segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Encenação do espetáculo 'Pássaro de Voo Curto' em Juazeiro



"Num cotidiano de muitas dificuldades, um casal de vida simples da zona rural projeta seus sonhos e aspirações na vida do filho caçula, cultivando, a cada dia, a esperança de felicidade e realização de antigos sonhos que parecem ter ficado para trás. 'Passarinho de gaiola voa curto, mas não morre não', esta é uma das máximas que pode definir o conteúdo metafórico de Pássaro de Voo Curto, que compara o homem à condição dos pássaros que nascem para liberdade, no entanto, são aprisionados pelas condições impostas pelo próprio homem." (sinopse da divulgação do evento)

Espetáculo Pássaro de Voo Curto
Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Direção: Mauro César
Atuação: Joaquina Carlos e Flávio Rocha
Classificação: livre
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014, 19h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

'Árido Movie', filme de Lírio Ferreira, em exibição no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Árido Movie
Título original: Árido Movie
Direção: Lírio Ferreira
Roteiro: Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Sérgio Oliveira, Eduardo Nunes
Elenco: Guilherme Weber, Giulia Gam, Gustavo Falcão, Selton Mello, Mariana Lima, José Dumont, Suyane Moreira, Luiz Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Matheus Nachtergaele, Maria de Jesus Bacarelli, Renata Sorrah, José Celso Martinez Corrêa
Duração: 115 minutos
Ano: 2005
País de origem: Brasil

"Jonas (Guilherme Weber) é o repórter do tempo de uma grande rede de TV, que mora em São Paulo mas está rumo à sua cidade natal, localizada no interior do Nordeste. O motivo é a morte de seu pai (Paulo César Pereio), com quem teve pouquíssimo contato e que foi assassinado inesperadamente. Jonas enfrenta problemas para chegar à cidade, até que recebe carona de Soledad (Giulia Gam), uma videomaker que está fazendo um documentário sobre a água no sertão. Ao chegar ele encontra uma parte da família a qual não conhecia até então, que lhe cobra que se vingue da morte do pai. " (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tata Amaral



por Ravena Monte

Um cineasta que se doa ao filme é comumente fácil de encontrar, mas de forma simples e visceral, poucos o fazem, e citando um destes, temos o exemplo de Tata Amaral. Paulista da gema, essa cineasta brasileira vai além do que se mostra para uma câmera. Ela vê o distante, ela olha para o que não é visto/mostrado diariamente, pelas grandes ou pequenas imprensas. Tata Amaral mostra a sociedade periférica tal qual o é, sem exageros ou estereótipos, transpassa o imaginário e mostra a realidade nua e crua, numa dosagem segura, firme, certeira!

Autodidata, ela afirma «aprender, não para repetir, mas para ir além», e por isso vai continuar fazendo cinema até o fim de sua vida. Determinação e boa pontaria são de suas características principais presentes em seus filmes. E falando neles, embora uma grande parte de sua produção seja de curtas-metragens, percebe-se o sangue dado nos longas-metragens. Elementos rotineiros (vistos por outra perspectiva) causam e arrancam do espectador variadas sensações corporais, de calafrios a suores e tremedeiras em cenas limpas, sem cortes ou com cortes secos. Em seus filmes o espectador acompanha os fatos em tempo real.

O cinema de Tata Amaral procura ver o lado mais fraco da corda, de forma positiva. A sociedade excluída dentro da sociedade excluída. Ela cria laços com o popular, com o povo classe média baixa, sem marginalizá-los de modo preconceituoso como é tão comum em outras cinematografias.

Assistir Tata Amaral é ter estômago e bom gosto para saber lidar com a realidade tão claramente e inteligentemente exposta nos seus fotogramas. Ela reúne verdade e reflexão, estejam em nove ou noventa minutos de intensas cenas, intensas emoções e intenso pensar. Trazer à tona a realidade da sociedade, do nosso povo, de nossas religiões, isso ela tira de letra.
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Ravena Monte é formada em Letras, poeta, produtora cultural e mais um monte de coisa.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

