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terça-feira, 14 de julho de 2020

Lockdown fajuto e flexibilização capenga: receitas para um ‘puxincói’ anunciado



por Hudson Jorge

Nesse momento em que vemos os casos de covid-19 aumentando descontroladamente em muitas regiões, principalmente no Cariri, há diversos relatos de pessoas que continuam ignorando a gravidade da doença e suas consequências, seja para a saúde individual ou coletiva das pessoas ou mesmo para a economia. São festinhas nas calçadas, churrascos (quase todo mundo tem um vizinho travesso juntando amigos e assando uma carninha regada a cerveja gelada), enquanto outros se enfurnam em suas casas, abrindo mão, inclusive, de se relacionar ou fazer funerais de entes queridos.

Há um tempo atrás eu ouvi de jurista (que não me recordo o nome) que as leis e o Estado existem para proteger o cidadão, inclusive, dele próprio – na época a discussão era sobre regras de trânsito e uso da cadeirinha para crianças (porque muitas pessoas alegam que querem ter o direito de optar pela utilização ou não).

O que vemos aqui é uma sucessão de inoperâncias do Estado, influenciadas por políticas de governos.

Em todas as esferas, os governos estão sendo pressionados a flexibilizarem, inclusive, a rigidez (estranho, não?), e para isso existem vários aspectos influenciadores (economia, ideologia e eleições).

Por mais que o Estado* se esforce para oferecer estrutura mínima de atendimento para infectados, a grande preocupação passou a ser a de que o cidadão tenha um leito para morrer “dignamente”.

Os municípios não operam para fazer valer os próprios decretos estabelecidos, os governos estaduais não agem efetivamente para vigiar e punir os desobedientes, seja por falta de contingente ou por falta de organização.

Enquanto isso, acontece o que acontece: uma parcela da população se protege, se tranca, deixa de ver pai, mãe, familiares e amigos; a outra liga o “foda-se” e descumpre lindamente regras, leis e recomendações.

No final das contas, pagam todos, porque parece que ficaremos girando indefinidamente nessa roda chamada pandemia. Um “puxincói”, como diria minha vó: libera, restringe, libera e restringe. Mas, o pior é ver começar a chegar relatos de parentes e amigos infectados, alguns mortos e o povo, em todo canto, querendo fazer disso tudo um eterno Leblon.

Somos tão incapazes de controlar a pandemia, que o discurso de salvar vidas apregoado pelos governantes de estados e municípios foi revertido para a preocupação de que não faltem leitos nos hospitais.

Isso reforça uma ideia que venho batendo na tecla nas conversas informais: para o Estado somos números. Deixaram de se importar com as vidas, para se importar com os números.

Enquanto o sistema de saúde não colapsar e as pessoas não estiverem morrendo nas calçadas, como aconteceu no Equador, está tudo bem!, está tudo ótimo!, mesmo que morram dezenas, centenas ou milhares diariamente.

“Quanto mais gente morre, melhor”, porque os leitos são liberados automaticamente. Não há colapso, entendem?
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*Quando me refiro a Estado, falo dos Governos Estaduais e Municipais. O Governo Federal desde o início se mostra incapaz, ao menos, de compreender a situação, o que o torna, infelizmente, ineficaz e inoperante.

foto: Nívia Uchôa (@niviauchoa)

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sábado, 9 de maio de 2020

Pandemônios de Regina Duarte em tempos de pandemia


Charge: Laerte / @laertegenial


por Hudson Jorge

Depois de todo o burburinho criado em torno da entrevista da Secretária Nacional da Cultura, Regina Duarte, dada ao vivo à rede CNN, vários memes e vídeos editados com os momentos mais destacáveis, resolvi me deter, durante cerca de quarenta minutos para assistir ao material na íntegra.

Claro que não esperava nada de extraordinário. Minha intenção era poder assistir todo o conteúdo e fazer um comparativo em relação ao que costumamos receber através de pequenos trechos editados, devidamente mastigados e o contexto de onde eles são tirados.

