sábado, 21 de março de 2015

'Depois da Chuva', filme de Takashi Koizumi, em exibição no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Depois da Chuva
Ficha técnica:
Título original: Ame Agaru
Direção: Takashi Koizumi
Roteiro: Shugoro Yamamoto, Akira Kurosawa
Elenco: Akira Terao, Yoshiko Miyazaki, Shiro Mifune, Fumi Dan, Hisashi Igawa, Hidetaka Yoshioka, Takayuki Katô, Mieko Harada
Duração: 91 minutos
Ano: 1999
Países de origem: França, Japão

"Misawa é um samurai que não consegue encontrar emprego, mas que é um gênio da arte de lutar. Ao lado de sua mulher, ele é obrigado a parar em uma pequena hospedaria por causa de uma enchente. Vendo as péssimas condições do local, ele parte em busca de alimento para o povo, logo despertando a desconfiança de sua mulher, que não gosta que ele lute por dinheiro." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 23 de março de 2015, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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Lançamento do livro 'Momentos Apaixonados: Escritos em Poesia'



"O Lançamento do livro Momentos Apaixonados Escritos em Poesia, na Região do Cariri, programa cultural que trará para o Público Caririense, principalmente casais de namorados, esposos e esposas, educadores, estudantes e para o público em geral, um livro com poemas românticos que retratam vivências e que tocam os corações, desde os mais jovens aos de mais idade, fazendo com que cada um extraia desse livro aprendizados para o seu dia a dia, no que diz respeito aos diversos tipos de amores. Um livro com poemas leves, apaixonantes e de fácil compreensão." (Evandro Ferreira Rodrigues - sinopse da divulgação do evento)

Lançamento do livro Momentos Apaixonados: escritos em poesia
Autor: Evandro Ferreira Rodrigues (Fortaleza-CE)
Sábado, 28 de março de 2015, 19h
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita
Coordenação: Henoque Viríssimo de Amorim
Produção: Anna Karine M. Lima
Escritor/facilitador: Evandro Ferreira Rodrigues.

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sexta-feira, 20 de março de 2015

A música da poesia



por Amador Ribeiro Neto

Se a música está sob o domínio do significante, na poesia reina o jogo de palavras, conhecido como paronomásia, que é a correlação entre som e sentido. O som, associado à palavra, ganha e dá sentido(s). Fazendo um trocadilho, é o som ao redor. Ao redor da palavra: imagem, ideia, música.

Todavia, para Décio Pignatari, reverberando Pound, “a poesia parece estar mais do lado da música e das artes plásticas e visuais do que da literatura”.

Já, para Haroldo de Campos, “o que caracteriza a função poética é um uso inovador, imprevisto, inusitado das possibilidades do código da língua”. Afirmação que ressoa a de Jakobson: “em poesia, qualquer similaridade notável no som é avaliada em função da similaridade e/ou dessemelhança”.

Para T.S. Eliot “a música da poesia não é algo que exista à margem do significado. Do contrário, poderíamos ter poesia de grande beleza musical que não fizesse sentido, e jamais me deparei com tal poesia. Há poemas nos quais somos inebriados pela música e admitimos o sentido como correto, assim como há poemas nos quais prestamos atenção no sentido e somos envolvidos pela música sem que disso nos apercebamos. A música da poesia dever ser a música latente na fala comum de sua época. E isso significa também que ela deve estar latente na fala comum da ‘região’ do poeta”.

E continua: “A música do verso não constitui um assunto possível de ser tratado verso a verso, mas uma questão que se refere à totalidade do poema. Apenas com isto em mente é que podemos abordar a controversa questão do modelo formal e do verso livre. Nenhum verso é livre para alguém que deseja executar bem seu ofício. Somente um mau poeta poderia escolher o verso livre enquanto libertação da forma. As propriedades da música que mais interessam ao poeta são as da noção de ritmo e de estrutura”.

