terça-feira, 21 de agosto de 2012

Em 1989: reportagem sobre a morte e o velório de Raul Seixas

Do papel # 14

Hoje, dia 21 de agosto de 2012, 23 anos após a morte de Raul Seixas, compartilhamos uma matéria publicada em 1989, repercutindo a tristeza dos fãs na despedida do Maluco Beleza.

Antes de tudo, a reportagem — da Revista Contigo!, assinada por Gláucia Padilha — será compartilhada pelo caráter histórico, por registrar um pouco do que se falava de Raul Seixas e sua morte à época dos acontecimentos. Para os que conhecem um pouco mais da vida e da obra de Raul Seixas, será fácil perceber no texto alguns deslizes, passando informações improcedentes.

Alguns erros do texto estão com uma observação nossa entre colchetes. Clique nas imagens para ampliar as páginas da revista.
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Morte de Raul Seixas leva fãs à loucura!
por Gláucia Padilha - Revista Contigo! (1989)

Há muito não se via uma manifestação popular igual. Desesperados, os fãs de Raulzito mostraram toda a dor no velório
Contorcidos de dor e desespero, milhares de fãs do "maluco" Raul Seixas prestaram sua última homenagem ao rei do rock brasileiro. Cantando os grandes sucessos do ídolo, uma multidão completamente transtornada beirou as raias da loucura. Lágrimas, desmaios e gestos tresloucados: houve invasão do necrotério de Vila Alpina (em São Paulo) e até tentativa de impedir que o corpo fosse sepultado em Salvador.

A tragédia se abateu sobre os fãs quando as rádios começaram a noticiar que Raul havia deixado de criar às 5 da madrugada de segunda-feira por causa de uma parada cardíaca. Sem acreditar na história, uma legião de jovens tomou as dependências do Hotel Aliança — onde Raul vivia há dois anos — na esperança de encontrar Raulzito com vida e, como sempre, rindo da situação.

Infelizmente o sonho dos fãs não se concretizou. Seu corpo jazia numa das câmaras mortuárias do Crematório de Vila Alpina. Quando a informação se espalhou, outra multidão se aglomerou na frente do crematório e, num momento de desespero, invadiu o necrotério. Mas o caixão do ídolo já tinha partido para o Palácio das Convenções do Anhembi, onde encontrou milhares de "seguidores" do autor de "Metamorfose Ambulante".

A noite foi longa e triste. Mas ninguém arredou pé um instante do local onde descansava o baiano que ousou e revolucionou o rock. Muitos — vestidos com camisetas de fãs-clubes do cantor — sacaram o violão e entoaram as músicas de Raul. Essa multidão acompanhou o carro do Corpo de Bombeiros que levou o caixão ao aeroporto para embarcá-lo num jatinho em direção a Salvador. Na Bahia, as manifestações se repetiram com a mesma intensidade. Só pararam quando os funcionários do Cemitério Jardim da Saudade despejaram a última pá de terra sobre o caixão.

Inquieto e sempre antenado em tudo, Raulzito não precisou viver mais que 12 anos para negar a educação conversadora recebida dos pais, Raul Varela Seixas e Maria Eugênia. Se jogou de cabeça no louco e maravilhoso mundo do rock assim que ouviu pela primeira vez Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley e Bill Haley. Ídolos que cultuou até o fim.

— Tinha um vizinho que trabalhava no consulado americano e me emprestava todos os LPs desse povo — lembrava sempre. — Fui ficando tão alunicado pelo som deles que resolvi criar meu próprio grupo.

Assim, em 1957, nascia Os Panteras, classificado pelo artista como um conjunto de rock genuinamente baiano [na realidade, o primeiro grupo de rock de Raul foi fundado em 1962, batizado como Relâmpagos do Rock, que no ano seguinte virou The Panthers e depois Raulzito e Os Panteras]. Só que a primeira investida de Raul Seixas na carreira musical não foi o que se poderia definir como sucesso. Mas, persistente, o roqueiro demorou bastante para se desiludir com os Panteras: doze anos! Somente quando mudou com a primeira das cinco mulheres para o Rio de Janeiro é que sacou que embarcara numa canoa furada.

— No Rio, gravamos um compacto e um LP que não deram em nada — contava. — Então dissolvemos o grupo.

