quinta-feira, 30 de agosto de 2012

5 ExpoAnime no final de semana em Juazeiro do Norte



5º ExpoAnime Cariri

Dia 01/09: Exibições, Oficinas; Gladiador, Sala de Games; Área da Informática, Paintball, Conc. de Karaokê, Stands, Sala Temática;
Dia 02/09: Exibições, Oficinas, Paintball, Gladiador, Sala de Games, Área de Informática; Stands, Quiz Anime, Sala Temática, Conc. Cosplay, Show com a banda Nightlife.

Dias 01 e 02 de setembro de 2012
No SESC Juazeiro do Norte-CE
Entrada: 1kg de alimento não perecível
+ info: (88) 8825.2097 / 9653.9994.
.

'Conversas Filosóficas': Economia Solidária dentro da Economia Criativa



Prof. Eduardo Vivia desenvolve e participa do movimento de economia solidária no Ceará objetivando ampliar uma nova forma de troca econômica em que se valoriza a cidadania, a relação pessoal, o sentido humano da produção em contraposição às relações coisificadas do mercado tradicional. O tratamento deste viés que traz estas características, não foge da forma como a economia criativa tenta se estabelecer. Ou seja, a economia criativa não é uma forma nova do capital se acumular e reproduzir mais eficientemente. (sinopse da divulgação do evento)

Conversas Filosóficas
Economia Solidária dentro da Economia Criativa
Convidado: Prof. Eduardo Vivia Cunha - UFC Campus Cariri
Sexta-feira, dia 31 de agosto de 2012, 19h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.
.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Exibição do filme 'A Mulher Faz o Homem' no Cine Café



Cine Café - Edição de 2º aniversário (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme A Mulher Faz o Homem
Título original: Mr. Smith Goes to Washington
Direção: Frank Capra
Roteiro: Lewis R. Foster, Sidney Buchman
Elenco: James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains, Edward Arnold
Duração: 129 minutos
Ano: 1939
País de origem: Estados Unidos

"Um idealista, honesto e honrado homem do interior é convidado a se tornar senador dos Estados Unidos sem saber que sua escolha é baseada no fato de ser considerado um homem ingênuo e manobrável. Filme indispensável e estimulante para a reflexão sobre ética na política que tanto discutimos hoje em dia." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 01 de setembro de 2012, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.
.

Embalado pra viagem # 76

Choro bandido
(Chico Buarque / Edu Lobo)

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
serão bonitas, não importa
são bonitas as canções
mesmo miseráveis os poetas
os seus versos serão bons
mesmo porque as notas eram surdas
quando um deus sonso e ladrão
fez das tripas a primeira lira
que animou todos os sons
e daí nasceram as baladas
e os arroubos de bandidos como eu
cantando assim:
você nasceu para mim
você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
e as janelas do vestido
minha musa vai cair em tentação
mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
mesmo que você fuja de mim
por labirintos e alçapões
saiba que os poetas como os cegos
podem ver na escuridão
e eis que, menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes
hão de se entregar assim:
me leve até o fim
me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
são bonitas, não importa
são bonitas as canções
mesmo sendo errados os amantes
seus amores serão bons.



____
Edu Lobo interpretando composição feita em parceria com Chico Buarque. Gravação do disco Edu Lobo & Chico Buarque - Álbum de Teatro, de 1997.

Neste 29 de agosto de 2012, quando Edu Lobo completa 69 anos de idade.
.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Exibição do filme 'Meteorango Kid - Herói Intergalático' no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição de Meteorango Kid - Herói Intergalático
Título original: Meteorango Kid, Héroi Intergalático
Direção e roteiro: André Luiz Oliveira
Elenco: Antônio Luís Martins, Carlos Bastos, Milton Gaúcho, Manoel Costa Junior, Antonio Vianna, Nilda Spencer
Duração: 80 minutos
Ano: 1969
País de origem: Brasil

