segunda-feira, 20 de abril de 2020

10 (+1) livros de escritoras que me tocaram, por Dia Nobre



por Dia Nobre

Listas são sempre objetos incompletos

Eu amo fazer listas. Ainda criança, costumava listar tudo o que eu gostava. Tinha um caderno para os meus filmes preferidos, minhas músicas, livros, coisas que eu queria fazer, projetos de futuro, etc. Mas, listas são sempre objetos incompletos. Parece que sempre falta algo. Invariavelmente, somos levados a escolhas bem difíceis. Sobre quem deixar de fora, quem sacrificar.

Eu cresci com a literatura. Desde muito pequena, fui estimulada a ler e tive contato com bibliotecas e livros de todos os tipos, mas confesso que li poucas mulheres entre a infância e a adolescência. Mais recentemente, investi em um projeto de só ler mulheres durante um ano (2019) e disso resultou uma incrível viagem dentro de mim mesma.

A lista abaixo traz dez +1 livros (sim, eu vou subverter o pedido que me fizeram!), que me tocaram de alguma forma: pela escrita maravilhosa, pela sensibilidade, pela identificação pessoal ou porque é algo que eu gostaria de ter escrito. É também a lista de um momento muito específico da minha vida, este em que me aventuro como escritora, ela pode mudar como já mudou tantas e tantas vezes.

Como leitora e escritora, deixo um apelo: precisamos conhecer a literatura feminina. Precisamos ouvir o que as mulheres têm a dizer. Esta lista, dedico às minhas irmãs, bruxas, subversivas, resilientes, resistentes mulheres que se sentem impelidas a escrever e precisam ser lidas.


 
1. A teus pés, Ana Cristina César (poesia, 1982)
Foi o primeiro livro de poesias que li ou assim a memória me faz crer. É, de longe, o livro mais usado da minha estante, aquele com mais marcas de uso, grifos, escritos. Ana é minha inspiração eterna.



2. A casa dos espíritos, Isabel Allende (1982)
Este me marcou muito. Primeiro, porque as protagonistas são mulheres muito fortes; depois, porque ele traz toda uma aura de crendice, mistério e política que só uma boa romancista poderia criar.



3. Orlando, Virgínia Woolf (1928)
Eu costumo dizer que se eu pudesse escolher voltar ao passado para conhecer alguém, essa pessoa seria Virgínia. É uma das escritoras que mais me obsessiona. Capaz de escrever poesia, prosa, crônicas, textos feministas, é uma escritora completa. Alguém para gente visitar num sábado à tarde e passar horas conversando, fumando e tomando chá com biscoitos.



4. A redoma de vidro, Sylvia Plath (1963)
Este livro, no momento em que foi lido, me fez perceber como a vida, às vezes, pode ser tão efêmera. Não é um livro para ser descrito. Você precisa ler para sentir.



5. A amiga genial, Elena Ferrante (2011 - aqui também temos uma pequena subversão, pois se trata de uma quadrilogia)
Elena Ferrante é o pseudônimo de uma mulher que não quer ser vista. Para mim, esta mulher que não se deixa ver é a representação do desejo maior de quem escreve: ela quer ser lida porque seus textos podem mover as pessoas e não, por quem ela é na “vida real”. A obra de Ferrante traz mulheres fortes, lutadoras, resilientes, que pensam o tempo todo sobre si mesmas e suas relações com outras mulheres.



6. Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus (1960)
Esse, eu posso dizer com convicção, é o livro mais dolorido que já li. Carolina era uma mulher negra, favelada que criou seus filhos com a venda de papel e que escrevia para alimentar a alma, ainda que sua barriga estivesse vazia. Carolina era a resistência em pessoa e sua obra, leitura super atual e obrigatória.



7. O olho mais azul, Toni Morrison (1970)
Toni intersecciona na sua narrativa questões muito caras às mulheres negras (e às mulheres brancas antirracistas): o racismo, a misoginia, os padrões de beleza excludentes. É um livro que a gente lê numa tarde, mas cuja digestão é longa e difícil.



8. Nada, Carmem Laforet (1945)
Este, sem dúvida, é um livro que eu gostaria de ter escrito. De uma sensibilidade, fôlego e primorosidade que me deixam sem palavras.



9. O coração é um caçador solitário, Carson McCullers (1940)
Esse foi um livro que me intrigou. Não é tanto a obra em si, mas uma personagem, especificamente, uma criança, que fez com que eu parasse e olhasse para dentro de mim mesma. E claro, esse é um mérito da escritora.



10. Redemoinho em dia quente, Jarid Arraes (2019)
Conhecer a obra de Jarid foi uma grata surpresa que 2019 me proporcionou. A ela, só tenho a agradecer por este lindo livro. Por dar a conhecer nossa cultura caririense, nossos lugares e nosso falar. Gratidão por me fazer lembrar que em Juazeiro não senti só tristeza e luto; também vivi coisas boas, também cultivei amor por alguns lugares, pessoas e momentos que estavam guardados na memória e que retornaram quando eu li os seus contos.



Bônus: Devoção, Patti Smith (2018)
Para Patti Smith, a escritora busca um vazio para encher de palavras. Neste livro, ela nos conta de seu processo criativo, da necessidade de solidão, da busca pela inspiração e o que move a sua escrita. A escritora se interroga sobre a necessidade de escrever e provoca o leitor com a possibilidade de a escrita ser um ato de amor, mas também de egoísmo. Penso, como Patti que nós escrevemos para poder nos livrar do peso da existência: “Porque não podemos simplesmente viver”.
____


Dia Nobre - Nascida em Juazeiro do Norte, cariri cearense. É historiadora, escritora e poeta. Possui dois livros publicados na área da pesquisa histórica, inclusive o premiado Incêndios da Alma, publicado em 2016 pela Editora Multifoco. Atualmente vive em Petrolina (PE), onde trabalha como professora universitária desenvolvendo projetos ligados à literatura, história e feminismo. Prepara para 2020 o lançamento de seu primeiro livro de poesias intitulado Todos os meus humores.

.

domingo, 19 de abril de 2020

‘Ao locutor da Rádio Araripe, Elói Teles’, poema de Patativa do Assaré




Ao locutor da Rádio Araripe, Elói Teles

Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas nunca esmorece, procura vencê,
Da terra adorada, que a bela caboca
De riso na boca zomba no sofrê.

Não nego meu sangue, não nego meu nome,
Olho para fome e pergunto: o que há?
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou cabra da peste, sou do Ceará.

Tem munta beleza minha boa terra,
Derne o vale à serra, da serra ao sertão.
Por ela eu me acabo, dou a própria vida,
É terra querida do meu coração.

Meu berço adorado tem bravo vaquêro
E tem jangadêro que domina o má.
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou cabra da peste, sou do Ceará.

Ceará valente que foi munto franco
Ao guerrêro branco Soare Moreno,
Terra estremecida, terra predileta
Do grande poeta Juvená Galeno.

Sou dos verde mare da cô da esperança,
Que as água balança pra lá e pra cá.
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou cabra da peste, sou do Ceará.

Ninguém me desmente, pois, é com certeza,
Quem qué vê beleza vem ao Cariri,
Minha terra amada pissui mais ainda,
A muié mais linda que tem o Brasí.

Terra da jandaia, berço de Iracema,
Dona do poema de Zé de Alencá.
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou cabra da peste, sou do Ceará.
____

Patativa do Assaré em Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino (Editora Vozes, 15 ed., 2008).