'Trilogia Samurai (Parte 1) - Samurai: O Guerreiro Dominante', no Cinemarana



Cinemarana do SESC Crato (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Trilogia Samurai (Parte 1) - Samurai: O Guerreiro Dominante
Título original: Miyamoto Musashi
Direção: Hiroshi Inagaki
Roteiro: Hideji Hôjô, Hiroshi Inagaki, Tokuhei Wakao, Eiji Yoshikawa
Elenco: Toshirô Mifune, Rentaro Mikuni, Kuroemon Onoe, Kaoru Yachigusa, Mariko Okada
Duração: 93 minutos
Ano: 1954
Países de origem: Japão

"Interior do Japão, século XVII. Durante a guerra civil que toma o país, o jovem Miyamoto sonha com a glória militar, mas acaba se tornando um fugitivo. Sua vida muda quando é salvo por um monge, que lhe ensinará o caminho da espada para se tornar um samurai." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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A genial loucura de Rimbaud



por Amador Ribeiro Neto

Arthur Rimbaud (1854-1891) é um dos mais expressivos nomes da modernidade poética. Ao lado de Mallarmé, Baudelaire e Verlaine configura o quarteto revolucionário da nova era. Era da máquina. Da cidade. Da linguagem: "Belle Époque".

Morreu jovem: tinha 37 anos. E escreveu pouco. Poeta da contenção, do silêncio, dos mistérios e do escândalo (escândalo enquanto sinônimo de novidade literária), toda a sua produção envolve apenas 4 anos de atividade. Dos 16 aos 19 anos do poeta. Garoto prodígio.

Garoto enigma. Depois destes 4 anos, nada além e esparsas cartas e muitas viagens.

Por que exilar-se da poesia, da linguagem que ele soube tão bem fazer avançar com raro senso criador? Foi ele quem deu cores às vogais, lembram-se? Por que este pesado silêncio dos 20 aos 37 anos? Por que as incessantes viagens deste nômade que correu Europa, África, Ásia e foi dado várias vezes por morto quando ainda vivia e procurado por amigos e parentes quando já morto?

Quem é este "meteoro incandescido pela própria presença", segundo Mallarmé? Quem é este "místico em estado selvagem", nas palavras de Paul Claudel?

É a tais questões que Alain Borer busca respostas em Rimbaud na Abissínia, tradução de Antonio Carlos Viana. Um livro arrebatador. Como leitura de férias e feriados. Na rede ou na cadeira de balanço. Como leitura de gabinete sob a concentração rigorosa da disciplina intelectual. Em ambas as situações o livro sai-se muito bem. De fato, um livro sem fronteiras escrito por um cineasta que trama a palavra visualmente. Numa dança-moenda de ideias e imagens. Luz, câmera, ação, papel, palavra. Palavras.

Um livro bem cuidado. Das esclarecedoras notas de rodapé às imprescindíveis referências bibliográficas ao fim do volume – muitas delas discutindo autores citados –, à sensata divisão do texto em 13 capítulos rápidos e incisivos. Isso, sem esquecer as epígrafes: Mallarmé, Laforge, Lautréamont, Apollinaire, Nerval, Artaud, Hölderlin, Heráclito, Bob Dylan.

Só o estudo da relação das epígrafes com os respectivos capítulos constitui um outro estudo dentro do estudo mais abrangente: um livro dentro do livro. Velho prazer pra iniciados. Sedução certeira para todos.

Alain Borer é especialista em Rimbaud sobre quem filmou Le Voleur de Feu. Rimbaud na Abissínia é um relato da viagem do autor à Etiópia, passando por outros lugares onde o poeta viveu. Aliás, dizer "relato de viagem" é circunscrever o livro dentro dos constrangedores limites já codificados que a expressão encerra e que não se adequa em nada ao texto de Borer. O que o autor faz é, de fato, ler a "vidaobra" de Rimbaud trilhando seus caminhos geográficos e literários. Alais Borer se mistura aos habitantes locais, recompõe a história "esquecida" e leva consigo uma mala com a obra de Rimbaud mais alguns estudos publicados sobre o poeta.

A viagem começa quando se chega, diz o autor nas páginas inicias. E o leitor, ao fim do livro, não vai perder a chance de responder ao trocadilho: o livro começa quando termina. Ou recomeça. É a sedução do prazer de saber.

