp, Harry Hamlin, John Schlesinger, Susan Sarandon
Duração: 107 minutos
Ano: 1995
País de origem: Estados Unidos

“A indústria cinematográfica de Hollywood comentada a partir de várias passagens de seus filmes onde atores e gente da produção narram suas próprias experiências pessoais com personagens LGBT.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 24 de setembro de 2016, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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Alternativa 04 faz Tributo ao SOJA em Juazeiro do Norte



Alternativa 04 - Tributo ao SOJA
Sábado, 24 de setembro de 2016, a partir das 22h
No Homer's Pub - Av. Castelo Branco com Ivanir Feitosa
Juazeiro do Norte-CE
Mais informações: (88) 9.8827.2412.

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Sábado com show de Rubber Soul, Amélia e O Clã em Juazeiro do Norte



2 anos de Raul Rock Bar & Café
Com Rubber Soul (Cover dos Beatles), Amélia (Cover Pitty) e O Clã (Toca Raul)
Sábado, 24 de setembro de 2016, a partir das 22h30
No Raul Rock Bar & Café (Av. Virgílio Távora, 950, Aeroporto)
Juazeiro do Norte-CE
Mais informações: (88) 9.9234.1025.

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Fim de semana com mais uma edição da Expoanime Cariri em Juazeiro



Expoanime Cariri
Com as bandas Arabela, DDA, Silver Lady, Radio Video, Riot, Rosa Rubra
E mais: Swordplay, RPG, Just Dance, CS, Animekê, Card Game, Games, Exposição Act. Figure, Palestras, Cosplay, Tiro com arco, Stands, shows, Youtuber Nelson Jr., Youtubers Cariri e muito mais
Dias 24 e 25 de setembro de 2016, a partir das 9h30
No SESI de Juazeiro do Norte-CE
Ingresso antecipado: R$10,00
Pontos de venda: Porão Rock (Rua Carlos Gomes), PowerGames (Cariri Garden Shopping) e Caverna Rock (Rua São Paulo).

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Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 23/09 a 28/09/2016