Ainda assim, consegui me surpreender. Eu não podia esperar que uma entrevista começasse, logo de cara, com uma enorme de uma #vergonhaalheia. Uma pessoa que ocupa um cargo praticamente equivalente ao de Ministro de Estado, começar agradecendo um poeminha gerado em um contexto que não tem nada a ver com a entrevista.

Regina Duarte deu vexame, todos sabem. Comportou-se na entrevista como se estivesse numa conversa de comadres tomando o chá das cinco. Quis parecer graciosa, mas apresentou-se patética, despreparada intelectual e emocionalmente para estar à frente de um cargo tão importante. Claro que isso não é nenhuma novidade neste desgoverno, mas dessa vez, a evidência me trouxe sentimentos nada agradáveis.

Assistindo à entrevista, me recordei de um episódio na minha infância, quando desci, despreparado, uma ladeira íngreme em uma bicicleta sem freio. A sensação que tive foi a mesma. A de ter embarcado em um veículo descontrolado e sem freio sobre o qual eu não tinha domínio, mas estava lá, sendo conduzido por ele.

Tive vontade, em diversos momentos, de pausar o vídeo e pedir desculpas. Desculpas ao jornalista Daniel Adjuto, que se deparou com uma entrevistada que não deu nenhuma resposta objetiva e que buscava simular uma suposta amizade, colocando-o numa situação de parcialidade, ao vivo, diante das câmeras e do seu público; pedir desculpas aos familiares de todos os torturados e mortos pela ditadura militar e ainda pelos falecidos recentemente (seja aos artistas ou aos milhares de anônimos abatidos pelo coronavírus); pedir desculpas aos espectadores e pedir desculpas a mim mesmo por ter assistido àquele show de horrores.

Como se não bastassem as opiniões infames sobre autoritarismo, ditadura, tortura e assassinatos, a Secretária Nacional da Cultura conseguiu não apresentar nenhum projeto, nenhuma solução ou, sequer, dar alguma esperança para os milhões de trabalhadores da Cultura desse país, que hoje estão tolhidos de suas oportunidades de trabalho e geração de renda devido à pandemia do novo coronavírus.

Que trágico momento vive a Cultura, as artes e os artistas brasileiros. Órfãos de liderança que seja capaz de batalhar por alguma ação emergencial ou, ao menos, de confortá-los em momento tão difícil.

A Cultura brasileira, celebrada em todo o mundo pela sua diversidade, qualidade e encantamento, a cada dia sofre novos e novos golpes pelos incautos incapazes produzi-la, de apreciá-la ou mesmo de percebê-la. E os artistas brasileiros (que não precisavam passar por isso), sofrem o escárnio e o desprezo da instituição que mais deveria valorizá-los.

Já vivemos incontáveis trágicos momentos nesse desgoverno com as atuações e falas abomináveis dos Ministros do Meio Ambiente, da Educação, da Economia, da Mulher, Família e Direitos Humanos e por aí vai uma lista de vários outros dementes. Mas, Regina Duarte não só despreza seus colegas de trabalho, zilhões de vezes mais competentes, como não perde a oportunidade de humilhá-los e constrangê-los perante o mundo com suas declarações estapafúrdias.

No entanto, ela nos dá uma oportunidade de ouro, pois, talvez, nunca teríamos percebido, em sua totalidade, o ser desprezível que ela é – hoje lamento profundamente por não ter torcido pela Odete Roitman, mas, eu era apenas uma criança e me perdoo.

Várias pessoas já falaram isso, mas não posso deixar de repetir que essa ex-atriz “mêa boca” terminou de rasgar sua biografia e enterrar seu currículo na caixa de areia do gato.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Uma promessa quebrada



por Hudson Jorge

Eu havia prometido, aliás, jurado de que nesse pleito de 2014 eu não me meteria em discussões sobre candidatos e programa de governo, principalmente, se fosse com pessoas com quem não tenho grande contato. Caso entrasse, não me prolongaria tanto e nem defenderia ardentemente nenhum ponto de vista pessoal. Mas, ontem, a promessa foi quebrada.