Como um "expert" em montagem cinematográfica, Borer atua sobre o texto retalhando-o num contínuo processo não linear que instiga a atenção do leitor pelo quê se diz e pelo modo como se diz. Prova evidente de que "Rimbaud não transcende apenas a poesia, ele deflagra o desejo de escrever".

Rimbaud na Abissínia é leitura obrigatória para os amantes da vida e da arte. Um livro sério e leve, rigoroso e agradável. Um livro em que Rimbaud aparece como foi: genial, irascível, louco, homossexual, comerciante, aventureiro. Acima de tudo: poeta e homem.

Mais de um livro? Bobagem. Agora é empreender nova viagem livro/noite adentro ao som de Cazuza: "Você nunca varou a Duvivier às cinco(...), nem [viu] Rimbaud pelas tantas, negociando escravas brancas". É isso aí. 
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

'Edifício Master', filme de Eduardo Coutinho, em exibição no Curta Muito



Curta Muito: parceria do CCBNB Cariri com o SESC Crato
Homenagem a Eduardo Coutinho
Exibição de Edifício Master
Título original: Edifício Master
Direção e roteiro: Eduardo Coutinho
Elenco: moradores do Edifício Master
Duração: 110 minutos
Ano: 2002
País de origem: Brasil

"Nunca se tratando de um filme sobre A classe média, Edifício Master, ao expandir o olhar de Coutinho para além dos clichês dos marginalizados, reintroduz seu cinema em sua energia mais marcante: a criação de um ritual de efemeridades discursivas, fragmentos vivos de humanidades em ebulição. A aproximação das humanidades através da diferença, o diálogo imagético com aqueles corredores de inúmeras portas que insinuam a multiplicação infinita de discursos." (sinopse da divulgação do evento)

Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014, às 15h
No Teatro Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE). Entrada gratuita.

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Dira: talentosa musa do cinema nacional



por Márcio W. T. Silvestre

Em cada mulher brilha uma estrela. Essa estrela, especificamente, destacou-se no céu paraense com seu talento, criatividade, ousadia e sensibilidade artística. Dira Paes, de batismo Ecleidira Maria Fonseca Paes, tornou-se uma estrela do cinema brasileiro, reconhecida internacionalmente.

Dira nasceu em Abaetetuba, Pará, em 30 de junho de 1969. Desde a infância sonhava em trabalhar com arte dramática, mas tinha pouco recurso para conseguir se formar nessa área, sua vida começou a mudar quando fez seu primeiro trabalho artístico. Diferente da maioria dos artistas nacionais, Dira não iniciou sua carreira no teatro ou na televisão, seu primeiro trabalho foi no cinema em 1985 na megaprodução norte-americana The Emerald Forest (Floresta das esmeraldas) do diretor John Boorman. Dira tinha apenas 15 anos nessa produção, passou em primeiro lugar em todas as fases: beleza, biotipo específico, teste de gravação, texto e atuação improvisada. Assim ela acabou desbancando mais de 500 candidatas e, consequentemente, dando início a uma carreira promissora.

Dira Paes é uma mulher intensa, de personalidade forte, sempre teve uma sensibilidade artística aguçada. O desejo de seus pais, no entanto, era que ela cursasse engenharia em Belém do Pará, mas após seu primeiro trabalho no cinema (The Esmerald Forest) e do seu segundo filme, Ele, o boto (direção de Walter Lima Jr.) Dira se viu totalmente envolvida e apaixonada pelo universo artístico. E assim, em 1987, na busca da realização dos seus sonhos, foi morar na cidade de Rio de Janeiro, onde pôde investir na sua carreira e formou-se em Filosofia e Artes Cênicas pela Uni-Rio, áreas que a ajudaram a entender a psicologia humana e, deste modo, melhor compor seus personagens.

Ainda nos anos 80, Dira fez mais dois trabalhos para o cinema internacional: Au Bout du Rouleau (1988), do diretor francês Gilles Béhart, e Land (1988), de David Wheatley, pela BBC de Londres e filmado em Rondônia. A partir daí sua carreira decolou, agora, no cinema nacional. Sempre trabalhando com grandes personagens, Dira recebeu muitas premiações em produções como Corisco e Dadá (1996, Rosemberg Cariry) interpretando Dadá, uma mulher guerreira e companheira do cangaceiro Corisco. Ela tinha sexto sentido e uma trajetória incrível: Dadá carregava em si o registro importante da história do cangaço brasileiro. Por esse personagem Dira Paes ganhou o prêmio de Melhor Atriz nos festivais de cinema de Brasília, Cuiabá, e Florianópolis.