Mas no VII Festival Internacional da Canção (FIC), da Globo, em 1972, o Brasil conheceu o Raul Seixas definitivo. Magro, alto, com roupa de couro pretas, óculos escuros e barba por fazer, simplesmente arrasou em "Let Me Sing, Let Me Sing", rebolando à la Elvis Presley. Mas esse foi apenas o começo. Mesmo porque só depois de "Ouro de Tolo" e "Al Capone" (feitas em parceria com o jornalista e poeta Paulo Coelho) [correção: "Ouro de Tolo" é apenas de Raul Seixas] é que ele arrebatou os milhares de seguidores que, não contentes em ser apenas fãs, cumpriam à risca todos os seus postulados.

— As pessoas me tomavam como um guru — dizia Raul, assustado. — Já teve gente que só apareceu em meus shows para levar os filhos doentes, pensando que eu poderia curá-los.

Tal carisma, entretanto, criou muitos problemas para o polêmico roqueiro. Depois do sucesso de "Gita" (1973) [na verdade, Gita é de 1974], o portador da carteirinha n.9 do Elvis Presley Rock Club de Salvador passou a "pregar" uma "Sociedade Alternativa". Foi o suficiente para a ditadura militar considerá-lo "a mosca que pousou na sopa" dos generais.

— Fui preso e torturado para denunciar a tal sociedade — relembrava. — Depois me "convidaram" a deixar o país.

Raul foi parar nos Estados Unidos, onde conheceu John Lennon, que o convidou para ingressar na fechadíssima seita Astrum Argentum (anti-sistema) [essa história do encontro entre Raul Seixas e John Lennon nunca foi confirmada por ninguém além do próprio Maluco Beleza. E pelo que se sabe, foi um dos mirabolantes contos que o autodenominado "bom ator" Raulzito inventou para brincar um pouco...]. Com a cabeça feita, retornou ao Brasil querendo ser um maluco. Aliás, na mesma época, lançou Maluco Beleza. E passou a ser o alvo predileto da Censura. Nunca mais deixou de ter problemas com aqueles que classificava de "castradores da arte".

Neste período, também, o corpo do roqueiro passou a registrar os primeiros reflexos dos abusos que cometia. Sorvedor compulsivo de uísque e consumidor assumido de drogas, Raulzito foi obrigado a baixar ao hospital no início da década de 80, para retirar metade de seu pâncreas.

O susto fez o artista jurar que acabaria com os excessos. Mas, na verdade, ele preferia ser "uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". Talvez por isso tenha continuado a fazer de tudo. Principalmente o que os médicos lhe proibiam.

Depressões e crises de pancreatite se sucederam. Alternava períodos internado em clínicas de desintoxicação com fases de lucidez e produção artística. De uma irregularidade constante, sumia e reaparecia, deixando o público sem entender absolutamente nada.

— Não sou obrigado a dar continuidade a qualquer trabalho — explicava. — Não sou Gil ou Caetano. Sou louco, mas coloco todo ano um disco nas paradas.

Desaparecido por quase quatro anos do showbizz, eis que o demolidor solitário se junta a Marcelo Nova (ex-Camisa de Vênus), com o argumento de que o Nova era o único roqueiro que respeitava, pois os outros, "de Rita Lee ao 'Paralamas do Fracasso', todos são um engodo". Fez 50 shows neste ano e gravou o LP A Panela do Diabo, que chegou às lojas no dia seguinte a sua morte com a premonitória música "Canto Para a Minha Morte" [aqui um erro crasso: "Canto para minha morte" abre o disco Há 10 mil anos atrás, gravado em 1976: 14 anos antes da morte do compositor]. "A morte, surda, caminha ao meu lado", dizem seus versos. "E eu não sei em que esquina ela vai me beijar, com que gosto virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que tenho de fazer? Ou será que ela me pegará no meio de um copo de uísque...?"
Gláucia Padilha
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Reportagem feita no Raul Rock Seixas (presidido por Sylvio Passos) um dia antes da morte do cantor. E na sequência do vídeo, o reencontro dos fãs no velório do artista.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

John Ford: o cineasta que me ensinou a ver cinema

por Ythallo Rodrigues

De alguns anos, quando no início da minha formação em cinema, no curso que fiz na Escola de Audiovisual de Fortaleza, tenho até hoje guardado na lembrança um dia (na verdade noite) ainda muito forte. Era uma sessão no cineclube “obrigatório” para nós alunos, e o filme que iria passar naquela noite, seria No tempo das diligências (Stagecoach, 1939), do cineasta americano, John Ford. Pois bem, e o que teria de especial numa sessão dessas? Uma coisa aparentemente muito comum, que em uma escola que estava num processo de formação, exibisse em seu cineclube um dos grandes clássicos da história do cinema.