O radialista, escritor e folclorista Elói Teles de Morais nasceu em Crato, no dia 19 de abril de 1936, e faleceu no mesmo município, em 9 de outubro de 2000.
-

Seu Elói recitando poesia de Luciano Carneiro no programa Coisas do Meu Sertão, na Rádio Educadora:

.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Da novíssima poesia paraibana: Edypo, Expedito e Guilherme



por Amador Ribeiro Neto

Não é novidade pra nenhum leitor que há uma efervescente produção de livros de poesia no país. De um lado, as facilidades da Internet e, de outro, a ousadia de novas editoras que vêm revolucionando o viciado mercado brasileiro ao apostar em novos nomes.

Aqui na Paraíba temos uma geração de poetas que começa a publicar nos anos 2000 e já prima pela excelência de qualidade. A esta produção estou nomeando- a “novíssima poesia paraibana”.

Há vários nomes de peso. E a antologia que estou organizando, com o recorte acima, deve retratar o que se produz em nosso estado hoje.

Na presente coluna vou ater-me a três nomes, motivado por seus recentes lançamentos. De cada poeta transcrevo três poemas.


1. Edypo Pereira

A poesia de Edypo Pereira tem a manha de ser leve e certeira. Não faz rodeios. Pega o leitor. Prende-o. E dá-lhe um banho de prazer. Não sem, antes, pregar-lhe um bom susto. Sim, este poeta não faz concessões às facilidades. Não ajuda o leitor a ser beócio. Antes: sacode-o pelos colarinhos, pela gola da camiseta. E lança-lhe, no peito, o corpo de uma poesia encorpada.

De uma poesia que pega o leitor e o conduz a caminhos inusitados. Ainda que usuais. Sim, Edypo toma o mais usual como matéria viva e cortante de sua poesia. E o converte, subverte, advertindo o leitor de que o bom é também prazeroso e pode divertir. Além de fazer pensar.

Sim, esta poesia é leve e aguda, faz rir e refletir. Seduz e escoiceia. Não há como fugir de seu domínio. O leitor vai perceber que um poema abre-se para outro e que há uma trama de linguagem e de sentidos que é muito atual. Que é dinâmica. Que não deixa a peteca da qualidade cair. Qualidade entendida como trabalho com a palavra. Trabalho tão bem feito que chegamos a pensar que esta poesia é feita por um espontâneo digitar na tela do computador. Como se Edypo escrevesse e dissesse: é isso aí, está pronto.

É tão fluente, tão apaixonantemente engendrada, que o possível peso de sua construção dilui-se. Rarefaz-se. E fica o sólido da imagem, do som, da ideia girando na cabeça e no coração da gente. Uma poesia que dá o recado e nos provoca. Por isso, o poeta não hesita em valer-se tanto de palavras de baixo calão como de palavras da alta tecnologia. Não importa o universo semântico. Importa o que ele faz com a palavra. O mundo é esta carnavalização entre o baixo e o alto, o sujo e o sublime, o remendado e o inconsútil. A poesia é a linguagem singular. Aquela que estremece a cabeça e o coração.

Por isso mesmo Edypo Pereira lança sua ágil poesia para leitores espertos. Antenados. Aqueles ligados no aqui e agora. Amor, humor, rancor, despavor. Enfim, uma poesia intensamente século XXI. Pra ler e vibrar. Bem-vindo Turbolento (Ed. Penalux).


contato

ói
ói o disco
fazendo

ziggyziggyziggyziggyziggy

hora parece star distante
(ou)tra posso escutar
um tom major

você pode ouvir?

oficina da ideia

primeiro vem martelada
no hipotálamo

crashcrashcrashcrashcrash

como se eu tivesse tatuado
na cabeça
cuthere
passa
o tempo inteiro
serrando o crânio

vrukumvrukumvrukumvrukum

picareta
de onde ela veio
&
pra onde ela vai
não sei dizer

juízo final

no telão de led do juízo final
a humanidade saberá
que você nunca fez
poemasgoodvibes

sal e espeto nas mãos de mefistófeles
aguardando a carne

vai rolar
canibalismopoemofágico
na casa de satanás


2. Expedito Ferraz Jr.

Expedito, desde sua estreia com Poheresia, já se firmara como poeta que tem o que dizer. E, mais que isso, sabe como dizer o que quer, o que deve, o que merece ser dito. Antenado com as coisas da literatura, e arguto observador do cotidiano, com este seu novo livro reafirma a pegada certeira e lírica de sua poesia.

Como poucos – como os grandes sabem fazê-lo –, ele imbrica o lirismo mais sublime a um lirismo social que denuncia as fragilidades e as fragmentações da vida – social ou entre quatro paredes. O eu-lírico, perspicaz quanto sagaz, tanto veste como despe-se, das manhas, manias, saliências e reentrâncias da vida e da representação dela, via palavra.

Nesta poesia a linguagem é o vetor que nos conduz ora por estreitos, ora por largos caminhos, em linha reta ou labirintos, divisando a ampla geografia aberta ou os claustrofóbicos emaranhados de sombras. Uma poesia limítrofe entre a afirmação e a negação, sem ater-se à amarra dos valores. Uma poesia que vence as mordaças, sociais ou pessoais, para avançar rumo a uma expressão que diz o não dito, que capta o pouco – ou nada visto –, que flagra a fragrância do volátil, dissolvendo-se do concreto. E nos devolve a ele em eterno retorno.

Uma poesia que engendra outra máquina dentro da máquina usual do mundo. Por isso mesmo, ler Expedito Ferraz Jr. é adentrar na densa floresta de signos que a vida, a linguagem e a poesia nos oferecem. E para a qual, estamos pouco – ou, quase sempre – nada atentos.

Por isso mesmo esta poesia é um chute na canela da mesmice, da pasmaceira, do rol beócio de estar e reagir segundo controles remotos autoprogramáveis. Ela cava um abismo face às seguranças e certezas do leitor. Deleta o conhecido. Detona o dèjá-vu. Abre abismos aos pés de cada um. E anuncia uma possível ponte, que somente ao leitor atento é dado perceber.

Por isso mesmo, cativa, apaixona e prende o não hipócrita, o gêmeo, o irmão que está farto do conhecido, surrado, repetido. Aquele que, por sentir fome e sede, não teme imiscuir-se no visgo da vida, no visgo das coisas. Lambuzar-se de poesia.

O livro está dividido em duas partes – uma com poemas inéditos e outra com poemas (alguns revistos) que compõem Poheresia. Reunir parte dos poemas de livro de estreia ganha relevância ao deixar claro que o poeta, ainda que com apenas dois trabalhos, já é o feliz proprietário de uma dicção própria, um modo de alinhar-se dentro da produção contemporânea – aquela composta pela mais expressiva poesia de nossos tempos. Em ambos os livros, a verve sublime e irônica, a contenção e contenção verbais ao lado dos poemas mais discursivos, a espacialização vocabular, os trocadilhos vívidos e, de fato, inusitados – quer seja, criativos – o verso intratexto, intertexto e extratextual. Resumo da ópera: um poeta que sabe o ofício do verso e não abre mão da emoção de exercê-lo com finesse e humour. Bem-vindo O visgo das coisas (Ed. Penalux).

Desconcerto

um quarteto
de cordas

um arranjo
de flores

um solo
infinito


Brinde

dois copos
ocultam
um
mesmo luar
no
espaço


O visgo das coisas

Tempo em que, pra ter ensejo,
o ser das coisas carecia
de se valer da alma dos bichos
ou de pessoa humana
(modo de sedizer).

Máquina-de-escrever, por exemplo:
pra quê? pra quem?
Mas, quando deu fé,
ela sorrindo tanto dente,
muito que brancos,
foi ficando ali que ficou sendo
máquina-de-sorrir-ainda-que-todavia.

