quinta-feira, 22 de maio de 2014

Poesia de cego



por Amador Ribeiro Neto

Antonio Cicero é um bom letrista de canções populares. Até mesmo quando um poema seu é musicado, geralmente a canção resultante é agradável. Marina Lima, por exemplo, está aí para comprovar isto.

O problema reside na maioria de seus poemas. Que não são poemas propriamente falando. Eis o nó górdio – pra usar uma expressão cara ao quase-poeta. São buscas nada felizes de um coloquialismo que, ao fazer concessão ao prosaísmo, raramente chega ao poético.

E mais: ele funde mitologia e filosofia como se “erudição” fosse garantia de poeticidade. Não é. Pelo contrário: cansa a beleza do leitor.

Claro que há aquele leitor que sente seu ego inflar-se ao decodificar uma referência mitológica. Ou mesmo ao sacar a intertextualidade filosófica. Bem, este é um prazer egoico. Plausível. Não é fruição poética.

Seu livro Porventura (Rio, editora Record, 2012) é um prolongamento do mesmo esquema facilitador do anterior, Guardar (1996). De um lado, relatos helênicos, vocabulário empolado, obsoleto e pomposo. Talvez o Antonio Cícero entenda que cultura clássica, em poesia, seja assim que se “a-presente”. Não é. Vide Kaváfis, Valéry, Eliot, Pessoa. E, entre nós, Mário Faustino.

De outro lado, derrapadas na busca obsessiva pelo coloquial e pelo despojado. Não convence. Sejamos justos: seu amigo, e autor das orelhas de Porventura, Antonio Carlos Secchin, diz exatamente o contrário do que afirmo aqui. Bem, colocações de orelheiros são quase sempre tendenciosas. Sabemos disto.

O livro inicia-se com uma canção do exílio reciclada por uma linguagem chinfrim, em tons de reflexão filo-psicanalíticas. Para terminar numa declaração de amor. E numa confissão: o poeta se diz convicto de que “um ou dois dos meus futuros versos [serão maduros]”.

Bem, é o próprio AC quem diz: versos maduros, só no futuro. E um ou, porventura, dois. Não por menos ele encerra seu livro com o poema “3h47” que cito na íntegra: “Bem que Horácio dizia / preferir dormir bem / a escrever poesia”. AC deveria seguir a lição do mestre.

No poema “O poeta cego” ele abusa dos trocadilhos, das anáforas e dos anagramas. Parece que faz um exercício de aplicação das normas de um manual do tipo Como Produzir um Poema. A primeira, das duas quadras, diz: “Eis o poeta cego. / Abandonou-o seu ego. / Abandonou-o seu ser. / Sem ser nem ver ele verseja”.

Didaticamente AC vai expondo a situação do poeta cego: sem ver e sem ser. Daí o poeta considera um grande achado dizer que “sem ser nem ver” o poeta “VER/seja”. Resultado infame. Trocadilho reles. Inadmissível.

Depois vem a segunda quadra. Eximo-me de transcrevê-la. Por “vergonha alheia”.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 16 de maio de 2014, p. 7.

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'Os Últimos Passos de Um Homem', filme de Tim Robbins, no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Os Últimos Passos de Um Homem
Título original: Dead Man Walking
Direção e roteiro: Tim Robbins
Elenco: Susan Sarandon, Sean Penn, Robert Prosky, Raymond J. Barry, R. Lee Ermey, Celia Weston, Lois Smith, Scott Wilson, Roberta Maxwell, Margo Martindale
Duração: 122 minutos
Ano: 1995
Países de origem: Estados Unidos, Reino Unido

"Inspirado pela verdadeira história do relacionamento de uma freira com um condenado, esta provocativa análise de crime, punição e redenção deu a Susan Sarandon o Oscar de Melhor Atriz e a Sean Penn a indicação ao Oscar de Melhor Ator. A Irmã Helen Prejean, uma caridosa freira de New Orleans, é a conselheira espiritual de Matthew Poncelet, um assassino cruel, revoltado e complexo, que aguarda sua execução. A missão da irmã é ajudar a quem, como Matthew, precisa encontrar a salvação." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 24 de maio de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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quarta-feira, 21 de maio de 2014

'Morro Como Um País': programação no Crato com teatro, filme e debates



Morro Como um País - Cenas Sobre a Violência de Estado
Grupo Kiwi Companhia de Teatro (SP)

Programação:

Dias 23 e 24 de maio de 2014 (sexta e sábado):
20h: Espetáculo Morro Como Um País
No Teatro do SESC Crato-CE
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada: 1kg de alimento não-perecível

Dia 26 de maio (segunda-feira):
19h: Intervenção Três Metros Quadrados
No Hall de Entrada do SESC Crato
19h30: Projeção do documentário 1964: Um Golpe Contra o Brasil
No Teatro do SESC Crato
20h30: Debate com o autor/diretor Alípio Freire (mediação de Elvis Pinheiro)

Dia 27 de maio (terça-feira):
19h: Intervenção Três Metros Quadrados
19h30: Debate sobre violência institucional
Local: URCA (Campus do Pimenta - Crato).
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+ info.: (88) 3586.9163
Para saber mais sobre o espetáculo Morro Como Um País, clique aqui.

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Show 'Tais Nader em Movimento': em Nova Olinda e Juazeiro do Norte



"A cantora e compositora Tais Nader traz, no seu canto visceral, a atitude e o desejo de ampliar os horizontes através da música. Com composições gravadas por artistas como Daniela Mercury e Carla Visi, ela acredita que música é para todos e, sem distinção, Tais faz desse lema uma filosofia." (sinopse da divulgação do evento)

Show Tais Nader em Movimento (Salvador-BA)
Entrada gratuita.

Sexta-feira, 23 de maio de 2014, 19h:
No Teatro Violeta Arraes (Fundação Casa Grande), Nova Olinda-CE

Sábado, 24 de maio de 2014, 19h30:
No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), Juazeiro do Norte-CE.

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terça-feira, 20 de maio de 2014

'A Lei do Desejo', filme de Pedro Almodóvar, no Cine Arte Leão



Cine Arte Leão (em parceria com o SESC Juazeiro)
Exibição do filme A Lei do Desejo
Título original: La ley del deseo
Direção e roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Eusebio Poncela, Carmen Maura, Antonio Banderas, Miguel Molina, Fernando Guillén, Manuela Velasco, Nacho Martínez
Duração: 102 minutos
Ano: 1987
País de origem: Espanha

"Tina odeia terrivelmente os homens. Pablo, seu irmão, é diretor de cinema e tem romance com Juan que parece não partilhar desta mesma paixão. Pablo conhece Antonio, um rapaz indeciso quanto à sua sexualidade e decidido a seduzi-lo a qualquer custo. Uma trama saborosa do mesmo diretor de A pele que habito." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quinta-feira, 22 de maio de 2014, às 14h
Na Faculdade Leão Sampaio, Campus Saúde (Juazeiro do Norte-CE)
Aberto ao público.

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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Banda Holly Wood em Juazeiro



Show da Banda Holly Wood
Quinta-feira, 22 de maio de 2014, 23h
Na Budega Cariri (Juazeiro do Norte-CE).

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Aprendendo a voar!



por Xico Fredson

O prazer de uma conquista muitas vezes não se resume à sua materialização em si, que é o troféu de vencedor. Muitas vezes esse prazer está intimamente ligado à jornada percorrida, mesmo que como atletas não percebamos isso.

E o que é essa jornada? É uma viagem que começa a partir do momento em que um grupo de pessoas se une em torno de um ideal, de uma ideia, de um sonho. Esse é o primeiro passo da jornada. O segundo vem a partir do momento em que esse grupo de pessoas percebe que a realização do sonho não será nada fácil, pois um grupo, por mais que esteja unido por um ideal, é formado por pessoas que possuem pensamentos, valores e personalidades diferentes.

Agora entramos no campo da aceitação, do convívio, do tentar entender e aceitar o outro: é quando percebemos que juntos somos mais fortes, e que muitas vezes o que aos nossos olhos parece um defeito, pode se transformar num complemento de algo que nos falta como pessoa ou como time, e que o mais importante é quando aprendemos que somar forças para vencer é melhor do que dividir e nada conquistar.

Todo esse preâmbulo foi para dizer que a equipe feminina do time Juazeiro Basquetebol Clube (ou simplesmente JBC) sagrou-se campeã, no dia 17 de maio de 2014, do X Campeonato de Basquete do Interior Masculino e Feminino Adulto, cujo circuito final foi realizado pela sexta vez seguida no município de Tabuleiro do Norte (a “Franca” do Basquetebol Cearense), nos dias 17 e 18 de maio. Tendo a equipe da casa, capitaneada pelo Técnico Dimitry Queiroz conquistado o seu 5º título.

