quinta-feira, 2 de abril de 2020

Por que Bolsonaro governa o Brasil na contramão dos índices e recomendações científicas de combate ao Covid-19? Um ensaio sobre o “Estado suicidário”


Praça Padre Cícero em Juazeiro do Norte, deserta em tempos de coronavírus (foto de Luis Celestino - com edição)

por Lusmário Oliveira

Desde o início da pandemia do Covid-19 venho tentando compreender as atitudes que tem tomado o presidente Jair Bolsonaro. Minha questão partia basicamente desse pressuposto: como pode ele, mesmo com tantos exemplos ao redor do mundo, com tantos dados científicos e embates consistentes e diretos às suas atitudes, continuar agindo no caminho contrário da prevenção e promoção à saúde da população brasileira? Em tempo: antes de qualquer coisa, gostaria de frisar que não pretendo com textos como este trazer uma resposta concreta e/ou certeira, e sim discutir ensaios filosóficos que se propõem a discutir acerca do cenário atual, objetivando gerar reflexões e, talvez, servir de auxílio para a ampliação de conhecimento e construção de novas ideias.

Logo após os primeiros pronunciamentos do presidente sobre a pandemia, foram elencadas algumas possíveis explicações para as suas atitudes. Uma delas é a que alega se tratar de uma estratégia política que Bolsonaro estaria usando para isentar-se das responsabilidades de um quase certo crash da economia brasileira – o que não seria nenhuma novidade, tendo em vista que o colapso econômico vem se instaurando bem antes da pandemia. Esta estratégia de evasão viria atrelada ao direcionamento da responsabilidade aos governadores que não seguirem as suas recomendações de priorizar o sistema econômico em detrimento da saúde pública.

Mas de algum modo a tese acima não supriu minha curiosidade. O campo no meu cérebro que ansiava germinar ainda não via nada brotar. Posteriormente, quando tive contato com o ensaio do filósofo brasileiro Vladimir Safatle – “Bem-vindo ao Estado Suicidário” – sobre o atual cenário no Brasil, logo no primeiro parágrafo entendi o equívoco na construção da pergunta que fiz aqui, coincidentemente, no primeiro parágrafo. Também observei que coloca em xeque a explicação do parágrafo anterior, não por ela estar incorreta, mas por que o filósofo se propõe a uma discussão que vai além das fantasias que podemos conjecturar para as infindas possíveis motivações que possam existir nas atitudes de Bolsonaro.

Ou seja, para Safatle, o que está acontecendo no Brasil não nasce, em nenhuma instância, de um acidente ou de um voluntarismo dos governantes, “até porque, ninguém nunca entendeu processos históricos procurando esclarecer a intencionalidade dos agentes”. Deste modo, a irrelevância que o autor atribui às motivações que levariam a tais atitudes é incisiva ao ponto de defender que comumente esses agentes agem sem sequer terem alguma noção do que estão fazendo.

Mas afinal, o que Safatle quer dizer com “Estado suicidário”? Trata-se de um termo que se usa para explicar que este cenário vai além de um conceito mais discutido e conhecido: necropolítica. Conceito esse que foi desenvolvido pelo filósofo camaronense Achille Mbembe, em 2003, para designar as políticas de estado que decidem quem deve morrer e quem deve viver.

Fazendo agora uma comparação: assim como o fascismo para Bertolt Brecht “apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira”, Safatle acredita que o Estado suicidário é inseparável do neoliberalismo e se encontra em “sua face mais cruel, sua fase terminal”. Deste modo, o Estado suicidário, conceito que toma emprestado de Paul Virilio, para além de gestor da morte como aponta Mbembe, atua continuamente para sua própria catástrofe, “ele é cultivador de sua própria explosão”.

Neste ponto, julgou-se importante elencar a perspectiva de Noam Chomsky sobre o cenário atual pandêmico. Para ele este cenário é gravemente fértil para que governantes consigam desestabilizar a democracia, e em seu ensaio apresenta as semelhanças do presente e as que percebeu há 80 anos atrás, quando tinha apenas dez anos e vivia no período de ascensão do nazismo que culminaria na Segunda Guerra Mundial. No entanto, o que seria mais importante para o que estamos discutindo agora é o que ele apresenta como uma leitura sobre um possível fim da humanidade.

Com o desfecho da Segunda Guerra Mundial, cinco anos depois, com duas bombas nucleares lançadas pelos EUA em cidades japonas no ano de 1945, Chomsky atenta para os fatos que se seguiram: “há 70 anos vivemos sob a sombra da guerra nuclear. Aqueles que analisaram os registros só podem se surpreender com o fato de termos sobrevivido até agora. Vez após outra, o desastre terminal tem ficado extremamente próximo, a alguns minutos de distância”.

Quando penso na produção de armas capazes de destruir a humanidade sinto uma sensação de que estamos falando de Estado suicidário, porém, Safatle entende que um acontecimento como este houve apenas uma vez na história recente. Trata-se do momento da queda do regime nazista, mais precisamente em um telegrama: o telegrama 71. Nesse, Adolf Hitler anunciou o fim de uma guerra então perdida. No telegrama haviam os dizeres: “Se a guerra está perdida, que a nação pereça”.

Com esse telegrama, Hitler deu ordem para que o exército nazista destruísse o que ainda restava de infraestrutura da nação já bastante arruinada. Como se, no íntimo, este fosse o real objetivo final: que a nação se extinguisse pelas suas próprias mãos, “pelas mãos que ela mesma desencadeou”. Foi essa a resposta para uma raiva secular contra o próprio estado e contra toda a sua representação. Há diversas formas de destruir o estado e uma delas é aumentando a velocidade de sua própria catástrofe, independentemente do número de vidas que irá custar, explica o filósofo brasileiro.