Mas na nossa turma existia um grupo, e me insiro nele, que queria polemizar um pouco toda essa história de filmes clássicos. Agora falando por mim. Naquele período eu estava num processo de encantamento muito forte com cineastas que eram colocados à margem da tal história oficial do cinema, e eu achava engraçado uma coisa: sempre que falavam para nós, sobre história do cinema, o que tínhamos, de fato, era a história do cinema narrativo, e pensava comigo, mas o cinema durante todo o seu percurso histórico nem sempre fora narrativo e digo mais, que o cinema como invenção não “nasce” narrativo. Enfim, aquele fora um período em que eu e muitos amigos, estávamos debruçados sobre a cinematografia de Stanley Brakhage, Peter Kubelka, Maya Deren, Bill Viola, Michael Snow e tantos outros, que íamos procurando e encontrando na internet ou no acervo de algum professor. Esse cinema, era naquele momento o nosso “estado de graça”.

E onde entra o John Ford, nessa confusão toda? É justamente neste contexto que a mim foram apresentados, através dessa dinâmica da história do cinema narrativo, cineastas como D. W. Griffith, Robert Wiene (expressionismo alemão), Sergei Eisentein (cinema soviético), Orson Welles, Michael Curtiz, e claro John Ford. Lembro-me que fazia questão de enfatizar entre os amigos, a necessidade de desprezar o cinema norte-americano (aquele cinema hegemônico, que destruía todas as outras cinematografias, devido o seu poderio econômico e sua dominação dos mercados), enfim era um posicionamento político, que posteriormente, não se sustentaria tendo em vista a importância da cinematografia estadunidense, para o que hoje eu tento formatar na minha cabeça como sendo uma enorme história do cinema e suas singulares cinematografias ao redor do mundo. Claro que já naquela época eu conhecia alguns cineastas, desse cinema narrativo, que foram muito importantes para minha primeira formação (muito antes até da Escola de Audiovisual), tais quais Stanley Kubrick, Glauber Rocha, Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Ingmar Bergman e etc, no entanto fora de qualquer estudo mais objetivo e sem qualquer perspectiva diacrônica dos estudos do cinema.

Especificamente na sessão de No tempo das diligências, recordo-me que fui ver com um grande sentimento de não-querer-ir, mas fui, pensando em sair da sessão e gritar para todo mundo, que aquele cinema era um lixo, que aquela hegemonia tinha que acabar, que tínhamos que nos concentrar na cinematografia brasileira (algo que ainda acredito), ou nos cinemas não-narrativos, ou seja, o meu discurso já estava pré-formatado antes mesmo de ver o filme. No entanto, eis que começa a sessão, silêncio na sala, um profundo silêncio interior também me absorve. Um sentimento paradoxal, toma conta de mim, aquilo que surge na minha frente, cala passivamente todo o meu discurso grandiloquente. Surge então “THE END”, sobre a imagem de uma estrada que num horizonte distante parece se tocar às imensas nuvens, e por aquele caminho passa uma carroça com um casal que segue feliz o seu destino de grandes desbravadores e criadores daquela mitologia do oeste dos Estados Unidos. Surgem os nomes do elenco e seus respectivos personagens, Dallas (Claire Trevor) e Ringo Kid (John Wayne), eram os personagens da última imagem.

Com este filme e com este cineasta eu começava realmente a aprender no meu curso de cinema. Aquela talvez tenha sido uma grande primeira lição: eu nada sabia. E dali pra frente, obviamente sem nunca abandonar a minha profunda admiração por aqueles cineastas que hoje chamo de não-narrativos, tento conhecer as mais diversas cinematografias, geralmente de cinema narrativo, para só então criar panoramas pessoais de amor ou de ódio.

E sobre a Mostra John Ford? Bem, fiquei muito feliz a primeira vez que Elvis Pinheiro (que tem um trabalho fabuloso de seleção e exibição de filmes em instituições culturais aqui no Cariri) me falou dessa possibilidade, há alguns meses atrás. E ficava pensando cá com meus botões, que fantástico a possibilidade de ver um ou dois filmes do John Ford, numa tela grande. Confesso que fiquei bem animado com a ideia. No entanto, eis que há algumas semanas o próprio Elvis anuncia em alto e bom som, durante um dos nossos encontros do Grupo de Estudos em Cinema, que iriam passar ONZE filmes do John Ford. Se eu já estava feliz, fiquei muito mais, e queria gritar para todo mundo (agora já não mais contra a obra do mestre John Ford, mas sim totalmente a favor), que isso estaria acontecendo aqui no Cariri, um lugar que sequer possui uma sala de cinema em funcionamento e que é tão carente por um espaço em que se possa ver ou conhecer um pouco da cinematografia, de forma mais consistente, de algum grande cineasta.

