II Mostra de Teatro de Rua Espetáculo Romeu e Julieta (Encontro de Shakespeare e a Cultura Popular) Sexta-feira, dia 15 de junho de 2012, 17h Na Praça do Giradouro (Juazeiro do Norte-CE) + info: 3512.3355 / 3587.1065.
Em 1998, na edição 21 da revista Cover Teclado, a seção Sonorize-se (de crítica de CDs) trazia um texto assinado por Fabian Chacur, falando sobre o clássico The Dark Side Of The Moon (1973), da banda Pink Floyd.
O disco, que àquela época completava 25 anos da sua gravação, começava a ganhar versões remasterizadas em som digital. Esse processo ainda não acabou, vez ou outra surgindo edições com novas remasterizações, faixas bônus, etc.
Abaixo reproduzimos o texto que foi publicado na revista, em 1998. Para ampliar a página da revista, clique na imagem. ____
Sonorize-se - Clássico Pink Floyd - The Dark Side of The Moon (EMI)
Faixas: “Speak to Me”, “Breathe (In the Air)”, “On the Run”, “Time”, “The Great Gig in the Sky”, “Money”, “Us and Them”, “Any Colour You Like”, “Brain Damage” e “Eclipse”. Lançado em março de 1973. Chegou ao número dois na parada inglesa e ao primeiro lugar na parada americana.
Pode parecer mentira, mas até o lançamento de The Dark Side Of The Moon, o Pink Floyd ainda era uma banda com público restrito e de vendagens não muito significativas. Após a saída em 1968 do cantor, compositor e guitarrista Syd Barrett, principal força criativa do grupo e maior responsável pela qualidade de seu primeiro álbum (The Piper At The Gates of Dawn, de 1967), o Floyd buscou novos rumos para a sua música. Fez discos experimentais e irregulares, nos quais o psicodelismo inicial foi dando aos poucos lugar a uma aproximação com a música concreta e o jazz. Trilhas sonoras para o cinema também ajudaram os músicos a burilar sua nova musicalidade. Ao vivo, as performances da banda passaram cada vez mais a contar com efeitos de iluminação e cenários especiais.
O repertório de The Dark Side... começou a ser composto no final de 1971, e foi em parte experimentado em shows realizados pelo Floyd durante o ano seguinte. A ideia em termos temáticos era se falar dos problemas que atingem os seres humanos no mundo moderno, como dinheiro, solidão, morte e loucura. No final das contas, acabou se transformando numa homenagem a Syd Barrett, afastado da música devido a sérios problemas mentais. Lançado em março de 1973, o disco rapidamente se transformou num estouro de vendas, impulsionando rapidamente o grupo integrado por Roger Waters (baixo e vocal), David Gilmour (guitarra e vocal), Rick Wright (teclados e vocais) e Nick Mason (bateria) rumo ao primeiríssimo time do mundo pop.
Uma atenta audição do material contido neste disco, que continua vendendo e já atingiu a estupenda marca de 29 milhões* de cópias em todo o mundo (13 milhões só nos EUA), explica bem porque. Trata-se do álbum no qual o Pink Floyd pós-Syd Barrett finalmente conseguiu tornar sua nova proposta musical clara, concisa e ao mesmo tempo criativa. A utilização do sintetizador britânico VCS 3, junto a instrumentos elétricos e acústicos, efeitos sonoros e vocalizações elaboradas, dá ao disco um tom futurista que se mantém intacto, mesmo 25 anos depois. Nenhum dos instrumentistas se sobressai em detrimento dos outros, sendo o resultado final sempre mais importante do que virtuosismos técnicos ególatras. Tantos que as participações individuais mais destacadas são de não-integrantes da banda: o saxofonista Dick Parry, que sola magnificamente em “Money” e “Us and Them”, e a cantora Clare Torry, responsável pelas arrepiantes vocalizações de “The Great Gig In The Sky”.