Tô Ryca
(Tô Ryca, 2014)
Direção: Pedro Antonio
Produção executiva: Adriana Konig
Produção: Mayra Lucas, Paulo Boccato
Elenco: Samantha Schmutz, Katiuscia Canoro, Marcelo Adnet, Anderson di Rizzi, Fabiana Karla, Marcelo Mello Jr., Marcus Majella, Marília Pera
País: Brasil
Estreia: 22/09/2016
Gênero: Comédia
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: Selminha, gastadora compulsiva e sem nenhum crédito na praça, encara um desafio maluco: ela receberá uma herança de R$ 300 milhões se conseguir gastar R$ 30 milhões em apenas um mês. O problema é que as regras do desafio a proíbem de adquirir qualquer bem e limitam os valores que ela pode gastar em doações e loterias... E o pior: ela não pode contar para ninguém sobre o desafio e os gestores da herança, que ficarão com a fortuna se ela perder, farão tudo para sabotá-la! Ao final dos 30 dias, Selminha precisa estar tão pobre como no início. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h50, 16h20, 18h40, 21h (Sala 1)
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Cegonhas - A História que Não Te Contaram
(Storks, 2015)
Direção: Nicholas Stoller, Doug Sweetland
Produção executiva: Glenn Ficarra, Phil Lord, Christopher Miller, John Requa, Jared Stern
Produção: Brad Lewis, Nicholas Stoller
Elenco: Vozes de: Andy Samberg, Jennifer Aniston, Ty Burrell, Kelsey Grammer, Katie Crown, Keegan-Michael Key, Jordan Peele, Anton Starkman
País: Estados Unidos
Estreia: 22/09/2016
Gênero: Animação, Comédia, Família
Duração: 92 minutos
Distribuidor: Warner Bros.
Classificação indicativa: livre
Sinopse: Cegonhas entregam bebês... ou pelo menos eles costumavam. Agora eles oferecem pacotes para a gigante global da internet Cornerstore.com. Junior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando ele acidentalmente ativa a máquina que faz bebês, produzindo uma adorável e totalmente não autorizada bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Junior e sua amiga Tulipa, o único humano na Montanha das Cegonhas, correm para fazer sua primeira entrega de bebês em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (Sala 2)
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Um Namorado Para Minha Mulher
(Um Namorado Para Minha Mulher, 2014)
Direção: Julia Rezende
Produção: Diane Maia, Sandi Adamiu, Marcio Fraccaroli
Produção executiva: Renata Rezende
Elenco: Ingrid Guimarães, Caco Ciocler, Domingos Montagner, Miá Mello, Paulo Vilhena, Marcos Veras, Leticia Colin
País: Brasil
Estreia: 01/09/2016
Gênero: Comédia Romântica
Duração: 96 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: Nena está sem trabalhar e seu mau humor está enlouquecendo seu marido, Chico. Com o relacionamento por um fio e sem coragem de se separar, Chico tem uma ideia inusitada: contratar um amante para sua mulher, para que ela mesma resolva acabar com o casamento. Para tirar Nena de casa e promover seu encontro com o conquistador profissional (cujo codinome é Corvo), Chico pede a um amigo para contratá-la como apresentadora de um programa online – concordando até mesmo em pagar seu salário. O plano de Chico começa a dar errado quando Nena, com suas opiniões ácidas e certeiras, se torna um grande sucesso da Internet. As mudanças profissionais – e as investidas românticas de Corvo – fazem com que Nena se sinta de bem com a vida e atraente. Gradualmente, Nena volta a ser a mulher linda e interessante, por quem Chico havia se apaixonado. Agora Chico precisa demitir Corvo e salvar seu casamento, antes que seja tarde demais. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h30, 15h40, 17h50, 20h (Sala 3)
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Esquadrão Suicida
(Suicide Squad, 2015)
Direção: David Ayer
Produção: Charles Roven, Richard Suckle
Produção executiva: Geoff Johns, Deborah Snyder, Zack Snyder, Colin Wilson
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Cara Delevingne, Scott Eastwood, Ben Affleck, Jared Leto, Jai Courtney, Ike Barinholtz, Joel Kinnaman
País: EUA, Canadá
Estreia: 04/08/2016
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Duração: 123 minutos
Distribuidor: Warner Bros.
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: É bom ser mau… Reúna um time com os mais perigosos Supervilões já encarcerados, forneça a eles o mais poderoso arsenal à disposição do governo e os envie em uma missão para derrotar uma entidade enigmática insuperável. Amanda Waller, Oficial de Inteligência dos EUA, está convencida de que apenas um grupo de indivíduos díspares, desprezíveis, com quase nada a perder e convocado secretamente vai funcionar. No entanto, quando eles percebem que não foram escolhidos apenas para ter sucesso mas também por sua óbvia culpa quando inevitavelmente falharem, o Esquadrão Suicida resolverá morrer tentando ou decidirá que é cada um por si? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h, 15h30, 18h, 20h30 (Sala 4)
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Desculpe o Transtorno
(Desculpe o Transtorno, 2014)
Direção: Tomas Portella
Produção executiva: Claudia Büschel, Rodrigo Castellar, Caio Gullane
Produção: Fabiano Gullane , Débora Ivanov
Elenco: Clarice Falcão, Dani Calabresa, Gregório Duvivier, Júlia Rabello, Marcos Caruso, Zezé Polessa, Verônica Debom, Luis Lobianco, Rafael Infante
País: Brasil
Estreia: 15/09/2016
Gênero: Comédia
Duração: 80 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: Um homem (Gregório Duvivier) tem dupla personalidade e incorpora as diferenças entre Rio de Janeiro e São Paulo: Uma hora ele é o certinho e tímido paulistano Eduardo; em outra, se transforma em Duca, um carioca fanfarrão e folgado. Ele se envolve em um grande confusão amorosa quando, apesar de estar em um relacionamento estável com a noiva (Dani Calabresa), seu alter-ego acaba se apaixonando por outra mulher (Clarice Falcão), que ele acaba de conhecer. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (Sala 5)
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Bruxa de Blair
(Blair Witch, 2016)
Direção: Adam Wingard
Produção executiva: Jason Constantine, Gregg Hale, Jenny Hinkey, Eda Kowan, John Powers Middleton, Daniel Myrick, Michael Paseornek, Eduardo Sánchez
Produção: Keith Calder, Roy Lee, Steven Schneider, Jessica Wu
Elenco: James Allen McCune, Corbin Reid, Wes Robinson, Valorie Curry, Callie Hernandez, Brandon Scott
País: EUA
Estreia: 15/09/2016
Gênero: Terror, Thriller
Duração: 89 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: Se você lembra da #BruxaDeBlair, prepare-se para uma sequencia ainda mais aterrorizante. A lenda nunca foi tão real. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h20, 15h20, 17h20, 19h20 (Sala 6)
Legendado: 21h20 (Sala 6)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$14,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 18,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$18,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$24,00.