Nesta Mostra John Ford serão exibidos desde grandes clássicos como o já tão citado acima No tempo das diligências (Stagecoach, 1939), Vinhas da Ira (The grapes of wrath, 1940), Rastros de ódio (The seachers, 1956) e O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance, 1962), até filmes sem tanta fama, mas não menos importantes como A mocidade de Lincoln (Young Mr. Lincoln, 1939) e Juiz Priest (Judge Priest, 1934). Enfim, serão sessões, ao meu ver, memoráveis e muito intensas, espero que não só para mim.



Abaixo programação completa da Mostra John Ford

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 20 de agosto, às 19h
Médico e Amante
(Arrowsmith, Dir. John Ford, EUA, 1931, 108min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 27 de agosto, às 19h
Juiz Priest (Judge Priest, Dir. John Ford, EUA, 1934, 80min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 03 de setembro, às 19h
Nas águas do rio (Steamboat round the bend, Dir. John Ford, EUA, 1935, 81min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 10 de setembro, às 19h
O prisioneiro da ilha dos tubarões (The prisoner of shark island, Dir. John Ford, EUA, 1936, 96min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 17 de setembro, às 19h
A mocidade de Lincoln (Young Mr. Lincoln, Dir. John Ford, EUA, 1939, 100min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 24 de setembro, às 19h
No tempo das diligências (Stagecoach, Dir. John Ford, EUA, 1939, 96min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 01 de outrubro, às 19h
Vinhas da ira (The grapes of wrath, Dir. John Ford, EUA, 1940, 128min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 08 de outubro, às 19h
Domínio de bárbaros (The fugitive, Dir. John Ford, EUA, 1947, 104min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 15 de outubro, às 19h
Sangue por glória (What price glory, Dir. John Ford, EUA, 1952, 111min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 22 de outubro, às 19h
Rastros de ódio (The searchers, Dir. John Ford, EUA, 1956, 119min)

Cinemarana do SESC Crato-CE, segunda-feira, 29 de outubro, às 19h
O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance, Dir. John Ford, EUA, 1962, 123min)
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domingo, 19 de agosto de 2012

Exibição do filme 'Médico e Amante' na estreia da Mostra John Ford



Cinemarana
(com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra John Ford: Uma Lenda do Cinema

Exibição de Médico e Amante
Título original: Arrowsmith
Direção: John Ford
Roteiro: Sidney Howard, baseado em romance de Sinclair Lewis
Elenco: Ronald Colman, Helen Hayes, Richard Bennett, Myrna Loy
Duração: 108 minutos
Ano: 1931
País de origem: Estados Unidos

"Um médico é enviado para investigar um surto de peste, tendo que decidir as prioridades para o uso de uma vacina. Tendo perdido sua esposa recentemente, ele começa a se interessar por uma rica dama." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 20 de agosto de 2012, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada franca.

Para saber mais sobre a Mostra e o diretor, leia o artigo John Ford: o cineasta que me ensinou a ver cinema.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Delírio de Coletivo

por Hudson Jorge | ilustração Reginaldo Farias



Godofredo e Verônica conversam em meio ao caótico rebuliço daquele coletivo lotado. Pareciam não dar importância àquele barulho infernal que os envolvia. O assunto era mais um daqueles sobre a questão existencial de jovens tão atribulados e imbuídos de missões que, por vezes, parecem ser esmagadoramente maiores do que podem suportar. Um se importava com outro e era visível isso entre eles. E esse “se importar” há semanas parecia vir carregado de algo ternamente diferente, agradável e bonito.

Depois de longa conversa, Verônica olha profundamente nos olhos de Godofredo, enquanto segurava, com uma das mãos, aquelas barras de apoio para os passageiros que viajam em pé e, com a outra, ajeitava delicadamente seus cabelos castanhos e lisos, dizendo, de forma desafiadora e meiga: “ah!, eu quero é ser feliz e beijar na boca!”.

Godofredo sente um frio na barriga e o acelerar de seu coração ainda virgem de amor e, trêmulo, observa Verônica dar um passo tímido à frente. Como um galã daqueles filmes antigos, Godofredo, sem se importar com o caos no coletivo, envolve a cintura de Verônica com um dos braços e com o outro ampara calculadamente a sua nuca. De forma heroica, Godofredo encosta seus lábios nos de Verônica. De repente é como se caminhassem descalços sobre um piso de algodão, vestidos de roupas brancas, leves e bem confortáveis. Aquele beijo trazia a sensação de uma cama bem quentinha numa manhã fria de inverno. Durante aquele momento, Godofredo parecia retornar ao útero materno e sentir que a força do Universo estava com ele.