Finalizando, T.S. Eliot observa: “O uso de temas recorrentes é natural tanto na poesia quanto na música. Há no verso possibilidades que comportam certa analogia com o desenvolvimento de um tema por diferentes grupos de instrumentos; há num poema possibilidades de transições comparáveis aos distintos movimentos de uma sinfonia ou de um quarteto; há possibilidade de arranjo contrapontístico com relação ao tema. É numa sala de concerto, mais do  que numa casa de ópera, que a matriz de um poema pode ganhar vida”.

Para o Futurismo, segundo Krystyna Pomorska, “o ponto principal da estética” é a “palavra em seu aspecto sonoro, como o único material e tema da poesia. Foi o Simbolismo que apontou em primeiro lugar a função fundamental do som na poesia, atribuindo-lhe uma função semântica e epistemológica”.

E segue: “Para os simbolistas a poesia devia-se igualar à música”. Para os futuristas “o elemento sonoro é igualado aos elementos pictóricos, figuras e linhas geométricas, tornando-se assim um fenômeno independente a ser experimentado e fruído como a única poesia, pura e verdadeira. Assim, os futuristas lutaram pela ‘palavra pura’, sem relação com qualquer função referencial ou simbólica, no que diz respeito ao objeto. O conceito futurista de poesia advém do conceito de ‘arte sem objeto’, dos cubistas”. 

O próprio Platão pergunta n’A República: “o que são os versos dos poetas sem o colorido que lhes empresta a música?”. Quando Platão indaga o que sobra da poesia sem a música, certamente já distingue, com acerto, um procedimento que os semioticistas russos, no início do século XX, viriam definir com uma precisão atualíssima: a linguagem poética distingue-se da linguagem prosaica.

Certo: tocam-se, entremeiam-se, sobrepõem-se, associam-se, mesclam-se – mas sempre uma e outra são uma e outra coisa. Nesse emaranhado terminológico envolvendo prosa e poesia chegamos a falar em prosa poética, poesia em prosa, “proesia”. Mas no fundo, perdoem-me o clichê, mas no fundo, prosa e poesia são dois bicudos que se beijam. E continuam sendo dois bicudos.

Um amálgama de sons paga evidentemente tributo às conquistas da Semana de Arte Moderna de 22. Dentre as conquistas de 22, sem dúvida, os maiores méritos devem ser creditados a Oswald de Andrade com a propalada deglutição de “só me interessa o que não é meu”. A Antropofagia, sabemos, gerou um produto nacional (e internacional) líquido com qualidade de exportação – como bem notaram e anunciaram Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

A Antropofagia, ao adotar como ponto estético e estratégico de seu programa o sincretismo, abriu espaço – entre outras coisas – para cores e sons, sons e sentidos até então presentes na voz do povo, na voz do morro, na voz da metrópoles, mas ainda não ouvidos – e inauditos – na poesia brasileira. Exceção feita à “transpolifônica” (se me permitem o neologismo) poesia de Gregório e de Sousândrade – dois dos cinco maiores poetas da literatura brasileira.

Bem, eu dizia, que esta mistura de raças e culturas num caldeirão do vale-tudo gerou ritmos nossos nascidos do amálgama de todos os ritmos. As melodias indígenas, africanas, caribenhas, europeias, norte-americanas e até orientais, deixaram marcas na música de nossa poesia.

A propósito deste caldeirão de ritmos advindos de povos que se misturam, lembra-nos T.S. Eliot: “há uma lei da natureza mais poderosa do que quaisquer tendências variadas, ou influências vindas de fora ou do passado: a lei é de que a poesia não deve se afastar demasiado da língua comum diária que usamos e ouvimos”.  E completa: “Seja a poesia rítmica ou silábica, rimada ou não rimada, formal ou livre, ela não pode dar-se ao luxo de perder o contato com a linguagem mutante da conversação ordinária”.

Em outro ensaio, o mesmo T.S. Eliot complementa esta ideia: “a emoção e o sentimento são melhor expressos na língua comum do povo, isto é, na língua comum a todas as classes: a estrutura, o ritmo, o som, o modo de falar de uma língua expressam a personalidade do povo que a utiliza”.