Visitava uma loja onde já sou cliente há mais de um ano. Quando estava prestes a sair, aparece a dona, uma sexagenária senhora que se veste como uma mocinha de 23 anos, com dois panfletos na mão, saltitante feito uma gazela sobre seu salto tamanco, num misto de êxtase cantarolada com deboche, a disparar em minha direção: “Tá aqui meu fí, minha candidata! Essa sim é a mulher que vai comandar o Brasil. Não vai ser feito essa outra que ta aí”.

Sabe como quando alguém leva uma pancada e reage automaticamente com outra? Então, perguntei-lhe se ela realmente acha que quem manda de fato no país é um presidente. Dentro de meus limitados conhecimentos sobre o sistema político e governamental, argumentei que os verdadeiros donos do país são os financiadores de campanha, os banqueiros e os latifundiários e que, no final das contas, o que faz a diferença entre um e outro candidato é como o seu grupo político vai transitar e gerir o país, estado ou município dentro dessa situação de pseudo poder.

Tentei explicar a ela que não adianta mudar de presidente se um partido antigo acolá (que considero ser o grande mal desse país) que hoje tem as maiores bancadas no congresso, vai conseguir reeleger novamente um enorme número de parlamentares. E que, na verdade, a banda toca de acordo com a vontade desses velhos políticos que permanecem no poder geração após geração, ou seja, desde os tempos do vovô; que os altos juros dos financiamentos que ela vem pagando são ditados por grupos econômicos e não por presidentes e que muitos desses parlamentares estão a serviços desses tais grandes grupos econômicos.

Pra aliviar o clima de guerra que estava prestes a se gerar, argumentei que meu voto, nesse primeiro turno, não vai contemplar nenhuma das grandes principais candidaturas, pois acredito que fórmulas alternativas viriam a calhar nesse momento que o mundo enfrenta grandes crises provocadas por grandes secas, por altos índices de poluição, por falta de políticas que valorizem o potencial criativo e produtivo do ser humano. Enfim, que nesse primeiro turno meu voto não vai pra Dilma, Marina ou Aécio.

Bebi um copo d’água. O que eu considerava uma conversa apaixonadamente esclarecedora, passou a se tornar uma espécie de dedo armado para acionar o botão de uma mega bomba.

A senhorinha botou a culpa de todas as mazelas empresariais dela no partido que está no poder, disse que seus funcionários agora eram relaxados e a última que largou o emprego jogou na cara dela que era melhor viver de Bolsa Família do que se matar de trabalhar em sua empresa.

Tá certo, então. Depois dessa, caí em mim, como que retornando de um momento de transe ou acordado de um sonho repentinamente no meio de uma noite escura. Olhei para o relógio e vi que havia perdido preciosos 20 minutos da minha vida.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pela vontade do povo, Raimundão encurralado de novo!

por Hudson Jorge

Raimundão recebeu o convite para participar da solenidade de posse da reitora da UFCA. Vestiu seu terninho preto, penteou seu bigode de ferro, estendeu o convite para seu secretário de  desenvolvimento José Roberto Celestino e vualá.

Durante a solenidade, ao ser chamado à mesa, recebeu logo de cara uma sonora vaia dos  estudantes, que em seguida improvisaram cartazes e palavras de ordem que lembravam ao prefeito o  quanto ele tem esquecido de valorizar a educação.

Raimundão enrubesceu. Não se sabe se de raiva ou de vergonha. Nem numa praia do Equador, ao meio-dia, seria possível encontrar alguém tão vermelho. Via-se claramente que ele se esforçava o quanto podia para ler os cartazes, mas encontrava sérias dificuldades, pois os estudantes andavam em círculos e não dava tempo ele juntar as sílabas.

Com o fim da solenidade, mais vaias. E Raimundão avermelhou-se ainda mais ao ponto de garantir um belo destaque para seus bigodes brancos. De repente, alguém grita na multidão: O que é que falta para encurralar Raimundão? Uma agência do Banco do Brasil? De repente, os estudantes cercaram o bom velhinho e começaram a reivindicar, entre outras coisas, que ele tapasse os buracos das ruas e que asfaltasse a avenida que dá acesso à Universidade.