The Dark Side Of The Moon é o momento máximo do rock progressive, quando a ambição criativa se traduz em música elaborada, criativa e ao mesmo tempo acessível ao ouvinte médio de música pop. Além disso, a variedade das músicas é cativante, indo do swing funkeado de “Money” ao clima viajante de “Us And Them”. A potência e a variação de andamentos de “Time”, a reflexão de “Eclipse”, o clima claustrofóbico de “Speak To Me”, abertura perfeita para a reflexiva “Breathe (In The Air)”... É covardia citar destaques num álbum tão forte e coeso como esse, clássico tão absoluto que inclusive ganhou uma versão ao vivo na íntegra, parte integrante do CD duplo ao vivo P.U.L.S.E (1995).
(Fabian Chacur)
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* Atualizando os dados das vendas: o The Dark Side of the Moon já passou da marca dos 50 milhões de discos vendidos em todo o mundo.
Baixe um papel de parede em homenagem ao disco do Pink Floyd. Para ampliar, clique na imagem:
Show com: Rei Bulldog (Tributo aos Beatles) e DJ Sergio do Vinil Sábado, dia 16 de junho de 2012, 21h No João e Maria Boteco (Pimenta - Crato-CE) Ingresso: R$5,00.
Não é que eu queira promover a discórdia novamente, mas relembro hoje a postagem Monumento da Besteira, que deu o que falar há exatamente um ano.
Reza a lenda que o texto foi motivo de uma intriga familiar (espero que tenha sido breve), pois dois primos (um que, na época, tinha um cargo de confiança na prefeitura e o outro que era da oposição) quase trocaram tapas num almoço de família quando o assunto veio à tona.
Ouvi dizer que superaram esse ranço, existindo apenas algumas recaídas quando um deles tropeça no "monumento da besteira".
Sim, claro! O monumento continua lá, funcionando adequadamente como um legítimo "derruba véi municipal".
Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro) Exibição de Só dez por cento é mentira Título original:Só dez por cento é mentira: a desbiografia oficial de Manoel de Barros Direção e roteiro: Pedro Cezar Elenco: Manoel de Barros, Bianca Ramoneda, Joel Pizzini, Paulo Giannini, Adriana Falcão Duração: 76 minutos Ano: 2008 País de origem: Brasil
"Documentário sobre a vida e obra do poeta sulmatogrossense Manoel de Barros. Alternando sequências de entrevistas com o escritor, versos de sua obra e depoimentos de conhecedores de sua literatura, o filme traça um painel revelador da linguagem do autor considerado o poeta mais original em língua portuguesa. Com 91 anos, cerca de vinte livros publicados e vivendo atualmente em Campo Grande, Manoel de Barros é consagrado por diversos prêmios literários e é o mais vendido escritor brasileiro."
Exibição na quarta-feira, dia 13 de junho de 2012, às 19h No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada franca.
O jovem Teobaldo Jardins, pode-se dizer, viveu uma fase poético-boêmia de causar inveja a vários sambistas cariocas do século passado. Ávido leitor que era, rapidamente degustava as melhores leituras (de filosofia ao romance, de poesias às revistas científicas populares), além de consumir com ligeireza impressionante os filmes disponíveis na locadora de Manel.
Com tanta bagagem intelectual, orgulhava-se por poder entrar em qualquer roda de conversa e emitir nem que fosse uma opinião bem simples.
Nas mesas de bar, Teobaldo muitas vezes acabava sendo o centro das atenções, ao replicar trechos clássicos da literatura. Impressionava facilmente não só as menininhas, calouras universitárias, mas também aquelas mulheres mais experientes e rebuscadas. Ah sim!, Teobaldo era quase um Dom Juan de Marco e com essa característica arrebatou diversos corações.
Mas quando se falava em produção literária própria, Teobaldo era um marginal!
Sua poesia escorria lamacenta pelos esgotos a céu aberto da cidade e os vermes vorazes de sua caneta corroíam a mais crua carne dos defuntos recentemente sepultados. Mesmo assim, suas obras compunham, a convite, as coletâneas lançadas no meio literário de sua terra. Ele mesmo brincava confiante: “Sou romântico, mas não consigo escrever poesia romântica. Meu negócio é navalha na carne e dedo na ferida”.
Numa sexta-feira de muita boemia, vários goles de vinho e poemas recitados, Teobaldo reparou pela primeira vez numa linda ninfeta, até então por ele desconhecida, que tomava parte naquele círculo poético.