"O filme narra, de maneira anárquica e irreverente, as aventuras de Lula, um estudante universitário no dia do seu aniversário. De forma absolutamente despojada mostra, sem rodeios, o perfil de um jovem desesperado, representante de uma geração oprimida pela ditadura militar e pela moral retrógrada de uma sociedade passiva e hipócrita. O anti-herói intergaláctico atravessa este labirinto cotidiano através das suas fantasias e delírios libertários, deixando atrás de si um rastro de inconformismo e um convite à rebelião em todos os níveis." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, dia 29 de agosto de 2012, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.
.

domingo, 26 de agosto de 2012

Flauberto Gomes apresenta o show 'O Canto Teu' na quinta-feira



"O Canto Teu" traduz-se em melodias que desperta e provoca uma inquietação positiva para a reflexão de temas tão presentes no cotidiano, mas tão pouco compreendidos. Por meio de sons e poesias, elementos tão peculiares da tradição popular, reaviva-se o brio dos valores e tradições nordestinas num anseio pulsante de cutucar o que há de mais nobre no sentimento humano e transcender o espírito.

O Cariri, o amor, a indignação, a contemplação ao tempo e suas transformações, o batuque peculiarmente nordestino, as formas sonoras de simplicidade são facetas que se sobrepõem nessa aventura do fazer musical.

Nesse emaranhado de acordes nasce o desejo de fazer com que os olhos voltem-se para nossa cultura e que os dias vindouros respirem ares mais puros, abrindo as janelas do coração para a simplicidade da gente nordestina. (sinopse da divulgação do evento)

Flauberto Gomes (viola,violão e voz)
Ranier Oliveira (baixo, sanfona e voz)
Vinícius Pinho (violão e vocal)
Remy Oliveira (bateria)
Maricélio Santos (perssão)

Show "O Canto Teu", com Flauberto Gomes
Quinta-feira, dia 30 de agosto de 2012, 20h
No Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE)
Entrada gratuita.
.

Semana com shows de Jefferson Portela em Juazeiro do Norte



No espetáculo musical "...Vão Vocês", o percussionista Jefferson Portela apresenta o resultado do seu primeiro trabalho, uma miscelânea de ritmos populares — como maracatu, xote, samba — que ao se unirem acabam gerando outras levadas que nem sempre se permitem ser rotuladas. (sinopse da divulgação do evento)

No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Quarta-feira, dia 29 de agosto de 2012, 19h30. Entrada gratuita.

No SESC Juazeiro
Quinta-feira, dia 30 de agosto de 2012, 19h30. Entrada gratuita.
.

sábado, 25 de agosto de 2012

Exibição do filme 'Juiz Priest', de John Ford, no Cinemarana



Cinemarana
(com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra John Ford: Uma Lenda do Cinema

Exibição do filme Juiz Priest
Título original: Judge Priest
Direção: John Ford
Roteiro: Irvin S. Cobb, Dudley Nichols, Lamar Trotti
Elenco: Will Rogers, Tom Brown, Anita Louise, Henry B. Walthall
Duração: 80 minutos
Ano: 1934
País de origem: Estados Unidos

"O juiz William Priest, um orgulho dos confederados veteranos, usa do bom senso e humanidade consideráveis para fazer justiça em uma pequena comunidade norte-americana." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 27 de agosto de 2012, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada franca.

Para saber mais sobre a Mostra e o diretor, leia o artigo John Ford: o cineasta que me ensinou a ver cinema.
.

Embalado para viagem # 75

rascunhos dum delírio

a paixão atravessava
em derredor de meu grande corpo

um deleite e a sede brava
um desejo fausto e torto.

todas as contradições num só lugar
eis-me aqui inverossímil e mortal...
sem mais apuros e querente por mudar
no peito só a violência e a ponta do punhal...

agora era a hora de ir para casa
todo enviesado bobo e na solidão

comigo trago a dor e a mágoa na asa
por favor,
meu amor,
quando o ego elidir só me deixe a paixão.

