quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

'São Francisco', de Frederico Barbosa

Embalado pra viagem # 99

São Francisco

aquilo? não é rio
é mar em vala
abismo espanto

aquilo? não é crível
impossibilidade
silêncio em canto

aquilo? não é baldo
é rasgo abalo
falo corrente

aquilo? não é sítio
de tão vivo
parece é gente
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Frederico Barbosa em Na lata: poesia reunida - 1978-2013 (Editora Iluminuras, 2013).

Para um pouco mais sobre o livro de Frederico Barbosa, clique aqui.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Caro Fellini, Amarcord!



por Lusmário Oliveira

A trajetória por um olhar intimista que percorre o personagem Titta é surpreendente. Não se trata de uma história com começo, meio e fim, como muitos estão acostumados, mas tem uma coleção completa de signos cinematográficos. O roteiro se «amarra» com segurança, criando nexos entre as cenas e dando a cada novo personagem uma significação única, que mesmo com pouco tempo nas telas está vivo, palpitante, verdadeiro.

A agregação de tudo isso é como se o onírico e o real estivessem sendo ligados pelas percepções do próprio personagem. É como se tudo não passasse de lembranças, mas, importa-se não como a reconstituição do que ocorreu em algum momento no passado, e sim, como a projeção do que ocorre hoje, na memória, na lembrança, no imaginário, no instante presente do realizador.

Não é preciso assistir ao filme mais de uma vez pra nos recordarmos dele, por assim dizer, o quanto nos identificamos com a forma de lembrar e com o modo como é narrada a história. Os personagens marcantes e singulares são importantes pra encabeçarem essas lembranças, tanto no filme como na nossa realidade. O narrador que aparece vez ou outra em meio a história é afetado por ela. Isso relaciona o modo de lembrar e o quanto a lembrança interfere a partir do que significou em particular para quem vivenciou.

Pelo que já podemos notar, Amarcord é um filme que trata de recordações. Recordações um tanto avulsas e bem amarradas pela genialidade dos seus realizadores. E por isso a escolha do nome para o filme que é uma referência à tradução fonética da expressão Io me ricordo.

Na Itália, em meio à ascensão do fascismo na década de 30, Fellini dá uma olhada na vida familiar, na religião, na educação e na política. É também uma junção de incontáveis lembranças, sonhos, opiniões, traumas, desejos, etc. O que importa nesse filme não é a luz do sol, mas a ilusão e o que representa essa luz do sol que pode ser criada em estúdio. Não um real nevoeiro, um real cair da neve, o mar, uma árvore, um transatlântico de verdade, mas os cenários, os efeitos mecânicos e os truques fotográficos capazes de criar uma ilusão de realidade.

Dentre o brilhantismo do enredo, cenas sublimes, um emaranhado perfeitamente amarrando suas representações, Amarcord também tem uma das mais belas trilhas sonoras. Ela nos leva a uma atmosfera única e é capaz de nos causar uma sensação de nostalgia perfeitamente ligada ao resto da obra. Então, Fellini, tanto da obra quanto ao vê-la pela primeira vez, Io me ricordo. 
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Lusmário Oliveira é nada demais. Cinéfilo, estuda Psicologia, amante das demais artes.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 06, de 16 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

'Cordas e Acordes': Aécio Ramos faz show no Armazém do Som, no Crato



"Aécio Ramos: músico, compositor, luthier e ator. Esse artista multifacetado, além de outras atividades, possui um projeto com crianças no qual ele desempenha o papel de professor voluntário de música e também se dedica à construção de instrumentos musicais utilizando materiais recicláveis.

No show 'Cordas e acordes', Aécio apresenta suas composições acompanhado de um time de músicos de primeira linha e promete uma noite marcante para o público." (sinopse da divulgação do elenco)

Armazém do Som apresenta:
Aécio Ramos com o show 'Cordas e Acordes'
Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014, 20h
No Teatro do SESC Crato-CE
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3586.9150.

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Arte na Rua

por Hudson Jorge



Juazeiro do Norte, cidade quase grande, com pessoas vivendo vida de cidade grande. É como se fosse uma mini São Paulo do interior Nordestino. E no meio de tanta correria e “vai e vens”, eis que num canto tímido de uma sombra generosa de fim de tarde, um grupo de artistas de rua dá o retoque final a essa obra-prima, feita com a areia que sobrou de uma construção qualquer.

Parada rápida, clique humilde de um celular, cuja câmera tem apenas 2.0 megapixels.

De um lado a alegria eminente por um suposto reconhecimento. Do outro, a certeza que o simples se torna belo e enriquece de admiração um caminho cotidiano.

Poesia é minha paga

por Amador Ribeiro Neto

A década de 90 trouxe uma grande alegria aos leitores brasileiros: a revelação da poesia de Frederico Barbosa. De lá pra cá ele tem se revelado um dos nossos mais expressivos poetas. Livro a livro a excelência de sua obra se comprova. O recente Na lata (Editora Iluminuras, 2013) reúne poemas de livros anteriores, agrupados tematicamente, além de apresentar inéditos. Um livro obrigatório e que tem recebido, por parte do público e da crítica, o merecido reconhecimento.

Coisa rara: um talento ser reconhecido por vias adversas. Ao menos historicamente, quase sempre adversas.

Frederico Barbosa foi contemplado com o Jabuti por duas vezes. Em todo sarau que presenciei em São Paulo e no Rio, seus poemas são lidos com entusiasmo. Os leitores gostam de sua poesia, de fato. Os críticos, não conheço quem o desmereça. Ao contrário: sempre que se  manifestam sobre sua obra é para reconhecer-lhe as qualidades.

Sou um entusiasta da poesia de Frederico Barbosa desde seu livro de estreia, que me chamou a atenção para a singularidade, o vigor e dimensão lírico-social de seus poemas. Desde então aguardo cada obra sua com ganas de um leitor voraz. Voraz e cruel.

Certa vez disse a um amigo, também poeta, que meu senso crítico acirrado, em relação à poesia, não se arrefece nem com eventuais poemas que venham a ser escritos por meus próprios filhos.

Mantenho o que disse.

Sou um chato de galocha quando o assunto é poesia. Um velho chato. Implicante. Ranzinza. Explico: desde criança leio poesia. Na adolescência, e na juventude, escrevi poemas que, décadas mais tarde, lucidamente rasguei um a um. Sorte do leitor. Sorte minha.

Cursei graduações e pós-graduações sempre tendo em mira a poesia. Ou, se preferem, sempre tendo a poesia como grande obsessão. Publiquei meu, até hoje único livro de poesia, aos 50 anos. Faz mais de uma década. Talvez este ano, quem sabe no ano que vem, o segundo livro apareça. Não garanto nada. Estou escrevendo-o desde minha estreia.

Depois de lançado o livro, fui coberto por homenagens e vaias. De antemão eu arriscava quem estaria à esquerda, à direita e ao centro quanto à minha estreia. Enganei-me poucamente. Antevisão? Cartas? Búzios?

Nada disto: a consciência de linguagem sempre norteou meu trabalho. Ela é minha vela. E âncora. Sigo navegando. Ou parado nas águas dos mares. Sempre mergulhado na poesia.

Consciência de linguagem = fazer sabendo que o rigor é a marca d’água: está ali, sensibiliza o leitor, mas esconde “na fábrica o suplício do mestre”.

Leciono Teoria da Poesia há quase meio século. Apenas para alunos de cursos de Letras. Com os senões corriqueiros dos maledicentes e/ou entendidos, o que sei fazer, ou ao menos o que aprendi a fazer, é lidar com poesia. Poesia é meu pão. E meu circo. Poesia é minha paga. E minha praga. A poesia de Frederico Barbosa, e mais meia dúzia de outros poetas contemporâneos, mais meus alunos, me provocam. Me movem. Me deslocam. Me instigam.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Texto publicado pelo jornal Contraponto (PB), Caderno B, p. B-2, dia 21/02/2014.