De imediato investigou e soube que era uma jovem mulher que acabara de tomar a decisão de contrariar os pais e frequentar os ambientes cults e alternativos da região. Queria ela, num ato de rebeldia, abandonar aquela faculdade particular de Fisioterapia e cursar Artes Visuais na URCA.
Teobaldo não contou outra. Mediu seu estado etílico, viu que podia caminhar, levantou-se e foi em direção a ela. Dois dedos de prosa e muito vinho na cabeça e num momento de equivocada empolgação, Teobaldo disparou uma inverdade: “fiz uma poesia pra você!”.
“Está em casa. Entregar-lhe-ei amanhã”, disse com aquela convicção que um advogado usa pra defender um réu confesso acusado de homicídio.
Amaram-se naquela noite, e na outra e na outra, assim como também se amaram no outro final de semana. Todos os dias ela perguntava pela suposta poesia, ao ponto de não mais crer na existência dela.
“Está bem!”, disse Teobaldo, “de amanhã não passa! Mando-a por email, está bem?”
Naquela segunda-feira preguiçosa e desencorajada pela ressaca, Teobaldo espremia-se em busca de escrever a tal da poesia, mas nada saía além de uivos sociais aterrorizantes. Era inútil, não conseguia falar de amor.
Fez a derradeira tentativa. Como quem verte suor em sangue, Teobaldo desencanou as seguintes linhas, que mandou por e-mail.
(...) Menina... Não queime mais hospitais Não atropele mais velhinhos Não deponha mais governos Não exploda mais países Não sorria mais assim... Naquele dia não se falaram e Teobaldo aguardou a resposta em vão, até o dia seguinte. Tentou algumas ligações telefônicas sem sucesso e SMS’s sem retorno.
A jovem e bela ninfeta sumiu dos círculos poéticos, das mesas de bar, dos ambientes alternativos e cults da cidade. Ninguém tinha notícias e Teobaldo sofreu sua ausência por mais de quinze dias.
Passados seis meses, eis que Teobaldo a reencontra numa rede social bem famosa. No seu perfil público, a constatação inevitável: ela desistiu de cursar Artes Visuais, passou no vestibular para Medicina e namorava agora um mega empresário do ramo de vaquejada.
Entre 1973 e 1978, o ator Telly Savalas ficou internacionalmente conhecido por sua atuação como o detetive Kojak, no seriado de TV do mesmo nome. No entanto, entre 1972 e 1980, o ator se arriscava como cantor romântico, ao todo foram quatro álbuns.
Abaixo o videoclip de "If", do seu segundo álbum de 1974, intitulado Telly.
Já nessa versão da mesma música Telly Savalas canta em um programa de TV (deve ser num especial de natal). Entrando na página do youtube é possível acompanhar a letra da canção.
___ agradecimento a Salomão Santana por me apresentar essa pérola em seu twitter.
[sobre a capacidade inventiva da nova geração da canção brasileira]:
"Mas tem tanta gente experimentando... O Cidadão Instigado faz um som ao mesmo tempo ligado em canções populares e cheio de quebras e colagens. Sai de um ritmo e entra em outro. É bem ousado. Karina Buhr e Léo Cavalcanti também trazem muitas novidades. Admiro o frescor dessa galera. A música não está estagnada, não. E não concordo nem um pouco com essa ideia de linha evolutiva, da necessidade de romper com a tradição. Isso fez sentido em alguns momentos, como quando surgiu a Tropicália. Não acho que hoje a realidade exija renovação. Existem múltiplos caminhos em que a novidade se dá. Falam que a canção vai morrer. Eu, na verdade, acho que ela não acabou. Pelo contrário, está dando inúmeros sinais de saúde. O rap, o rock, os meios digitais com que você picota os instrumentos, tudo isso é renovador para a linguagem da canção. O próprio disco novo da Céu (Caravana Sereia Bloom, Universal, 2012) tem coisas muito frescas, aqueles reggaes, a versão de 'Palhaço', de Nelson Cavaquinho, com um assovio bem diferente..." ____ Arnaldo Antunes, em entrevista à Revista Bravo! 178 (Editora Abril, junho de 2012).