Ganhou ainda a importante premiação de Melhor Atriz em festivais de cinema pelos filmes O casamento de Louise (de Betse de Paula) e Amarelo Manga (do cineasta pernambucano Claudio Assis). O casamento de Louise foi a primeira comédia que Dira fez para o cinema. Neste filme ela interpretou a personagem Luzia, aclamada pela crítica e pelo público, personagem cômica que transmitia brasilidade e alegria sem cair no caricato. Já Amarelo Manga foi um marco na carreira da atriz: no filme ela deu vida à religiosa Kika, que passa por uma grande transformação após ter sido traída pelo marido.

Apaixonada pela sétima arte, Dira Paes é também idealizadora, cofundadora  e diretora executiva do Festival de Belém de Cinema Brasileiro. Segundo ela, sentia uma carência de produção e circulação de filmes da região Norte. Esse festival está na quinta edição em 2013.
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Márcio W. T. Silvestre é ator/professor de teatro. Trabalha com artes cênicas desde 2004, tem registro no sindicato dos artistas e técnicos em espetáculos de diversão (SATED-CE) e leciona teatro em escolas desde 2009. Atualmente graduando em jornalismo pela UFCA.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 05, de 09 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

'Conduzindo Miss Daisy', filme de Bruce Beresford, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Conduzindo Miss Daisy
Título original: Driving Miss Daisy
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Alfred Uhry
Elenco: Morgan Freeman, Jessica Tandy, Dan Aykroyd, Patti LuPone, Esther Rolle
Duração: 99 minutos
Ano: 1989
País de origem: Estados Unidos

"Nos anos 50, Miss Daisy (Jessica Tandy), uma senhora judia viúva, já não consegue dirigir, mas se recusa a admitir o fato. Por isso, quando seu filho lhe contrata um motorista, Hoke (Morgan Freeman), ela resiste em aceitar os serviços do novo empregado. Um filme emocionante sobre conviver com as diferenças." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 08 de fevereiro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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O nobre Ribamar



Do papel # 26

Hoje compartilhamos um texto de Cecilia Sobreira sobre o Príncipe Ribamar, publicado na Revista Geral (número 16, de abril de 2013). Para ampliar a página da revista, clique na imagem abaixo.
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O nobre Ribamar
por Cecília Sobreira

Era uma vez, no árido sertão nordestino, um homem que virou príncipe. Seu nome era Joaquim Gomes Menezes, nascido e criado em Juazeiro do Norte, excelente carpinteiro e uma pessoa de bom coração. Certo dia, veio ao seu encontro, uma jovem mulher, muito bem vestida, dizendo-se princesa. No meio de sua conversa, proposta de casamento e um mundo de nobreza.

Daquele dia em diante, Joaquim ele deixou de ser. Aos poucos abandonou sua profissão e tudo o mais que o ligava ao mundo dos plebeus. Encomendou novas e galantes vestimentas, ganhou identidade real e, por anos, alimentou a ideia de ser um príncipe: Príncipe Ribamar da Beira Fresca. Assim ele circulava pela cidade, imponente, sempre com uma maleta à mão.

A princesa nunca mais voltou, mas vez por outra, chegavam às mãos do príncipe, cartas escritas por uma certa Princesa Gioconda, do reino da Eslóvia.

Uma dessas cartas dizia que estava sendo enviada pela corte real grande quantia em dinheiro para ser entregue ao Príncipe Ribamar, o que causou considerável transtorno entre o príncipe e o gerente do banco local.

Apesar de muitos duvidarem de sua nobreza, Príncipe Ribamar era  querido pelas pessoas da cidade, sendo figura constante nos palanques em dias de festa. Seus planos e projetos eram dos mais grandiosos e criativos, como desviar o curso do rio que passava pela cidade de Barbalha, para que este fizesse parte do município de Juazeiro do Norte. Também fez a planta de um prédio que deveria ser construído no subterrâneo da serra do Horto, para que não fosse alagado quando o Rio Jordão (na realidade Rio Salgadinho) desencantasse.