____
Da série "Beijos oblíquos: desterro, destempero, desalento", parte do livro Obras completas, ainda inédito.

Ythallo Rodrigues é poeta e cineasta.
.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Leminski por Haroldo de Campos

Grifo nosso # 41

"Considero Paulo Leminski o mais criativo poeta de sua geração e um intelectual completo, armado de erudição e argúcia crítica: além de poeta, era tradutor, ensaísta, prosador, a culminar no Catatau, pleno de invenção e ousadia experimental, onde prosa e poesia confluem. Foi também um artista bem característico de sua geração, um hippie-zen, no plano existencial, plenamente aberto à aventura da vida. Nada melhor, como expressão de sua irreverente atitude perante a vida, do que o poema em que Leminski define-se como um 'cachorro-louco', zombeteiro, ou aquele poema-letra (belamente cantado pelo Caetano) em que, irônica e criticamente, anuncia que venderá os filhos para uma 'família americana' (...)"

____
Haroldo de Campos, em depoimento para o livro Paulo Leminski: o bandido que sabia latim, de Toninho Vaz (Record, 2001). Trecho reproduzido no livro Oriente Ocidente Através: a melofanologopaica poesia de Paulo Leminski, de Fábio Vieira (Ideia, 2010).

Em nossa pequena homenagem neste 24 de agosto de 2012, data em que Paulo Leminski completaria 68 anos de idade.
.

Exibição do filme 'Cinema Paradiso' no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Cinema Paradiso
Título original: Nuovo Cinema Paradiso
Direção: Giuseppe Tornatore
Roteiro: Giuseppe Tornatore (colaboração de Vanna Paoli)
Elenco: Philippe Noiret, Salvatore Cascio, Marco Leonardi, Jacques Perrin
Duração: 155 minutos
Ano: 1988
Países de origem: Itália / França

"Uma das maiores homenagens já feitas ao Cinema Mundial. Neste filme conhecemos o garotinho Totó e seu amigo, o projecionista do Cinema Paradiso, Alfredo. Com estes dois personagens elevaremos consideravelmente o nosso respeito e amor à sétima arte." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 25 de agosto de 2012, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.
.

Cine Dança exibe espetáculo 'O Tempo do Meio'



Cariri Quer Dancar - Agosto de 2012

Cine Dança - exibição de filmes, documentários, vídeo-dança ou registro de espetáculos com momento de reflexão sobre assuntos/temas e/ou propostas.

O Tempo do Meio (2012, Esther Weitzman - Esther Weitzman Cia. de Dança, RJ)
A Composição propõe a valorização de cada movimento como um acontecimento único, inusitado. Cada frase coreográfica é atentamente trabalhada para conceber a noção do devir como uma linha, que não se define pela ligação entre pontos, mas que simplesmente aponta para inúmeras direções que são desenhadas no espaço cênido. O movimento como uma flecha poética da expressão da vida. Mediação: Alysson Amancio. (sinopse da divulgação do evento)

Sexta-feira, dia 24 de agosto de 2012, 18h
Na ADC (Associação Dança Cariri)
Rua da Conceição, 1391 - Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita
+ info: (88) 3512.3596.
.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Um pouco sobre Nelson Rodrigues

Grifo nosso # 40

"Aplausos, críticas, vaias, elogios, indiferença, censura. Nelson Rodrigues conheceu um pouco de tudo ao longo de sua carreira. Apesar de acreditar que sua vocação era o romance, gênero que lia compulsivamente desde menino, resolveu escrever uma comédia para arranjar algum dinheiro, diante das dificuldades encontradas no início de sua carreira de jornalista. As marcas da infância e juventude acabaram por determinar sua produção teatral. O que seria cômico se transformou em drama terrível, e provavelmente poderia ser explicado por suas trágicas perdas familiares na juventude. Mas o que se evidenciava acima de tudo era sua verdadeira vocação: a elaboração de uma dramaturgia que revolucionaria o teatro brasileiro.