Raimundão fingia seguir tranquilamente seu caminho como se nada estivesse acontecendo. Os estudantes o seguiram até o carro do seu secretário, bloquearam a saída do estacionamento e gritaram por  reivindicações mais do que justas. Dessa vez não havia soldadinhos de chumbo, não havia polícia, cassetetes e nem spray de pimenta.

A leitura labial captou a seguinte frase de Raimundão. “Tamu lascado!”. Em seguida, Roberto Celestino saltou do carro e reclamou pelo seu direito de ir e vir, ao passo que os estudantes replicaram solicitando que também tivessem o direito de ir e vir por ruas dignas, sem buracos e com pavimentação adequada. Celestino também pediu calma,pois Raimundão já é um velhinho de setenta anos e não merece passar por coisas desse tipo, “vejam meus amigos, como salta o coraçãozinho dele, pia!”.

Enquanto Celestino procurava manter diálogo com os manifestantes, Raimundo Macedo tentava se  esconder no carro, suando feito um cassaco encurralado. De fora, podia-se ouvir o coitado debulhando um rosário e clamando ajuda aos céus. Seus lábios bibicavam algo como uma promessa de que se escapasse vivo de mais uma daquelas, agora sim, seria um bom moço e um bom prefeito, com direito a honestidade e mais um monte de coisa. No seu delírio, prometia trabalhar de verdade para o desenvolvimento da cidade com intuito de beneficiar a população e não apenas alguns grupos de amigos e empresários.

De repente, num surto de coragem, Raimundão saiu do carro, bateu o pé e gritou:

- Ucês num vão sair da frente, não??

- Não! - gritaram os estudantes uníssonos.

- Num vaum mesmo?, pergunta novamente, torcendo o bigode.

- Não! Queremos dialogar e apresentar nossos desejos de mudança!

- Entonce, vou mim bora de pés! - E rompeu no meio da multidão como um torpedo em disparada. Caminhou apressadamente, quase às cegas, pela rua mal iluminada, caindo nos buracos que ele próprio cultiva com tanto gosto. Quando viu que havia buraco demais, entrou pelo meio do mato, escorregando pela ribanceira, tropicando em tocos e latas. E os estudantes continuavam atrás numa gritaria medonha!

Eis que surge um carro que abre as portas. Seria um resgate? Oh sim, seria. Raimundão entrou cheio de medo e carrapicho nas canelas. Quando os estudantes se prepararam para mais um cerco, surge pela janela do carro um cano com um cãozinho na extremidade oposta.

Os estudantes se afastaram com medo abrindo espaço para que o carro em que estava o prefeito fugisse em alta velocidade pela buraqueira da avenida. Indignados foram reclamar com o secretário Roberto Celestino que acompanhava tudo a uma certa distância. Quando se aproximaram mais uma vez de seu carro, arrancou velozmente, deixando para trás alguns estudantes assustados e outros caídos no chão.

Depois disso, os estudantes ficaram se perguntando que tipo de democracia era aquela.
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Para ler texto sobre Raimundão encurralado no Banco do Brasil, clique aqui.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aprenda a economizar energia elétrica com a prefeitura

01 de junho, 18h10, praça Padre Cícero (Juazeiro do Norte-CE).
Um breu danado...

E tem sido assim, pelo menos, nos últimos 20 dias.
Uma boa oportunidade pra você que pretende iniciar no ramo de “assaltos no escuro”.





Explicando melhor:
As luzes da praça não ficam apagadas a noite inteira. O que tem acontecido, na verdade, é a demora para que elas sejam acessas. E isso já vem acontecendo há vários dias.

Isso causa uma enorme sensação de insegurança, ainda mais numa cidade onde os assaltos acontecem em plena luz do dia.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

#PressãoPopular

Bastar olhar um pouco em volta, mudar o canal, acessar o Twitter e o Facebook e podemos nos deparar com uma onda que vem tomando conta do planeta e, aos poucos, mexendo também com a população brasileira.