As semelhanças com o governo de Bolsonaro são graves. Há algum tempo ele vem incentivando e agindo de forma a atacar instituições do estado, tais como o fechamento do Congresso e do STF. Agora, em meio a uma pandemia, ele encontrou uma catástrofe que serve como uma luva para seu plano de destruição do estado e tem feito de tudo para que consiga atingir seu objetivo autodestrutivo.

Recentemente duas matérias me chamaram atenção. Uma veiculada pela revista inglesa The Economist e outra pela BBC Brasil. A revista de economia inglesa chama o presidente de “BolsoNero”, em evidente alusão ao personagem histórico que ficou famoso por supostamente ter ordenado o incêndio de Roma, onde era imperador. A BBC Brasil veiculou uma matéria sobre o Brasil da meningite de 1974. Trata-se dos tempos da ditadura militar e, assim como hoje Bolsonaro tem tentado rotineiramente, havia um enfraquecimento da autonomia dos veículos de informação e dos jornalistas através, principalmente, da censura. A jornalista Catarina Schneider, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sobre a meningite em 1974 explica: “assim que surgiu, foi tratada como uma questão de segurança nacional, e os meios de comunicação proibidos de falar sobre a doença. [...] Essa tentativa de silenciamento impediu que ações rápidas e adequadas fossem tomadas”.

Em meados do mês de março (de 2020), quando questionado sobre sua saúde, Bolsonaro disse: “se eu me contaminei, é responsabilidade minha, ninguém tem nada a ver com isso”. O neoliberalismo se embasa nessa visão de homem que é relacionada ao conceito de “indivíduo” e que gera em sua esfera mais perversa outro conceito: o de individualismo. Conceito político, moral e social que manifesta a ideia de que existe liberdade do indivíduo perante o grupo. No entanto, estamos longe de falar de uma situação que gera consequências apenas na vida de quem se contamina, tendo em vista se tratar de um vírus altamente contagioso.

E é neste ponto que Safatle vislumbra uma possível alternativa. Alternativa esta que é oposta e combativa à que está tomando o presidente. Pressupõe afeto em relação ao outro sem que ele sequer faça parte do grupo que eu vivo ou sem que ele precise estar no meu lugar. Assim, recorda que são nesses momentos mais dramáticos que sentimentos como estes surgem e são capazes de lembrar aos sujeitos que eles fazem parte de um organismo maior, que é interdependente e necessita de apoio mútuo. E não é isto que está acontecendo em/entre várias nações do mundo?

Em partes, sim, mas o Brasil é um dos únicos países do mundo que tem um presidente que se recusa a seguir as recomendações de combate à pandemia global, e continua incentivando a população no sentido contrário. Se medidas como estas continuarem sendo tomadas, o Brasil tenderá a ser objeto de um cordão sanitário global e, talvez, isolado e com as instituições e governadores estaduais e municipais enfraquecidos, seja um cenário ainda mais propício de se instaurar um estado autoritário que colocará ainda mais combustível para acelerar as engrenagens de autodestruição.
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Lusmário Oliveira é psicólogo clínico e Gestalt-terapeuta.


Fontes:
Vladimir Safatle - Bem vindo ao estado suicidário.
https://jornalggn.com.br/blog/doney/bem-vindo-ao-estado-suicidario-por-vladimir-safatle-n-1-edicoes/

Noam Chomsky – Não podemos deixar o covid-19 nos levar ao autoritarismo.
Original em inglês:

https://truthout.org/articles/we-cant-let-covid-19-drive-us-into-authoritarianism/

Tradução de César Locatelli, para Carta Maior:
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Nao-podemos-deixar-o-COVID19-nos-levar-ao-autoritarismo/6/46871

The Economist - Presidente do Brasil brinca com uma pandemia:
https://www.economist.com/the-americas/2020/03/26/brazils-president-fiddles-as-a-pandemic-looms

Estadão – The Economist diz que Bolsonaro brinca com conoravirus e chama presidente de BolsoNero:
https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,the-economist-diz-que-bolsonaro-brinca-com-coronavirus-e-chama-presidente-de-bolsonero,70003249319

BBC Brasil - Escolas fechadas, hospitais lotados, eventos cancelados: o Brasil da meningite de 1974:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52058352

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terça-feira, 31 de março de 2020

Dona Ciça do Barro Cru em texto do livro ‘Cultura Insubmissa’, de Rosemberg Cariry e Oswald Barroso



Apresentamos texto publicado no livro Cultura Insubmissa (estudos e reportagens), de Rosemberg Cariry e Oswald Barroso (Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1982), sobre a artista Dona Ciça do Barro Cru, um dos grandes nomes da história do artesanato de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Obs.: optamos por reproduzir o texto ipsis litteris, repetindo a maneira como foi transcrita a fala da personagem em questão.


Dona Ciça - Mãe de Barro

A cerâmica lúdico-figurativa é uma das mais significativas expressões da arte popular do Nordeste. Se os brinquedos de barro eram comuns às tradições culturais dos povos europeus e nos foram legados pelos ibéricos, receberiam também a contribuição indígena que enriqueceria em muito a cerâmica nordestina em seus multiaspectos. No Ceará, principalmente no Cariri, a contribuição índia foi marcante, mas em outras regiões do Nordeste os povos negros transplantados deram também o seu importante legado cultural no desenvolvimento da cerâmica popular. Ofício de mulheres, as cunhãs, sensíveis e habilidosas no trato com o barro, modelavam, juntamente com os potes, panelas, etc., pequenas figuras antropomorfas e zoomorfas para as crianças brincarem. Os nossos artistas populares, na grande maioria caboclos, partindo de modelos herdados das tradições ibéricas e indígenas, desenvolveriam uma cerâmica tão rica e esteticamente cheia de significados culturais que se poderia compará-la à cerâmica asteca e andina, no seu estágio mais avançado.