O texto polêmico e inovador do dramaturgo balançou os alicerces da sociedade brasileira da década de 1940, da crítica, da plateia, da intelectualidade, do governo. Dividindo opiniões e provocando debate, Nelson Rodrigues mudou o teatro que era feito no Brasil. A sátira à boa e velha moral e aos ditos bons costumes constituía a essência do texto rodriguiano. O público, acostumado a comédias, dramalhões e peças musicadas, escandalizava-se com tantos incestos, ódios, obsessões, taras traições e conflitos. Ao levar o oculto, o inconsciente, a 'imoralidade' da mente humana para o palco, Nelson foi chamado de tarado, incestuoso, pervertido. Críticos e amigos lhe apelidaram de 'flor de obsessão', por conta das ideias fixas que lhe povoavam o espírito. Muitas vezes incompreendido, outras vezes louvado, Nelson foi contruindo sua obra teatral. Mudou de estilo, fez duras críticas à realidade social, derrubou dogmas, provocou, fez graça, descortinou o subúrbio carioca e consolidou o teatro brasileiro, tornando-o conhecido mundialmente.

E não foi apenas pela temática tabu que a obra de Nelson foi decisiva na consolidação de um novo paradigma para o teatro. Sua compreensão e utilização dos recursos teatrais bem como as inovações que introduzia na tradição clássica da tragédia indicavam que ali estava um autor genial, logo reconhecido pelos mais importantes atores e diretores da época como Ziembinski, Fernando Torres, Kleber dos Santos, Vanda Lacerda, Itália Fausta, Nathalia Timberg, Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi.

Nelson Rodrigues escreveu 17 peças ao longo de quase quarenta anos. A primeira reunião de sua obra teatral foi publicada pelas Edições Tempo Brasileiro, na década de 1960, e se intitulava Teatro quase completo de Nelson Rodrigues. Dividida em quatro volumes, a publicação seguia a ordem cronológica das 15 peças então escritas pelo autor. Suas duas últimas peças, Anti-Nelson Rodrigues (1973) e A serpente (1978), criadas posteriormente, foram publicadas em reunião com as outras 15 na edição do Teatro completo de Nelson Rodrigues lançada pela Nova Fronteira nas décadas de 1980/1990 [e em nova edição nos anos 2000].

(...)

Nelson, o 'tarado, pervertido, incestuoso', o destruidor da família, da sociedade e dos bons costumes, revela-se hoje um autor cuja obra é 'digna de imitação', 'foi consagrada pelo tempo', 'é da mais alta qualidade', tais as definições que se podem encontrar para esse adjetivo. Mas, acima de tudo, Nelson Rodrigues é hoje um clássico porque seu olhar crítico e seu estilo transbordaram a época na qual se inscreviam e chegaram até nós com a mesma contundência e genialidade. Esse amálgama de perenidade e transformação expande os limites do teatro de Nelson Rodrigues e renova sempre como um espaço de reconhecimento do Brasil e do humano."
julho de 2004
____
Nota do editor, na edição Teatro completo de Nelson Rodrigues (Nova Fronteira, 2004).

Em mais uma postagem nossa no dia do centenário de Nelson Rodrigues.
.

Artigo sobre montagem caririense de peça de Nelson Rodrigues

Ponto de fuga # 17



A caririense Engenharia Cênica tem viajado o país para apresentar o espetáculo Perdoa-me por me traíres, de Nelson Rodrigues, escritor que tem seu centenário de nascimento comemorado nesta quinta-feira, 23 de agosto de 2012.

Após apresentações em Crato, Juazeiro do Norte, Rio de Janeiro e João Pessoa, a montagem retorna a Juazeiro do Norte nesta sexta e sábado, dias 24 e 25 de agosto, quando se apresentará no palco do Teatro SESC Patativa do Assaré. Para mais detalhes sobre o evento, clique aqui.

E para ler uma opinião sobre a montagem confira o texto "Está na hora da Nelson-patia", assinado pelo Prof. Dr. Edson Martins (Prof. de Teoria Literária da URCA). Leia o breve artigo clicando no link abaixo:
http://edsonsbigstheories.wordpress.com/2012/08/04/esta-na-hora-da-nelsonpatia/
.

Uma das tantas crônicas de Nelson Rodrigues sobre futebol(?)