Guarda-chuva também, resignado,
em surdo haver de ser ave noturna,
recolhido em si, mofino, desalado,
sem uso sem asa sem voo sem chuva sem chão,
dormindo pendente, no esquecido
de nunca ter sido morcego,
antes a flor enlutada,
o agourento corvo
e nunca bengala,
e não sequer seu guia

Dos bichos alados, porém,
o janelão era o demais vivente,
suas venezianas costelas azuis
assoviando sempre e sempre,
e o grande par de asas
que se rebelava alguma vez,
mas só quando o vento suscitava,
como um gesto da mão
responde em sestro
ao zoom da escuridão de um pensamento
e sofrendo e sofrendo a deslembrança
de um talvez antigo voo.

tempo em que, por ser espelho,
o visgo das coisas padecia
mísero de luz, que é sem o que
sequer as réstias das orquídeas crescem,
nem as mandalas das aranhas acontecem.


3. Guilherme Delgado

Estrear com um livro consistentemente estruturado, sob o ponto de vista formal, e com uma gama admirável de significados, é coisa pra poucos e raros. E Guilherme Delgado está entre eles.

Dividido em duas partes, simetricamente compostas num geometrismo espe(ta)cular, o livro é coisa de poeta que faz sabendo muito bem como se faz bem, como se faz bonito, como se faz gostoso. Sim, porque esta poesia, sendo cabeça, é também estômago e coração. Sensibiliza e emociona porque pega o leitor pelo cerebralismo, pelo sublime – e por ambos. Sorte de quem sabe (é capaz de) recebê-la.

São vinte e dois poemas. Onze em cada campo. Digo, em cada seção. Por isso mesmo a explicitação verbal do título torna-se desnecessária – porque redundante. Basta o sinal gráfico dos dois pontos. Eles explicam tudo. Não é isso ou aquilo. Nem isso e aquilo. Nem aquilo ou isso. Nem aquilo e isso. São dois pontos. Sem nada antes nem depois. Instigando o leitor a pensar, a sentir. Convidando-o a ser copartícipe. A tomar o livro nas mãos, na mente, na emoção, na elaboração. O livro em sua unidade.

Esta dinâmica reverbera clara na primeira seção, intitulada “caligrafias”, em que poetas, ficcionistas, ensaístas, e até um diretor de cinema, surgem reciclados em suas biografias pessoal e intelectual.

Guilherme Delgado recicla de dentro. Penetra o corpo da vidobra de cada artista – e, uma vez nele, solta a poesia (do Guilherme) pra dentro da vida de representação de cada um deles (dos artistas).

Então, o gozo do texto do próprio poeta soma-se, em parcelas matemático-simétricas, ao prazer do texto do artista eleito, presenteando o leitor a soma das frações fractais.

Tal processo, planejadamente in progress, conduz à fruição de sins, nãos, talvez. Entregas e dissimulações. Lances dos lados de dados que, per se, desenham a poesia que se fabrica – e que se concebe enquanto plurívoca: música, imagem e significado no mesmo quadrado.

A segunda seção, intitulada “aqui o eco”, reverbera as obras e seus artistas da seção um, não mais reciclando, mas como produto acabado e final da poesia deste novo poeta. Tempo de conhecimento da dicção poética de Guilherme Delgado e seu tônus poético de densa materialidade.

Se antes o poeta imiscuía-se na dança instigante da conversa entre homens inteligentes, agora coloca sua voz no alto-falante e proclama de si, per si, por si.

Eis a voz do poeta. Eis seu livro de estreia. Que nos chega grande. Parcimonioso, mas exato. Denso. Leve. Delicioso. Deixando aquele gostinho de quero mais. Aquela vontade de já ler o livro que ainda vai chegar. Assim se faz poesia. Assim nasce um poeta. Bem-vindo : (Ed. Patuá).

caligrafia para haroldo

leio um livro e livro-me viro o livro lido e lido comigo até me ver livre
que lendo-me no outro torno-me outro ou isto sou esse um ao outro que
por força do hábito a um outro habito um outro que não se sabe mas desconfia
que é sentido pois sinto que se isso não é tudo na vida ao menos é delícia pros meus
sentidos posto que livre também livro se ao espelho shhhh rosno àquele
acumulador cínico para que doe outro de seus tantos livros lidos e nesse seu doar
nesse ser-se seu sem mim doa a semente de si ou simplesmente o eu le livre
que mallarmé não leu livro-lenda livro-infinito livro que ele legou a quem lê livre
de livros e um livro relido por dois leitor amigo já são dois livres a ler livros


VI

A fala é falo
afiado
trespassa a fenda
do grito
ampara o silêncio
tesado
faz filtro de ruídos
rimados
tem raiva mas ri
se relaxa
desembaraça
o pelo-novelo
quebra o gelo
calado
e ainda hoje
tem o seu apelo
preservado
pois haja o que
houver
ver é ágil


XI
Julgado
pronto
acabado
definitivo
julgo

Aponto
o dedo
deduro
o próprio
punho

Ponto

* * * * *

Eis um café pequeno da poesia que se produz hoje na Paraíba. Não nos faltam motivos de satisfação e orgulho.

____

Publicado pelo Correio das Artes, suplemento literário do jornal A União, de João Pessoa, em janeiro de 2018, ano 68, nº 11, p. 08-11, na coluna Festas Semióticas.

Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e professor titular aposentado do curso de Letras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Publicou, entre outros livros, Lirismo com siso: notas sobre poesia brasileira contemporânea (crítica), Ahô-ô-ô-oxe (poesia), Muitos: outras leituras de Caetano Veloso (crítica), Barrocidade (poesia) e Poemail (poesia). Mora em João Pessoa (PB).

Textos mais recentes de Amador Ribeiro Neto no blog O Berro:
- ‘Para quando’, de Kaio Carmona
- ‘Bambuzal’, de Rafael F. Carvalho
- ‘Identidade’, de Daniel Francoy

- A arquitetura das constelações
- for mar
- Poema das quatro palavras
- Hinos Matemáticos
- Dois olhos sobre a louça branca
- Alarido
- Tudo (e mais um pouco)

.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Abertura da exposição fotográfica on-line ‘Ao Redor’, de Lino Fly e Nívia Uchôa


 
Abertura da Exposição Fotográfica on-line Ao Redor
Curadoria: Joseph Olegário
Fotógrafos: Lino Fly e Nívia Uchôa

“A exposição on-line ‘Ao Redor’ expõe os olhares de dois fotógrafos, evidenciados por inúmeras contribuições imagéticas contemporâneas sob o foco do realismo da imagem fotográfica, ao mesmo tempo em que percebem a transitoriedade a partir de conexões, temporalidades, suas contemplações e interpretações.

A exposição versa numa tradução simultânea do que é verdadeiro e do imperceptível, do que é irreal ou evidente.

São traços marcados pelos olhares de Lino Fly e Nívia Uchôa ao longo de suas trajetórias através de paisagens expostas em seus trabalhos, resultado do exercício cotidiano da observação e suas vivências com a linguagem fotográfica.” (Texto de Nívia Uchôa)



A partir de sexta-feira, dia 17 de abril de 2020, às 19h.

Acompanhe nas redes sociais dos artistas:
@niviauchoa
@joseph.s.olegario
@aoredorgaleria

Realização: Sesc Juazeiro

#tudoemcasafecomercio #artesvisuaissesc #sescjuazeiro

.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Se eu me arrependi de ser jornalista?

por Hudson Jorge

Foto: Samuel Macedo 
Justamente hoje, dia 07 de abril, Dia do Jornalista, me perguntaram se eu já tinha me arrependido da profissão que escolhi.