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Juazeiro: Literatura em Revista apresenta 'Facetas', com Sandra Alvino



"Em um universo multifacetado, nos reconhecemos em variadas faces. A poesia é apenas mais uma das facetas de Sandra Alvino, que também é cordelista, professora, agitadora cultural e dona de uma personalidade marcante. Em Facetas apresenta sua poesia de modo contemporâneo e ousado, através de poesias livres e de Literatura de Cordel." (sinopse da divulgação do evento)

Literatura em Revista apresenta:
Facetas, com Sandra Alvino
Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014, 19h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3512.2855.

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'Trabalhar Cansa', filme de Marco Dutra e Juliana Rojas, no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Trabalhar cansa
Título original: Trabalhar cansa
Direção e roteiro: Marco Dutra e Juliana Rojas
Elenco: Helena Albergaria, Marat Descartes, Naloana Lima, Gilda Nomacce, Marina Flores, Lilian Blanc, Thiago Carreira, Hugo Villavicenzio
Duração: 99 minutos
Ano: 2011
País de origem: Brasil

"A jovem dona-de-casa Helena (Helena Albergaria) resolve realizar um desejo antigo e abrir seu primeiro empreendimento: um mini-mercado. Ela contrata a empregada doméstica Paula (Naloana Lima) para tomar conta das tarefas do lar e de Vanessa (Mariana Flores), sua filha. Quando seu marido Otávio (Marat Descartes) perde o emprego como gerente em uma grande corporação, as relações pessoais e de trabalho entre os três personagens sofrem uma inversão inesperada, ao mesmo tempo em que ocorrências perturbadoras passam a ameaçar os negócios de Helena." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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Igor Di Cavalcanti apresenta o show 'Canção Embalada a Blue' no Cariri



"O cantor e compositor Igor Di Cavalcanti realiza apresentações em Juazeiro do Norte e Brejo Santo, nos dias 26 e 27 de fevereiro, dentro dos programas Música Vocal e Arte Retirante do CCBNB.

Igor Di Cavalcanti tem seu trabalho baseado no blues, influenciado por letras e canções de uma época onde o romantismo era latente. No repertório, canções autorais são apresentadas em meio a alguns covers de músicas que marcaram época, como 'Only You', The Platters e 'I Got a Woman', Ray Charles. O cantor é acompanhado por Tiago Fernandes, bateria, Welder Dias, piano, Roger Cristiano, saxofone e Vito Quintans, baixo."

Release do Artista:

"Igor Di Cavalcanti é natural de Fortaleza (CE) e atualmente reside em Campina Grande (PB). Iniciou seus passos profissionais musicais em Fortaleza. Nos anos de 1999 a 2001 morou em Louisiana - EUA, onde teve contato com a cultura afro-americana.

Igor Di Cavalcanti desenvolve seu trabalho baseado no Blues. O compositor também recebe influência da música britânica, especialmente a da década de 60, sendo seus artistas favoritos: B.B. King, Ray Charles, Nirvana, The Animals e The Beatles.

Em 2012 o artista ganhou o prêmio destaque de música do IV Festival Overdoze, realizado pelo SESC-PB, em Campina Grande. Em 2013, a canção 'Sleeping Beauty' foi premiada no Festival organizado pela Rádio Campina FM, sendo escolhida a campeã pelo júri técnico. Lançará em 2014 seu primeiro EP, intitulado Canção Embalada a Blue."

Release da apresentação:

"No show 'Canção Embalada a Blue', o cantor e compositor Igor Di Cavalcanti apresenta músicas de sua autoria entre releituras de algumas das suas maiores influências. Através de sua obra, o compositor apresenta uma proposta de retorno ao universo romântico vivido na década de 50, quando o Blues aparecia evidente e ganhava força nas rádios americanas.

As composições autorais e inéditas se relacionam de maneira natural com as versões dos clássicos como 'Only You', 'I Got a Woman' e 'Oh Donna'. Ao mesmo tempo em que fazem uso de uma linguagem sonora universal, essas composições se revelam de forma particular, sob um olhar e sentimento nordestino e como expressão única de um autor brasileiro."

Textos fornecidos pela produção do evento.

"Canção Embalada a Blue"
Show com Igor Di Cavalcanti
Apresentações com entrada gratuita:

Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014, 19h30:
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)

Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014, 19h:
No Cine Teatro Professor Júlio Macedo Costa (Brejo Santo-CE).

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Espetáculo 'Avental Todo Sujo de Ovo': encenação em Juazeiro



"Avental todo sujo de ovo trata da relação familiar, com seus sentimentos, limitações e suas (in)verdades. O espetáculo convida os espectadores a visitarem a casa de Alzira e Antero, o casal que há dezenove, junto à comadre Noélia, vive a angustiante espera do filho Moacir. Esse cotidiano só se modificará a partir da inesperada visita de Indienne Du Bois." (sinopse da divulgação do evento)

Espetáculo Avental todo sujo de ovo
Grupo Ninho de Teatro (Crato-CE)
Direção: Jânio Tavares
Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014, 19h
No Teatro Marquise Branca (Juazeiro do Norte-CE)
Classificação etária: 12 anos
Entrada gratuita
+ info.: (88)3512.2855.

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

'Uma Questão de Terra', filme de Manfredo Caldas, no Curta Muito



Curta Muito: parceria do CCBNB Cariri com o SESC Crato 
Exibição do filme Uma questão de terra
Título original: Uma questão de terra
Direção e roteiro: Manfredo Caldas 
Duração: 88 minutos
Ano: 1988
País de origem: Brasil

"A partir do assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves, o filme analisa os vários níveis de violência no campo. Dando voz aos trabalhadores rurais, questiona-se, de maneira contundente, o problema fundiário no país, especificamente no Estado da Paraíba. O documentário culmina com os três dias de votação da reforma agrária na Assembleia Nacional Constituinte de 1988." (sinopse da divulgação do evento)

Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014, às 15h
No Teatro Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE). Entrada gratuita.

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'Elsa & Fred' com Anita e Marcello: um reencontro na Fontana di Trevi



por Cícero Émerson do Nascimento Cardoso

Da primeira vez que assisti ao filme Elsa & Fred - um amor de paixão (2005), de Marcos Carnevale, foi impossível não desejar conhecer também A doce vida (1960), de Fellini.

Um homem solitário, previsível, hipocondríaco, abalado pela morte recente da esposa, e sob “cuidados” de uma filha controladora, muda-se para um prédio em que se torna vizinho de uma mulher: expansiva, imprevisível, mentirosa, caloteira, aventureira e, sobretudo, que sabe viver. Por serem idosos, ambos poderiam se deixar prender pelas rédeas da idade que parecia querer tolhê-los, no entanto Elsa (China Zorrilla) despreza qualquer limitação e alimenta um sonho: viver a cena antológica do filme A doce vida protagonizada por Anita Ekberg e Marcello Mastroiani na “Fontana di Trevi”.

No clássico de Fellini, Anita Ekberg dá vida a Sylvia, uma das três mulheres que povoam a vida do jornalista Marcello Rubini – vivido por Marcello Mastroiani. Sylvia é uma estrela hollywoodiana que ostenta beleza e vivacidade e, numa das cenas mais belas do filme, bem como do cinema universal, Sylvia entra na Fontana di Trevi (que para os italianos é o símbolo da vida e da beleza) e convida Marcello Rubini a acompanhá-la em sua aventura erótica, ao que ele obedece.

E por falar em erotismo, o filme Elsa e Fred, de modo sutil, e não menos singelo, também discorre sobre a externação do erotismo vivido pelas personagens evocas no título. Refiro-me não ao erotismo como este tem sido propagado pelo senso comum, mas pelo erotismo conforme nos apresenta Bataille (1987) que, ao discorrer sobre o assunto, propõe três concepções a esse respeito (erotismo dos corpos, erotismo dos corações e erotismo sagrado) de modo que a concepção que nos possibilita pensar a relação do par romântico do filme Elsa e Fred é o erotismo, sobretudo, dos corações. A esse respeito Bataille (ibidem, p. 15) afirma:

O erotismo dos corpos tem de qualquer maneira algo de pesado, sinistro. Ele guarda a descontinuidade individual, e isto é sempre um pouco no sentido de um egoísmo cínico. O erotismo dos corações é mais livre. Ele se separa, na aparência, da materialidade do erotismo dos corpos, mas dele procede, não passando, com frequência, de um seu aspecto estabilizado pela afeição dos amantes.