Este foi um dos itens da cartilha da Modernidade e, no nosso caso, do Modernismo: desentranhar a linguagem poética da fala prosaica. A bem da verdade, ao longo da História, vários movimentos que reivindicaram revolução na poesia acabaram postulando uma volta à fala comum. Talvez porque a língua falada seja um organismo dinâmico, ao passo que o idioma envelhece em sua normatividade gramatical.

Barthes já nos advertiu que literatura é “trapaça com a língua”.  Daí depreendemos que o poeta deve falar a língua de sua época e dar ao leitor a oportunidade de concluir: “assim é que eu falaria se pudesse falar em verso”, como sintetiza T.S. Eliot. Isto talvez justifique por que curtimos tanto a poesia contemporânea e por que ela nos dá a sensação de plenitude – muitas vezes, mais até do que a poesia de outras épocas históricas.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

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'Razão e Sensibilidade', filme de Ang Lee, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Razão e Sensibilidade
Ficha técnica:
Título original: Sense and Sensibility
Direção: Ang Lee
Roteiro: Emma Thompson (roteiro baseado em romance de Jane Austen)
Elenco: James Fleet, Tom Wilkinson, Harriet Walter, Kate Winslet, Emma Thompson, Gemma Jones, Hugh Grant, Alan Rickman, Greg Wise
Duração: 136 minutos
Ano: 1995
Países de origem: Reino Unido, Estados Unidos

"Duas irmãs se mudam para o campo após a morte do pai, e começam a passar dificuldades financeiras. Enquanto Elinor é bastante prática nos relacionamentos, Marianne se mostra frágil e sensível, em duas maneiras completamente diferentes de se descobrir o amor." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 21 de março de 2015, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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quinta-feira, 19 de março de 2015

'Bonequinha de Luxo', filme de Blake Edwards, em Nova Olinda



Cine Café Volante (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Bonequinha de Luxo
Ficha técnica:
Título original: Breakfast at Tiffany's
Direção: Blake Edwards
Roteiro: George Axelrod (baseado em livro de Truman Capote)
Elenco: Audrey Hepburn, George Peppard, Patricia Neal, Buddy Ebsen, Martin Balsam, Mickey Rooney, Alan Reed, José Luis de Vilallonga
Duração: 115 minutos
Ano: 1961
País de origem: Estados Unidos

"Uma garota de programa de luxo sonha em achar um homem milionário, para tornar-se seu marido. Porém, ela acaba se apaixonando por seu recente vizinho, escritor e que é bancado pela bela meretriz." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na sexta-feira, 20 de março de 2015, às 19h
Na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda-CE. Entrada gratuita.

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quarta-feira, 18 de março de 2015

Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 19/03 a 25/03/2015

O Duelo
(O Duelo, 2013)
Direção: Marcos Jorge
Elenco: Joaquim de Almeida, José Wilker, Marcio Garcia, Claudia Raia, Patrícia Pillar, Sandro Rocha, Tainá Muller, Duda Ribeiro, Jarbas Homem de Mello, Pietro Mario
Produção executiva: Marcos Didonet, Vilma Lustosa, Walkiria Barbosa
Produção: Marcos Didonet, Vilma Lustosa, Walkiria Barbosa
País: Brasil
Gênero: Aventura
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Warner Bros.
Sinopse: O Duelo conta a história do comandante Vasco Moscoso de Aragão (Joaquim de Almeida) e de sua agitada chegada em uma cidadezinha balneária, a vila de Periperi, situada nas proximidades de um grande município portuário. Já maduro, este pitoresco forasteiro vem para ficar, buscando repouso depois de uma longa vida de aventuras por todos os mares do globo. O charmoso navegante conquista rapidamente a simpatia e admiração dos moradores. Os homens se reúnem ao seu redor para ouvir histórias do mar e as mulheres suspiram por sua figura romântica. O que não demora a suscitar o despeito de alguns invejosos, em especial do fiscal Chico Pacheco, até então o cidadão mais admirado do local. José Wilker será Chico Pacheco, que perde popularidade na pacata vila de Periperi com a chegada do comandante Aragão. Desconfiado e enciumado das histórias contadas pelo capitão, Chico resolve investigar sua vida pregressa e o desafia a provar suas habilidades. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h30, 15h50, 18h10, 20h30 (Sala 1)
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A Série Divergente: Insurgente
(Insurgent, 2014)
Direção: Robert Schwentke
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Naomi Watts, Jai Courtney, Ansel Elgort, Maggie Q, Zoë Kravitz, Ray Stevenson, Octavia Spencer
Produção executiva: Neil Burger, David Hoberman, Todd Lieberman, Barry H. Waldman
Produção: Lucy Fisher, Pouya Shahbazian, Douglas Wick
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Ficção-científica
Duração: 119 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Sinopse: Em A Série Divergente: Insurgente, os riscos para Tris aumentam quando ela sai à procura de aliados e respostas nas ruínas de uma Chicago futurista. Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) são agora fugitivos, caçados por Jeanine (Kate Winslet), a líder da elite Erudição, faminta pelo poder. Correndo contra o tempo, eles precisam descobrir a causa pela qual a família de Tris sacrificou suas vidas e por que os líderes da Erudição farão tudo para impedi-los. Assombrada pelas escolhas do passado, mas desesperada para proteger quem ama, Tris, com Quatro a seu lado, encara um desafio impossível atrás de outro, ao desvendar a verdade sobre o passado e também o futuro de seu mundo. Desafie a realidade, busque a verdade. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 15h40 (Sala 2)
Dublado 3D: 13h, 18h20 (Sala 2)
Legendado 3D: 21h (Sala 2)
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O Sétimo Filho
(Seventh Son, 2013)
Direção: Sergey Bodrov
Elenco: Ben Barnes, Julianne Moore, Alicia Vikander, Kit Harington, Jeff Bridges, Djimon Hounsou, Olivia Williams, Antje Traue
Produção executiva: Jon Jashni, Brent O´Connor, Alysia Cotter
Produção: Basil Iwanik, Thomas Tull, Lionel Wigram
País: EUA
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 102 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse: Em um passado distante, um mal está prestes a ser desencadeado e reacenderá mais uma vez a guerra entre as forças humanas e sobrenaturais. Mestre Gregory (Jeff Bridges) é um cavaleiro que aprisionou há séculos a Mãe Malkin (Julianne Moore), uma poderosa e malévola bruxa. Mas ela escapou e agora quer se vingar. Invocando seus seguidores de cada encarnação, Mãe Malkin se prepara para soltar sua terrível ira sobre um mundo desprevenido. Apenas uma coisa está em seu caminho. Mestre Gregory. Em um encontro mortal, Gregory fica cara a cara com o mal que ele sempre temeu voltar. Ele só tem até a próxima lua cheia para fazer o que, geralmente, leva anos: treinar seu novo aprendiz, Tom Ward (Ben Barnes), para lutar contra uma magia negra diferente de todas as outras A única esperança do homem está no sétimo filho de um sétimo filho. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h20, 16h40, 19h (Sala 3)
Legendado: 21h20 (Sala 3)
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Golpe Duplo
(Focus, 2015)
Direção: Glenn Ficarra, John Requa
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro, Adrian Martinez, Robert Taylor, BD Wong, Gerald McRaney, Brennan Brown
Produção executiva: Charlie Gogolak, Stan Wlodkowski
Produção: Denise Di Novi
País: Estados Unidos
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 105 minutos
Distribuidor: Warner