Desde novinho me pego redigindo, lendo e brincando de jornalista. TVs, rádios, microfones de chave de fenda imaginários. Na adolescência, escolhi e fui escolhido por um jornal escolar (na verdade, entrei nele na marra). O Berro pulou os muros da antiga Escola Técnica Federal do Ceará (Uned Juazeiro do Norte), atualmente IFCE, e ganhou o mundo. Foi se aventurar pelos guetos culturais, corredores da Universidade e nas bancas de revistas.

De lá pra cá foram assessorias de imprensa, jornais impressos, web e rádio. Não me aventurei pela TV (ainda).

Apesar das dificuldades, da falta de reconhecimento, dos salários baixíssimos que o mercado de trabalho oferecem e da perseguição de uma parcela (insana) da sociedade, não encontro motivos para me arrepender. Não me considero, apenas, uma pessoa formada em Jornalismo. Eu me sinto Jornalista, desde sempre, apesar de ter iniciado a faculdade em uma idade um pouco avançada para a média e depois de já ter tido várias experiências que me trilharam nesse caminho.

E, a despeito dessas dificuldades todas, me resta, apenas, a reinvenção. Procurar surfar neste momento tecnológico atual nas possibilidades existentes, sambar por sobre o contracheque e encontrar saídas.

Não me enxergo em outra profissão que não seja a comunicação, o jornalismo, a assessoria de imprensa. Não me vejo em outro lugar que não esse!

Se um dia eu estiver em alguma outra frente, qualquer pessoa poderá me olhar nos olhos e constatar que parte de mim não estará feliz e pensando em arrumar um jeitinho de voltar.

Eu torço por dias melhores para os meus e as minhas colegas jornalistas, por um mundo mais humano nas relações de trabalho, pelo reconhecimento, por uma remuneração digna que os permitam viver sem percalços, sem dúvidas, sem estresses e com a dádiva de terem um momento de seus dias para viverem para além do trabalho (sim, existe vida fora do jornalismo, ou deveria existir).

Desejo também que a sociedade saiba respeitar a profissão de jornalista e tenha a capacidade de reconhecer, verdadeiramente, a diferença entre o bom e o mau profissional. Que saiba se informar por fontes realmente confiáveis que gastam sola de sapato, planos de internet e minutos do celular em busca da informação, para ser apurada, filtrada e dada de presente (sim, toda reportagem é um presente!) para o público.

Aos amigos e amigas jornalistas, a minha solidariedade! O parabéns que posso nos dar é pela força, pela resistência e pela coragem. (Para muitos) não há glamour! Há suor, comprometimento e competência.

.

domingo, 5 de abril de 2020

Campanha de Arrecadação na região do Cariri, realizada por sindicatos e Cáritas Diocesana de Crato



CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO

Não está fácil para ninguém, mas para alguns a situação está ainda mais grave. Diante dos efeitos da pandemia, alguns sindicatos da região do Cariri se juntaram com a Cáritas Diocesana de Crato para auxiliar catadores e migrantes. São populações com mais dificuldade de receber assistência do Estado e que dificilmente terão oportunidade de acessar o auxílio emergencial. Nessa situação, toda ajuda é bem-vinda. Sejamos solidários neste momento de dor. (texto de divulgação da campanha)

Como colaborar?

Você pode fazer depósito ou transferência para:
Cáritas Diocesana de Crato
Banco do Brasil
Agência: 94-9
Conta Corrente: 32.231-8
CNPJ: 01.301.918/0001-33

Ou então, leve os alimentos ou insumos no horário comercial para os seguintes endereços:
Crato
Sede do Grunec
Rua Coronel Segundo, 287 - Centro
Juazeiro do Norte
Rua São Francisco, 1114 - São Miguel.

.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Por que Bolsonaro governa o Brasil na contramão dos índices e recomendações científicas de combate ao Covid-19? Um ensaio sobre o “Estado suicidário”


Praça Padre Cícero em Juazeiro do Norte, deserta em tempos de coronavírus (foto de Luis Celestino - com edição)

por Lusmário Oliveira

Desde o início da pandemia do Covid-19 venho tentando compreender as atitudes que tem tomado o presidente Jair Bolsonaro. Minha questão partia basicamente desse pressuposto: como pode ele, mesmo com tantos exemplos ao redor do mundo, com tantos dados científicos e embates consistentes e diretos às suas atitudes, continuar agindo no caminho contrário da prevenção e promoção à saúde da população brasileira? Em tempo: antes de qualquer coisa, gostaria de frisar que não pretendo com textos como este trazer uma resposta concreta e/ou certeira, e sim discutir ensaios filosóficos que se propõem a discutir acerca do cenário atual, objetivando gerar reflexões e, talvez, servir de auxílio para a ampliação de conhecimento e construção de novas ideias.

Logo após os primeiros pronunciamentos do presidente sobre a pandemia, foram elencadas algumas possíveis explicações para as suas atitudes. Uma delas é a que alega se tratar de uma estratégia política que Bolsonaro estaria usando para isentar-se das responsabilidades de um quase certo crash da economia brasileira – o que não seria nenhuma novidade, tendo em vista que o colapso econômico vem se instaurando bem antes da pandemia. Esta estratégia de evasão viria atrelada ao direcionamento da responsabilidade aos governadores que não seguirem as suas recomendações de priorizar o sistema econômico em detrimento da saúde pública.

Mas de algum modo a tese acima não supriu minha curiosidade. O campo no meu cérebro que ansiava germinar ainda não via nada brotar. Posteriormente, quando tive contato com o ensaio do filósofo brasileiro Vladimir Safatle – “Bem-vindo ao Estado Suicidário” – sobre o atual cenário no Brasil, logo no primeiro parágrafo entendi o equívoco na construção da pergunta que fiz aqui, coincidentemente, no primeiro parágrafo. Também observei que coloca em xeque a explicação do parágrafo anterior, não por ela estar incorreta, mas por que o filósofo se propõe a uma discussão que vai além das fantasias que podemos conjecturar para as infindas possíveis motivações que possam existir nas atitudes de Bolsonaro.

Ou seja, para Safatle, o que está acontecendo no Brasil não nasce, em nenhuma instância, de um acidente ou de um voluntarismo dos governantes, “até porque, ninguém nunca entendeu processos históricos procurando esclarecer a intencionalidade dos agentes”. Deste modo, a irrelevância que o autor atribui às motivações que levariam a tais atitudes é incisiva ao ponto de defender que comumente esses agentes agem sem sequer terem alguma noção do que estão fazendo.

Mas afinal, o que Safatle quer dizer com “Estado suicidário”? Trata-se de um termo que se usa para explicar que este cenário vai além de um conceito mais discutido e conhecido: necropolítica. Conceito esse que foi desenvolvido pelo filósofo camaronense Achille Mbembe, em 2003, para designar as políticas de estado que decidem quem deve morrer e quem deve viver.

Fazendo agora uma comparação: assim como o fascismo para Bertolt Brecht “apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira”, Safatle acredita que o Estado suicidário é inseparável do neoliberalismo e se encontra em “sua face mais cruel, sua fase terminal”. Deste modo, o Estado suicidário, conceito que toma emprestado de Paul Virilio, para além de gestor da morte como aponta Mbembe, atua continuamente para sua própria catástrofe, “ele é cultivador de sua própria explosão”.