Elsa, dada a uma concepção de mundo em que idealizações são possíveis, vivencia finalmente – após envolver Fred em suas fantasias – seu grande sonho. A cena da Fontana di Trevi, em Elsa e Fred, é recriada de modo lírico e erótico – um “erotismo dos corações”, ressalto. Some-se à cena o fato de que Fred (Manuel Alexandre) resolveu realizar o sonho de sua amada porque ela (embora ela escondesse) poderia morrer em breve em decorrência de sérios problemas de saúde.

Em A doce vida Sylvia é delicada, cativante, jovial e entrega-se ao amor com devoção: deleitar os prazeres da vida era sua prerrogativa existencial. Elsa, por sua vez, identifica-se profundamente com a personagem – embora não seja tão idealizada assim – e deseja tornar-se Sylvia, mesmo que por alguns segundos. 

A relação entre as obras em destaque parece centrar-se no fato de que há uma bem-sucedida releitura de uma cena específica. Porém, sobretudo se considerarmos os temas abordados em ambas as obras, perceberemos inúmeros elementos que poderiam ampliar nossa percepção a este respeito.

Elsa e Sylvia buscam veementemente o prazer e ambas lidam com homens cuja vida, em vários aspectos, denota uma propensão à decadência: Marcello é um escritor frustrado que realiza pequenas reportagens e que assume, por vezes, papel passivo ante as mulheres com as quais viveu casos amorosos e que demonstra certa insegurança diante dos conflitos que o cercam; Fred, por sua vez, é um aposentado hipocondríaco que passou a vida cumprindo regras no trabalho e sendo fiel à vida conjugal e, diante da impulsividade de Elsa, termina por se deixar guiar pelas ideias da pretendente que lhe pareciam absurdas.

A doce vida é um filme amargo, de personagens perdidas em desilusões, angústias e que vivem lacunas relacionais em decorrência, por vezes, da falha de comunicação. Em Elsa e Fred é possível perceber uma atmosfera que também se configura como angustiante, no entanto a impulsividade da personagem feminina evocada no título, sua força e propensão à vida ultrapassa essa aparente angústia e todas as personagens terminam por se deixar envolver, direta ou indiretamente, pelas tentativas de “solução” que Elsa – embusteira e nada ortodoxa – propõe.

Muitos outros elementos poderiam ser apontados nesta perspectiva de ver as obras em destaque pelo viés da comparação. Vale ressaltar que elas discorrem sobre a vida que, para o ser humano, precisa sempre ser dotada de algum sentido: na obra de Fellini encontramos as tensões de uma Roma moderna, mas decadente e, consequentemente, marcada pelos desencontros e pela insubmissa marca da morte; na obra de Carnevale a morte existe, até exageradamente, mas esta não parece, em suma, representar um impedimento para que a vida seja possível de ser deleitada no sentido mais profundo do termo, como nos propõe o trecho da letra da música tema do filme:

Hoy puede ser un gran día

Hoy puede ser un gran día
Imposible de recuperar,
Um ejemplar único,
No lo dejes escapar.

Que todo cuanto te rodea
Lo han puesto para ti.
No lo mires desde la ventana
Y siéntate al festín.

Pelea por lo que quieres
Y no desesperes
Si algo no anda bien.
Hoy puede ser un gran día
Y mañana también.

(Joan Manuel Serrat)


Referência bibliográfica:
BATAILLE, George. O erotismo. Trad. Antônio Carlos Viana. Porto Alegre: L&PM, 1987. 
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Cícero Émerson do Nascimento Cardoso: Professor de Língua Portuguesa da Rede Pública de Ensino do Estado do Ceará; graduado em Letras pela Universidade Regional do Cariri; especialista em Língua Portuguesa, Literaturas Brasileira e Africanas de Língua Portuguesa; membro do Núcleo de Pesquisa em Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Regional do Cariri – NETLLI. Autor do livro de contos Breve estudo sobre corações endurecidos (2011) e dos folhetos A Beata Luzia vai à guerra e A artesã do chapéu (ou pequena biografia de Maria Raquel). Teve poema selecionado para o evento literário realizado pelo CCBNB “Abril para Leitura” em 2012 e 2013, e desenvolve trabalhos acadêmicos vinculados à Literatura, Filosofia e Educação.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 06, de 16 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

'Trilogia Samurai Parte 3: Duelo na Ilha Ganryujima' em exibição no Cinemarana



Cinemarana do SESC Crato (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Trilogia Samurai (Parte 3): Duelo na Ilha Ganryujima
Título original: Miyamoto Musashi kanketsuhen: kettô Ganryûjima
Direção: Hiroshi Inagaki
Roteiro: Hideji Hôjô, Eiji Yoshikawa, Hiroshi Inagaki, Tokuhei Wakao
Duração: 105 minutos
Ano: 1956
País de origem: Japão

"Musashi aceita travar um duelo final com o seu maior rival, Sasaki Kojiro. No ano em que se prepara para o maior duelo de sua vida, decide viver como camponês. Nesse período, seu amor continua a ser disputado por Otsu e Akemi." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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'Magnólia', filme de Paul Thomas Anderson, de 1999



Grifo nosso # 74

Magnólia (Magnolia, Paul Thomas Anderson, 1999)

"'Ao longo de nossas vidas, devemos tentar fazer o bem'. Ao contar uma história dispersa sobre família — as traições, segredos, mágoas e decepções nela contidas —, o roteirista e diretor Paul Thomas Anderson avança e recua em sua trama entre um marqueteiro televisivo misógino e vulgar (Tom Cruise); uma criança-prodígio solitária (Jeremy Blackman); um misantropo idoso e moribundo (Jason Robards) e sua mulher-troféu (Julianne Moore); uma jovem bêbada viciada em drogas (Melora Walters); um apresentador popular de um programa de televisão à beira da morte (Philip Baker Hall); e um policial fracassado com um enorme coração (John C. Reilly). As diversas ligações entre essas pessoas, as coincidências e reviravoltas do destino que os unem são a força motriz deste filme com estrutura de épico.

Repleto de referências e alusões bíblicas, Magnólia não tem pudor de abordar temas e questões importantes — o significado da vida, a natureza do mal, os termos das ligações humanas. O que faz com que este filme incrivelmente ambicioso funcione tão bem é a capacidade de Anderson de retratar esses temas mantendo-se atento aos menores detalhes das vidas interiores dos seus magoados personagens. Sapos caem misteriosamente do céu no meio de uma tempestade, um carro se choca de frente contra uma loja enquanto o sucesso pop 'Dreams' toca no rádio e pessoas variadas perdem o controle. O tempo todo Anderson mantém uma empatia inabalável com seus arruinados personagens, humanizando os vilões e ficando nitidamente ao lado dos vitimizados e incompreendidos. Magnólia fervilha de raiva e dor, avançando a duras penas em direção à esperança — algo como uma redenção — o tempo todo."
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Estados Unidos (Ghoulard, New Line) 188 minutos. Cor; idioma: inglês; direção: Paul Thomas Anderson; produção: Paul Thomas Anderson, Joanne Sellar; roteiro: Paul Thomas Anderson; fotografia: Robert Elswit; música: Jon Brion; elenco: John C. Reilly, Tom Cruise, Julianne Moore, Philip Baker Hall, Jeremy Blackman, Philip Seymour Hoffman, William H. Macy, Melora Walters, Jason Robards, Melinda Dillon, Michael Bowen, Ricky Jay, Felicity Huffman, April Grace, Pat Healy; Indicação ao Oscar: Paul Thomas Anderson (roteiro), Tom Cruise (ator coadjuvante), Aimee Mann (canção); Festival de Berlim: Paul Thomas Anderson (Urso de Ouro), (júri dos leitores do Berliner Morgenpost).
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Ernest Hardy, no livro 1001 filmes para ver antes de morrer (Editora Sextante, 2008).