Príncipe Ribamar morreu sem conseguir construir as fábricas (de fazer fumaça ou desentortar banana) ou criar a cavalaria marítima que planejava. Também nunca soube que a Princesa Gioconda não passava de uma brincadeira ocorrida no carnaval, assim como a identidade real da mesma, ou a autoria das tão famosas cartas. Mas, como todo príncipe que se preze, sua morte foi notícia de jornal e hoje existe uma rua com seu nome. Provavelmente nunca mais ouviremos falar de um príncipe juazeirense com sangue azul real lavável.
Cecilia Sobreira 
(Revista Geral, abril de 2013)
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Confira outras postagens no blog sobre o Príncipe Ribamar:
- Príncipe Ribamar, o sonhador de Juazeiro
- Dois sonetos em homenagem ao Príncipe Ribamar
- Foto rara do Príncipe Ribamar


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Musicaririlidade: shows de Érico Auto em Juazeiro e Nova Olinda



"Neste show, o pianista barbalhense Érico Auto busca homenagear a musicalidade caririense através de um passeio cultural que engloba diversos estilos musicais, como samba, baião, frevo e jazz. 'Musicaririlidade' é um pequeno reconhecimento ao trabalho da música feita no Cariri, a qual vêm influencia musicalmente vários admiradores e executores da boa música instrumental." (sinopse da divulgação do evento)

Show Musicaririlidade, com Érico Auto
Entrada gratuita

Quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014, 19h30:
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)

Quinta-feira, 06 de fevereiro de 2014, 19h30:
Na Fundação Casa Grande (Nova Olinda-CE).

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Imagens da Procissão de Nossa Senhora das Candeias de 2014, em Juazeiro



A Procissão das Candeias (ou Procissão das Velas) é uma tradição da cultura e religiosidade popular de Juazeiro do Norte-CE. A procissão marca o encerramento e auge da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, que acontece sempre na última semana de janeiro e início de fevereiro.

Os romeiros do Padre Cícero e moradores de Juazeiro seguem em procissão nas ruas da cidade, na noite do dia 02 de fevereiro. Segurando velas ou candeeiros, os fiéis proporcionam um tradicional espetáculo de luz e demonstração de fé popular.

Confira imagens da Missa e Procissão de Nossa Senhora das Candeias em 2014. Para ver as fotos, clique aqui e acesse o álbum do Blog oberro.net no Facebook.
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Confira outras postagens sobre romarias em Juazeiro do Norte:
- "Os romeiros de Padre Cícero" (Sem Fronteiras da Band; direção: Eduardo Coutinho)
- A crença popular nordestina (no Globo Repórter, em 1997)
- 122 anos de romarias em Juazeiro do Norte (em 2011)

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Eduardo Coutinho. Morre um mestre...



por Ythallo Rodrigues

Acordei hoje logo cedo — coisa rara, tendo em vista que aprecio as madrugadas. Uma sensação estranha e uma vontade de entrar nos sites de notícias e redes sociais, e não mais encontrar as notícias lidas ontem à noite, aquele desejo de tudo não passar de um longevo pesadelo. Que nada! Tudo continua na mesma, todas as marcas estão lá.

Primeiro o susto, depois a indignação pela tragédia, e progressivamente aquele sentimento de estar inconformado pela perda de um grande cineasta, e mais do que isso, a perda de um grande homem e artista. Restou-me pensar reticente e cabisbaixo: “não veremos a próxima obra-prima do Coutinho”.

Pois é, isto posto, para falar de Eduardo Coutinho, tragicamente morto — provavelmente pelo próprio filho em seu apartamento, neste último domingo, dia 02 de fevereiro de 2014.

Mas como um admirador da obra desse grande artista, não me cabe ficar pensando, nesse pequeno texto, quais os motivos e descrições de tamanha tragédia. O que me passa pela cabeça (além da tristeza) é, ainda mais, poder propagar com todas as forças a grandeza desta obra. Um artista que povoará as influências de muitas gerações de cineastas com seu humanismo e generosidade.