Neste ponto, julgou-se importante elencar a perspectiva de Noam Chomsky sobre o cenário atual pandêmico. Para ele este cenário é gravemente fértil para que governantes consigam desestabilizar a democracia, e em seu ensaio apresenta as semelhanças do presente e as que percebeu há 80 anos atrás, quando tinha apenas dez anos e vivia no período de ascensão do nazismo que culminaria na Segunda Guerra Mundial. No entanto, o que seria mais importante para o que estamos discutindo agora é o que ele apresenta como uma leitura sobre um possível fim da humanidade.

Com o desfecho da Segunda Guerra Mundial, cinco anos depois, com duas bombas nucleares lançadas pelos EUA em cidades japonas no ano de 1945, Chomsky atenta para os fatos que se seguiram: “há 70 anos vivemos sob a sombra da guerra nuclear. Aqueles que analisaram os registros só podem se surpreender com o fato de termos sobrevivido até agora. Vez após outra, o desastre terminal tem ficado extremamente próximo, a alguns minutos de distância”.

Quando penso na produção de armas capazes de destruir a humanidade sinto uma sensação de que estamos falando de Estado suicidário, porém, Safatle entende que um acontecimento como este houve apenas uma vez na história recente. Trata-se do momento da queda do regime nazista, mais precisamente em um telegrama: o telegrama 71. Nesse, Adolf Hitler anunciou o fim de uma guerra então perdida. No telegrama haviam os dizeres: “Se a guerra está perdida, que a nação pereça”.

Com esse telegrama, Hitler deu ordem para que o exército nazista destruísse o que ainda restava de infraestrutura da nação já bastante arruinada. Como se, no íntimo, este fosse o real objetivo final: que a nação se extinguisse pelas suas próprias mãos, “pelas mãos que ela mesma desencadeou”. Foi essa a resposta para uma raiva secular contra o próprio estado e contra toda a sua representação. Há diversas formas de destruir o estado e uma delas é aumentando a velocidade de sua própria catástrofe, independentemente do número de vidas que irá custar, explica o filósofo brasileiro.

As semelhanças com o governo de Bolsonaro são graves. Há algum tempo ele vem incentivando e agindo de forma a atacar instituições do estado, tais como o fechamento do Congresso e do STF. Agora, em meio a uma pandemia, ele encontrou uma catástrofe que serve como uma luva para seu plano de destruição do estado e tem feito de tudo para que consiga atingir seu objetivo autodestrutivo.

Recentemente duas matérias me chamaram atenção. Uma veiculada pela revista inglesa The Economist e outra pela BBC Brasil. A revista de economia inglesa chama o presidente de “BolsoNero”, em evidente alusão ao personagem histórico que ficou famoso por supostamente ter ordenado o incêndio de Roma, onde era imperador. A BBC Brasil veiculou uma matéria sobre o Brasil da meningite de 1974. Trata-se dos tempos da ditadura militar e, assim como hoje Bolsonaro tem tentado rotineiramente, havia um enfraquecimento da autonomia dos veículos de informação e dos jornalistas através, principalmente, da censura. A jornalista Catarina Schneider, mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sobre a meningite em 1974 explica: “assim que surgiu, foi tratada como uma questão de segurança nacional, e os meios de comunicação proibidos de falar sobre a doença. [...] Essa tentativa de silenciamento impediu que ações rápidas e adequadas fossem tomadas”.

Em meados do mês de março (de 2020), quando questionado sobre sua saúde, Bolsonaro disse: “se eu me contaminei, é responsabilidade minha, ninguém tem nada a ver com isso”. O neoliberalismo se embasa nessa visão de homem que é relacionada ao conceito de “indivíduo” e que gera em sua esfera mais perversa outro conceito: o de individualismo. Conceito político, moral e social que manifesta a ideia de que existe liberdade do indivíduo perante o grupo. No entanto, estamos longe de falar de uma situação que gera consequências apenas na vida de quem se contamina, tendo em vista se tratar de um vírus altamente contagioso.

E é neste ponto que Safatle vislumbra uma possível alternativa. Alternativa esta que é oposta e combativa à que está tomando o presidente. Pressupõe afeto em relação ao outro sem que ele sequer faça parte do grupo que eu vivo ou sem que ele precise estar no meu lugar. Assim, recorda que são nesses momentos mais dramáticos que sentimentos como estes surgem e são capazes de lembrar aos sujeitos que eles fazem parte de um organismo maior, que é interdependente e necessita de apoio mútuo. E não é isto que está acontecendo em/entre várias nações do mundo?

Em partes, sim, mas o Brasil é um dos únicos países do mundo que tem um presidente que se recusa a seguir as recomendações de combate à pandemia global, e continua incentivando a população no sentido contrário. Se medidas como estas continuarem sendo tomadas, o Brasil tenderá a ser objeto de um cordão sanitário global e, talvez, isolado e com as instituições e governadores estaduais e municipais enfraquecidos, seja um cenário ainda mais propício de se instaurar um estado autoritário que colocará ainda mais combustível para acelerar as engrenagens de autodestruição.
-

Lusmário Oliveira é psicólogo clínico e Gestalt-terapeuta.


Fontes:
Vladimir Safatle - Bem vindo ao estado suicidário.
https://jornalggn.com.br/blog/doney/bem-vindo-ao-estado-suicidario-por-vladimir-safatle-n-1-edicoes/

Noam Chomsky – Não podemos deixar o covid-19 nos levar ao autoritarismo.
Original em inglês:

https://truthout.org/articles/we-cant-let-covid-19-drive-us-into-authoritarianism/

Tradução de César Locatelli, para Carta Maior:
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Nao-podemos-deixar-o-COVID19-nos-levar-ao-autoritarismo/6/46871

The Economist - Presidente do Brasil brinca com uma pandemia:
https://www.economist.com/the-americas/2020/03/26/brazils-president-fiddles-as-a-pandemic-looms

Estadão – The Economist diz que Bolsonaro brinca com conoravirus e chama presidente de BolsoNero:
https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,the-economist-diz-que-bolsonaro-brinca-com-coronavirus-e-chama-presidente-de-bolsonero,70003249319

BBC Brasil - Escolas fechadas, hospitais lotados, eventos cancelados: o Brasil da meningite de 1974:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52058352

.

terça-feira, 31 de março de 2020

Dona Ciça do Barro Cru em texto do livro ‘Cultura Insubmissa’, de Rosemberg Cariry e Oswald Barroso



Apresentamos texto publicado no livro Cultura Insubmissa (estudos e reportagens), de Rosemberg Cariry e Oswald Barroso (Fortaleza, Secretaria de Cultura e Desporto, 1982), sobre a artista Dona Ciça do Barro Cru, um dos grandes nomes da história do artesanato de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Obs.: optamos por reproduzir o texto ipsis litteris, repetindo a maneira como foi transcrita a fala da personagem em questão.


Dona Ciça - Mãe de Barro

A cerâmica lúdico-figurativa é uma das mais significativas expressões da arte popular do Nordeste. Se os brinquedos de barro eram comuns às tradições culturais dos povos europeus e nos foram legados pelos ibéricos, receberiam também a contribuição indígena que enriqueceria em muito a cerâmica nordestina em seus multiaspectos. No Ceará, principalmente no Cariri, a contribuição índia foi marcante, mas em outras regiões do Nordeste os povos negros transplantados deram também o seu importante legado cultural no desenvolvimento da cerâmica popular. Ofício de mulheres, as cunhãs, sensíveis e habilidosas no trato com o barro, modelavam, juntamente com os potes, panelas, etc., pequenas figuras antropomorfas e zoomorfas para as crianças brincarem. Os nossos artistas populares, na grande maioria caboclos, partindo de modelos herdados das tradições ibéricas e indígenas, desenvolveriam uma cerâmica tão rica e esteticamente cheia de significados culturais que se poderia compará-la à cerâmica asteca e andina, no seu estágio mais avançado.