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Imagens da exposição 'As Veias do Salgadinho', do artista Travassos



Na última Romaria de Nossa Senhora das Candeias (final de janeiro e início de fevereiro de 2014), esteve aberta no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, a Exposição "As Veias do Salgadinho: Beata Maria de Araújo e a Guerra de 1914".

Com 33 peças em argila do artesão Travassos, a exposição conta um pouco da história do Padre Cícero, da Beata Maria de Araújo e da revolução armada de 1914 (também conhecida como Guerra de 14 ou Sedição de Juazeiro), que naturalmente se confundem com a história da formação do município de Juazeiro.

Confira o trabalho de Travassos na página do Blog oberro.net no Facebook:
CLICANDO AQUI.

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Clube do Leitor de fevereiro destaca o livro 'Canções para Abraxas'



"No livro Canções para Abraxas, da autora Maria Aparecida de Oliveira, encontramos no segundo capítulo, intitulado 'Canção de Daniel Ângelus', um eu-poético que é um herói problemático: conceito da sociologia do romance, que designa o herói que não se adapta ao seu mundo e dele foge, neste caso, pela loucura ou pelo suicídio." (sinopse da divulgação do evento)

Clube do Leitor do CCBNB Cariri
A força das fraquezas: loucura e suicídio em Daniel Ângelus
Facilitadora: Siddha Abraxas
Produção/mediação: Ravena Monte
Coordenadora Bibliotecária: Maria Isabel Leal
Sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014, 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-cE)
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3512.2855.

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Fellini, o mito



por Francieudes Filho

«Acho que me tornei Fellini aos 22 anos; antes não era nada, apenas um longo período de incubação» disse, certa vez, o diretor, um dos mais importantes da história do cinema mundial. Influência para diretores como Stanley Kubrick, Martin Scorsese e David Lynch; Federico Fellini criou um mundo de fantasia bem peculiar. Sua infância, na Itália dominada por Mussolini e o Papa Pio XII, as mulheres que fizeram parte de sua vida e os sonhos que começou a registrar a partir da década de 60 inspiraram a maioria de seus filmes, em especial os realizados a partir de (1963).

No inicio da carreira, seus filmes seguiam as propostas da escola neorrealista. Ao contrário do cinema de ficção convencional, buscou caracterizar a realidade social, religiosa, política e econômica da época, aproximando o filme de um documentário. Em Os Boas-Vidas (1953), um de seus primeiros trabalhos, é nítido, também, o caráter autobiográfico – embora o diretor já tenha afirmado, em várias oportunidades, ter inventado quase tudo. Em uma pequena cidade no litoral da Itália no pós-guerra, um grupo de amigos de classe média leva uma vida de festas e bebedeiras, sem profissão e tampouco projetos para o futuro. Moraldo, um dos protagonistas, abandona a terra natal para tentar a sorte na cidade grande, deixando para trás o tédio e a futilidade. Por se recusar a continuar vivendo no vazio é o personagem em conflito do filme, e aquele que, com seu julgamento introspectivo e inicialmente bajulador sobre os amigos, e depois cada vez mais crítico, conduz o enredo do filme. Trata-se de uma sátira, em que o diretor faz um estudo do próprio meio social em que viveu. A arte imita a vida. Fellini deixou a terra natal, Rimini, pequena cidade litorânea da Itália, para tentar a sorte em Roma.

A Doce Vida (1960) é uma obra-prima. Um significativo relato cinematográfico da Itália do pós-guerra. A decadência é o tema central. O jornalista Rubini – Marcello Mastroianni – cobre notícias da alta sociedade romana, do leviano ao falso, tudo o que vende vira notícia. À medida que o humilde jornalista mergulha em um mundo de exuberância e prazeres efêmeros, povoado de personagens exóticos e mulheres deslumbrantes, seu sonho de se tornar um escritor sério vai ficando cada vez mais distante. E, ao contrário do que o título sugere, o filme caminha para um final amargo. O diretor retrata o tempo da velocidade e da vaidade exagerada, influências norte-americanas a sociedade italiana da época. A falta de comunicação da sociedade é evidente, e a burguesia, desprovida de sentido, é ironizada. O filme também eternizou o termo «paparazzi», um jornalista que perseguia e fotografava celebridades de nome Paparazzo, interpretado por Walter Santesso.

Com (1963), Fellini rompe definitivamente com o neorrealismo e cristaliza um estilo próprio. Trata-se de outro filme autobiográfico. O diretor conta a história de Guido, um cineasta em crise, com necessidade de se expressar. Tudo o que queria era fazer um filme honesto, sem meias verdades. Um filme em que pudesse fazer as pazes com um passado atormentado pelas lembranças da infância e sua relação com as mulheres. É atormentado por um produtor que quer lhe arrancar um filme qualquer para recuperar o investimento e um crítico que o humilha. Confuso e constantemente revisitando os erros do passado, passa a questionar os seus «demônios», que conversam com o cineasta e respondem seus questionamentos. O diretor, então, supera o passado e reconcilia-se consigo, assumindo não ter nada a dizer, não ter mensagem alguma para transmitir. O conflito com a religião católica também é um ponto central da obra.

A ideia para o filme surgiu da própria crise criativa do diretor. Fellini era conhecido por não trabalhar com roteiros acabados. Dizia que transformar em palavras ideias que deveriam ser transportadas diretamente da sua imaginação poderia corromper o filme. Durante a pré-produção do filme, havia esquecido completamente sobre o que seria o trabalho. E pretendia abandonar o projeto. Mas, durante a festa de aniversário de um operador de câmera da Cinecittà (estúdio de cinema italiano, localizado na periferia de Roma), ele teve uma ideia, o filme contaria a historia de um diretor de cinema que iria dirigir um filme, mas esqueceu-se do que se tratava. Espelhar a realidade do seu criador era novidade no cinema, algo que desconcertou a todos e fez do filme um marco do cinema do século XX.

Em filmes como Julieta dos Espíritos (1965) e Satyricon (1969), o diretor constrói a narrativa apoiado em símbolos psicanalíticos, sob forte influência do trabalho do psiquiatra suíço Carl Jung. Em Julieta dos Espíritos, Fellini analisa um temperamento feminino em um momento de crise afetiva. Uma mulher, Julieta, na faixa dos quarenta anos leva uma vida tipicamente burguesa e cercada de luxos. Um dia Julieta passa a desconfiar que seu marido tem um relacionamento extraconjugal. A investigação acerca da veracidade ou não desse caso leva Julieta a enfrentar seus demônios. Sua infância, seus traumas e sua sexualidade reprimida vêm à tona. Julieta precisa se libertar de seus medos e afirmar-se como mulher. No decorrer da jornada, depara-se com personagens bizarros, como um médium que lhe faz previsões e os detetives particulares, responsáveis pela investigação do caso amoroso do marido.

No filme Satyricon, que tem um aspecto fragmentado, Fellini demonstra a decadência romana da época de Nero. A cor é violentamente emocional, o vermelho exagerado dos afrescos e o azul intenso do céu e do mar são perturbadores. A paisagem seca das rochas dá um clima de aflição enquanto a névoa e o vento dão um caráter de suspense.