No livro As Artes Plásticas no Brasil, Cecília Meireles fala sobre a cerâmica utilitária da Bahia: “Diante de certas peças cerâmicas (...), tão elegantes de perfil e tão ricas de decoração, pensa-se nos suntuosos modelos mexicanos e peruanos e tem-se a impressão de que a alta cerâmica do pacífico estendeu até o atlântico os derradeiros filamentos das suas raízes”. No Ceará, na cidade de Cascavel, nas regiões da serra da Ibiapaba e do Cariri, encontramos núcleos de intensa produção de cerâmica utilitária e lúdica. Destes núcleos, o mais importante é o do Cariri, onde os artistas populares passaram, assim como os artistas de Caruaru - Pernambuco, de figuras isoladas para complexos conjuntos de peças representando cenas cotidianas e manifestações folclóricas regionais. Em Juazeiro do Norte existe uma cerâmica de rara beleza, com formas bem delineadas, muito equilíbrio e intenso colorido. Nomes como Cícera Fonseca, Luíza dos Cachimbos, Carminha e Dona Ciça do Barro Cru são as expressões maiores de cerâmica lúdico-figurativa do Cariri. De Dona Ciça nos ocuparemos neste pequeno estudo, por sua importância artística de características diferenciadas.

A arte de Dona Ciça reflete a realidade e a cosmovisão populares. As cenas encontradas no cotidiano do povo simples são por ela plastificadas em formas bem elaboradas e detalhadas, com um colorido supra-real. Sua produção inclui peças individuais: aves, animais domésticos e fantásticos, pessoas em seus afazeres, santos e demônios etc. Sua cerâmica, no entanto, encontra maior expressividade nas obras de conjunto, onde reelabora, segundo a sua visão e sensibilidade estética, cenas coletivas de imensa complexidade. Exemplos disto são os conjuntos de peças que compõem os os “reisados”, “farinhadas”, “bandas de pife”, “enterros de anjos”, “procissões” etc. Na reelaboração do real, Dona Ciça não usa apenas o barro e as tintas como matérias-primas. Utiliza-se também de palitos, arames, sementes, algodão, fitas, retalhos de fazenda e penas (o uso de penas ficou-lhe como legado índio, onde deita suas origens).

Para melhor compreender esta grande artista, necessário se faz que mergulhemos na sua história. Fala Ciça: “Nasci no Sítio São José, Juazeiro, em março de 1915 (ano de tirana seca). Meu pai era de Garanhuns e se chamava Pedro Araújo, minha mãe era de Quipapá e se chamava Quitéria Maria da Conceição. Fui pra Santana do Cariri novinha, quando vim de lá pro Juazeiro tava com sete anos. Em 32 foi seca, muito aflagelado aí no Buriti, eu tirei a temporada pedindo esmola no Crato, mode sustentar pai e mãe. Ninguém tinha nada pra comer em casa, eu ia com uma irmãzinha, montada num jumento, com um jogo de caçuá. Neste tempo morreu umas irmãs novas que eu tinha. A gente cumia muita comida braba, coisa venenosa, só pudia ser. Depois eu fui vivê de vendê capim. Comecei a trabaiá no barro com 25 anos de idade já tava casada pela primeira vez com Luís Ferreira, que morreu de congestão. Quando eu casei já tinha Ciço, esse que é casado. Ciço foi um erro que eu dei, eu sô uma pessoa que só fala a verdade, nem que morra. Ficando viúva eu me casei com Manuel Costinho de Sena que morreu de saluço, sofrendo dezoito dia de saluço, dez anos depois de nóis casado. O outro, Cornelho, não morreu comigo, morreu lá com a famia dele. O danado vivia dizendo que tinha um probrema, sei que esse probrema num tava certo pra gente casado, mandei ele lá pra famia dele, tava separada dele nesse tempo. Adepois me casei com Manuel num sei o que de Mato, esse também mandei embora, morreu cum a famia dele, pra lá. Agora casei cum Jenuaro”. Assim é Ciça, com toda a sua riqueza existencial e expansiva sinceridade.

Vivendo pobremente, numa casinha de taipa no subúrbio de Juazeiro, Ciça subvive da sua arte e dos restos de legumes que cata nos dias de feira. Ela afirma: “o dinheiro que apuro não dá nem pra cumê, eu vou pra feira do Crato e de Barbaia e fico varrendo na feira do feijão, chego em casa e vô separá os caroço de feijão. Eu só varro na feira do Crato e de Barbaia, no Juazeiro eu nunca faço lá, eu nunca me acustumei. Sou conhecida lá, moro lá desde os sete anos, aí tenho vergonha de pedir esmola e varrê na feira de Juazeiro. Só como disso, eu também peço nas budegas e nos cafés, peço a um e a outro. Tiro um conto, dois conto, assim vou vivendo. Só o trabaio no barro num dá e roubá eu num vou. As muié nova pede, quanto mais eu qui já tô véia e duente. Agora eu quero falar pra eu miorá mais a vida. O trabaio do barro quando vou pegá, fico com as mão drumente, aquele drumiço nas mãos. Fico bastante duente, só quiria que arrumassem um negoço pra mim. Minha casa é muito pobrezinha, quero ajeitar e num posso, é muito apertadinha, só tem um vão, ainda essa sumana levei uma queda dentro de casa, num reguinho que tem dentro de casa, o esgoto passa por dentro de casa e eu num posso fazer, num tem tijolo, num tem nada. Jenuaro trabaia butando umas rocinhas de meio, mas num dá pra nada, não. Minha vida é muito precária. A gente leva os buneco pra feira e o povo num compra, só quer baratinho e num posso vender. Outra é que tem muita gente ignorante, a gente pede um preço ele ignora, querem de graça e eu num posso dar, material caro, dá muito trabaio, eu já trabaio a força, vivo sem paciência pra arte, tô véia”.