Promoção:
De segunda a quarta-feira, todos os ingressos por R$ 7,00, exceto sessões 3D (R$9,00 + R$8,00 óculos)

No Cinema do Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/
Número de telefone do cinema: (88) 3571.8275.

Programação sujeita a alterações.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

‘Um Dia de Cão’, filme de Sidney Lumet, em exibição em Barbalha



Cine Café Volante em Barbalha (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Um Dia de Cão
Ficha técnica:
Título original: Dog Day Afternoon
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Frank Pierson
Elenco: Al Pacino, John Cazale, Gary Springer, Sully Boyar, John Marriott, Jay Gerber, Carol Kane, Charles Durning, James Broderick, Chris Sarandon, Lance Henriksen
Duração: 124 minutos
Ano: 1975
País de origem: Estados Unidos

“Um assalto a banco com desdobramentos inesperados para todos os envolvidos.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na sexta-feira, 23 de setembro de 2016, às 19h
No CEU Mestre Joaquim Mulato, Parque da Cidade de Barbalha-CE. Entrada gratuita.

Para ler um texto sobre Um Dia de Cão, clique aqui.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sorrisos de Elis: Dueto Fatinha Gomes e Fabricio da Rocha em Juazeiro



“Fatinha Gomes e Fabrício da Rocha são dois artistas que despontam de uma sintonia, cumplicidade e talento sem igual. Ambos Cearenses; ela da cidade de Crato, ele da cidade de Fortaleza. Dois grandes talentos em um formato clássico: voz e violão. Talentos esses que aos poucos estão recebendo reconhecimento de um público especializado ao longo de mais de dois anos de parceria.

Dessa ligação entre os dois surge a proposta ‘Sorrisos de Elis’, que não chega a ser um tributo, nem se propõe como cover do grande feito da trajetória da cantora Elis Regina, essa é uma proposta elevada, honesta, muito clara de como lembrar essa grande cantora, junto ao seu infinito repertório inspirador, sagaz, leve e cheio de docilidades, ao mesmo tempo.” (sinopse da divulgação do evento)
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Sorrisos de Elis
Dueto Fatinha Gomes e Fabricio da Rocha
Quinta-feira, dia 22 de setembro de 2016, 19h30
No Teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri
Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita.

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conversas Filosóficas: O Ensino da Filosofia Africana e a Lei 10.639/03



“Renato Noguera é professor de Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro) e do Laboratório Práxis Filosófica de Análise e Produção de Recursos Didáticos e Paradidáticos para o Ensino de Filosofia (Práxis Filosófica) da UFRRJ. Noguera coordena o Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Interseções (Afrosin). Suas investigações se concentram em três (linhas de) pesquisas: 1) Filosofando com sotaques africanos e indígenas; 2) Educação, Arte, Infância e Relações Étnico-Raciais; 3) Ética, Política e Subjetividade. Acontece dentro do programa Artefatos de Cultura Negra.” (sinopse da divulgação do evento)
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Conversas Filosóficas
O Ensino da Filosofia Africana e a Lei 10.639/03
Com o Professor Renato Noguera (Rio de Janeiro-RJ)
Quarta-feira, 21 de setembro de 2016, 19h
No Auditório da UFCA
Juazeiro do Norte-CE.

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TransOlhar: Exposição de Fotografias em Juazeiro do Norte



“Fotografias resultantes da oficina TransOlhar, ministrada pela fotógrafa Nívia Uchôa para pessoas com baixa visão e cegas, em janeiro de 2016, no CCENE. Acervo pertencente aos membros do Centro Educativo do Cariri de Apoio às Pessoas com Deficiência Visual.” (sinopse da divulgação do evento)
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TransOlhar: Exposição de Fotografias
De 21 a 30 de setembro de 2016
No CEJA - Centro de Educação de Jovens e Adultos
Rua do Cruzeiro, 1440, Juazeiro do Norte-CE
Fone: (88) 3102.1121.