Ginger e Fred (1986), um de seus últimos trabalhos, é uma sátira à televisão e uma homenagem aos musicais. Conta a história do reencontro, para uma exibição na televisão, de dois bailarinos veteranos, Pippo Botticella (Marcello Mastroianni) e Amelia Bonetti (Giulietta Masina), que na juventude imitavam Ginger Rogers e Fred Astaire, dois ícones dos musicais de Hollywood. Há trinta anos sem se verem, o reencontro mexe com ambos. O cansaço e a idade fazem da aparente singela tarefa, uma missão árdua, e por vezes ingrata. Artistas oriundos do teatro, afeitos a improvisação e atuação sincera, não estão acostumados com a velocidade da televisão, seus corte e edições, que acabam por descaracterizar sua arte. E os bastidores de um estúdio de tevê se apresentam como um verdadeiro circo de horrores de absurdos inquietantes. Com o desenrolar dos acontecimentos, os protagonistas passam a se perguntar por que se meteram naquela enrascada. Fellini apresenta a televisão como uma maquina sensacionalista que vende absurdos, algo sem sentido, com propagandas grotescas e exageradas, resultado de um capitalismo massacrante que escraviza o espectador em uma sociedade de consumo desenfreado.

Fellini dizia que fazer cinema era pura diversão, que era um brinquedo, um passatempo, e que nunca quis demonstrar nada ou deixar mensagem alguma. A verdade é que o mito criou um cinema totalmente autoral com um conjunto de obras-primas provocantes. A fantasia e não apenas na realidade, presente em suas obras, rompe com as formas tradicionais de se produzir cinema. Assistir a seus filmes é uma viagem narrativa única, uma experiência de reflexão séria, mas também de muita sensibilidade. 
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Francieudes Filho é estudante de Teatro na Universidade Regional do Cariri (URCA).

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 06, de 16 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

'Magnólia', filme de Paul Thomas Anderson, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Magnólia
Título original: Magnolia
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Jason Robards, Julianne Moore, Tom Cruise, William H. Macy, John C. Reilly, Philip Seymour Hoffman, Alfred Molina, Philip Baker Hall, Melora Walters, Michael Bowen
Duração: 188 minutos
Ano: 1999
País de origem: Estados Unidos

"Várias histórias se cruzam num filme repleto de grandes atuações, fortes emoções e cenas surpreendentes. Com Philip Seymour Hoffman." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 22 de fevereiro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.
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Para ler um pouco mais sobre o filme Magnólia, clique aqui!

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

'Música ao Pôr do Sol' com programação especial no Crato: Chuva de Frevo



Música ao Pôr do Sol apresenta:
Chuva de Frevo, com João do Crato, Cleivan, Boris, Nivando e Paulo   

Programação:
17h: Bloco de frevo 'Empurra o Burro' (concentração na Pracinha do Jambo)
17h30: Cortejo do Bloco de Rua
17h45: Frevança com João do Crato na Pracinha do Cruzeiro

Sábado, 22 de fevereiro de 2014, no Crato-CE
Realização e outras informações: SESC Crato - (88) 3586.9163.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Final de semana com Expoanime Cariri Fest 2014, em Juazeiro



"Nos dias 22 e 23 de Fevereiro acontecerá a Expoanime Cariri Fest 2014, que acontece há 6 anos. Realizado pelo Grupo Akatsuki, em Parceria com SESC Juazeiro, trata-se de um evento multitemático voltado à cultura pop.

O evento conta com diversas atividades, como Salas de Games, Salas de Infomártica, apresentações com Grupos de Dança, Campeonatos de Games, shows com Bandas Locais e o Tradicional Concurso de Cosplay.

O evento reúne cerca de 12 mil pessoas, que vêm de diversas cidades do Cariri e de outros estados. A entrada custa 2kg de arroz + R$2,00."
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Expoanime Cariri Fest 2014
Dias 22 e 23 de fevereiro de 2014
No SESC Juazeiro do Norte-CE
Entrada: 2kg de arroz + R$2,00
Mais informações:
Email: banda_akatsuki_juazeiro@hotmail.com
Telefone: (88) 8825-2097 / 9258-7586 / 9653-9994.

Programação:
Sábado, 22 de fevereiro:
Exibição, Arena Power Games, Camp. LOL, Oficinas, Guerra de Cotonetes, Gladiador, Sala de Informática, Exposição, Conc. K-pop, Conc. Karaokê, Show (AR51), Stands

Domingo, 23 de fevereiro:
Exibição, Arena Power Games, Camp. LOL, Guerra de Cotonetes, Oficinas, Gladiador, Sala de Informática, Arena K-Pop, Stands, Show (Trieto e Holy Wood), Concurso de Cosplay.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Espetáculo 'Império das Luzes' com encenações em Juazeiro



"Inspirado no universo onírico presente particularmente em obras do pintor surrealista René Magritte, o espetáculo investiga as relações entre corpo e imagem, propondo um olhar inquieto sobre o amor, o feminino, o sensual, a simbologia, e metaforicamente dialogando com a própria criação artística." (sinopse da divulgação do evento)

Espetáculo Império das Luzes
Grupo Aprendizes em Troca (Fortaleza-CE)
Elenco: Elane Fonseca, Nataly Rocha e Thiago Braga
Classificação etária: 18 anos
Dias 20 (quinta), 21 (sexta) e 22 (sábado) de fevereiro de 2014, 19h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita
+ info.: (88)3512.2855.

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'Durval Discos', filme de Anna Muylaert, em exibição no Cine Arte Leão



Cine Arte Leão (em parceria com o SESC Juazeiro)
Exibição de Durval Discos
Título original: Durval Discos
Direção e roteiro: Anna Muylaert
Elenco: Ary França, Etty Fraser, Marisa Orth, Letícia Sabatella, Rita Lee, Isabela Guasco, André Abujamra, Theo Werneck, Regina Remencius, Marcelo Mansfield
Duração: 96 minutos
Ano: 2002
País de origem: Brasil

"Durval (Ary França) e sua mãe Carmita (Etty Fraser) vivem há muitos anos na mesma casa onde funciona a loja Durval Discos, que já foi muito conhecida no passado, mas hoje vive uma fase de decadência devido à decisão de Durval em não vender CDs e se manter fiel aos discos de vinil. Para ajudar sua mãe no trabalho de casa Durval decide contratar uma empregada." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014, às 14h
Na Faculdade Leão Sampaio, Campus Saúde (Juazeiro do Norte-CE)
Aberto ao público.

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Em Juazeiro: exposição 'Diário dos Mundos', de Wescley Braga



Exposição Diário dos Mundos, de Wescley Braga
Curadoria de Roberto Galvão
Abertura: quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014, 19h
Período da exposição: de 19 de fevereiro a 31 de março de 2014
De terça-feira a sábado, das 13h às 21h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3512.2855.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

'Elvis & Madona', filme de Marcelo Laffitte, no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo
Exibição do filme Elvis & Madona
Título original: Elvis & Madona
Direção e roteiro: Marcelo Laffitte
Elenco: Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sérgio Bezerra, Maitê Proença, Buza Ferraz, José Wilker, Romeu Evaristo, Duse Nacarati, Catarina Abdala
Duração: 105 minutos
Ano: 2010
País de origem: Brasil

"Ambientada em Copacabana, Rio de Janeiro, a trama traz Elvis, ou melhor, Elvira (Simone Spoladore), uma fotógrafa que começa a trabalhar como entregadora de pizza para juntar dinheiro. Um dia ela conhece Madona (Igor Cotrim), uma travesti que sonha em fazer um grande show do estilo Teatro de Revista. Elas se apaixonam e uma série de questões (algumas engraçadas, outras não) surgem para serem resolvidas." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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sábado, 15 de fevereiro de 2014

'Terra Estrangeira' e 'Central do Brasil': estranhamentos



por Débora Costa

Os dois filmes que vão ser tratados nessa coluna trazem como mote o “estranhamento”, são eles: Terra Estrangeira e Central Brasil. Os dois road movies são dirigidos por Walter Salles, sendo o primeiro com a co-direção de Daniela Thomas. Ambos trazem uma complexa protagonista feminina, com a atuação de Fernanda Torres (Alex) em um filme e, no outro, Fernanda Montenegro (Dora).