O fenômeno da diminuição da venda de cerâmica lúdico-figurativa explica-se pela queda do poder aquisitivo do povo. A ceramista abandona a feira e passa a viver das raras encomendas dos turistas ou explorada por atravessadores. Esta prática passa também a intervir na originalidade das peças produzidas pelo artista popular, que deixa de acionar os mecanismos internos, dinâmicos, coletivos, vivos e integrados ao seu espaço (região) e às suas necessidades sociopolítico-econômicas, passando a produzir uma arte que é apenas um reflexo da cultura capitalista dominante. A partir desse processo de dominação deixa de ser feita para o povo, desintegram-se as suas funções sociais e ela passa a ser consumida pela classe dominante, ficando, consequentemente, de difícil alcance para a bolsa popular. A cerâmica lúdico-figurativa, que deixa de ser vendida nas feiras a preços populares, depois de passar por um processo de descaracterização, torna-se objeto caro nas butiques grã-finas e adornos nas casas luxuosas. A classe produtora desta arte tem que se conformar com os bonecos de plástico, bibelôs de louças ou estatuazinhas de gesso reproduzindo em série cenas do cotidiano burguês. O povo, mesmo produzindo, fica sem acesso à sua própria arte. Dona Ciça, mantendo-se fiel a sua arte popular, resiste como pode.

O trabalho com cerâmica envolve uma série de dificuldades. Ciça explica: “O barro eu vou buscar nas Cobras, num boto de carrada não, eu vou buscar na cabeça. É muito longe de minha casa, perto da Serra do Horto, quase meia légua. Tenho que comprar tinta, tinta de casa, tinta d'água, misturada com cola de madeira. Os pinceus eu faço de palito e algodão, só uso as mão e os palito. Teve um tempo que eu viajava, com o meu primeiro marido, fazendo boneco de barro, pra trocar por comida cum os minino e pra vender na feira. Viajava pra Cedro, pra Iguatu, andei até pela Paraíba... tempo bom. Eu faço de tudo na minha arte, faço reisado, cobra, muié fazendo renda, muié catando piolho, muié dando de mamar, banda de pife, padre confessando, João Tingó, Maria Fumaça, casamento, batizado, violeiro, operação, anjo, diabo, cangaceiro, santo, gato, capote, tenho tudo na minha cabeça, é tudo na minha maginação”. Interrogada por que não cozinhava seus bonecos, fala com simplicidade: “Num dá pra cunzinhar, minha arte é deferente, leva pena, leva cordão, leva simente, leva muita coisa. Se eu for cunzinhar queima tudo. E eu também num sei cunzinhar não, aquilo precisa outra preparação. Eu só sei fazê, butá no sol, pintá e pronto. Cada pessoa tem sua arte”.

Por não cozinhar em forno suas peças (daí o nome Dona Ciça do Barro Cru), elas são fragilíssimas, quebram-se ao menor impacto ou com o tempo se desfazem, voltando novamente à massa amorfa do barro bruto. Pessoas interessadas na comercialização da sua arte, ou mesmo pensando em conservá-las, tentaram convencer Ciça de queimar as suas peças. Já houve mesmo quem quisesse doar-lhe um forno. Ciça resiste, continua não cozinhando seus bonecos, deixa-os belos e frágeis, enfeitados com fitas, cordões e penas, destinados à breve existência, ao desaparecimento.

Assim como a sua arte, é a sua criadora, bela e frágil, na sua fascinante criatividade, que também desaparecerá, miseravelmente, catando legumes e pedindo esmolas nas feiras. Tanto é o amor que suas mãos maravilhosas transmitem aos seus “bichinhos de barro” que, ante a  impossibilidade do sopro da vida, Ciça lhe cria, com toda liberdade de expressão existencial/estética, uma vida onírica, poética, fantasiosa, deitando raízes no seu cotidiano e no mundo que a cerca. Batiza suas criações com nomes engraçados, conversa com elas, canta canções de ninar... Cada boneco ou bichinho de barro criado por Ciça tem um passado, um presente e um futuro. Quebra-se a barreira da lógica formal, brilha o relacionamento mágico do homem com a natureza. Os bonequinhos parecem adquirir vibrações próprias, vibrações quase palpáveis para as pessoas sensíveis, vibrações que irradiam a beleza de Ciça – mãe de Barro, criança travessa com suas dezenas de anos escanchadas na cacunda. As suas “festas de casamento” ou, como ela gosta de dizer, “inauguração da minha arte” é um momento de rara beleza, onde o sonho e o real se irmanam. “Eu faço os bonecos, são quatro noivado, dois em pé pra se casá, dois sentado pra sair da mesa. Primeiro fica uma pessoa falando pelos boneco do mesmo jeito de uma pessoa que fala quando vai se casá, a pessoa diz as coisas com os noivados. Aparece um vinhozim e compro uma galinha. Depois do casamento sento os boneco na mesa e boto cumida pra eles, também pro padre, pro sacristão. Boto cumida e vinho pras visitas”.

Durante todo o ano Ciça se prepara, faz economias, mesmo tendo que passar fome mais do que já passa, para comprar uma galinha e um litro de vinho de jurubeba. No dia da festa, Ciça prepara a galinha, põe o vinho de jurubeba na mesinha de toalha branca feita de saco de açúcar e acende as velas. Um ritual sagrado/profano. Para a arte de Ciça e seu relacionamento com esta arte, vale a análise de Paul Ahyi, sobre a arte produzida pelos povos de tecnologias simples: “(...) dissocia e associa os elementos naturais segundo as suas próprias leis, é porque tenta eternizar e realçar, no ser vivo, o permanente e não o acidental, a essência e não a aparência, o constante e não o efêmero. Seu objetivo, de certo modo, é mostrar a realidade do ser vivo e não a sua imagem externa”.