Falo dos movimento populares que vêm se desdobrando pelo mundo e exigindo que os comandantes desta nave chamada Terra ajam de forma mais digna com a população, provando que a capacidade de se indignar ainda não abandonou o ser humano.

Há dois dias que acompanho pela tag #contraoaumento o desenrolar de uma manifestação em Teresina (PI). População, principalmente estudantes, enfrenta de forma pacífica o calor escaldante da cidade e a truculência policial, numa jornada contra o aumento da passagem de ônibus de R$ 1,90 para R$2,10. As principais avenidas da capital piauiense são o palco daquele levante popular que se alastra pelas redes sociais, principalmente no Twitter.

Será que a verdadeira #RevoluçãoDemocrática brasileira vai começar pelo estado do Piauí? Deus queira que sim!

Informe-se mais:
O Globo

Dono da Notícia

Twitter
#contraoaumento

Foto retirada do site: Dono da Notícia

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nem Padre Cícero escapa

Centenário de Juazeiro do Norte # 55

Quando a gente fala, acham ruim. Não bastasse o descaso com a fonte da Praça Padre Cícero que está seca, suja e sebosa, citada em uma outra postagem, depois de um olhar mais apurado vi que a própria estátua do Padre Cícero está em estado de abandono.

Há cerca de um mês havia um andaime encostado nela e um aventureiro lá dependurado. Ao redor, latas de tinta e alguns resquícios de massa. Padre Cícero, num processo que levou alguns dias, passou da cor bronze para a amarela, com umas pintas azuis (... e eu, de besta, nem pra pegar algumas fotos... acho que porque acreditava que resultaria em algo bem feito) e agora numa fusão de bronze com amarelo, considerado, por mim, um verdadeiro fracasso artístico.

O lance é que a “obra” terminou. A fonte, que agora mais parece um bueiro, ficou (e continua) abandonada e suja. E o Padre Cícero — pasmem! — pior do que estava antes, e agora melado de tinta.

O engraçado é que eu vou falar algo que já falei outras vezes: isso é mais uma prova de descaso com o meu, o seu, o nosso dinheiro, arrecadado através de pesadíssimos impostos e mal aplicado por pessoas incompetentes, desleixadas ou com intenções duvidosas.

E outra tecla que vai afundar aqui de tanto ser batida: independente de ser ano do Centenário (mas, já que é), presenciamos um monumento, um cartão postal da cidade, em estado deplorável.

Aí, depois, vemos por aí um monte de demagogos na imprensa falando de "meu Padim Ciço pra lá, Padim Ciço pra cá”, sendo que estes não têm a mínima consideração por uma estátua implantada num dos principais passeios da cidade.

No nosso álbum de fotos temos algumas imagens sobre o assunto, inclusive, uma foto nítida da nojeira que está a praça.

(e na postagem # 53 temos um vídeo com imagens da inauguração da estátua mencionada neste texto, ainda na década de 1920)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A fonte que vive seca

Centenário de Juazeiro do Norte # 43

Estimados leitores, primeiramente quero pedir desculpas pela qualidade das fotos que vêm neste post, pois não conhecia bem a qualidade da máquina que usei para resgistrá-las.

Mas, mesmo assim, acredito que a qualidade dela não está tão pior do que a da fonte que fica bem no meio da Praça Padre Cícero.

Como um dos principais cartões postais da cidade de Juazeiro do Norte, essa fonte deveria estar ao menos limpa, já que está seca. Ao contrário disso, já vi roupas velhas lá
esquecidas, lixo e até gato perebento dormindo nela. E essa situação perdura há mais de um mês.

Entristece-me toda vez que vejo o dinheiro público ser tratado de forma irresponsável e descuidada. Para a implantação desta fonte, com seu sistema de iluminação à prova d’água, deve-se ter gasto, certamente, vários milhares de reais.

Independentemente de qual tenha sido a administração municipal que colocou essa fonte lá, é dever de todas as administrações subsequentes fazer com que ela continue funcionando, dando a ela a manutenção necessária.