Dei de cara com algumas colocações a respeito do índio do século XXI, que caíram como uma luva em alguns questionamentos que venho me fazendo, já há algum tempo, sobre as incursões indígenas no mundo globalizado.
Um verdadeiro índio pode querer vestir calças, assistir TV ou ter um e-mail? Lugar de índio é dentro da oca fumando cachimbo da paz e se curando através de rituais de pajelança? Será que ele perde a sua identidade cultural por querer fazer parte de um mundo globalizado e moderno? Índio pode ter um namoro virtual? Uma índia brasileira pode conhecer um aborígene australiano através do Facebook, namorá-lo e com ele se casar, sem com isso, deixar de ser quem é?
Imagine aí uma grande conferência via Twitcam entre povos aborígenes de todo o mundo, cujo principal debate seria a respeito de seus direitos sobre o território onde sempre viveram e viveram seus antepassados?
Deixariam de ser índios por causa disso? Por quererem usufruir do que é moderno?
Diante disso também me cabe mais uma reflexão: os seres humanos considerados civilizadamente urbanos, estão perdendo sua condição humana e sua inclinação para o que é correto diante do progresso tecnológico? Talvez sim...
Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro) Exibição do filme Memórias do subdesenvolvimento Título original:Memorias del subdesarrollo Direção: Tomás Gutiérrez Alea Roteiro: Edmundo Desnoes e Tomás Gutiérrez Alea Duração: 97 minutos Ano: 1968 País de origem: Cuba
"Retrato lúcido e poético de Cuba no começo dos anos 60, Memórias do Subdesenvolvimento é considerado um clássico do cinema latino-americano. O mestre Tomás Gutiérrez Alea oferece um olhar ao mesmo tempo carinhoso e crítico sobre os rumos da revolução de Fidel Castro, narrado pelos olhos de Sérgio, um homem que aos 38 anos se vê subitamente sozinho em Havana, depois que sua mulher e seus pais resolvem migrar para os Estados Unidos. Ao acompanhar Sérgio, o espectador é convidado a passear pelas ruas da capital cubana e a encontrar personagens reais, num filme que mistura com habilidade recursos da ficção e do documentário."
Exibição na segunda-feira, 11 de junho, às 19h No SESC Crato-CE. Entrada franca.
Há cem anos, definitivamente, iniciava-se a formação do que durante todo o século XX e até hoje é a mais bem sucedida empreitada na indústria do entretenimento mundial. Criava-se em 1912 — fontes indicam datas divergentes, há quem diga que o início foi em 30 de abril e outros apontam para 08 de junho como data oficial — o protótipo do primeiro grande estúdio cinematográfico hollywoodiano, a Universal Pictures.
Pouco tempo depois, naquele mesmo ano, viria a ser criada a Paramount Pictures, outro grande estúdio de Hollywood. Ambas formariam, nas décadas seguintes, o grande parque industrial da cinematografia estadunidense, acrescido por outros famosos estúdios criados posteriormente, como Columbia Pictures, Twenty Century Fox, MGM e Warner Bros.
A Universal Film Manufacturing Company (nome original) é o resultado de uma primeira fusão, realizada pelo imigrante alemão chamado Carl Laemmle, que uniu a sua empresa IMP com outras diversas. No entanto, o que menos interessa para mim é essa história de dados — e de saber sobre todas as fusões que foram realizadas ou deixadas de se realizar pelos empresários do entretenimento. O que me interessa nesta postagem é falar e mostrar um pouco sobre os filmes, sobre os grandes diretores, atores, atrizes, enfim, artistas que comprometidos ou não com essa indústria, criaram um panorama infindável de obras-primas para o cinema mundial. Neste caso, em nome dos filmes realizados pelo que hoje conhecemos como NBCUniversal Media, LLC (a Universal Studios é apenas uma parte dessa empresa), inicio essa viagem.
Convido-os a este passeio.