A memória cultural nordestina guardará o nome desta artista do povo? Possivelmente sim, a sua arte não será de todo esquecida. Ficará a sua voz suave conversando com os seus “bonequinhos de barro”, ficarão os gestos das suas mãos calosas no duro ofício do barro, ficarão seus depoimentos de dor e esperança, ficará o seu sorriso forte, gravados na película do filme Dona Ciça do Barro Cru, realizado pelo cineasta cearense Jefferson de Albuquerque Jr., que denuncia a pobreza de Dona Ciça e resgata para o futuro a grandeza e a criatividade desta artista popular que faz da sua arte e da sua vida a expressão dos sonhos e das dores deste povo nordestinado.
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Texto originalmente publicado no Jornal O POVO - Fortaleza-CE – 16 de maio de 1982.
Fotos: Ricardo Tilkian.

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sexta-feira, 27 de março de 2020

Em Pauta: Preservação da vida ou do mercado? ADUFC debate o cenário atual em tempos de coronavírus no Brasil



Preservação da vida ou do mercado?

Em transmissão ao vivo, a ADUFC-Sindicato, que representa os(as) professores(as) das três universidades federais do Ceará (UFC, UFCA e Unilab), apresenta neste sábado, 28 de março, a partir das 17h, conversa mediada por André Ferreira,  Prof. do Deptº. de Teoria Econômica da UFC e tesoureiro-geral da ADUFC. Ele vai estar acompanhado de outros professores da Universidade que enriquecerão o debate:

Alba Pinho, Profª. do Deptº. de Ciências Sociais da UFC e Coordª da Rede Universitária de Professores sobre América Latina (RUPAL);
Fábio Sobral, Prof. dos cursos de Economia Ecológica e Economia da UFC;
Fernando Pires, Prof. do Deptº. de Teoria Econômica da UFC, onde também coordena o Observatório de Políticas Públicas;
Marcelo Lettieri, diretor técnico do Sindifisco DS/Ceará e professor colaborador do CAEN-UFC.

O debate será ao vivo e aberto a perguntas na própria transmissão no canal da ADUFC no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdkh0c2FkVPGhUcLpIzHRZA

Em Pauta:
Preservação da vida ou do mercado? (Live)
Com Alba Pinho, André Ferreira, Fábio Sobral, Fernando Pires e Marcelo Lettieri
Sábado, 28 de março de 2020, a partir das 17h
No Canal da AUFC no YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCdkh0c2FkVPGhUcLpIzHRZA

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terça-feira, 24 de março de 2020

Filme caririense ‘Candeias’ é disponibilizado no YouTube



O curta-metragem caririense Candeias (O Berro Filmes) é lançado na internet com o objetivo de se somar às ações que contribuem para que a população enfrente o período de quarentena por conta do coronavírus.

O documentário em curta-metragem Candeias está disponível gratuitamente na plataforma YouTube desde as zero hora desta terça-feira, dia 24 de março.

Filmado durante a Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em fevereiro de 2016, o curta é uma produção de O Berro Filmes, com direção de Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues, e conta com o apoio da SECULT-CE, através do XI Edital de Cinema e Vídeo. A produção apresenta um olhar voltado para uma das mais belas expressões da religiosidade popular do Cariri, a “Procissão das Velas”, que ocorre em Juazeiro do Norte desde o início do século XX, sempre no dia 02 de fevereiro.

Para a equipe de O Berro Filmes, a decisão de publicar o vídeo na plataforma e disponibilizá-lo gratuitamente para o público foi tomada em um momento delicado, quando as pessoas estão sendo forçadas ao isolamento social em suas casas, com o objetivo de evitar a propagação do novo coronavírus (Covid 19) e deve se somar a outras iniciativas, para amenizar a pressão e contribuir para o controle emocional das pessoas. “Nós vínhamos planejando isso [disponibilizar o filme] há algum tempo e iríamos fazer em um outro momento, mas dada a situação pela qual estamos enfrentando no mundo todo, encontramos essa forma de contribuir para que as pessoas possam ter mais essa opção de entretenimento e controle emocional durante essa crise gerada pela pandemia do novo Coronavírus”, comenta um dos diretores do filme, o cineasta Ythallo Rodrigues.

A disponibilização do filme na plataforma de compartilhamento de vídeos é também uma forma de homenagear o Padre Cícero Romão, no aniversário de 176 anos de nascimento do sacerdote, fundador de Juazeiro do Norte e ícone religioso dos nordestinos, também comemorado nessa data. “Além de todas as dificuldades enfrentadas devido ao coronavírus, Juazeiro do Norte e o Nordeste sofrem com o cancelamento de uma das mais importantes festas da religiosidade popular, que é a comemoração do aniversário de nascimento do Padre Cícero. Esperamos que essa decisão possa amenizar um pouco mais a tristeza dos juazeirenses e romeiros que, pela primeira vez na história, viram essa festa ser cancelada”, ressalta a equipe – formada por Hudson Jorge (jornalista e produtor cultural), Xico Fredson (Policial Militar / Monitor Disciplinar no 2° CPM-CHMJ), Reginaldo Farias (artista plástico e designer gráfico), Ythallo Rodrigues (cineasta e poeta) e Luís André Araújo (professor universitário).

Um filme que circulou pelo Brasil
Lançado no dia 1º de fevereiro de 2017, Candeias teve, ainda naquele ano, uma boa aceitação no circuito audiovisual brasileiro. Ao todo foram 25 festivais nacionais e/ou mostras competitivas, como o 22º É Tudo Verdade RJ/SP e o 27º Curta Cinema RJ. O filme contabiliza ainda duas apresentações em festivais internacionais, em Bogotá (Colômbia) e Sofia (Bulgária). A produtora O Berro Filmes estima que, até o momento, foram quase 50 exibições públicas.