Mas, parece que os gestores desta cidade devem ter um sistema de teletransporte de suas casas diretamente para os seus gabinetes, que os impede que vejam coisas tão óbvias como estas, paradas, sem funcionar, gerando prejuízo para a cidade. Ou então, eles veem, mas, sem querer dar a devida importância, fazem “vista grossa”.

E, mais uma vez, os cidadãos são desrespeitados.

domingo, 15 de maio de 2011

Sem ter o que fazer, Deputado propõe mudar nome de Juazeiro do Norte

Centenário de Juazeiro do Norte # 32

(Deputado) Heitor propõe fazer plebiscito
Clique para ler a matéria no Diário do Nordeste

Ok! Sei que essa não é uma notícia tão nova assim, mas é uma coisa que não se pode deixar passar em branco.

Nessa semana que passou, circulou na imprensa que um deputado estadual propôs a mudança do nome de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero.

Eu fico me perguntando se um cidadão como esse não tem nada mais importante para pensar ou reivindicar na Assembleia Legislativa. O pior de tudo é que esse cara não é daqui e nunca tive a notícia de que ele tenha vindo nos fazer visita, nem em época de campanha.

Meu amigo! Venha cá dar uma voltinha. Venha ver como as ruas de Juazeiro do Norte estão esburacadas.

Venha ver que em alguns postos de saúde as pessoas reclamam da falta de médicos e vacinas. Proponha algo útil que faça com que as farmácias populares tenham em seu estoque os remédios que as pessoas necessitam.

Proponha, daí mesmo de onde o senhor está, uma investigação para saber onde foi aplicada toda a verba destinada, nesses quase 30 anos que passaram, para a construção do Centro de Apoio aos Romeiros.

Proponha, ao menos, uma revitalização da Bacia do Salgadinho, acabando com a poluição que assola aquele rio.

Proponha que os professores desta cidade (e de todo o Ceará) tenham melhores salários e melhores condições para educar os filhos desta terra, para que, mais adiante, não se tornem bandidos ou frequentadores da famosa cracolândia.

Aprove um projeto de lei que dê fardamento e armamento gratuito, melhores condições de trabalho, melhores salários, e bons treinamentos para os policiais (civis e militares) que cuidam de Juazeiro no peito e na raça, e com um efetivo bem menor do que realmente se faz necessário.

Proponha que o Hospital Regional do Cariri comece a funcionar logo e que os profissionais que vão trabalhar lá tenham condições e boa remuneração. Proponha a instalação do serviço de ambulâncias 192 e que o Corpo de Bombeiros tenha viaturas e equipamentos decentes.

Proponha uma solução para os retornos mortais da Avenida Padre Cícero.

Proponha que o Aeroporto Regional do Cariri tenha condições verdadeiras de operação.

Senhores deputados, sei que muitos de vocês querem se tornar (ou já são) um Tiririca da vida. Sei que pode ser difícil, mas tentem deixar de conversa besta e trabalhem verdadeiramente para o bem do povo desta cidade e de todo o estado.

Honrem toda a grana que vocês recebem (valores além do necessário), fazendo coisas realmente úteis, e não ficando de gozação com a nossa cara, com o nosso dinheiro e com a nossa paciência.

Valei-me meu Padrinho Cícero!!!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A infindável obra do Centro de Apoio aos Romeiros

Centenário de Juazeiro do Norte # 10

Se Juazeiro está comemorando 100 anos, essa obra aí está comemorando pelo menos uns 25. Iniciada na primeira administração de Manoel Salviano, na década de 1980, a obra deveria ser um Centro de Apoio aos Romeiros, como o próprio nome já diz.

O objetivo seria proporcionar, aos romeiros que vêm a esta cidade, um local onde pudessem descansar, alimentar-se, encontrar informações, serviços emergenciais de saúde, entre outras possibilidades.

Acontece que: entra prefeito e sai prefeito, entram verbas (e essas verbas vão para não sei onde ou para não sei quem) e, entre descasos e ideias cada vez mais mirabolantes, o término da obra vai sempre ficando para um depois que nunca chega.