O primeiro grande nome nessa viagem é, sem dúvida, o do austríaco Eric von Stroheim, que certamente é muito mais conhecido entre nós por sua atuação como o mordomo da personagem Norma Desmond (Gloria Swanson) no clássico de Billy Wilder, Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard, 1950), do que pelos seus filmes. Stroheim realizou dois filmes importantes pela Universal Pictures. O primeiro, que também fora sua estreia como diretor, é Maridos cegos (Blind husbands, 1919) e o segundo é Esposas ingênuas (Foolish wives, 1922). Ao lado o cartaz do filme Maridos cegos; e abaixo o Esposas Ingênuas, para aqueles que se garantem em ver filme longo online.
Esposas Ingênuas, Eric von Stroheim, 1922, na íntegra.
Seguindo, apresento agora as produções que os estúdios da Universal produziram de mais significativo na década de 1930. O primeiro filme que lhes deu um Oscar (iniciado pela indústria apenas três anos antes), fora Sem novidade no front (All quiet on the western front, 1930), realizado pelo diretor Lewis Milestone, que também levou o Oscar de melhor diretor naquele ano. Esta produção teve refilmagem para a TV em 1979.
Sem novidade no front, Lewis Milestone, 1930, cartela com título do filme apresentado por Carl Laemmle.
O estúdio foi o primeiro a investir de forma mais contundente na produção de filmes de horror. Ainda na década de 1920 foi produzida a primeira versão cinematográfica de O corcunda de Notre Dame (The hunchback of Notre Dame, 1923), dirigido por Wallace Worsley, e de O fantasma da ópera (The phantom of the opera, 1925), realizado por Rupert Julian, Lon Chaney, Ernst Laemmle e Edward Sedgwick. Mas foi em 1931 que o diretor Tod Browning realizou o que viria a ser um dos grandes clássicos do horror: Drácula, a primeira adaptação autorizada do livro de Bram Stoker — já que o fabuloso Nosferatu (Nosferatu, eine symphonie des grauens, 1922), realizado por F. W. Murnau e baseado na mesma obra, teve que modificar o título original e os nomes dos personagens, tendo sido inclusive processado por violação de direitos autorais. Mas o que nos interessa, pelo menos aqui, é o clássico hollywoodiano. Existe uma versão na íntegra deste filme legendado em português, para ser vista no youtube, no entanto o "dono" do upload não permite incorporação em outros sites, em breve isso mudará, abaixo o trailer.
Drácula, Tod Browning, 1931, trailer de cinema.
Na sequência, mais um grande clássico. Um filme que influenciou uma série de outras produções, não só nos Estados Unidos: Scarface, a vergonha de uma nação (Scarface, 1932), dirigido por Howard Haws (mestre do cinema estadunidense) – interessante apontar que o filme foi produzido por Howard Hughes através da United Artists, no entanto atualmente consta como sendo um filme da Universal Pictures. Abaixo, imagens do clássico de Hawks e de sua refilmagem, Scarface, de 1983, este realizado realmente pelos estúdios Universal e tendo à frente o diretor Brian de Palma, que de forma magistral atualizou a temática do primeiro filme.
Scarface, a vergonha de uma nação, Howard Hawks, 1932, trailer oficial de cinema.
Scarface, Brian de Palma, 1983, trailer oficial legendado em português.
Da década seguinte, destaco um belo filme, A cidade nua (The naked city, 1948), de Jules Dassin. Este filme está perfilado no estilo ou gênero, chamado de film noir, termo criado no final da década de 1940, pela crítica francesa, para designar uma série de filmes estadunidenses sombrios, misteriosos, em que geralmente existe um crime a ser desvendado. Ao lado deste filme coloco um clássico do mestre do suspense Alfred Hitchcock, produzido pela Universal Pictures. Por esta empresa, Hitchcock realizou Sabotador (Saboteur, 1942) e À sombra de uma dúvida (Shadows of doubt, 1943), tendo ainda realizado todos os filmes da sua fase final após Os pássaros (The birds, 1963) até Trama macabra (Family plot, 1976) — atualmente a corporação ainda detém os direitos de outros seis filmes do mestre, o que soma 14 filmes ao todo.
A cidade nua, Jules Dassin, 1948, trecho inicial legendado em inglês.