Em 1996, Terra Estrangeira trouxe Alex, uma personagem que foi para o exterior com o namorado em busca de um futuro melhor. Outra personagem que acaba cruzando seu caminho é o Paco, que sai do país por causa da morte de sua mãe e de seus sonhos, em busca de uma esperança para sua vida. Indo de encontro ao desconhecido, as personagens se deparam consigo mesmas, seja na relação com o país estrangeiro, seja com as outras pessoas.

Dois anos depois, veio o filme Central do Brasil, com esse mesmo clima de fuga, no qual Dora sai do Rio de Janeiro para o interior do Brasil, num trajeto inverso da busca de uma vida melhor feita por tantos brasileiros, acompanhada de Josué, um garoto que busca encontrar um elo com um pai que nunca conheceu. Dora resolve ajudar o garoto a encontrar sua identidade, e nesse processo ela também acaba se resgatando, assim como as personagens de Terra Estrangeira.

Nos longas, várias situações são compartilhadas: sentir-se deslocado; tentar sobreviver; esperança de mudanças; choque de valores; apego ao passado; nacionalismo. As personagens passam por situações emocionantes em que seu interior é colocado em cheque em momentos tensos de conflitos externos.

Em contextos e com personagens diferentes, os filmes fazem quem os assiste se questionar sobre a visão de fora de onde se está e do interior de si mesmo, demonstrando que o desconhecido pode estar dentro de cada um de nós. Uma possível conclusão: podemos nos reconhecer nesse contato com o estrangeiro, com o que nos é estranho, com o Outro. 
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Débora Costa: uma feminista que cursa Direito, participa do P@je e que gosta que só de filmes.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

'Trilogia Samurai (parte 2): Morte no Templo Ichijoji', no Cinemarana



Cinemarana do SESC Crato (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Trilogia Samurai (Parte 2): Morte no Templo Ichijoji
Título original: Zoku Miyamoto Musashi: Ichijôji no kettô
Direção: Hiroshi Inagaki
Roteiro: Hideji Hôjô, Eiji Yoshikawa, Hiroshi Inagaki, Tokuhei Wakao
Duração: 104 minutos
Ano: 1955
País de origem: Japão

"Após anos em busca do aprimoramento espiritual, seguindo os princípios do Bushido ('o caminho do guerreiro'), Musashi retorna a Kyoto para desafiar o líder da melhor escola de espadachins da região. E tem seu amor disputado pela leal Otsu e pela traiçoeira Akemi." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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Lançamento da nova edição de 'Milagre em Joaseiro', livro de Ralph Della Cava



Livro Milagre em Joaseiro, de Ralph Della Cava
Lançamento de nova edição (Companhia das Letras)
Segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
No SESC Juazeiro do Norte-CE

Programação:
18h: Concerto musical: Afonso Gadelha e Daniel Sobreira
19h: Abertura: Geová Sobreira
19h10: "Della Cava e a Nova História de Juazeiro", com o Prof. Renato Casimiro
19h20: Pronunciamento do prof. Dr. Ralph Della Cava e sessão de autógrafos.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

'Cupido é Moleque Teimoso', filme de Leo McCarey, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Cupido é Moleque Teimoso
Título original: The Awful Truth
Direção: Leo McCarey
Roteiro: Viña Delmar
Elenco: Irene Dunne, Cary Grant, Ralph Bellamy, Cecil Cunningham, Mary Forbes, Alex D'Arcy, Molly Lamont
Duração: 91 minutos
Ano: 1937
País de origem: Estados Unidos

"Durante o divórcio, homem e mulher resolvem arranjar todo e qualquer pretexto para fazerem ciúmes um para o outro. Clássico com o ator Cary Grant." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 15 de fevereiro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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Em Crato: Cores Vetores - exposição de Vitor Batista



A mostra reúne 10 obras inéditas do artista plástico, arquiteto e cartunista Vitor Batista, natural de Barbalha, Ceará.

Nesta nova fase de sua produção o artista representa de forma abstrata visões surrealistas de estados da alma humana através da relação entre formas e cores revelando um constante movimento, e explora a relação existente entre a dimensão digital e analógica expondo as semelhanças e diferenças em seu fazer artístico, ao mesmo tempo ancestral e contemporâneo.

A exposição será realizada na galeria do Boteco Casarão na cidade do Crato entre os dias 13 e 23 de fevereiro e estará gratuitamente disponível para visitação do público.

Casarão Boteco apresenta:
Cores Vetores: uma expo de Vitor Batista
Abertura: quinta-feira, dia 13 de fevereiro, às 19h
Galeria do Boteco Casarão - Crato
Entrada gratuita.

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Lendo 'A Hora da Estrela'



[Explosão] Porque para ela escrever sobre A Hora da Estrela
era um estardalhaço de Felicidade.
PS: Para ler ouvindo «Danúbio Azul».


por Alana Morais

A Hora da Estrela, publicado no ano de 1977, é o último romance da obra da escritora Clarice Lispector lançado em vida. A narrativa da história se dá pela presença do personagem/narrador Rodrigo S. M. que, de forma desapiedada, nos conta a saga de Macabéa. Maca o quê? Béa. Assim se chama a datilógrafa, virgem, que gosta de coca-cola.

Atônita, mais paralisada do que quando assisti ao filme contando com as inúmeras vezes que o  revi, percebo que mais difícil do que escrever sobre o que não gostamos é escrever sobre o que amamos. Como toda paixão, o quente dela embaça meus olhos e mente, e as palavras me fogem por ora. Sou tão fascinada e apaixonada pela personagem Macabéa, da Clarice e da Suzana Amaral, que é preciso sair de mim para que possa tecer algumas considerações.

Maca (é assim que me refiro por achar afetuoso) é raquítica, opaca, feia, pobre e cheira mal. É «como cabelo na sopa, não dá vontade de comer». Órfã de pai e mãe, foi criada por uma tia. Após o falecimento da sua única parente, vai para São Paulo, onde consegue um trabalho como datilógrafa e passa a dividir um quarto de pensão com mais três moças. Nas horas de desocupação costuma ouvir a Rádio Relógio Federal, que ela tanto gosta de ouvir os pingos dos minutos tic-tac-tic-tac, indica as horas, como também passa conhecimentos. E é através desses saberes que ela usa de pretexto para dialogar com os demais personagens. Em um dos seus passeios, conhece Olímpio (José Dumont), que se torna seu namorado; Glória (Tamara Taxman), sua colega de trabalho, que depois de ficar com a consciência pesada por roubar o namorado de Macabéa, empresta dinheiro para que a amiga possa ir a uma cartomante (Fernanda Montenegro),  que diz ver nas cartas a chegada de sua felicidade, a sua hora de ser estrela.

O filme não tem a pretensão de ser uma adaptação fidedigna do livro, contudo, Suzana Amaral transfere para as telas o que considero ser o espírito da obra Clariciana, remeto-me à obra literária, pois confesso não conseguir distanciar-me da mesma, devido à relação de amor que tenho com a obra da escritora Clarice Lispector. 

Sobre a poética da diretora, o cenário escolhido para a trama é a cidade de São Paulo, diferente do livro que se passa na cidade do Rio de Janeiro. O personagem/narrador Rodrigo S. M. desaparece dando a Maca voz e elementos próprios  para contar sua história. No entanto, a perversidade está presente nas duas obras. Azulado, escuro, com cores frias e com forte presença de espelhos e da cor vermelha em momentos pontuais do filme.

A datilógrafa que dança em frente ao espelho ao som da valsa «Danúbio Azul» é vivida pela atriz Marcela Cartaxo. Antes dela, nunca consegui dar um rosto para Macabéa. Ela pra mim era mesmo assim: imagem borrada, como nas sequências de espelhos em que aparecem no filme e sua imagem então se mostra desfocada. As cores primárias que mais parecem irmãs trigêmeas por representarem a personagem principal tão lindamente estão presentes com grande significação e beleza. Clarice dizia que ela era amarela, por possuir uma fisionomia inexpressiva, o vermelho é aposta principal de Suzana Amaral para tirar, ou melhor, encontrar, ou ainda assim criar um momento de feminilidade, momentos que se dão quando a personagem demonstra uma pequena vaidade ao usar batom e esmalte de cor vermelha escarlate, ou quando segurando uma papoula vermelha, enfim, encontra o seu amor. Já o azul, friamente calculado nos dias opacos, toma o lugar do cinza e vira azul celeste.