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: Will Smith interpreta Nicky, um experiente mestre trapaceiro que se envolve romanticamente com a golpista novata Jess (Margot Robbie). Enquanto ele ensina a ela os truques do negócio, Jess acaba se aproximando demais e ele termina a relação abruptamente. Três anos mais tarde, essa antiga paixão - agora uma talentosa femme fatale - aparece em Buenos Aires no meio das altas apostas de um circuito de corrida de carros. Durante o esquema mais recente e perigoso de Nicky, ela promove uma reviravolta em seus planos, deixando o calejado vigarista fora de seu jogo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h10, 18h40 (Sala 4)
Legendado: 21h10 (Sala 4)
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Mortdecai - A Arte da Trapaça
(Mortdecai, 2014)
Direção: David Koepp
Elenco: Johnny Depp, Gwyneth Paltrow, Ewan McGregor, Paul Bettany, Jeff Goldblum, Olivia Munn, Michael Byrne, Ulrich Thomsen, Jamie Bernadette
Produção executiva: Michael Paseornek, Sam Sarkar
Produção: Christi Dembrowski, Johnny Depp, Andrew Lazar, Gigi Pritzker
País: EUA
Gênero: Ação, Comédia, Policial
Duração: 106 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação indicativa: 14 anos
Sinopse: Charlie Mortdecai, marchand cortês e trapaceiro, faz malabarismos com alguns russos enfurecidos, o Mi5 britânico, sua esposa de pernas tortas e um terrorista internacional. Mortdecai precisa atravessar o planeta armado somente com seus olhares especiais e charme irresistível, em uma corrida para recuperar um quadro roubado, que segundo os rumores, contém uma senha para uma conta perdida em um banco, cheia de ouro Nazista. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h, 19h10 (Sala 5)
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Kingsman: Serviço Secreto
(Kingsman: The Secret Service, 2014)
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: Colin Firth, Mark Hamill, Samuel L. Jackson, Mark Strong, Michael Caine, Jack Davenport, Taron Egerton, Sofia Boutella, Neve Gachev
Produção: Adam Bohling, David Reid, Matthew Vaughn
País: EUA, Inglaterra
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Duração: 129 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação indicativa: 16 anos
Sinopse: Baseado na aclamada história em quadrinhos e dirigido por Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe), Kingsman: Serviço Secreto conta a história de uma agência de espionagem super secreta, que recruta um garoto desleixado, mas promissor, para participar do treinamento competitivo da agência, ao mesmo tempo em que um gênio da tecnologia ameaça o mundo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 15h, 17h50, 20h40 (Sala 6)
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Cinquenta Tons de Cinza
(Fifty Shades of Grey, 2013)
Direção: Sam Taylor-Johnson
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Jennifer Ehle, Max Martini, Luke Grimes, Eloise Mumford, Marcia Gay Harden
Produção executiva: Marcus Viscidi, Peter Schlessel
Produção: Dana Brunetti, Michael De Luca, E.L. James
País: EUA
Gênero: Drama, Romance
Duração: 125 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação indicativa: 16 anos
Sinopse: Adaptação para os cinemas do livro de E. L. James, o filme acompanha o intenso relacionamento entre a estudante de literatura Anastasia Steele (Dakota Johnson) e o milionário Christian Grey (Jamie Dornan), uma relação complexa que começa quando Anastasia deve entrevistar Christian para o jornal da faculdade. A partir daí, eles embarcam em um caso de amor e Anastasia não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também os segredos mais obscuros que Grey tenta esconder. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 16h20, 21h30 (Sala 5)
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Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água
(SpongeBob SquarePants 2, 2014)
Direção: Paul Tibbitt
Elenco: Antonio Banderas, Tom Kenny (voz), Clancy Brown (voz), Thomas F. Wilson, Bill Fagerbakke (voz), Jesica Ahlberg, Rodger Bumpass (voz), Mr. Lawrence (voz), Kaitlyn Ervin, Carolyn Lawrence (voz), Noah Lomax
Produção excecutiva: Stephen Hillenburg, Cale Boyter
Produção: Paul Tibbitt, Mary Parent
País: EUA
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Duração: 93 minutos
Distribuidor: Paramount Pictures
Classificação indicativa: livre
Sinopse: A vida corria tranquila para o otimista Bob Esponja e sua turma: o leal estrela-do-mar Patrick, o sarcástico Lula Molusco, a esquilo cientista Sandy e seu chefe, o crustáceo capitalista Sr. Sirigueijo. Quando a ultrassecreta receita do Hambúrguer de Siri é roubada, o caos se instaura no fundo do mar. Para salvar a pátria, Bob Esponja e o vilão Plankton precisam unir suas forças em uma viagem através do tempo e do espaço Em terra firme, a turma toda enfrenta o malvado pirata Barba Burguer que tem seus próprios planos para os deliciosos hambúrgueres e conta com a ajuda do seu fiel escudeiro – a gaivota Kyle. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 16h30 (Sala 4)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