Os pássaros, Alfred Hitchcock, 1963, trailer genial, estrelado pelo próprio Hitchcock, legendado em português.
Uma nova fase dos sucessos de bilheteria seria iniciada com Tubarão (Jaws, 1976), um clássico de Steven Spielberg. Filme de produção complicada, mas que juntamente com Guerra nas estrelas (Star wars, 1977), de George Lucas, tornou-se um dos primeiros blockbusters da fase contemporânea do cinema estadunidense. Spielberg foi responsável por diversos grande sucessos das três últimas décadas da Universal, entre eles destaco E.T. - o extra-terrestre (E. T. the extra-terrestrial, 1982); Jurassic Park (Jurassic Park, o parque dos dinossauros, 1993); A lista de Schindler (Schindler's list, 1993), etc.
Tubarão, Steven Spielberg, 1976, trailer assustador.
Existe ainda um outro gênero, do qual eu particularmente gosto muito. São as comédias anárquicas (algumas delas com temática high school), realizadas com maestria, em fins da década de 1970 e por toda a década de 1980, por grandes diretores dessa cinematografia. São eles John Hughes e John Landis. Os filmes mais emblemáticos desse período são Gatinhas e gatões (Sixteen candles, 1984); Clube dos cinco (The breakfast club, 1985); e Mulher nota 1.000 (Weird science, 1986), todos realizados por John Hughes. John Landis, por sua vez, realizou nesse período para a Universal: Clube dos Cafajestes (Animal house, 1978) e Os irmãos cara de pau (The blues brothers, 1980), ambos com um teor de anarquia acima da média, e com o ator John Belushi orquestrando a confusão. À parte destas duas cinematografias cito apenas mais um filme para fechar esse nosso rápido e incisivo passeio entre essa longa história: Picardias estudantis (Fast times at ridgemont high, 1982), da diretora Amy Heckerling, que conta no elenco com atuações incríveis de Sean Penn e Jennifer Jason Leigh.
Clube dos cinco, John Hughes, 1985, trailer oficial.
Picardias estudantis, Amy Heckerling, 1982
Enfim, chegamos a algum lugar, a esse presente tão fugaz. Existe uma produção constante de filmes, em todo o mundo. A NBCUniversal (e sua Universal Studios) ainda produzirá muitos filmes geniais, outros nem tanto e outros execráveis — assim como fez durante toda sua história, e assim como o cinema estadunidense sempre fez. Hoje sinalizo, para aqueles que se interessam por cinema, para conhecerem um produtor e diretor cuja cinematografia acho muito interessante, trata-se de Judd Apatow, que recentemente realizou diversos trabalhos pela Universal. Como diretor: O virgem de 40 anos (The 40 year old virgin, 2005) e Ligeiramente grávidos (Knocked up, 2007) e, como produtor, os também hilários Superbad – é hoje (Superbad, 2007), Greg Mottola; Segurando as pontas (Pineapple express, 2008), de David Gordon Green; Ressaca de amor (Forgetting Sarah Marshall, 2008), de Nicholas Stoller; e o mais recente, Missão madrinha de casamento (Bridesmaids, 2011), de Paul Feig. Este diretor deixo para que vocês o busquem, vale a pena. Já eu vou indo, que é chegada minha hora de partir. -
Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro) Exibição do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças Título original:Eternal sunshine of the spotless mind Direção: Michel Gondry Roteiro: Charlie Kaufman Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Tom Wilkinson, Mark Ruffalo Duração: 108 minutos Ano: 2004 Países de origem: Estados Unidos
De Charlie Kalfman , o mesmo roteirista de Quero Ser John Malkovitch, brotou essa incrível história de amor. Um casal se conhece por acaso e uma forte e inexplicável sensação de já se conhecerem vai aproximando-os, vai tornando importante e necessário estarem juntos e saberem mais um do outro. Esta obra-prima contemporânea vai transportar a todos no tempo, no espaço, na memória, no que queremos lembrar, no que desejamos esquecer para não sofrermos. Lindo filme para a véspera do dia dos namorados.
Exibição no sábado, 09 de junho de 2012, às 17h30 No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada franca.