Há alguns dias foi inaugurada uma parte dos boxes que deverão servir para atividades comerciais (confira a matéria sobre a inauguração clicando aqui). Como tá parecendo que vai virar moda, inauguram-se algumas coisas nesta cidade que não podem funcionar de imediato (pra que inaugurar então?), e o mesmo está acontecendo com esses boxes que vão ficar lá, largados no meio do nada.

E a parte que serviria para acolher melhor os grandes financiadores do progresso desta cidade (leia-se romeiros), está lá, inerte, parecendo as ruínas do coliseu romano.

Enquanto isso, os romeiros continuam chegando a esta cidade sem encontrar local adequado para estacionarem seus ônibus; sem encontrar um banheiro digno e limpo onde possam fazer suas
necessidades; sem encontrar informações turísticas adequadas; sem encontrar um local onde possam descansar seus corpos cansados depois de uma desgastante peregrinação.

Mas, Juazeiro, fique atenta! A geração de romeiros que vem pra Juazeiro do Norte apenas para rezar e padecer de sofrimentos e maus tratos está passando. Esta cidade já devia ter aprendido a respeitar seus romeiros/turistas há muitas décadas atrás; e a respeitar também sua população, aplicando corretamente as verbas para onde elas realmente deveriam ser destinadas.

domingo, 17 de abril de 2011

Juazeiro sofre com mau cheiro

Centenário de Juazeiro do Norte # 05

Muita gente conhece a eterna cisma competitiva que existe entre alguns cratenses e juazeirenses. Aliás, há quem diga que essa rixa surgiu por conta da, já comentada aqui, Sedição de Juazeiro, pois as tropas de Juazeiro expulsaram as tropas do governo pro Crato. Mas essa é outra história que quero contar outro dia.

O fato é que, conversando certa vez com uma cratense, entramos nessa discussão de que Crato é melhor que Juazeiro e vice-versa. E nessa brincadeira besta, ela soltou uma verdade que na hora fiquei espantado e indignado. Ela disse que Juazeiro fede! Assunto que, de brincadeira, passou a ter ares de seriedade e passei a dizer que aquilo já era frescura e mentira das grandes.

Mas, infelizmente, naquele dia, o que ela fez realmente foi me abrir os olhos e as narinas!

Aquela cidadã cratense que se negava a reconhecer que o esgoto do canal do Crato é absurdamente fedorento, fez-me observar que, ao cair da tarde, o centro de Juazeiro é tomado por uma indescritível fedentina proveniente da lagoa de decantação da Cagece, a que recebe o esgoto.

Se fosse só isso, tava bom demais! Comecei a reparar que o esgoto que corre a céu aberto na beira das calçadas, inclusive no centro, também fede pra caramba.

Se fosse só isso, tava uma beleza, mas comecei a notar que em frente ao supermercado Super Lagoa, na rua da Conceição, a fedentina pode ser mais cruel do que qualquer uma dessas que citei acima, por causa de uma lama fedorenta que se acumula lá.

Se fosse só isso, eu ficava calado, mas só de passar por perto dos mercados do Pirajá, Sra. Santana e Central, dá logo vontade de vomitar!

Se fosse só isso, eu tinha parado no item anterior, mas às margens da linha férrea passa um rio (se é que posso chamar assim) de esgoto que parece o canal do Crato.

Se fosse só isso, eu sossegaria, mas na Av. Castelo Branco, ali perto do Rubão, o mau cheiro é insuportável, assim como é naquela baixa da Av. Virgílio Távora.

Mas, se eu fosse ficar citando todos os lugares onde Juazeiro fede, eu passaria o resto do mês escrevendo esta matéria.

O pior de tudo é: ninguém faz nada pra acabar isso!

Parabéns, Juazeiro! Por seus 100 anos de progresso, fedentina e fé!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ex-marido guarda 47 pedras de crack no soutien da mulher e ela terminou presa

Link da notícia no site Miséria: clique aqui.
Depois que você ler, volte e responda se for capaz:

O que é mais incrível nesta notícia?

( ) O cara já esteve preso por tráfico de drogas (e está solto por que?)