No livro As Artes Plásticas no Brasil, Cecília Meireles fala sobre a cerâmica utilitária da Bahia: “Diante de certas peças cerâmicas (...), tão elegantes de perfil e tão ricas de decoração, pensa-se nos suntuosos modelos mexicanos e peruanos e tem-se a impressão de que a alta cerâmica do pacífico estendeu até o atlântico os derradeiros filamentos das suas raízes”. No Ceará, na cidade de Cascavel, nas regiões da serra da Ibiapaba e do Cariri, encontramos núcleos de intensa produção de cerâmica utilitária e lúdica. Destes núcleos, o mais importante é o do Cariri, onde os artistas populares passaram, assim como os artistas de Caruaru - Pernambuco, de figuras isoladas para complexos conjuntos de peças representando cenas cotidianas e manifestações folclóricas regionais. Em Juazeiro do Norte existe uma cerâmica de rara beleza, com formas bem delineadas, muito equilíbrio e intenso colorido. Nomes como Cícera Fonseca, Luíza dos Cachimbos, Carminha e Dona Ciça do Barro Cru são as expressões maiores de cerâmica lúdico-figurativa do Cariri. De Dona Ciça nos ocuparemos neste pequeno estudo, por sua importância artística de características diferenciadas.

A arte de Dona Ciça reflete a realidade e a cosmovisão populares. As cenas encontradas no cotidiano do povo simples são por ela plastificadas em formas bem elaboradas e detalhadas, com um colorido supra-real. Sua produção inclui peças individuais: aves, animais domésticos e fantásticos, pessoas em seus afazeres, santos e demônios etc. Sua cerâmica, no entanto, encontra maior expressividade nas obras de conjunto, onde reelabora, segundo a sua visão e sensibilidade estética, cenas coletivas de imensa complexidade. Exemplos disto são os conjuntos de peças que compõem os os “reisados”, “farinhadas”, “bandas de pife”, “enterros de anjos”, “procissões” etc. Na reelaboração do real, Dona Ciça não usa apenas o barro e as tintas como matérias-primas. Utiliza-se também de palitos, arames, sementes, algodão, fitas, retalhos de fazenda e penas (o uso de penas ficou-lhe como legado índio, onde deita suas origens).

Para melhor compreender esta grande artista, necessário se faz que mergulhemos na sua história. Fala Ciça: “Nasci no Sítio São José, Juazeiro, em março de 1915 (ano de tirana seca). Meu pai era de Garanhuns e se chamava Pedro Araújo, minha mãe era de Quipapá e se chamava Quitéria Maria da Conceição. Fui pra Santana do Cariri novinha, quando vim de lá pro Juazeiro tava com sete anos. Em 32 foi seca, muito aflagelado aí no Buriti, eu tirei a temporada pedindo esmola no Crato, mode sustentar pai e mãe. Ninguém tinha nada pra comer em casa, eu ia com uma irmãzinha, montada num jumento, com um jogo de caçuá. Neste tempo morreu umas irmãs novas que eu tinha. A gente cumia muita comida braba, coisa venenosa, só pudia ser. Depois eu fui vivê de vendê capim. Comecei a trabaiá no barro com 25 anos de idade já tava casada pela primeira vez com Luís Ferreira, que morreu de congestão. Quando eu casei já tinha Ciço, esse que é casado. Ciço foi um erro que eu dei, eu sô uma pessoa que só fala a verdade, nem que morra. Ficando viúva eu me casei com Manuel Costinho de Sena que morreu de saluço, sofrendo dezoito dia de saluço, dez anos depois de nóis casado. O outro, Cornelho, não morreu comigo, morreu lá com a famia dele. O danado vivia dizendo que tinha um probrema, sei que esse probrema num tava certo pra gente casado, mandei ele lá pra famia dele, tava separada dele nesse tempo. Adepois me casei com Manuel num sei o que de Mato, esse também mandei embora, morreu cum a famia dele, pra lá. Agora casei cum Jenuaro”. Assim é Ciça, com toda a sua riqueza existencial e expansiva sinceridade.

Vivendo pobremente, numa casinha de taipa no subúrbio de Juazeiro, Ciça subvive da sua arte e dos restos de legumes que cata nos dias de feira. Ela afirma: “o dinheiro que apuro não dá nem pra cumê, eu vou pra feira do Crato e de Barbaia e fico varrendo na feira do feijão, chego em casa e vô separá os caroço de feijão. Eu só varro na feira do Crato e de Barbaia, no Juazeiro eu nunca faço lá, eu nunca me acustumei. Sou conhecida lá, moro lá desde os sete anos, aí tenho vergonha de pedir esmola e varrê na feira de Juazeiro. Só como disso, eu também peço nas budegas e nos cafés, peço a um e a outro. Tiro um conto, dois conto, assim vou vivendo. Só o trabaio no barro num dá e roubá eu num vou. As muié nova pede, quanto mais eu qui já tô véia e duente. Agora eu quero falar pra eu miorá mais a vida. O trabaio do barro quando vou pegá, fico com as mão drumente, aquele drumiço nas mãos. Fico bastante duente, só quiria que arrumassem um negoço pra mim. Minha casa é muito pobrezinha, quero ajeitar e num posso, é muito apertadinha, só tem um vão, ainda essa sumana levei uma queda dentro de casa, num reguinho que tem dentro de casa, o esgoto passa por dentro de casa e eu num posso fazer, num tem tijolo, num tem nada. Jenuaro trabaia butando umas rocinhas de meio, mas num dá pra nada, não. Minha vida é muito precária. A gente leva os buneco pra feira e o povo num compra, só quer baratinho e num posso vender. Outra é que tem muita gente ignorante, a gente pede um preço ele ignora, querem de graça e eu num posso dar, material caro, dá muito trabaio, eu já trabaio a força, vivo sem paciência pra arte, tô véia”.

O fenômeno da diminuição da venda de cerâmica lúdico-figurativa explica-se pela queda do poder aquisitivo do povo. A ceramista abandona a feira e passa a viver das raras encomendas dos turistas ou explorada por atravessadores. Esta prática passa também a intervir na originalidade das peças produzidas pelo artista popular, que deixa de acionar os mecanismos internos, dinâmicos, coletivos, vivos e integrados ao seu espaço (região) e às suas necessidades sociopolítico-econômicas, passando a produzir uma arte que é apenas um reflexo da cultura capitalista dominante. A partir desse processo de dominação deixa de ser feita para o povo, desintegram-se as suas funções sociais e ela passa a ser consumida pela classe dominante, ficando, consequentemente, de difícil alcance para a bolsa popular. A cerâmica lúdico-figurativa, que deixa de ser vendida nas feiras a preços populares, depois de passar por um processo de descaracterização, torna-se objeto caro nas butiques grã-finas e adornos nas casas luxuosas. A classe produtora desta arte tem que se conformar com os bonecos de plástico, bibelôs de louças ou estatuazinhas de gesso reproduzindo em série cenas do cotidiano burguês. O povo, mesmo produzindo, fica sem acesso à sua própria arte. Dona Ciça, mantendo-se fiel a sua arte popular, resiste como pode.