O filme rendeu a Suzana Amaral diversos prêmios. A atriz Marcela Cartaxo recebeu o devido reconhecimento, que por sua magnífica atuação foi a primeira atriz brasileira a ganhar o Urso de Prata no Festival de Berlim. A obra cinematográfica, sem dúvida, merece ser apreciada.  E você, caro leitor, se o texto não ficou do seu agrado, «o senhor me desculpa!». Mas que o «Danúbio Azul» é lindo, é!
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Alana Morais: atriz, produtora cultural e assistente social (atua na área de habitação de interesse social). Integra o grupo de pesquisa GEMI (Gênero e Mídia). Como atriz além do teatro participou de dois vídeos-poemas: “Foradesordem” (2011) e “Busca Alguma” (2013), e desde então passou a ter como hobby fazer vídeo-poema (registrado apenas para arquivo pessoal).

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

'Cinema, Aspirinas e Urubus', filme de Marcelo Gomes, no Cine Arte Leão



Cine Arte Leão (em parceria com o SESC Juazeiro)
Exibição de Cinema, Aspirinas e Urubus
Título original: Cinema, Aspirinas e Urubus
Direção: Marcelo Gomes
Roteiro: Karim Aïnouz, Paulo Caldas, Marcelo Gomes
Elenco: João Miguel, Peter Ketnath, Hermila Guedes, Oswaldo Mil, Irandhir Santos, Fabiana Pirro, Verônica Cavalcanti, Daniela Câmera, Paula Francinete
Duração: 99 minutos
Ano: 2005
País de origem: Brasil

"Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann, alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho, um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio 'milagroso' para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014, às 14h
Na Faculdade Leão Sampaio, Campus Saúde (Juazeiro do Norte-CE)
Aberto ao público.

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Encenação do espetáculo 'Pássaro de Voo Curto' em Juazeiro



"Num cotidiano de muitas dificuldades, um casal de vida simples da zona rural projeta seus sonhos e aspirações na vida do filho caçula, cultivando, a cada dia, a esperança de felicidade e realização de antigos sonhos que parecem ter ficado para trás. 'Passarinho de gaiola voa curto, mas não morre não', esta é uma das máximas que pode definir o conteúdo metafórico de Pássaro de Voo Curto, que compara o homem à condição dos pássaros que nascem para liberdade, no entanto, são aprisionados pelas condições impostas pelo próprio homem." (sinopse da divulgação do evento)

Espetáculo Pássaro de Voo Curto
Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Direção: Mauro César
Atuação: Joaquina Carlos e Flávio Rocha
Classificação: livre
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014, 19h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

'Árido Movie', filme de Lírio Ferreira, em exibição no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Árido Movie
Título original: Árido Movie
Direção: Lírio Ferreira
Roteiro: Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Sérgio Oliveira, Eduardo Nunes
Elenco: Guilherme Weber, Giulia Gam, Gustavo Falcão, Selton Mello, Mariana Lima, José Dumont, Suyane Moreira, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Matheus Nachtergaele, Maria de Jesus Bacarelli, Renata Sorrah, José Celso Martinez Corrêa
Duração: 115 minutos
Ano: 2005
País de origem: Brasil

"Jonas (Guilherme Weber) é o repórter do tempo de uma grande rede de TV, que mora em São Paulo mas está rumo à sua cidade natal, localizada no interior do Nordeste. O motivo é a morte de seu pai (Paulo César Pereio), com quem teve pouquíssimo contato e que foi assassinado inesperadamente. Jonas enfrenta problemas para chegar à cidade, até que recebe carona de Soledad (Giulia Gam), uma videomaker que está fazendo um documentário sobre a água no sertão. Ao chegar ele encontra uma parte da família a qual não conhecia até então, que lhe cobra que se vingue da morte do pai. " (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tata Amaral



por Ravena Monte

Um cineasta que se doa ao filme é comumente fácil de encontrar, mas de forma simples e visceral, poucos o fazem, e citando um destes, temos o exemplo de Tata Amaral. Paulista da gema, essa cineasta brasileira vai além do que se mostra para uma câmera. Ela vê o distante, ela olha para o que não é visto/mostrado diariamente, pelas grandes ou pequenas imprensas. Tata Amaral mostra a sociedade periférica tal qual o é, sem exageros ou estereótipos, transpassa o imaginário e mostra a realidade nua e crua, numa dosagem segura, firme, certeira!

Autodidata, ela afirma «aprender, não para repetir, mas para ir além», e por isso vai continuar fazendo cinema até o fim de sua vida. Determinação e boa pontaria são de suas características principais presentes em seus filmes. E falando neles, embora uma grande parte de sua produção seja de curtas-metragens, percebe-se o sangue dado nos longas-metragens. Elementos rotineiros (vistos por outra perspectiva) causam e arrancam do espectador variadas sensações corporais, de calafrios a suores e tremedeiras em cenas limpas, sem cortes ou com cortes secos. Em seus filmes o espectador acompanha os fatos em tempo real.

O cinema de Tata Amaral procura ver o lado mais fraco da corda, de forma positiva. A sociedade excluída dentro da sociedade excluída. Ela cria laços com o popular, com o povo classe média baixa, sem marginalizá-los de modo preconceituoso como é tão comum em outras cinematografias.

Assistir Tata Amaral é ter estômago e bom gosto para saber lidar com a realidade tão claramente e inteligentemente exposta nos seus fotogramas. Ela reúne verdade e reflexão, estejam em nove ou noventa minutos de intensas cenas, intensas emoções e intenso pensar. Trazer à tona a realidade da sociedade, do nosso povo, de nossas religiões, isso ela tira de letra.
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Ravena Monte é formada em Letras, poeta, produtora cultural e mais um monte de coisa.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

'Trilogia Samurai (Parte 1) - Samurai: O Guerreiro Dominante', no Cinemarana



Cinemarana do SESC Crato (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Trilogia Samurai (Parte 1) - Samurai: O Guerreiro Dominante
Título original: Miyamoto Musashi
Direção: Hiroshi Inagaki
Roteiro: Hideji Hôjô, Hiroshi Inagaki, Tokuhei Wakao, Eiji Yoshikawa
Elenco: Toshirô Mifune, Rentaro Mikuni, Kuroemon Onoe, Kaoru Yachigusa, Mariko Okada
Duração: 93 minutos
Ano: 1954
Países de origem: Japão

"Interior do Japão, século XVII. Durante a guerra civil que toma o país, o jovem Miyamoto sonha com a glória militar, mas acaba se tornando um fugitivo. Sua vida muda quando é salvo por um monge, que lhe ensinará o caminho da espada para se tornar um samurai." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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A genial loucura de Rimbaud



por Amador Ribeiro Neto

Arthur Rimbaud (1854-1891) é um dos mais expressivos nomes da modernidade poética. Ao lado de Mallarmé, Baudelaire e Verlaine configura o quarteto revolucionário da nova era. Era da máquina. Da cidade. Da linguagem: "Belle Époque".

Morreu jovem: tinha 37 anos. E escreveu pouco. Poeta da contenção, do silêncio, dos mistérios e do escândalo (escândalo enquanto sinônimo de novidade literária), toda a sua produção envolve apenas 4 anos de atividade. Dos 16 aos 19 anos do poeta. Garoto prodígio.

Garoto enigma. Depois destes 4 anos, nada além e esparsas cartas e muitas viagens.

Por que exilar-se da poesia, da linguagem que ele soube tão bem fazer avançar com raro senso criador? Foi ele quem deu cores às vogais, lembram-se? Por que este pesado silêncio dos 20 aos 37 anos? Por que as incessantes viagens deste nômade que correu Europa, África, Ásia e foi dado várias vezes por morto quando ainda vivia e procurado por amigos e parentes quando já morto?