Naquele instante finitamente infinito, Godofredo se sentiu feliz como nunca havia sido.

De repente, um barulho irritante. Trôpego e ainda feliz, Godofredo abre, lentamente, seus olhos pesados. Ao seu lado, Adalgiza, sua mulher, com o bigode ainda por fazer e com a camisola furada por cima da calcinha bege, dizia em alto volume: “acorda, Godofredo! É hora de ir trabalhar!”

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Inspirado no poema "Abonança", de Ythallo Rodrigues.

'Coversday' agita o domingo de Juazeiro com muito rock



Coversday

Show com as bandas Dead Roses (tocando Guns'n'Roses), 4º ao Lado (Ramones), Deadfits (Misfits) e Manguaça (Nirvana)
Domingo, dia 19 de agosto de 2012, a partir das 15h
No Black Dog Rock Bar (Av. Virgílio Távora - Juazeiro do Norte-CE)
Quem comparecer com a camisa de uma das bandas ganha desconto na entrada.
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'Adaptação', filme de Spike Jonze, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Adaptação.
Título original: Adaptation.
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman e Donald Kaufman, baseados em livro de Susan Orlean
Elenco: Nicolas Cage, Meryl Streep, Chris Cooper, Cara Seymour, Tilda Swinton
Duração: 114 minutos
Ano: 2002
Países de origem: Estados Unidos

"Mais um roteiro genial de Charlie Kaufman que se transforma em personagem do seu próprio roteiro que conta a história de como ele tentou adaptar o romance O Caçador de Orquídeas para o cinema. São várias as situações inusitadas e fantásticas que envolvem a nossa capacidade de adaptação." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 18 de agosto de 2012, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A poesia de Edson Xavier

Embalado para viagem # 71

A poesia do Cariri nos últimos três anos resolveu sair das gavetas ou das entidades culturais (redutos importantes de poetas em alguns eventos pontuais), e finalmente tomou a rua e assumiu sua boemia. Claro, que durante todo o sempre os bares foram lugares em que os poetas, juntamente com sua companheira Ebriedade, lançaram seus poemas ao vento.

No entanto, alguns poetas e amigos, com uma vontade incomum se acercaram no Roteiro Poético Boêmio, que saindo pelos bares de Juazeiro do Norte, Crato ou Barbalha, levou sua plêiade sedenta por poesia, cerveja e boemia.

Aqui pel'O Berro já passaram alguns desses poetas. Hoje apresentamos mais um, o poeta Edson Xavier.


33 anos e mais nada


quis ser pão
quis ser vinho
quis ser água

o vento do moinho
o líder da manada

na ânsia de ser tudo
nem sequer o pó da estrada
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O que é!

Me fio nas palavras deixadas ao ar
No que sobra do real e imaginário
No que é concreto e no que é lendário
Nas vítimas da vida
Nas dores do mundo
Elevo pra superfície
O que é profundo
E levo pro fundo
O que envenena os ares
Se voo ao sabor dos ventos
E galopo seguro sobre as marés
É por confiar no meu próprio braço
Que no desespero e no cansaço
Me mostrou ser o que é.
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A poesia
a rebeldia
o avesso do poder
ser ou não ser
ter ou não ter
rima
ou verso, livre

o poeta sem lei
o poeta sem rei
nem beira
nem eira
nem grana
não faz verso pra qualquer um

nem que bote feijão no prato
poesia vida
poesia ato
pra nata das pessoas comuns.
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Edson Xavier, nascido em Santo André, no ABC paulista em 1979. Filho de migrante nordestino, como muitos, e de mãe paulistana, veio de mala e cuia há muitos anos, estabelecer-se nas terras do Padre Cícero por conta das saudades do patriarca da família. É poeta, professor de história do ensino básico, militante socialista e um dos mentores e organizadores do roteiro poético boêmio, recitando junto com seus companheiros nos bares da região do Cariri.
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Altamiro Carrilho no programa Jô Soares Onze e Meia, em 1992

Faleceu ontem (dia 15 de agosto de 2012), aos 87 anos de idade, o músico Altamiro Carrilho. Conhecido por ser um virtuoso instrumentista com sua flauta transversal, difundiu o choro brasileiro por diversas partes do mundo.

E como uma singela homanegam, compartilhamos do nosso arquivo uma entrevista que Altamiro Carrilho concedeu ao programa Jô Soares Onze e Meia, no SBT, no dia 02 de julho de 1992.