O trabalho com cerâmica envolve uma série de dificuldades. Ciça explica: “O barro eu vou buscar nas Cobras, num boto de carrada não, eu vou buscar na cabeça. É muito longe de minha casa, perto da Serra do Horto, quase meia légua. Tenho que comprar tinta, tinta de casa, tinta d'água, misturada com cola de madeira. Os pinceus eu faço de palito e algodão, só uso as mão e os palito. Teve um tempo que eu viajava, com o meu primeiro marido, fazendo boneco de barro, pra trocar por comida cum os minino e pra vender na feira. Viajava pra Cedro, pra Iguatu, andei até pela Paraíba... tempo bom. Eu faço de tudo na minha arte, faço reisado, cobra, muié fazendo renda, muié catando piolho, muié dando de mamar, banda de pife, padre confessando, João Tingó, Maria Fumaça, casamento, batizado, violeiro, operação, anjo, diabo, cangaceiro, santo, gato, capote, tenho tudo na minha cabeça, é tudo na minha maginação”. Interrogada por que não cozinhava seus bonecos, fala com simplicidade: “Num dá pra cunzinhar, minha arte é deferente, leva pena, leva cordão, leva simente, leva muita coisa. Se eu for cunzinhar queima tudo. E eu também num sei cunzinhar não, aquilo precisa outra preparação. Eu só sei fazê, butá no sol, pintá e pronto. Cada pessoa tem sua arte”.

Por não cozinhar em forno suas peças (daí o nome Dona Ciça do Barro Cru), elas são fragilíssimas, quebram-se ao menor impacto ou com o tempo se desfazem, voltando novamente à massa amorfa do barro bruto. Pessoas interessadas na comercialização da sua arte, ou mesmo pensando em conservá-las, tentaram convencer Ciça de queimar as suas peças. Já houve mesmo quem quisesse doar-lhe um forno. Ciça resiste, continua não cozinhando seus bonecos, deixa-os belos e frágeis, enfeitados com fitas, cordões e penas, destinados à breve existência, ao desaparecimento.

Assim como a sua arte, é a sua criadora, bela e frágil, na sua fascinante criatividade, que também desaparecerá, miseravelmente, catando legumes e pedindo esmolas nas feiras. Tanto é o amor que suas mãos maravilhosas transmitem aos seus “bichinhos de barro” que, ante a  impossibilidade do sopro da vida, Ciça lhe cria, com toda liberdade de expressão existencial/estética, uma vida onírica, poética, fantasiosa, deitando raízes no seu cotidiano e no mundo que a cerca. Batiza suas criações com nomes engraçados, conversa com elas, canta canções de ninar... Cada boneco ou bichinho de barro criado por Ciça tem um passado, um presente e um futuro. Quebra-se a barreira da lógica formal, brilha o relacionamento mágico do homem com a natureza. Os bonequinhos parecem adquirir vibrações próprias, vibrações quase palpáveis para as pessoas sensíveis, vibrações que irradiam a beleza de Ciça – mãe de Barro, criança travessa com suas dezenas de anos escanchadas na cacunda. As suas “festas de casamento” ou, como ela gosta de dizer, “inauguração da minha arte” é um momento de rara beleza, onde o sonho e o real se irmanam. “Eu faço os bonecos, são quatro noivado, dois em pé pra se casá, dois sentado pra sair da mesa. Primeiro fica uma pessoa falando pelos boneco do mesmo jeito de uma pessoa que fala quando vai se casá, a pessoa diz as coisas com os noivados. Aparece um vinhozim e compro uma galinha. Depois do casamento sento os boneco na mesa e boto cumida pra eles, também pro padre, pro sacristão. Boto cumida e vinho pras visitas”.

Durante todo o ano Ciça se prepara, faz economias, mesmo tendo que passar fome mais do que já passa, para comprar uma galinha e um litro de vinho de jurubeba. No dia da festa, Ciça prepara a galinha, põe o vinho de jurubeba na mesinha de toalha branca feita de saco de açúcar e acende as velas. Um ritual sagrado/profano. Para a arte de Ciça e seu relacionamento com esta arte, vale a análise de Paul Ahyi, sobre a arte produzida pelos povos de tecnologias simples: “(...) dissocia e associa os elementos naturais segundo as suas próprias leis, é porque tenta eternizar e realçar, no ser vivo, o permanente e não o acidental, a essência e não a aparência, o constante e não o efêmero. Seu objetivo, de certo modo, é mostrar a realidade do ser vivo e não a sua imagem externa”.

A memória cultural nordestina guardará o nome desta artista do povo? Possivelmente sim, a sua arte não será de todo esquecida. Ficará a sua voz suave conversando com os seus “bonequinhos de barro”, ficarão os gestos das suas mãos calosas no duro ofício do barro, ficarão seus depoimentos de dor e esperança, ficará o seu sorriso forte, gravados na película do filme Dona Ciça do Barro Cru, realizado pelo cineasta cearense Jefferson de Albuquerque Jr., que denuncia a pobreza de Dona Ciça e resgata para o futuro a grandeza e a criatividade desta artista popular que faz da sua arte e da sua vida a expressão dos sonhos e das dores deste povo nordestinado.
-

Texto originalmente publicado no Jornal O POVO - Fortaleza-CE – 16 de maio de 1982.
Fotos: Ricardo Tilkian.

.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Em Pauta: Preservação da vida ou do mercado? ADUFC debate o cenário atual em tempos de coronavírus no Brasil



Preservação da vida ou do mercado?

Em transmissão ao vivo, a ADUFC-Sindicato, que representa os(as) professores(as) das três universidades federais do Ceará (UFC, UFCA e Unilab), apresenta neste sábado, 28 de março, a partir das 17h, conversa mediada por André Ferreira,  Prof. do Deptº. de Teoria Econômica da UFC e tesoureiro-geral da ADUFC. Ele vai estar acompanhado de outros professores da Universidade que enriquecerão o debate:

Alba Pinho, Profª. do Deptº. de Ciências Sociais da UFC e Coordª da Rede Universitária de Professores sobre América Latina (RUPAL);
Fábio Sobral, Prof. dos cursos de Economia Ecológica e Economia da UFC;
Fernando Pires, Prof. do Deptº. de Teoria Econômica da UFC, onde também coordena o Observatório de Políticas Públicas;
Marcelo Lettieri, diretor técnico do Sindifisco DS/Ceará e professor colaborador do CAEN-UFC.

O debate será ao vivo e aberto a perguntas na própria transmissão no canal da ADUFC no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdkh0c2FkVPGhUcLpIzHRZA

Em Pauta:
Preservação da vida ou do mercado? (Live)
Com Alba Pinho, André Ferreira, Fábio Sobral, Fernando Pires e Marcelo Lettieri
Sábado, 28 de março de 2020, a partir das 17h
No Canal da AUFC no YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCdkh0c2FkVPGhUcLpIzHRZA

.

terça-feira, 24 de março de 2020

Filme caririense ‘Candeias’ é disponibilizado no YouTube



O curta-metragem caririense Candeias (O Berro Filmes) é lançado na internet com o objetivo de se somar às ações que contribuem para que a população enfrente o período de quarentena por conta do coronavírus.

O documentário em curta-metragem Candeias está disponível gratuitamente na plataforma YouTube desde as zero hora desta terça-feira, dia 24 de março.

Filmado durante a Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em fevereiro de 2016, o curta é uma produção de O Berro Filmes, com direção de Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues, e conta com o apoio da SECULT-CE, através do XI Edital de Cinema e Vídeo. A produção apresenta um olhar voltado para uma das mais belas expressões da religiosidade popular do Cariri, a “Procissão das Velas”, que ocorre em Juazeiro do Norte desde o início do século XX, sempre no dia 02 de fevereiro.