Um sonho que era sonhado há muito tempo pela equipe, que ao longo de oito anos passou por muitas mudanças, derrotas, vitórias, sorrisos, lágrimas, desconfianças, e uma série de outras situações e momentos que estão intimamente ligados à história do grupo.

Grupo este que aceitou o desafio da jornada e que aprendeu a se fortalecer coletivamente — aprendendo a conviver com as diferenças e como time —, aprendendo que quando se deseja algo do fundo do coração, e soma-se a isso a conjugação do verbo “querer” na primeira pessoa do presente (“eu quero”), e quando isso contagia a todos, não há nada que afaste o grupo do seu objetivo.

Desculpem aqueles que precisam de estatísticas e de números para tentar entender o contexto de uma partida. A minha análise é emotiva e simples: venceu quem teve mais coração, quem sonhou junto e com isso tornou o que parecia irreal e distante, num doce momento de glória que estará para sempre guardado dentro de cada uma das pessoas que aceitaram o desafio da jornada. Venceu quem, enfim, aprendeu a voar.

A foto da equipe campeã [no início da postagem] é a sintese de um grupo que vem se formando ao longo dos anos, que passou por diversas transformações, pois no início da jornada encontramos meninas e hoje vemos mulheres com suas vidas, pessoais e profissionais, formadas ou bem encaminhadas.

Essa conquista pertence também a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, ajudaram na solidificação da equipe, contribuindo para que a conquista se tornasse possível.

Como podem ter percebido, eu não falei e não vou falar nos placares, nas estatísticas, nos pontos fortes da equipe e demais detalhes, que aqui se tornam pequenos. Este texto não é sobre um campeonato, o campeonato é detalhe — muito importante, é bem verdade — mas um detalhe.

A medalha é a resposta para perguntas feitas por pessoas próximas e outras que gostam de exercitar o “importar-se com a vida que não lhe pertence”: o que você ganha correndo atrás de uma bola? Ou quanto você ganha para fazer isso?  São pessoas que não têm capacidade de entender a importância de um grupo, de um espaço em que se pode comungar da vida uns dos outros, sempre na tentativa de ajudar, em que não há recompensas financeiras, apenas o carinho, o respeito, o reconhecimento do valor individual e coletivo, e o indispesável “estamos aí”.

Parabéns ao Técnico Fernando Nobre, pela persistência e pela paciência em ensinar diariamente a todos nós o valor ético e moral do basquebol e pela formação desse grupo campeão; ao seu assistente Anderon; às atletas: Bruna, Amanda, Evelyn, Daniele, Taty, Thaís, Gilda, Hinara, Natália e Paulinha, que lutaram em quadra para a realização dessa conquista.

E um agradecimento especial ao SESC Juazeiro do Norte, nas pessoas do seu Gerente Paulo Damasceno e da Prof. Kamile de Lira Sobral, pelo apoio irrestrito às nossas equipes, dando todo o suporte para que o basquete juazeirense se desenvolva com excelência!

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'Berlin is in Germany', filme de Hannes Stöhr, em exibição no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra do Novíssimo Cinema Alemão
Exibição do filme Berlin is in Germany (ou Berlim Fica na Alemanha)
Título original: Berlin is in Germany
Direção e roteiro: Hannes Stöhr
Elenco: Jörg Schüttauf, Julia Jäger, Robin Becker, Tom Jahn, Edita Malovcic, Robert Lohr, Valentin Plătăreanu, Oscar Martínez
Duração: 90 minutos
Ano: 2001
País de origem: Alemanha

"Após um longo período de reclusão, que teve início ainda nos tempos da antiga RDA, Martin é posto em liberdade na nova Berlim unificada. Involuntariamente, ele entra em conflito com a polícia." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 19 de maio de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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domingo, 18 de maio de 2014

Em Juazeiro: Oficina de Escultura em Argila, com Elionardo do Nascimento



"A oficina trará, de maneira descontraída, as técnicas de esculturas na argila, por meio da produção de formas humanas e objetos utilitários. Elionardo do Nascimento é escultor, deficiente visual e já desenvolve a Oficina de Escultura em Argila para pessoas com deficiência visual desde 2006." (sinopse da divulgação do evento)
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Oficina de Formação Artística
Oficina de Escultura em Argila

Com Elionardo do Nascimento (Crato-CE)
De 20 a 23 de maio de 2014, 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), Juazeiro do Norte-CE
Inscrições gratuitas no CCBNB Cariri (15 vagas; 16h/a).
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V Seminário Música e Comportamento, na Mostra de Bandas Armazém do Som



V Seminário Música e Comportamento
Armazém do Som
Dias 20, 21 e 23 de maio de 2014
No SESC Juazeiro do Norte-CE
Inscrições gratuitas
+ info.: (88) 3587.1065.