Em Juazeiro: espétáculo baseado em texto de Nelson Rodrigues



Espetáculo Geni - Rendez-vous à sensualité
Texto Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues
Sexta e sábado, dias 17 e 18 de agosto de 2012, 19h
Teatro SESC Patativa do Assaré (SESC Juazeiro-CE)
Classificação indicativa: 14 anos
Entrada: 1kg de alimento não perecível.
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entrevista com John Petrucci, do Dream Theater, na Revista Guitar (em 1998)

Do papel # 13

Neste mês de agosto (de 2012), a banda americana Dream Theater desembarca mais uma vez no Brasil para a realização de cinco shows (em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília).

Em razão desta visita do DT ao Brasil, buscamos no nosso acervo uma entrevista concedida por John Petrucci (guitarrista da banda) a Jon Chappell, e publicada na edição número 1 da Revista Guitar (em português), em 1998. Confira o bate-papo que tratou bastante do disco Falling Into Infinity (de 1997), além de assuntos como técnica, teoria, velocidade, equipamentos. etc. Clique nas imagens para ampliar as páginas da revista.


John Petrucci - Habilidade com atitude
Revista Guitar em português (ano 1, n. 1, 1998)



por Jon Chappell


Neste momento em que o rock de três acordes corre solto pelas estações de rádio e TV, uma guitarra de técnica elaborada pode ser ouvida bem ao longe. O responsável por esta guitarra é John Petrucci do Dream Theater, que, como seus ídolos (Steve Morse, Steve Howe e Alex Lifeson), cria não apenas sequências harmônicas, mas também “climas” na guitarra.

Ele adora melodias intrinc
adas e não tem medo de mostrar a sua excelente técnica. Mas John também admira os chamados “músicos de três acordes”. Com a carreira de seu grupo já consolidada, ele quer mostrar ao mundo que há espaço para todo o tipo de música, desde que ela seja de boa qualidade, e é exatamente sobre isto que John Petrucci fala nesta entrevista.

GUITAR: A sua inspiração como compositor e guitarrista é muito influenciada pelo estudo da teoria musical que você teve. Você recomendaria aos músicos que entrassem para uma escola de música?
JOHN PETRUCCI:
Claro, pelo menos para aprender a linguagem da música, que expande o poder de comunicação em qualquer circunstância. Como músico, o aprendizado desta linguagem ajuda você a se adaptar a qualquer situação. Além disso, estudar música é algo muito fácil. Na minha época, todo mundo gostava de estudar música. Isto nunca foi um tabu.

E porque agora isto é um tabu?
É... De vez em quando você encontra alguém que diz: "você deve tocar apenas com o coração". Eu nunca consegui entender por que o estudo de teoria impede você de tocar com o coração. Nunca enxerguei esta barreira entre as duas coisas.

Você tentou aprender teoria, quando começou a tocar?
Não, eu comecei como qualquer outro garoto, tocando guitarra o dia todo no meu quarto e tentando tirar músicas. Antes de ir para a Berklee [College of Music], estudei dois anos de teoria.

Você não acha que a teoria musical sempre foi relacionada com a música clássica e que isto assusta aqueles que querem tocar rock?
Eu tive este problema e sei o que você quer dizer. Sempre achei que deveria haver um ensinamento baseado no lado prático da coisa, como por exemplo, em uma situação de show: como lidar com o seu equipamento, a sua performance em frente à plateia, a comunicação entre os membros da banda, etc. Quando eu estava na Berklee, me esforcei muito para conseguir boas notas, fosse em uma aula de música ou de língua espanhola. Estudava muito, e tocava guitarra a toda hora, participando de várias bandas. O fato de saber teoria tem me ajudado principalmente nas minhas composições, especialmente em se tratando de progressões harmônicas e de quando improviso na guitarra, porque me possibilita um conhecimento melhor do meu instrumento. A teoria nunca me ajudou, com relação à técnica, que sempre foi uma coisa mecânica.

Você usava muito o metrônomo, quando praticava?
Claro. Eu praticava com o metrônomo, com o clique, com o relógio... Colocava o disco do Dio ou do Ozzy e tocava junto. Antes de aprender teoria, tirava as músicas de ouvido.