Embalado pra viagem # 74

Conveniência de ser covarde

Há tempos, fui à rua Bariri ver um jogo do Fluminense. E confesso: — sempre considerei Olaria tão longíqua, remota, utópica como Constantinopla, Istambul ou Vigário Geral. Já na avenida Brasil, comecei a sentir uma nostalgia e um exílio só equiparáveis aos de Gonçalves Dias., de Casimiro de Abreu. Conclusão: — recrudesceu em mim o ressentimento contra qualquer espécie de viagem. Mas enfim cheguei e assisti à partida. Nos primeiros trinta minutos, houve tudo, rigorosamente tudo, menos futebol. Uma vergonha de jogo, uma pelada alvar, que não valia os cinco cruzeiros do lotação. E, de súbito, ocorre o episódio inesperado, o incidente mágico, que veio conferir ao match de quinta classe uma dimensão nova e eletrizante.

Eis o fato: — um jogador qualquer enfiou o pé na cara do adversário. Que fez o juiz? Arremessa-se, precipita-se com um élan de Robin Hood e vem dizer as últimas ao culpado. Então, este não conversa: — esbofeteia o árbitro. Ora, um tapa não é apenas um tapa: — é, na verdade, o mais transcendente, o mais importante de todos os atos humanos. Mais importante que o suicídio, que o homicídio, que tudo mais. A partir do momento em que alguém dá ou apanha na cara, inclui, implica e arrasta os outros à mesma humilhação. Todos nós ficamos atrelados ao tapa. Acresce o seguinte: — o som! E, de fato, de todos os sons terrenos, o único que não admite dúvidas, equívocos ou sofismas, é o da bofetada. Sim, amigos: — uma bofetada silenciosa, uma bofetada muda, não ofenderia ninguém e pelo contrário: — vítima e agressor cairiam um nos braços do outro, na mais profunda e inefável cordialidade. É o estalo medonho que a valoriza, que a dramatiza, que a torna irresgatável. Pois bem: — na bofetada de Olaria não faltou o detalhe auditivo. Mas o episódio não esgotaria, ainda, o seu horror. Restava o desenlace: — a fuga do homem. Pois o juiz esbofeteado não teve meias medidas: — deu no pé. Convenhamos: — é empolgante um pânico assim taxativo e triunfal, sem nenhum disfarcem nenhum recato. Digo “empolgante” e acrescente: — raríssimo ou, mesmo, inédito. Via de regra só o heroísmo é afirmativo, é descarado. O herói tem sempre uma desfaçatez única: — apresenta-se como se fosse a própria estátua equestre. Mas a covardia, não. A covardia acusa uma vergonha convulsiva. Tenho um amigo que faz o seguinte: — chega em casa, tranca-se na alcova, tapa o buraco da fechadura e só então, na mais rigorosa intimidade — apanha da mulher. Mas cá fora, à luz do dia, ele é um Tartarin, um Flash Gordon, capaz de varrer choques de polícias especiais.

Pois bem. Ao contrário dos outros covardes, que escondem, renegam, que desfiguram a própria covardia — o juiz correu como um cavalinho de carrossel. Note-se: há, hoje, toda uma monstruosa técnica de divulgação, que torna inexequível qualquer espécie de sigilo. E, logo, a imprensa e o rádio envolveram o árbitro. Essa covardia fotografada, irradiada, televisionada, projetou-se irresistivelmente. E quando, em seguida, a polícia veio dar cobertura ao árbitro, este ainda rilhava os dentes, ainda babava materialmente de terror. Acabado o match a multidão veio passando, com algo de fluvial no seu lerdo escoamento. Mas todos nós, que só conseguimos ser covardes às escondidas, tínhamos inveja, despeito e irritação dessa pusilanimidade que se desfraldara como um cínico estandarte.

____
Nelson Rodrigues, em crônica originalmente publicada no jornal Manchete Esportiva, no dia 17 de dezembro de 1955. Texto depois reproduzido no livro O Berro Impresso nas Manchetes: Crônicas Completas da Manchete Esportiva (Agir, 2007) e no fascículo especial da Bravo!: Literatura & Futebol (Abril, 2010).

1ª caricatura de Mario Alberto;
2ª caricatura de William Medeiros.

Em nossa homenagem pelo centenário do nascimento de Nelson Rodrigues, neste dia 23 de agosto de 2012.
.