( ) O ex-marido esconder a droga nos seios da mulher (se é ex-marido não tem nada que tá mexendo lá)

( ) O cara já foi preso mais de uma vez por tráfico de drogas (e está solto por que?)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Buraqueira centenária (e sem bombardeios)

Eu ainda não conheço o Afeganistão e o Iraque, mas conheço um pouco de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Mas, com esse meu território nada vasto, acredito que já posso ter uma noção de como são as ruas nesses países que sofreram e sofrem constantes bombardeios.

Dirigir nas ruas do triângulo Crajubar exige destreza e paciência para não nos envolvermos em acidentes.

Praticamente quase todas as principais ruas e avenidas da cidade de Juazeiro do Norte estão em péssimas condições de tráfego. Fico imaginando se a prefeitura tem alguma parceria com as oficinas mecânicas desta cidade, a ponto de não realizar qualquer tipo de reparo nas ruas — nem que seja a conhecida medida paliativa “operação tapa-buraco”.

Eu fico indignado e impressionado com os tamanhos dos buracos que encontramos, por exemplo, na rua São Benedito, que obrigam os motoristas a realizarem manobras arriscadas — principalmente os motoristas que não possuem o hábito de passar frequentemente por aquela via que, além do intenso movimento de veículos automotores, possui um grande tráfego de pedestres.

O mais "engraçado": Juazeiro vai completar Cem Anos com as ruas lindas. É uma beleza!

terça-feira, 22 de março de 2011

Juazeiro e seu eterno esgoto a céu aberto

Essa é da série "100 anos, 100 problemas".



Como se diz por aí, Juazeiro do Norte é o maior milagre do Padre Cícero. Às vésperas do centenário da cidade e de mais um aniversário do nosso milagreiro urbano, fico pensando em muitas coisas que vejo por aí.

Me lembro de 1992, quando aqui cheguei, e de ter me deparado com situações e hábitos um tanto diferentes dos quais eu estava acostumado, mas que aos poucos, e em menos de três anos, já fui me adaptando. Uma das coisas que mais me chamaram atenção e que me trouxe uma certa incompreensão e nojo, foi o fato de eu ver, em praticamente toda a cidade, o esgoto escorrer a céu aberto, na maior naturalidade do mundo, nas portas das casas.

Há quase vinte anos atrás me vinha à cabeça que aquilo era coisa de cidade pequena e que um dia isso iria mudar.

Minhas esperanças ficaram maiores quando, ainda no século passado, a companhia de água e esgoto começou a construir o sistema de saneamento básico, que poderia eliminar essa imundície e acabar com o perigo das fossas nos quintais. Enganei-me profundamente...

Primeiro porque os moradores das casas que passaram a utilizar o sistema sanitário da Cagece tiveram que pagar um adicional de 100% em cima do consumo de água em sua conta mensal. Segundo, porque, de fato, o problema não foi resolvido nem pras fossas (que continuam sendo construídas por aqueles que não querem tomar um susto avisado mensalmente em suas contas de água), nem para os esgotos nas beiras das calçadas.

Infelizmente, não possuo nenhum flagrante de acidente que essas merdas (literalmente), proporcionam aos cidadãos desta cidade e aos seus visitantes. Mas, acredito não precisar disso porque todo bom cidadão juazeirense já deve ter sido vítima desses esgotos traquinos, esteja a pé, de moto, carro ou bicicleta. Hoje mesmo presenciei uma senhora idosa que, ao atravessar a rua, atolou seu pé e quase caiu no cruzamento de duas das principais avenidas de Juazeiro do Norte (Rua São Benedito / Av. Castelo Branco).

Atualmente, em 2011, século XXI, quando a cidade completa 100 anos e se tornou a sede de uma região metropolitana; que tem em seu solo empresas multinacionais instaladas; a promessa de 3 shoppings centers; lojas de departamento; trem; três ou quatro empresas de ônibus atuando; que possui o aeroporto que mais cresce, proporcionalmente, em movimentação no Brasil; e uma série de coisas mais, não consigo compreender porque essa merda toda ainda tem que estar aos meus pés.

Sinceramente, ainda estou pra ver um prefeito, vereador ou deputado que seja homem pra acabar com isso.