Kim Thayil (ex Soundgarden) disse que sempre praticou em frente à televisão.
Você pode dividir essas pessoas que se opõem ao estudo da música em vários níveis, como também os músicos que são adeptos ao estudo. Algumas pessoas podem saber tudo sobre teoria mas não têm muita inspiração ou talento para compor, e há aquelas pessoas que sabem tudo de teoria e são excelentes compositores, como Steve Morse, por exemplo. Por outro lado, existem pessoas, como Kim, que não têm muito conhecimento de teoria, não gostam de praticar, mas são grandes músicos. Se existe algo em comum entre o Steve e Kim, este algo é provavelmente o amor pela música e a habilidade de transmiti-lo ao público.

Você encorajaria o Kim Thayil a estudar teoria?
Claro. Ele provavelmente iria aprender algo que influenciaria a sua música e abriria novos caminhos. Se ele não gosta da teoria tradicional, poderia ser uma outra coisa, como, por exemplo, a introdução a ritmos diferentes.

Em muitos casos, o fato de alguém ter frequentado uma escola de música é sempre associado a um estereótipo. As pessoas automaticamente acham que a sua música soará igual à de todos os outros alunos. O que você acha disto?
Tudo depende da pessoa e o que ela faz com o que aprendeu. Eu não acho que você tenha que colocar um cartaz no peito dizendo que você é formado em uma escola de música. Se você estudou em casa, sozinho ou com professores particulares, o resultado poderá ser o mesmo. Uma escola de música não é necessariamente o mais importante. Você pode aprender muito em uma revista de guitarra, por exemplo. É claro que isto vai envolver uma autodisciplina bem maior.

Houve uma época em que as pessoas torciam o nariz para músicos que praticavam muito e por isso dominavam completamente o instrumento, como, por exemplo, Steve Vai e George Lynch. Isto foi baseado em um conceito genérico de que muita técnica atrapalha?
Eu não concordo. Talvez este conceito tenha sido direcionado para o neoclássico, e aí eu vejo uma razão nisto, primeiro porque o nível de técnica envolvida é inacreditável. O problema é como aplicar esta técnica na música, nas composições. Por isso, talvez, o estilo que é conhecido como alternativo tenha se tornado tão popular. Na maioria das vezes, este estilo envolve composições muito boas e melodias excelentes, além da atitude, enquanto que o neoclássico se tornou uma coisa mais individualista, mais em cima de um instrumentista com muita técnica e muitos licks. Afinal de contas, quem marcou na história da música foram os Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd. Bandas e música, ao invés de instrumentistas e licks.

Anos atrás, as grandes guitarras do rock vinham de bandas como os Yardbirds. Já, quando Tony MacAlpine começou a tocar, ele ouvia Allan Holdsworth e pensou que aquele era o padrão normal. Quando o parâmetro é tão alto assim, eu me pergunto: "e os simples guitarristas mortais, que nunca irão tocar tão bem quanto Allan? Dá para ter prazer tocando guitarra?"
A guitarra pode te proporcionar alegrias em qualquer nível. O papel do guitarrista em uma banda ou orquestra é insubstituível, nenhum outro instrumento consegue fazer o que a guitarra faz. A coisa do lick talvez não seja tão importante no geral, mas, em um nível específico — atingir objetivos pessoais e passar para um nível acima — é muito importante. É um equilíbrio necessário em qualquer coisa que você faça, seja na música ou em um jogo de tênis.

Por que você toca rápido?
Em primeiro lugar, porque é muito divertido poder tocar rápido. Quando você ouve o andamento da música e está tocando junto, é muito legal poder dobrar o tempo do solo. É como dirigir um carro veloz. As pessoas sentem uma satisfação enorme. Você se sente capaz de fazer com que o seu solo soe do jeito que deseja, tecnicamente correto. A outra razão é poder ter um vocabulário que se expande de um extremo ao outro. Se eu acho que minha parte na música deve ser executada mais rapidamente, tenho que ter a capacidade de tocar como eu desejo. Vamos imaginar que um guitarrista possua o bom gosto e o sentimento do Gilmour e que, no clímax de seu solo, é capaz de arrepiar como Holdsworth, Morse ou Vai. Ele vai arrebentar, porque sabe como usar as suas habilidades. É muito raro encontrar essa combinação em um guitarrista. Morse tem esta combinação, e Steve Vai tem capacidade para fazer isto. Ele te envolve, começando o solo de forma estranha e lenta, e no final ele "arrepia".