Promoção:
De segunda a quarta-feira, todos os ingressos por R$ 5,50, exceto sessões 3D (R$7,50 + R$4,00 óculos)

No Cinema do Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/
Número de telefone do cinema: (88) 3571.8275.

Programação sujeita a alterações.

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terça-feira, 17 de março de 2015

Alguém aí já ouviu falar de Laurence Sterne?



por Harlon Homem de Lacerda

Alguém aí já ouviu falar de Laurence Sterne? E de Machado de Assis? E de Lima Barreto? Rabelais? Pois é, quatro autores de lugares e tempos diferentes, mas que guardam uma aproximação eloquente nas suas obras. A eles podem ligar-se, também, todos os autores e autoras que carregam a ironia, o humor, a sátira em suas veias literárias. Gargantua e Pantagruel, A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Triste fim de Policarpo Quaresma são textos narrativos com uma carga de humor potencialmente construtivo e destrutivo. Ao tempo em que destroem as convenções, as normas, o status quo, constroem olhares sobre a própria literatura e inventam procedimentos narrativos responsáveis por renovar constantemente a forma do romance e do próprio epos.

A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, de Sterne, escrito no século XVIII na Inglaterra, é uma obra fundadora. A maneira totalmente não-linear que a narrativa é construída, os recursos metalinguísticos, a própria “desimportância” dos fatos narrados da vida de Tristram Shandy torna este romance um manancial de alternativas à literatura realista, séria, truncada, elevada, insistentemente descritiva que infesta a narrativa do século XIX. É nessa fonte (e quem ler a obra de Sterne rapidamente irá perceber) que Machado de Assis bebe para (re)criar o romance brasileiro. E, embora estabeleçamos este paralelo entre Machado e Sterne, não entendemos que Machado é direta e totalmente influenciado pelo romance inglês do século XVIII, pois Machado cria e reduz estruturalmente, pra usar um conceito de Antonio Candido (crítico brasileiro contemporâneo), elementos da sociedade brasileira ou carioca para construir a sua forma romanesca.

Há quem diga que o romance inglês, ainda, é a fonte do romance moderno. Não concordo, pois, também quem ler Sterne irá encontrar influências das narrativas de François Rabelais, escritor francês do século XVI. O Gargantua e Pantagruel é paradigma narrativo da ironia, do humor e, pra quem preferir, da carnavalização do mundo real transliterado em narrativa. Há no mundo rabelaisiano a crença total na desimportância das hierarquias e convenções da sociedade tradicionalista. Quem quiser se aprofundar sobre a obra de Rabelais há dois bons textos: “O mundo na boca de Pantagruel”, de Erich Auerbach, no livro Mímesis: a representação da realidade na literatura ociental e A carnavalização na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais, de Mikhail Bakhtin. Assim, a fonte do romance moderno é empurrada pra França do século XVI – e pra Espanha de Cervantes (mas sobre isso eu não posso falar muito, por que eu ainda não li Dom Quixote). Se entrarmos nessa brincadeira de quem inventou o romance ou a narrativa irônica e satírica, o caminho é longo e segue pela Roma de Petrônio e Luciano, pela Grécia e por aí vai...