Programação:

Terça-feira, 20 de maio:
14h - Workshop: Leitura de Partitura
Com o Prof. Robson Almeida

Quarta-feira, 21 de maio:
14h - Workshop: Prática de Conjunto
Com o Prof. Diego de Souza

Sexta-feira, 23 de maio:
14h - Workshop: Criação e trilhas sonoras para o Teatro
Com Ayrton Pessoa

De 19 a 23 de maio, das 18h às 22h:
"Som das Tribos": exibição de videoclipes de bandas de várias tnedênsicas e vertentes do rock. No Terreiro da Mestra Margarida (SESC Juazeiro).
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Emissão de certificado de participação com carga horária de 40h.

Obs.: a carga horária total do seminário é extensiva à participação em toda a programação do Festival, inclusive apresentações das bandas. Porém, a emissão do certificado fica vinculada à participação em, no mínimo, 75% (setenta e cinco por cento) do total de horas das palestras e workshops.
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Confira a programação de shows da Mostra de Bandas Armazém do Som clicando aqui.

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'Django Livre', de Quentin Tarantino



por Ythallo Rodrigues

Django Livre (Django Unchained), de Quentin Tarantino (EUA, 2012)

Não existem verdades mais verdadeiras do que as nossas próprias verdades. Começando pelo fim: um homem negro rodopia em seu cavalo de forma garbosa e épica para sua amada, finalmente livres, das correntes dos seus opressores. Serão felizes? A "América" permitirá? Viverão suas vidas no sul estadunidense? O Texas — um dos estados mais racistas dos Estados Unidos naquele período — os deixaria em paz, em plenas prévias da Guerra de Secessão? Eles precisam dessa felicidade futura, que não está neste filme? Pra que saber? Esse filme não anseia saber o que acontecerá no futuro.

É um filme que trata de questões muito delicadas, esse Django Livre. É possível dar nas mãos de um ex-escravo negro uma arma e ele ser o herói num filme, não um filme de qualquer gênero, um faroeste? E esse filme tem como pano de fundo um dos grandes genocídios da humanidade — a matança indistinta e criminosa de milhões de negros em toda a América — que durou três séculos, pelo menos. É possível dar essa arma a esse homem, independente de qualquer coisa, para que ele possa fazer a sua justiça? Finalmente, esse filme é possível?

Pois bem, este filme existe e é um faroeste de Quentin Tarantino. O western é um gênero cinematográfico criado por realizadores dos Estados Unidos, no início do cinema. Durante as décadas de 1920, 1930, 1940 e 1950, esse gênero recriou a história estadunidense, a partir de suas lendas e mitos, fazendo-se através de seus contos heroicos — verdadeiros ou não — e de um universo repleto de bravura, luta, brutalidade, racismo, dor, amor, ódio, paixão e morte, muita morte. É impossível dissociar este gênero do cinema dos Estados Unidos, e principalmente da criação da sua história. Então pensemos, um filme deste cineasta, deste gênero, o que teremos? Sangue, muito sangue. Um sangue inclusive que provoca muitas risadas em quem o assiste. E como não rir perante tantos jatos vermelhos? Esta é uma grande homenagem aos grandes faroestes da história do cinema.

Vem-nos, no entanto, uma outra questão delicada. Por que comparar o percurso de um ex-escravo negro ao personagem de uma lenda alemã? Mais uma vez me pergunto, isso é possível? E me pergunto de novo, e por que não? Se alguém deseja criar um nível de conversa com o outro numa relação de igualdade — não falo nisso como num jogo, mas sim com afeto — qual seria a melhor atitude? Creio que não subjugar o outro é um começo. Simplesmente partir das experiências e principalmente das vivências mútuas, criando laços de afetividade para que numa troca entre os envolvidos possa finalmente se estabelecer, por exemplo, uma amizade.

E este também é um filme sobre a amizade, entre um homem negro e um homem branco de origem alemã. Um "alemão" que em uma de suas primeiras galhofas e num gesto muito sutil, quase imperceptível, aponta para quatro homens negros recém libertados a estrela do norte. Qual o porquê desse ato? Aquela estrela os levaria para longe do sul escravocrata, ou seja, eles poderiam finalmente viver suas vidas de homens libertos no norte dos Estados Unidos.