Filmografia de Eduardo Coutinho:

1966: O pacto (episódio do longa “ABC do amor”)
1968: O homem que comprou o mundo
1970: Faustão
1976: O pistoleiro de Serra Talhada (média-metragem)
1976: Seis dias em Ouricuri (média-metragem)
1978: Teodorico, o imperador do sertão (média-metragem)
1979: Exu, uma tragédia sangrenta (curta-metragem)
1980: Portinari, o menino de Brodósqui (média-metragem)
1984: Cabra marcado para morrer
1987: Santa Marta - duas semanas no morro (média-metragem)
1989: Volta Redonda, o memorial da greve (média-metragem)
1989: O jogo da dívida (média-metragem)
1991: O fio da memória
1992: A lei e a vida (média-metragem)
1993: Boca de lixo (média-metragem)
1994: Os romeiros de Padre Cícero (média-metragem)
1995: Seis histórias
1996: Mulheres no front
1999: Santo forte
2000: Babilônia 2000
2000: Porrada
2002: Edifício Master
2004: Peões
2005: O fim e o princípio
2007: Jogo de cena
2009: Moscou
2010: Um dia na vida
2011: As canções

Abaixo colocamos os links de cinco dos seus filmes online:

Teodorico, o imperador do sertão, de 1978
 

Cabra marcado para morrer, de 1984

Santo forte, de 1999


Edifício Master, de 2002


Moscou, de 2009

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Ythallo Rodrigues é poeta e cineasta. Integrante das equipes da Filmes de Alvenaria e do blog O Berro.
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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Encenações do espetáculo 'Ausência' em Juazeiro do Norte



"Nova York, 4 de abril de 2036 - a cidade de Nova York vive um dos maiores caos da história da Terra. A população está praticamente impedida de sair às ruas e, se isso acontecer por alguma necessidade extrema, é obrigada a utilizar máscaras de oxigênio. Neste dia, 4 de abril de 2036, o personagem vestido com sua máscara abre sua janela e observa. Algo de estranho e inusitado ocorre. O Céu não é mais o mesmo: uma estranha luz vinda do sol desenha a caótica e absurda cidade. Sem que ninguém fosse informado, este talvez seja o último dia desta era. Os ratos estão invadidos as ruas e os prédios. A energia elétrica está sendo racionada; mas a maior dificuldade é a falta de água. A escassez, ou mesmo a falta total, levam a população à loucura. O contato deste homem com o mundo exterior se torna impossível. Sozinho e prisioneiro no alto de sua torre, acaba por criar seu próprio mundo imaginário. Ele faz nascer nesse território um universo surrealista e absurdo. Sua única companhia é um peixe vermelho, por quem desenvolveu um singular amor. E esse grande amor tem apenas um pouco de água em seu aquário, o necessário para sobreviver e poder nadar por algum tempo. Ausência é um conto gestual que nos revela uma grande poesia sobre a solidão."

Espetáculo Ausência
Da Cia. dos à Deux
Com Luis Melo
Concepção, dramaturgia e direção: Artur Ribeiro e André Curti
Terça, dia 04, e quarta, dia 05 de fevereiro de 2014, 20h
No Teatro SESC Patativa do Assaré
SESC Juazeiro do Norte-CE
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia).

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'8½', de Federico Fellini, e 'A Noite Americana', de François Truffaut



por Luís André Bezerra

Como o cinema pode explicar o próprio cinema? Como os diretores podem produzir uma obra de ficção que, no seu enredo, comente o cinema ou indique alguma crítica cinematográfica? Obviamente que para tais questões não há respostas prontas, assim como não há uma fórmula para tal tipo de produção cinematográfica — se é que existe fórmula para algum tipo de produção respeitável.

Por ora nos interessa comentar dois filmes emblemáticos quando o assunto é metalinguagem. De maneira rápida e rasteira: a metalinguagem pode ser definida como a produção de texto de determinada linguagem que aborda, comenta, critica ou questiona essa própria linguagem — texto aqui sendo citado como qualquer tipo de mensagem portadora de sentido. Assim sendo, o metacinema é quando um filme trata da arte de fazer cinema, fala de um filme dentro do filme, e assim por diante.