Você ainda é um guitarrista tão disciplinado quanto nos seus tempos de Berklee?
Para falar a verdade, eu estou me tornando mais disciplinado em outras áreas. Estou aprendendo a ser mais objetivo com a minha disciplina, eu tive que administrar o meu tempo durante as turnês e gravações. Aprendi que, quando estou gravando um disco, tenho que ter uma disciplina para me concentrar naquilo que estou fazendo: os solos que tenho que desenvolver, as partes, a criação, e não naqueles milhões de exercícios que todo mundo faz. Por isso, a sua disciplina se torna mais profissional. Também estou melhorando minha disciplina mental, que acho necessitar um maior desenvolvimento do que a disciplina física. Chamo de disciplina mental a capacidade de absorver críticas ou interferências que acontecem quando você está tocando sob pressão: você aguenta ou não. Se o sucesso da nossa banda continuar, a pressão será maior ainda. Por isso tenho trabalhado mais o lado mental da disciplina. A parte física já foi incorporada, eu nunca fui um destes caras que não conseguem praticar. Tenho que manter a minha técnica, porque algumas coisas consigo tocar a qualquer momento, outras precisam ser exercitadas. Você sabe o que é capaz de fazer, sem problema, porque já o fez milhões de vezes.

Vamos falar um pouco do disco Falling Into Infinity. De que modo este disco difere dos discos anteriores do Dream Theater?
Tudo neste disco é bem diferente. O método de gravação foi diferente porque nós queríamos que cada música do disco tivesse uma identidade própria. Nós usamos equipamentos diferentes para cada música, até mesmo no caso da bateria. Por isso, todos estavam sempre no estúdio para que, no caso de algum problema, nós pudéssemos modificar um determinado instrumento naquele mesmo instante. A gravação do disco foi literalmente um esforço coletivo e por isso as músicas saíram melhores do que nos discos anteriores e, ainda assim, elas são diferentes entre si.

Abidoral Jamacaru e convidados cantam Noel Rosa



Conversa de Botequim - Homenagem a Noel Rosa
Com Abidoral Jamacaru e convidados
Participações de Heron, Lifanco e Nicodemos
Quinta-feira, 16 de agosto de 2012, 20h, no SESC Crato
Ingresso: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
+ info: (88) 3586.9150.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Show 'Toca Raul' com Aquiles Salles



Toca Raul
Show com Aquiles Salles
Sábado, dia 18 de agosto de 2012, 22h
No Black Dog Rock Bar (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada: R$5,00.
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Embalado para viagem # 70

o romântico amante de aretusa

que segredos carregam
teu olhar tímido e curioso
ó aretusa, no farfalhar das nove horas?

a metáfora é quem me guia na escuridão.

por que esses caprichos me cegam
apesar do desejo pelo poema alumioso
serenado e gritado para ti que me ignoras?

perdido no tremeluzir do amanhecer.

teus olhos escuros de tempestade
já não dizem sequer palavras engasgadas
só perco só perco só perco e calo?

nuvens chumbadas delineam este amor.

são segredos ou mera vaidade
este teu estado em que compreendo nada
provaste tão-somente que sou ato falho?

aretusa, esse nosso amor ainda me mata.

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Da série "Olhar da amada: aretusa não me usas, és apenas minha musa", parte do livro Obras completas, ainda inédito.

Ythallo Rodrigues é poeta e cineasta.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Exibição do filme 'Macunaíma' no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição de Macunaíma
Título original: Macunaíma
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em livro de Mário de Andrade
Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Milton Gonçalves, Jardel Filho
Duração: 108 minutos
Ano: 1969
País de origem: Brasil

"Macunaíma é a história de um anti-herói ou um herói sem nenhum caráter, nascido no fundo da mata virgem. De preto vira branco e troca a mata pela cidade, onde vive incríveis aventuras, acompanhado de seus irmãos. Na cidade, segue um caminho zombeteiro, conhecendo e amando a guerrilheira Ci e enfrentando o vilão milionário, Venceslau Pietro Pietra, para reconquistar o amuleto que herdara de Ci, o muiraquitã." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, dia 15 de agosto de 2012, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.
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sábado, 11 de agosto de 2012

Exibição do filme 'Aquele Que Sabe Viver' no Cinemarana



Cinemarana
(com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição de Aquele Que Sabe Viver
Título original: Il Sorpasso
Direção: Dino Risi
Roteiro: Dino Risi, Ettore Scola, Ruggero Maccari
Elenco:
Vittorio Gassman, Catherine Spaak, Jean-Louis Trintignant, Claudio Gora
Duração: 105 minutos
Ano: 1962
País de origem: Itália

"No verão de 1962, Bruno, um playboy quarentão, leva Roberto, um tímido estudante de direito, para uma viagem de dois dias pelas estradas de Roma e da Toscana. Neste período, vivem uma série de aventuras e desventuras. Clássico Cult pouco conhecido e cheio de bom humor." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, dia 13 de agosto de 2012, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada franca.

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