Premiação
O filme sobre a procissão das velas recebeu os prêmios de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular, Melhor Fotografia e Melhor Som do 1º Cine Cariri, além do prêmio de Melhor Fotografia no II Festival de Cinema do Paranoá, no Distrito Federal, ambos em 2018. Ainda naquele ano, o documentário recebeu a indicação para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2018, considerado o “Oscar do Cinema Nacional”.

O filme pode ser visto através do link https://bit.ly/curtacandeias

Filme Candeias:

sexta-feira, 13 de março de 2020

‘Geração Roubada’, filme de Phillip Noyce, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Geração Roubada
Ficha técnica:
Título original: Rabbit-Proof Fence
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Christine Olsen (roteiro baseado em romance de Doris Pilkington Garimara)
Elenco: Everlyn Sampi, Tianna Sansbury, Laura Monaghan, David Gulpilil, Jason Clarke, Kenneth Branagh, Ningali Lawford, Myarn Lawford
Duração: 94 minutos
Ano: 2002
País de origem: Austrália

“Molly Craig é uma jovem negra australiana de 14 anos que, em 1931, ao lado de sua irmã Daisy, de 10 anos, e sua prima Gracie, de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da Austrália, criado para treinar mulheres aborígines para serem empregadas domésticas.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 14 de março de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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terça-feira, 10 de março de 2020

Secult de Juazeiro do Norte lança edital para Conselho Municipal de Política Cultural e Fóruns de Linguagens Artísticas



Publicado pela Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Cultura, no Diário Oficial do Município, edital de convocação para compor e representar os Fóruns de Linguagens e eleger os  conselheiros e suplentes que irão atuar por um período de dois anos no Conselho Municipal de Política Cultural, órgão vinculado à Secult que tem a finalidade de promover a gestão democrática e autônoma da Cultura no município de Juazeiro do Norte.

A proposta do edital é convocar os Fóruns de cada segmento cultural para elaborar e atualizar o planejamento das linguagens artísticas contemplando a seleção de um representante para cada área: Cultura Popular Tradicional, Audiovisual, Literatura, Música, Artes Cênicas e Artes Visuais, além de um representante de uma Organização da Sociedade Civil.

O processo será conduzido pela Comissão Especial Eleitoral, responsável por organizar os Fóruns e apoiar a eleição.

Os interessados em participar devem observar os critérios do edital e preencher o formulário de inscrição – clicando aqui – até o dia 30 de março.

A divulgação da lista de eleitores e candidatos inscritos será apresentada na mesma data, durante a realização do Seminário Formativo que irá apresentar a relevância da existência do Conselho de Cultura. O evento irá ocorrer às 8h no auditório do Memorial Padre Cícero. Em seguida será realizado o Fórum de Linguagens Culturais, a partir das 14h, encerrando com a votação e apuração, às 16 horas.

Link para acessar o edital:
http://www2.juazeiro.ce.gov.br/arquivos/EDITAL-N-003-SECULT-09032020.pdf

Link para acessar o formulário de inscrição:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSenB44snezdvtZts1EXsNcPOdB1L_8n-Du_c8DSA_C4zA4Pig/viewform?vc=0&c=0&w=1

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sexta-feira, 6 de março de 2020

‘Sinédoque, Nova York’, filme de Charlie Kaufman, no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Sinédoque, Nova York
Ficha técnica:
Título original: Synecdoche, New York
Direção e roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener, Emily Watson, Dianne Wiest, Jennifer Jason Leigh, Hope Davis, Tom Noonan
Duração: 123 minutos
Ano: 2008
País de origem: Estados Unidos

“O diretor teatral Caden Cotard está à beira do caos. Sua esposa Adele o abandona e vai para Berlim levando a filha deles. Sua terapeuta não o ouve e seu caso com a bela Hazel não dura muito. Mais uma obra-prima do mesmo criador de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Adaptação e Quero Ser John Malkovitch.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 07 de março de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

‘Os Bons Companheiros’, filme de Martin Scorsese, no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Os Bons Companheiros
Ficha técnica:
Título original: Goodfellas
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Nicholas Pileggi, Martin Scorsese
Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Christopher Serrone, Joe Pesci, Joseph D'Onofrio, Lorraine Bracco, Paul Sorvino, Frank Sivero, Frank Vincent, Tony Darrow
Duração: 145 minutos
Ano: 1990
País de origem: Estados Unidos

“Através dos olhos de Henry Hill, norte-americano meio italiano, meio irlandês, acompanhamos como ele se desenvolveu dentro da Máfia desde sua infância.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 15 de fevereiro de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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sábado, 1 de fevereiro de 2020

‘Ironweed’, filme de Héctor Babenco, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Ironweed
Ficha técnica:
Título original: Ironweed
Direção: Héctor Babenco
Roteiro: William Kennedy
Elenco: Jack Nicholson, Meryl Streep, Carroll Baker, Michael O'Keefe, Diane Venora, Fred Gwynne, Margaret Whitton, Tom Waits, Nathan Lane, James Gammon, Laura Esterman
Duração: 143 minutos
Ano: 1987
País de origem: Estados Unidos

“Francis Phelan (Jack Nicholson) e Helen Archer (Maryl Streep) são dois alcoólatras que têm a difícil missão de sobreviver ao próprio passado.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 01 de fevereiro de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Lançamento da Revista Sétima 43 e Confraternização de Encerramento da Mostra 21 em Juazeiro do Norte



Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes
Confraternização de Encerramento da 10ª Mostra 21 (2020)
Coquetel de lançamento da Revista Sétima 43
Segunda-feira, 27 de janeiro de 2020, a partir das 21h
No Refúgio Café e Bar
Rua da Conceição, 759, Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes (2020): confira a programação da terceira (e última) semana



Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes (2020)
Programação da terceira semana:

20/01 (segunda-feira):
17h, no Sesc Juazeiro: A Câmera de Claire
19h, no Sesc Juazeiro: Trama Fantasma

21/01 (terça-feira):
17h30, no CCBNB Cariri: A Socióloga e o Ursinho

22/01 (quarta-feira):
9h, no Memorial Padre Cícero: O Circo
15h, no CCBNB Cariri: Cine São Paulo
17h, no Sesc Juazeiro: Na Praia à Noite Sozinha
19h, no Sesc Juazeiro: Uma Vida Violenta

23/01 (quinta-feira):
9h, no CRAS Campo Alegre: O Garoto
17h30, no CCBNB Cariri: Bárbara

24/01 (sexta-feira):
9h, no CEU Vila Nova (Pedrinhas): Em Busca do Ouro
17h30, no CCBNB Cariri: Certo Agora, Errado Antes

25/01 (sábado):
17h30, no CCBNB Cariri: Close-Up

26/01 (domingo):
17h, no Memorial Padre Cícero: O Vento nos Levará
19h, no Memorial Padre Cícero: Na Próxima, Acerto no Coração

27/01 (segunda-feira):
17h, no Sesc Juazeiro: Alpes
Sessão de encerramento: 19h, no Sesc Juazeiro: Border.

Todas as sessões em Juazeiro do Norte-CE, com entrada gratuita
Realização: Revista e Grupo de Estudos Sétima de Cinema
Mediação e curadoria: Elvis Pinheiro.

Para saber mais sobre a Mostra 21 de 2020, clique no link abaixo:
Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes: grande mostra de cinema caririense em sua edição de 2020

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes (2020): confira a programação da segunda semana



Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes (2020)
Programação da segunda semana:

13/01 (segunda-feira):
17h, no Sesc Juazeiro: Primário
19h, no Sesc Juazeiro: Numa Escola de Havana

14/01 (terça-feira):
15h, no CCBNB Cariri: Elle
17h30, no CCBNB Cariri: Sabor da Vida

15/01 (quarta-feira):
9h, no Memorial Padre Cícero: Em Busca do Ouro
15h, no CCBNB Cariri: Minha Vida de Abobrinha
17h, no Sesc Juazeiro: Fátima
19h, no Sesc Juazeiro: O Cidadão Ilustre

16/01 (quinta-feira):
9h, no Ceu Vila Nova: O Garoto
15h, no CCBNB Cariri: Através das Oliveiras
17h30, no CCBNB Cariri: Oh, Lala, Pauline!

17/01 (sexta-feira):
15h, no CCBNB Cariri: A Vida Durante a Guerra
17h30, no CCBNB Cariri: Procure a Mulher

18/01 (sábado):
17h30, no CCBNB Cariri: Crepúsculo dos Deuses

19/01 (domingo):
17h, no Memorial Padre Cícero: Espero Tua (Re)Volta
19h, no Memorial Padre Cícero: O Que Está Por Vir.

Todas as sessões em Juazeiro do Norte, com entrada gratuita
Realização: Revista e Grupo de Estudos Sétima de Cinema
Mediação e curadoria: Elvis Pinheiro.

Para saber mais sobre a Mostra 21 de 2020, clique no link abaixo:
Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes: grande mostra de cinema caririense em sua edição de 2020

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Filme caririense ‘Baile dos Reis’ será lançado nesta sexta-feira (10) em Juazeiro do Norte



Mais uma produção audiovisual de O Berro Filmes será lançada nesta sexta-feira, 10 de janeiro.

Baile dos Reis, filme documentário em curta-metragem, retrata a preparação de uma terreirada, um dos momentos mais importantes para o Reisado São Francisco, do bairro Romeirão. Liderado pelo Mestre Dodô, o grupo é representante de uma das tradições culturais populares mais expressivas de Juazeiro do Norte e região do Cariri.

No filme, o reisado do Mestre Dodô prepara o terreiro para a brincadeira. Brincar o Reisado entre esses velhos amigos, irmãos, agricultores, trabalhadores, jovens e crianças é, também, uma manifestação de resistência da cultura popular viva. O canto, a dança, a poesia, a luta de espadas e a representação dramática dos entremeios se revelam no momento de arrebatamento dos corpos cansados do trabalho, mas que se revigoram no Baile dos Reis.

Com direção de Luís André Araújo, Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues, Baile dos Reis é mais uma produção de O Berro Filmes e foi realizado com recursos do Fundo Estadual de Cultura, aprovado no XII Edital de Cinema e Vídeo (de 2015) da Secretaria de Cultura do Estado Ceará.

O lançamento acontece nesta sexta-feira, 10 de janeiro, às 19h no Sesc Juazeiro, com entrada gratuita.


Aniversário do Mestre Dodô

A data do lançamento do filme também marca o aniversário de 70 anos de vida do Mestre Dodô. Francisco Joventino da Silva, nascido no Sítio São Gonçalo, no Munícipio de Crato e residente em Juazeiro do Norte desde 1978,  desde muito novo brinca reisado. Foi discípulo do Mestre Zé Matias, seu tio, de quem herdou o conhecimento sobre a brincadeira e, após seu falecimento, deu continuidade à tradição do Reisado na família.

Além de brincante e Mestre da Cultura Popular juazeirense, Mestre Dodô trabalhou na agricultura e na construção civil. Hoje se dedica à cultura popular, liderando importantes grupos da tradição caririense, de Reisado e de Coco. No evento de lançamento do filme, a celebração dos 70 anos de Mestre Dodô também contará com a apresentação do Reisado São Francisco, por ele comandado.


Mais uma produção O Berro Filmes

Este é o segundo filme produzido pela produtora O Berro Filmes. O primeiro, Candeias, mergulha na romaria de mesmo nome, uma das mais belas e expressivas demonstrações da religiosidade popular brasileira.