Para a equipe de O Berro Filmes, a decisão de publicar o vídeo na plataforma e disponibilizá-lo gratuitamente para o público foi tomada em um momento delicado, quando as pessoas estão sendo forçadas ao isolamento social em suas casas, com o objetivo de evitar a propagação do novo coronavírus (Covid 19) e deve se somar a outras iniciativas, para amenizar a pressão e contribuir para o controle emocional das pessoas. “Nós vínhamos planejando isso [disponibilizar o filme] há algum tempo e iríamos fazer em um outro momento, mas dada a situação pela qual estamos enfrentando no mundo todo, encontramos essa forma de contribuir para que as pessoas possam ter mais essa opção de entretenimento e controle emocional durante essa crise gerada pela pandemia do novo Coronavírus”, comenta um dos diretores do filme, o cineasta Ythallo Rodrigues.

A disponibilização do filme na plataforma de compartilhamento de vídeos é também uma forma de homenagear o Padre Cícero Romão, no aniversário de 176 anos de nascimento do sacerdote, fundador de Juazeiro do Norte e ícone religioso dos nordestinos, também comemorado nessa data. “Além de todas as dificuldades enfrentadas devido ao coronavírus, Juazeiro do Norte e o Nordeste sofrem com o cancelamento de uma das mais importantes festas da religiosidade popular, que é a comemoração do aniversário de nascimento do Padre Cícero. Esperamos que essa decisão possa amenizar um pouco mais a tristeza dos juazeirenses e romeiros que, pela primeira vez na história, viram essa festa ser cancelada”, ressalta a equipe – formada por Hudson Jorge (jornalista e produtor cultural), Xico Fredson (Policial Militar / Monitor Disciplinar no 2° CPM-CHMJ), Reginaldo Farias (artista plástico e designer gráfico), Ythallo Rodrigues (cineasta e poeta) e Luís André Araújo (professor universitário).

Um filme que circulou pelo Brasil
Lançado no dia 1º de fevereiro de 2017, Candeias teve, ainda naquele ano, uma boa aceitação no circuito audiovisual brasileiro. Ao todo foram 25 festivais nacionais e/ou mostras competitivas, como o 22º É Tudo Verdade RJ/SP e o 27º Curta Cinema RJ. O filme contabiliza ainda duas apresentações em festivais internacionais, em Bogotá (Colômbia) e Sofia (Bulgária). A produtora O Berro Filmes estima que, até o momento, foram quase 50 exibições públicas.

Premiação
O filme sobre a procissão das velas recebeu os prêmios de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular, Melhor Fotografia e Melhor Som do 1º Cine Cariri, além do prêmio de Melhor Fotografia no II Festival de Cinema do Paranoá, no Distrito Federal, ambos em 2018. Ainda naquele ano, o documentário recebeu a indicação para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2018, considerado o “Oscar do Cinema Nacional”.

O filme pode ser visto através do link https://bit.ly/curtacandeias

Filme Candeias:

sexta-feira, 13 de março de 2020

‘Geração Roubada’, filme de Phillip Noyce, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Geração Roubada
Ficha técnica:
Título original: Rabbit-Proof Fence
Direção: Phillip Noyce
Roteiro: Christine Olsen (roteiro baseado em romance de Doris Pilkington Garimara)
Elenco: Everlyn Sampi, Tianna Sansbury, Laura Monaghan, David Gulpilil, Jason Clarke, Kenneth Branagh, Ningali Lawford, Myarn Lawford
Duração: 94 minutos
Ano: 2002
País de origem: Austrália

“Molly Craig é uma jovem negra australiana de 14 anos que, em 1931, ao lado de sua irmã Daisy, de 10 anos, e sua prima Gracie, de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da Austrália, criado para treinar mulheres aborígines para serem empregadas domésticas.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 14 de março de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

.

terça-feira, 10 de março de 2020

Secult de Juazeiro do Norte lança edital para Conselho Municipal de Política Cultural e Fóruns de Linguagens Artísticas



Publicado pela Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Cultura, no Diário Oficial do Município, edital de convocação para compor e representar os Fóruns de Linguagens e eleger os  conselheiros e suplentes que irão atuar por um período de dois anos no Conselho Municipal de Política Cultural, órgão vinculado à Secult que tem a finalidade de promover a gestão democrática e autônoma da Cultura no município de Juazeiro do Norte.

A proposta do edital é convocar os Fóruns de cada segmento cultural para elaborar e atualizar o planejamento das linguagens artísticas contemplando a seleção de um representante para cada área: Cultura Popular Tradicional, Audiovisual, Literatura, Música, Artes Cênicas e Artes Visuais, além de um representante de uma Organização da Sociedade Civil.

O processo será conduzido pela Comissão Especial Eleitoral, responsável por organizar os Fóruns e apoiar a eleição.

Os interessados em participar devem observar os critérios do edital e preencher o formulário de inscrição – clicando aqui – até o dia 30 de março.

A divulgação da lista de eleitores e candidatos inscritos será apresentada na mesma data, durante a realização do Seminário Formativo que irá apresentar a relevância da existência do Conselho de Cultura. O evento irá ocorrer às 8h no auditório do Memorial Padre Cícero. Em seguida será realizado o Fórum de Linguagens Culturais, a partir das 14h, encerrando com a votação e apuração, às 16 horas.

Link para acessar o edital:
http://www2.juazeiro.ce.gov.br/arquivos/EDITAL-N-003-SECULT-09032020.pdf

Link para acessar o formulário de inscrição:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSenB44snezdvtZts1EXsNcPOdB1L_8n-Du_c8DSA_C4zA4Pig/viewform?vc=0&c=0&w=1

.

sexta-feira, 6 de março de 2020

‘Sinédoque, Nova York’, filme de Charlie Kaufman, no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Sinédoque, Nova York
Ficha técnica:
Título original: Synecdoche, New York
Direção e roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener, Emily Watson, Dianne Wiest, Jennifer Jason Leigh, Hope Davis, Tom Noonan
Duração: 123 minutos
Ano: 2008
País de origem: Estados Unidos

“O diretor teatral Caden Cotard está à beira do caos. Sua esposa Adele o abandona e vai para Berlim levando a filha deles. Sua terapeuta não o ouve e seu caso com a bela Hazel não dura muito. Mais uma obra-prima do mesmo criador de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Adaptação e Quero Ser John Malkovitch.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 07 de março de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

‘Os Bons Companheiros’, filme de Martin Scorsese, no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Os Bons Companheiros
Ficha técnica:
Título original: Goodfellas
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Nicholas Pileggi, Martin Scorsese
Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Christopher Serrone, Joe Pesci, Joseph D'Onofrio, Lorraine Bracco, Paul Sorvino, Frank Sivero, Frank Vincent, Tony Darrow
Duração: 145 minutos
Ano: 1990
País de origem: Estados Unidos

“Através dos olhos de Henry Hill, norte-americano meio italiano, meio irlandês, acompanhamos como ele se desenvolveu dentro da Máfia desde sua infância.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 15 de fevereiro de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

‘Ironweed’, filme de Héctor Babenco, em exibição no Cine Café



Cine Café do CCBNB Cariri (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Ironweed
Ficha técnica:
Título original: Ironweed
Direção: Héctor Babenco
Roteiro: William Kennedy
Elenco: Jack Nicholson, Meryl Streep, Carroll Baker, Michael O'Keefe, Diane Venora, Fred Gwynne, Margaret Whitton, Tom Waits, Nathan Lane, James Gammon, Laura Esterman
Duração: 143 minutos
Ano: 1987
País de origem: Estados Unidos

“Francis Phelan (Jack Nicholson) e Helen Archer (Maryl Streep) são dois alcoólatras que têm a difícil missão de sobreviver ao próprio passado.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 01 de fevereiro de 2020, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

.