Em 1963 (há exatos 50 anos, portanto), o diretor italiano Federico Fellini lançava 8½, filme considerado como a tomada de uma nova direção na sua carreira. O enredo narra a crise criativa de Guido (Marcello Mastroianni), um cineasta desesperançoso que tentar encarar a vontade (ou necessidade?) de criar uma nova obra cinematográfica, mas que esbarra no vazio da sua própria existência. A falta de «sentido de direção» da vida de Guido acaba por anular sua criatividade artística (e vice-versa), desordenando não apenas os preparativos para a filmagem que estaria prestes a acontecer, mas mostrando serem igualmente caóticas as imbricações entre a vida do diretor (personagem) e seu filme e, consequentemente, a forma com que tudo isso é retratado em 8½.

Os traumas de infância (com a repressora educação religiosa), a conturbada relação com as mulheres e o adiamento para assumir responsabilidades da vida adulta, estão imbricadas no pensamento e nas relações construídas por Guido. Em paralelo, pessoas que o cercam falam sobre política, religião, literatura, os caminhos e descaminhos da arte, enquanto o produtor tenta ser um braço pragmático do diretor para poder finalmente realizar as filmagens, etc. Tudo entrecortado por flashbacks, imagens oníricas e surreais, transformando o filme que vemos — o de Fellini, já que o filme de Guido é uma mera tentativa que esbarra num vazio criativo — numa grande proliferação de signos, ao estilo do neobarroco (na concepção teórica de Severo Sarduy).

Dez anos mais tarde, em 1973, foi a vez de François Truffaut homenagear o (fazer) cinema, com A noite americana (La nuit américaine). Mas ao contrário do filme de Fellini, que propunha uma visão mais «profunda» (conceitualmente) da concepção artística e da criação cinematográfica, Truffaut abordou o momento da filmagem em si, mostrando detalhes de como se faz um filme, desvendando certos artifícios utilizados no set para que o cinema construa e passe a sua «verdade» (através de «mentiras»). Um desses efeitos inclusive dá nome ao filme: «noite americana» (ou day for night, em língua inglesa) é o filtro utilizado na câmera que faz com que uma cena rodada de dia pareça noturna.

O «filme dentro do filme» (de enredo trivial, chamado A chegada de Pamela, que tem o próprio Truffaut no papel do diretor extremamente dedicado ao trabalho) é apenas um pretexto para homenagear «o cinema e suas mentiras». Essa arte é mostrada como «superior à vida», pela sua capacidade de resolver problemas que se mostram bem mais complicados (ou até mesmo incontornáveis) na vida real: um filme encontra uma solução para simular outra pessoa com a utilização de dublês; troca um «gato desobediente» por outro que ajude na captação de certa imagem; pode ser filmado sem a estagiária que estava na equipe apenas por ser namorada de um dos atores e que resolvera fugir com um amante; pode inclusive mudar a cena do assassinato de um personagem interpretado por um ator que morre no período das filmagens. Já a vida (real) muitas vezes não permite tais «trapaças», com os atores e demais integrantes da produção vivendo diversos conflitos nas relações interpessoais nos bastidores.

Assim, A noite americana acaba por celebrar esses encontros e desencontros entre a vida e o cinema, reconhecendo que homens e mulheres não podem ser mágicos, mas que o cinema pode (ou pelo menos tenta ser). No enredo de 8½, a vida — criativa, que gera o cinema — em um momento de crise não aponta soluções para os conflitos (reais ou cinematográficos), como seria possível com trucagens no set de filmagem. Mas os dois filmes encerram «abrindo uma clareira» (em plano geral) para a paisagem com arte, dança, música e (obviamente!) cinema. O cinema que abre passagem para a vida (e vice-versa). É como o grito que ecoa de uma canção que diz: «the show must go on!». 
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Luís André Bezerra é doutor em Letras pela UFPB e integrante da equipe do blog O Berro.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 04, de 02 de outubro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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Encenação da peça 'Escolha de Palhaços'



"A peça mostra as brincaderias e diversões de alguns aprendizes de palhaços no dia em que o professor não apareceu. Eles então tomam conta da sala e das matérias, fantasiando e brincando com tudo aquilo que está lá." (sinopse da divulgação do evento)

Espetáculo Escolha de Palhaços
Cia. Argumento (Fortaleza-CE)
Roteiro e direção: Graco Alves
Comédia. Livre.
Dias 01, 15 e 22 (sábados) de fevereiro de 2014, 15h
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3512.2855.

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