Candeias foi selecionado em diversas mostras de cinema brasileiros, com destaque para o Festival “É Tudo Verdade”, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, considerado um dos mais importantes de toda a América Latina, e para o Curta Cinema, na capital fluminense. No exterior foi selecionado para mostras em Sófia (Bulgária) e Bogotá (Colômbia).

O filme Candeias também concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2018, considerado por muitos o Oscar nacional, na categoria de Melhor Curta-Metragem Documentário.
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Lançamento do filme Baile dos Reis (O Berro Filmes)
Apresentação do Reisado São Francisco, do Mestre Dodô
Sexta-feira, 10 de janeiro, 19h
No Teatro Sesc Patativa do Assaré - Sesc Juazeiro
Rua da Matriz, 227 - Centro, Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita.
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Baile dos Reis
Uma produção O Berro Filmes em co-produção com Poesia da Luz e Nívia Uchoa
Com os brincantes do Reisado São Francisco (Mestre Dodô)

Equipe:
Direção e roteiro: Luís André Araújo, Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues
Produção executiva: Caroline Louise
Produção: Hudson Jorge
Direção de fotografia e câmera: Victor de Melo
Som direto: Pedro Diógenes
Argumento e Montagem: Ythallo Rodrigues
Edição de som e Mixagem: Lucas Coelho de Carvalho
Assistência de produção: Alana Morais e Xico Fredson
Assistência de câmera: Antônio José Bezerra (Pajé)
Tradução para inglês: Isabel de Sousa Ribeiro

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Mostra 21 - O Amanhã Se Faz Com Filmes: grande mostra de cinema caririense em sua edição de 2020



Mostra 21: maior festival de cinema do interior do Ceará tem início nesta terça-feira, 07 de janeiro

Janeiro é o mês de férias escolares e no Cariri teremos uma programação de cinema acessível e diversificada, é a 10ª Mostra 21, que acontece entre os dias 07 e 27, em Juazeiro do Norte.

 “O amanhã se faz com filmes” é o tema da 10ª edição da Mostra 21, que acontece entre os dias 07 e 27 de janeiro, em Juazeiro do Norte. O evento, promovido pelo Grupo Sétima de Cinema, é uma maratona de filmes para todos os públicos, tornando acessível o acesso à produção cinematográfica de vários países, períodos e gêneros.  As exibições são gratuitas e acontecem no auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste, Memorial Padre Cícero e Teatro Patativa do Assaré do Sesc Juazeiro do Norte.

A Mostra 21 é, antes de tudo, um espaço de apreciação de cinema quanto obra de arte. Segundo o Mediador de Cinema e idealizador do evento, Elvis Pinheiro, a mostra também tem um papel educativo e de formação de público. “Após cada sessão temos um processo de conversa mediada sobre o filme”, destaca.

A programação, composta por filmes nacionais e internacionais disponibilizados por meio de parceria com plataformas que detêm a exclusividade sobre as obras, dialoga com a temática do alvorecer, da esperança no futuro. (texto da comunicação do evento)
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10a. Mostra 21: O Amanhã Se Faz Com Filmes
Realização: Grupo Sétima de Cinema
Curadoria e mediação de Elvis Pinheiro
De 07 a 27 de janeiro de 2020
Em Juazeiro do Norte
Sessões gratuitas.

Confira a programação da primeira semana da Mostra 21:

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

29° Cine Ceará leva Mostra Itinerante ao Centro Cultural do Banco do Nordeste do Cariri




O Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri receberá no próximo dia 09 de outubro, quarta-feira, a Mostra Itinerante do 29° Cine Ceará, realizada pelo Festival Ibero-americano de Cinema do Ceará.

Na ocasião, acontecerá uma sessão composta por três filmes que estiveram na programação deste ano do festival. Serão exibidos os curtas-metragens “Caretas”, da diretora Sara Parente e “Oceano”, das diretoras Amanda Pontes e Michelline Helena, e o longa-metragem “Soldados da Borracha”, de Wolney Oliveira.

A sessão acontece na próxima quarta-feira, dia 09 de outubro, às 18h30, no auditório do Centro Cultural do Banco do Nordeste Cariri, com entrada gratuita.

No dia seguinte, a Mostra Itinerante segue para o Centro Cultural Banco do Nordeste de Sousa (PB).

A Mostra Itinerante do Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema é uma realização da Secretaria Especial da Cultura – Governo Federal, Associação Cultural Cine Ceará e Bucanero Filmes e conta com o patrocínio do Banco do Nordeste.

Filmes que serão exibidos na Mostra Itinerante do 29° Cine Ceará
CARETAS
Direção: Sara Parente | Gênero: Documentário | Duração: 15´ | Ano: 2019 |
Classificação indicativa: livre 
Sinopse: Uma pequena casa que abriga um museu vivo e um terreiro onde brincam o mestre, seus mascarados e suas figuras. Mestre Antônio Luiz desmancha o silêncio e comanda a brincadeira do reisado de caretas de couro no domingo de reis em Potengi-CE.

FILME: OCEANO
Direção:  Amanda Pontes e Michelline Helena | Gênero: Ficção | Duração: 15´29´´ | Ano: 2018 | Classificação indicativa: livre
Sinopse: Para honrar um compromisso, Lúcia atravessa um oceano.  

FILME: SOLDADOS DA BORRACHA
Direção: Wolney Oliveira | Gênero: Documentário | Duração: 79’ | Classificação indicativa: livre
Sinopse: Durante a segunda guerra mundial, 60mil brasileiros foram enviados para a região amazônica pelos governos do Brasil e Estados Unidos, para extrair látex, material estratégico para os exércitos aliados. A promessa da volta como heróis da pátria e de aposentadoria equivalente à dos militares nunca se cumpriu. Os que ainda sobrevivem, com idade avançada e em situação de pobreza, esperam o dia do reconhecimento oficial.