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O documentário da subversão no Cariri: ‘O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto’ e a multidão exterminada



por Samuel Macêdo do Nascimento

Não sei ao certo o número de vezes que vi esse documentário e tenho a sensação de que se trata de um dos melhores filmes feitos em nossa região. Rosemberg Cariry, diretor do filme, inicia o documentário contando a história da cidade de Juazeiro do Norte e de suas figuras misteriosas: o Padre Cícero, a beata Maria de Araújo e o beato José Lourenço. A experiência do Caldeirão foi semelhante à comunidade de Canudos. As pessoas e famílias que viveram coletivamente nesse território que pertencia ao Padre Cícero foram alvo do incômodo do poder do clero, do governo da época e da elite local. O primeiro massacre aéreo do Brasil aconteceu nas terras do sul do Ceará, quando  aeronaves do governo bombardearam o sítio do Caldeirão.

O Caldeirão está localizado na chapada do Araripe, cidade do Crato, e a sua destruição, em maio de 1937, diz muito sobre a nossa construção de cidadania, de direitos e das histórias não oficiais de violências que acompanham essa e outras regiões do Brasil. Após a morte do santo popular Padre Cícero Romão Batista em 1934, as forças locais se unem para apagar os registros dessa experiência coletiva e subversiva. Os testemunhos dos sobreviventes e das pessoas envolvidas no massacre conduzem o filme. O Caldeirão passa a (re)existir com esses relatos presentes no filme cinquenta anos depois do massacre, em 1987.

A estética do documentário dirigido por Rosemberg Cariry está a todo momento trazendo os pedaços das vidas exterminadas no Caldeirão. Cenas com ex-votos espalhados nas areias da praia, e as próprias imagens dos créditos inicias e finais trazem esses pedaços de corpos que se perderam nos solos da comunidade. A montagem do filme nos conecta a dois momentos importantes: o período da ditadura Vargas, quando a comunidade é exterminada; e o ano em que o filme é produzido que se sintoniza com o início da redemocratização do Brasil, quando as pautas dos movimentos das pessoas que não tinham acesso a terra pressionavam a política nacional.

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto tem trilha sonora que mistura os ritmos dos grupos da cultural popular local, como bandas de pífano, junto com vozes de cantores cearenses como a cantora Téti, integrante do movimento musical conhecido como Pessoal do Ceará. A história do Caldeirão trazida pela primeira vez através do cinema, acabou sendo alvo do interesse de pesquisas sobre esse massacre exterminado pela historiografia oficial. O filme é um dos meus temas da pesquisa de mestrado, inclusive.

Sabemos que Juazeiro foi construída por multidões que saem de várias regiões do Nordeste brasileiro, principalmente, e o Caldeirão é criado e pensado a partir dessa mesma lógica de diáspora. Multidões que perderam suas terras e seus alimentos pelos fenômenos das secas ou das desigualdades sociais, encontraram esperança nessa comunidade liderada por José Lourenço, beato negro e pobre que seguia o padre Cícero. Porém, a ameaça comunista que assombrava aquele período precisava ser extinta nos países periféricos, em muitos países da América Latina, inclusive. O filme ganha seu caráter máximo de potência quando conecta os conflitos políticos do século XX que se caracterizou por seu número imensurável de massacres, como holocausto, extermínio de povos desterritorializados, entre outros.
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Samuel Macêdo do Nascimento é formado em Comunicação Social (Jornalismo), Mestre em Cultura e Sociedade e membro do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 32, de junho de 2016), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- Sales e salas
- A época em que está meu espírito
- Meus 10 melhores filmes de todos os tempos, por Ailton Jesus 
- As asas de Ythallo Rodrigues 
- Ecos que atravessam os séculos
- Canal Conspiração: uma cooperativa de audiovisual local, irreverente e subversiva 
- ‘Hannah Arendt: Ideias Que Chocaram o Mundo’, filme de Margarethe von Trotta 
- Muito além da ditadura física

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domingo, 18 de setembro de 2016

‘Oslo, 31 de Agosto’, filme de Joachim Trier, em exibição no Cine Sesc Crato



Cine Sesc Crato
Exibição do filme Oslo, 31 de Agosto
Ficha técnica:
Título original: Oslo, 31. August
Direção: Joachim Trier
Roteiro: Eskil Vogt, Joachim Trier e Pierre Drieu La Rochelle
Elenco: Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Johanne Kjellevik Ledang, Ingrid Olava, Anders Borchgrevink, Andreas Braaten, Malin Crépin
Duração: 95 minutos
Ano: 2011
País de origem: Noruega
Classificação indicativa: 16 anos

“Anders (Anders Danielsen Lie) está se recuperando do vício em drogas numa clínica de reabilitação em Oslo. No dia 30 de agosto ele ganha a permissão para sair da casa de tratamento, visitar seu amigo Thomas (Hans Olav Brenner) e ir em uma entrevista de emprego no centro da cidade.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 19 de setembro de 2016, às 19h
No Sesc Crato-CE. Entrada gratuita.