Quem é este "meteoro incandescido pela própria presença", segundo Mallarmé? Quem é este "místico em estado selvagem", nas palavras de Paul Claudel?

É a tais questões que Alain Borer busca respostas em Rimbaud na Abissínia, tradução de Antonio Carlos Viana. Um livro arrebatador. Como leitura de férias e feriados. Na rede ou na cadeira de balanço. Como leitura de gabinete sob a concentração rigorosa da disciplina intelectual. Em ambas as situações o livro sai-se muito bem. De fato, um livro sem fronteiras escrito por um cineasta que trama a palavra visualmente. Numa dança-moenda de ideias e imagens. Luz, câmera, ação, papel, palavra. Palavras.

Um livro bem cuidado. Das esclarecedoras notas de rodapé às imprescindíveis referências bibliográficas ao fim do volume – muitas delas discutindo autores citados –, à sensata divisão do texto em 13 capítulos rápidos e incisivos. Isso, sem esquecer as epígrafes: Mallarmé, Laforge, Lautréamont, Apollinaire, Nerval, Artaud, Hölderlin, Heráclito, Bob Dylan.

Só o estudo da relação das epígrafes com os respectivos capítulos constitui um outro estudo dentro do estudo mais abrangente: um livro dentro do livro. Velho prazer pra iniciados. Sedução certeira para todos.

Alain Borer é especialista em Rimbaud sobre quem filmou Le Voleur de Feu. Rimbaud na Abissínia é um relato da viagem do autor à Etiópia, passando por outros lugares onde o poeta viveu. Aliás, dizer "relato de viagem" é circunscrever o livro dentro dos constrangedores limites já codificados que a expressão encerra e que não se adequa em nada ao texto de Borer. O que o autor faz é, de fato, ler a "vidaobra" de Rimbaud trilhando seus caminhos geográficos e literários. Alais Borer se mistura aos habitantes locais, recompõe a história "esquecida" e leva consigo uma mala com a obra de Rimbaud mais alguns estudos publicados sobre o poeta.

A viagem começa quando se chega, diz o autor nas páginas inicias. E o leitor, ao fim do livro, não vai perder a chance de responder ao trocadilho: o livro começa quando termina. Ou recomeça. É a sedução do prazer de saber.

Como um "expert" em montagem cinematográfica, Borer atua sobre o texto retalhando-o num contínuo processo não linear que instiga a atenção do leitor pelo quê se diz e pelo modo como se diz. Prova evidente de que "Rimbaud não transcende apenas a poesia, ele deflagra o desejo de escrever".

Rimbaud na Abissínia é leitura obrigatória para os amantes da vida e da arte. Um livro sério e leve, rigoroso e agradável. Um livro em que Rimbaud aparece como foi: genial, irascível, louco, homossexual, comerciante, aventureiro. Acima de tudo: poeta e homem.

Mais de um livro? Bobagem. Agora é empreender nova viagem livro/noite adentro ao som de Cazuza: "Você nunca varou a Duvivier às cinco(...), nem [viu] Rimbaud pelas tantas, negociando escravas brancas". É isso aí. 
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

'Edifício Master', filme de Eduardo Coutinho, em exibição no Curta Muito



Curta Muito: parceria do CCBNB Cariri com o SESC Crato
Homenagem a Eduardo Coutinho
Exibição de Edifício Master
Título original: Edifício Master
Direção e roteiro: Eduardo Coutinho
Elenco: moradores do Edifício Master
Duração: 110 minutos
Ano: 2002
País de origem: Brasil

"Nunca se tratando de um filme sobre A classe média, Edifício Master, ao expandir o olhar de Coutinho para além dos clichês dos marginalizados, reintroduz seu cinema em sua energia mais marcante: a criação de um ritual de efemeridades discursivas, fragmentos vivos de humanidades em ebulição. A aproximação das humanidades através da diferença, o diálogo imagético com aqueles corredores de inúmeras portas que insinuam a multiplicação infinita de discursos." (sinopse da divulgação do evento)

Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, às 15h
No Teatro Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE). Entrada gratuita.

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Dira: talentosa musa do cinema nacional



por Márcio W. T. Silvestre

Em cada mulher brilha uma estrela. Essa estrela, especificamente, destacou-se no céu paraense com seu talento, criatividade, ousadia e sensibilidade artística. Dira Paes, de batismo Ecleidira Maria Fonseca Paes, tornou-se uma estrela do cinema brasileiro, reconhecida internacionalmente.

Dira nasceu em Abaetetuba, Pará, em 30 de junho de 1969. Desde a infância sonhava em trabalhar com arte dramática, mas tinha pouco recurso para conseguir se formar nessa área, sua vida começou a mudar quando fez seu primeiro trabalho artístico. Diferente da maioria dos artistas nacionais, Dira não iniciou sua carreira no teatro ou na televisão, seu primeiro trabalho foi no cinema em 1985 na megaprodução norte-americana The Emerald Forest (Floresta das esmeraldas) do diretor John Boorman. Dira tinha apenas 15 anos nessa produção, passou em primeiro lugar em todas as fases: beleza, biotipo específico, teste de gravação, texto e atuação improvisada. Assim ela acabou desbancando mais de 500 candidatas e, consequentemente, dando início a uma carreira promissora.

Dira Paes é uma mulher intensa, de personalidade forte, sempre teve uma sensibilidade artística aguçada. O desejo de seus pais, no entanto, era que ela cursasse engenharia em Belém do Pará, mas após seu primeiro trabalho no cinema (The Esmerald Forest) e do seu segundo filme, Ele, o boto (direção de Walter Lima Jr.) Dira se viu totalmente envolvida e apaixonada pelo universo artístico. E assim, em 1987, na busca da realização dos seus sonhos, foi morar na cidade de Rio de Janeiro, onde pôde investir na sua carreira e formou-se em Filosofia e Artes Cênicas pela Uni-Rio, áreas que a ajudaram a entender a psicologia humana e, deste modo, melhor compor seus personagens.

Ainda nos anos 80, Dira fez mais dois trabalhos para o cinema internacional: Au Bout du Rouleau (1988), do diretor francês Gilles Béhart, e Land (1988), de David Wheatley, pela BBC de Londres e filmado em Rondônia. A partir daí sua carreira decolou, agora, no cinema nacional. Sempre trabalhando com grandes personagens, Dira recebeu muitas premiações em produções como Corisco e Dadá (1996, Rosemberg Cariry) interpretando Dadá, uma mulher guerreira e companheira do cangaceiro Corisco. Ela tinha sexto sentido e uma trajetória incrível: Dadá carregava em si o registro importante da história do cangaço brasileiro. Por esse personagem Dira Paes ganhou o prêmio de Melhor Atriz nos festivais de cinema de Brasília, Cuiabá, e Florianópolis.

Ganhou ainda a importante premiação de Melhor Atriz em festivais de cinema pelos filmes O casamento de Louise (de Betse de Paula) e Amarelo Manga (do cineasta pernambucano Claudio Assis). O casamento de Louise foi a primeira comédia que Dira fez para o cinema. Neste filme ela interpretou a personagem Luzia, aclamada pela crítica e pelo público, personagem cômica que transmitia brasilidade e alegria sem cair no caricato. Já Amarelo Manga foi um marco na carreira da atriz: no filme ela deu vida à religiosa Kika, que passa por uma grande transformação após ter sido traída pelo marido.

Apaixonada pela sétima arte, Dira Paes é também idealizadora, cofundadora  e diretora executiva do Festival de Belém de Cinema Brasileiro. Segundo ela, sentia uma carência de produção e circulação de filmes da região Norte. Esse festival está na quinta edição em 2013.
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Márcio W. T. Silvestre é ator/professor de teatro. Trabalha com artes cênicas desde 2004, tem registro no sindicato dos artistas e técnicos em espetáculos de diversão (SATED-CE) e leciona teatro em escolas desde 2009. Atualmente graduando em jornalismo pela UFCA.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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