Mas o que tudo isso tem a ver com a tal lenda germânica? A lenda tem a ver com tudo que está posto. As lendas que o western criou para os Estados Unidos — os bravos cowboys brancos —, as lendas dos deuses brancos — alemães, gregos, romanos —, as lendas que o romantismo intocado europeu do século XIX ia buscar na idade média — cita-se inclusive Alexandre Dumas, escritor do romantismo francês de origem negra e que escrevia sobre heróis brancos de sua época —, até chegarmos finalmente à lenda de Siegfried. Percebe-se que aquela lenda germânica de montanhas, dragão e heroísmo, estaria pronta pra ser usurpada de suas origens e estar ao dispor de todos que a desejassem vivenciar ou se fizessem vivenciar, como no cinema, por exemplo. E melhor ainda, por qualquer um, sem preconceitos.

No caso deste filme, a lenda é vivida por um caçador de recompensas, ex-escravo, liberto por um estranho, obstinado em reencontrar sua Broomhilda, sem nenhum pudor de ser comparado com quaisquer que fossem as lendas. Um deus negro tão potente como o mais poderoso dos deuses germânicos, gregos, romanos, ou de quaisquer origens.

Contudo, isso não seria possível? Neste filme isso não só foi possível como desvelou a coragem de um cineasta de fazer do seu Django, um western com um protagonista negro, sem jamais esquecer o cinema — a arte cinematográfica —, sem esquecer a história hipócrita da sua "América", não deixando de ser americano, e capturando uma lenda que brancos criaram para os seus, e igualando-nos para uma conversa franca, sem superiores e inferiores, negros e brancos, sobressaindo-se apenas o vermelho que é espirrado nos nossos olhos. E rimos. O Django está livre, quando jamais deveria ter estado preso. Apesar do mal que há em todos a potência do bem resiste, até a morte, me parece.
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Ythallo Rodrigues é cineasta, poeta, integrante do Blog O Berro e da Filmes de Alvenaria.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 10, de 13 de novembro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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sábado, 17 de maio de 2014

Apresentações extras da comédia 'Separación' em Juazeiro do Norte



Apresentações extras do Espetáculo Separación
Comédia de Joylson Kandahar
Mandacaru Cia. de Artes e Eventos
Sábado, dia 17, e domingo, dia 18 de maio de 2014, 19h30
No Teatro Marquise Branca (Juazeiro do Norte-CE)
Classificação etária: 12 anos
+ info.: (88) 8801.0950 / 9742.7011.

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Pizza com Livros (9ª Fornada Cariri) neste domingo em Juazeiro



Pizza com Livros - 9ª Fornada Cariri
Colabore com livros usados!
Domingo, 18 de maio de 2014, 17h30
Na Pizzaria Hilda (Av. Carlos Cruz, 1427, Franciscanos), Juazeiro do Norte-CE
Produção: Paula Izabela (paulaizabela.blogspot.com).
Saiba um pouco mais sobre a história do evento clicando aqui.

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mostra de Bandas Armazém do Som 2014 no SESC Juazeiro. Programação:



Mostra de Bandas Armazém do Som
De 19 a 23 de maio de 2014
No SESC Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3587.1065.

Programação:

Segunda-feira, 19 de maio de 2014:
19h: Acampamento 80
20h30: M.A.X. Rodrigues

Terça-feira, 20 de maio:
19h: Blackout (Tributo a Scorpions)
20h30: General Band

Quarta-feira, 21 de maio:
18h: Zuy Band
19h30: Banda Nuverse
21h: Nazirê

Quinta-feira, 22 de maio:
18h: Under Dome
19h30: Ratos Mutantes
21h: Silver Lady

Sexta-feira, 23 de maio:
19h: Quebra Tranca
20h30: Holly Wood.

Confira a programação do V Seminário Música e Comportamento clicando aqui.
(dentro da Mostra de Bandas Armazém do Som).

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Vevas no show de encerramento da V Semana de Filosofia da UFCA



Show com Vevas e Banda (com Dudé Casado, Carlos Corda e Lituan Sanssara)
Encerramento da V Semana de Filosofia da UFCA
Sábado, 17 de maio de 2014, 22h
No Terreiro de Mestra Margarida (SESC Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

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