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sábado, 17 de setembro de 2016

‘Lua de Papel’, filme de Peter Bogdanovich, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Lua de Papel
Ficha técnica:
Título original: The Big Lebowski
Direção: Peter Bogdanovich
Roteiro: Alvin Sargent (baseado em romance de Joe David Brown)
Elenco: Ryan O'Neal, Tatum O'Neal, Madeline Kahn, John Hillerman, Burton Gilliam, P.J. Johnson, Jessie Lee Fulton, James N. Harrell, Lila Waters, Noble Willingham, Bob Young
Duração: 102 minutos
Ano: 1973
País de origem: Estados Unidos

“Uma jovem de apenas nove anos que se torna órfã fica aos cuidados de Moses Pray, um vigarista disfarçado de vendedor de bíblias.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 17 de setembro de 2016, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sales e salas



por Ravi Carvalho

Segundo semestre de 2015. Em mais uma reunião semanal do metamórfico Grupo de Estudos Sétima de Cinema, Elvis Pinheiro nos traz o conteúdo de uma conversa interessante com Aquiles Salles, músico caririense que é amigo de vários membros do grupo e neto do “seu Sales”. Aquiles lhe falara sobre seu avô, que havia sido projecionista de dois cinemas em Juazeiro do Norte no final da década de 40, e que seria importante registrar sua história.

Nessa mesma reunião surgiu entre nós a ideia e o desejo de fazer, a partir desse registro, um documentário sobre a história dos “cinemas de rua” em Juazeiro do Norte. Alguns dias depois, decidimos fazer um documentário curta-metragem que daria início a nossas produções cinematográficas. Surgia, então, o embrião do filme Sales e Salas.

Depois disso, marcamos uma entrevista com o seu Sales. Nosso primeiro contato com ele aconteceu no dia 25 de setembro [de 2015], no Sesc Juazeiro. De cara, percebemos a simplicidade e simpatia daquele senhor muito bem-humorado e com muita história pra contar. Fizemos isso sem muita técnica, direção ou coisas do tipo, e como já era de se esperar, depois de algumas tentativas de edição desse material, vimos que o resultado não seria dos melhores. Mas também ficou claro que não desistiríamos fácil assim...

Alguns meses e muitas reuniões depois, percebemos a necessidade de uma coisa essencial para a efetivação da nossa vontade: organização. Daí em diante, deliberamos funções para cada um dos membros do grupo que se dispuseram a realizar esse filme. Foi assim que, no dia 21 de abril de 2016, fizemos uma nova gravação com seu Sales, na Cantina Zé Ferreira, no centro de Juazeiro do Norte.

Como se diz em um dos maravilhosos filmes de Charlie Kaufman, “todos são protagonistas de sua própria história”. Creio que esse filme sobre o senhor Francisco de Sales seja um exemplo prático disso. Um tanto mais organizados e com uma equipe montada, apesar de ainda sem muitos aparatos técnicos e sem nenhuma espécie de ajuda financeira, depois de mais de um mês de trabalho para a finalização do nosso primeiro documentário, eis que finalmente nasceu, em junho de 2016, Sales e Salas.


Trailer de Sales e Salas (direção: Ravi Carvalho):


P.S.: Infelizmente, poucas semanas após a estreia do filme Sales e salas, que contou com a ilustre presença do Seu Francisco de Sales, o grande protagonista dessa história faleceu, deixando grande saudade entre os familiares, amigos e integrantes do Grupo de Estudos Sétima de Cinema.
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Ravi Carvalho cursa Direito na URCA. É integrante do Grupo de Estudos Sétima de Cinema desde 2012, e dirigiu o documentário em curta-metragem Sales e Salas, lançado em 2016.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 32, de junho de 2016), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

Textos recentes da Revista Sétima postados no Blog O Berro:
- A época em que está meu espírito
- Meus 10 melhores filmes de todos os tempos, por Ailton Jesus 
- As asas de Ythallo Rodrigues 
- Ecos que atravessam os séculos
- Canal Conspiração: uma cooperativa de audiovisual local, irreverente e subversiva 
- ‘Hannah Arendt: Ideias Que Chocaram o Mundo’, filme de Margarethe von Trotta 
- Muito além da ditadura física 
- Todos eles bruxos

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