Policarpo Quaresma, o herói quixotesco do Brasil de Lima Barreto, carrega todas essas influências e outras tantas que não dá pra enumerar. A novidade é que não precisamos ir atrás dessas “influências” e “confluências” pra localizar quem inventou o quê. A narrativa é humana e o humor, a ironia é própria a quem compreende que esse mundo de aparências, de convenções e de panelaços do alto de coberturas é feito unicamente pra uma coisa: rir e rir muito.
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Harlon Homem de Lacerda é Mestre em Letras pela UFPB e Professor de Literatura Brasileira da Universidade Estadual do Piauí (UESPI - Oeiras). E-mail: harlon.lacerda@gmail.com.

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segunda-feira, 16 de março de 2015

'Cidadão Boilesen', filme de Chaim Litewski, no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra: A Ditadura Militar Brasileira Revisitada no Cinema
Exibição do filme Cidadão Boilesen
Ficha técnica:
Título original: Cidadão Boilesen
Direção e roteiro: Chaim Litewski
Elenco: -
Duração: 92 minutos
Ano: 2009
País de origem: Brasil

"Um capítulo sempre subterrâneo dos anos de chumbo no Brasil, o financiamento da repressão violenta à luta armada por grandes empresários, ganha contornos mais precisos neste perfil daquele que foi considerado o mais notório deles. As ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do grupo Ultra, com a ditadura militar, sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirantes – e acusações de que assistiria voluntariamente a sessões de tortura emergem de diversos depoimentos de personagens daquela época." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 18 de março de 2015, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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Contação de Histórias: Contos do Tempo, com Elisabete Pacheco



"Um repertório milenar da arte da palavra, histórias das narrativas de tradição oral onde as crianças e os adultos são levados a um passeio pelas paisagens dessas histórias, oferecendo aos ouvintes diferentes níveis de interpretações para que possam abrir os olhos para a percepção dos seres fantásticos das histórias que foram recolhidas em outras." (sinopse da divulgação do evento)

Contação de Histórias
Contos do Tempo
Elisabete Pacheco (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

Dia 18 de março de 2015 (quarta-feira), 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)

Dia 28 de março de 2015 (sábado), 14h
No Pontinho da Leitura (Caririaçu-CE).

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Música vocal: show 'Héloa Solta' em Nova Olinda e Juazeiro do Norte



"Uma artista de múltipla formação. Héloa é atriz, cantora e compositora com formação em artes visuais. Sua música traz toda essa multiculturalidade em uma miscelânea sonora de ritmos e referências universais e do seu cotidiano. Um trabalho sem fronteira culturais e sonoras, com poesia narrativa, autobiográfico e verborrágico que vai do brega ao rock, passando pelo carimbó, música pop, eletrônica, experimentalismo, afrobeat e R&B. Mas tem cara de produção antiga, com gostinho de nostalgia e cheiro de romance, no qual a cantora interpreta e faz arte cantando, com sua voz adocicada e performance única." (sinopse da divulgação do evento)
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Música Vocal - Programa Arte Retirante
Show Héloa Solta (Aracaju-SE)
Entrada gratuita.

Terça-feira, 17 de março de 2015, 19h30:
Na Fundação Casa Grande (Nova Olinda-CE)

Quarta-feira, 18 de março de 2015, 19h30:
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE).

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sábado, 14 de março de 2015

'A Separação' (Asghar Farhadi, 2011)



por Michelle Fernandes

Deve tratar-se da separação de um casal...> Penso antes de começar a vê-lo. Começo a assistir ao filme com olhar curioso, porém seguro. Uma sequência de documentos toma conta da tela, me impressionam pela forma como somos determinados. Somos números e uma fotografia antiga, que assinala: este rosto diz quem é você? - me questiono e espero. O tal casal aparece, como previ. Deste ponto em diante, não existe suposição segura que se possa fazer; tudo se torna consequência e descoberta.

O casal começa a discutir, não consigo colocar a legenda. Resolvo assistir no idioma original por algum tempo, não existe pressa em entendê-lo. Obviamente, não falo iraniano. Não compreendo as palavras, os signos verbais...

Mas todos nós compreendemos a linguagem universal do sentir. Eles discutem. Ela questiona, seu olhar é apelativo. Ele mantém-se sóbrio e frio, às vezes questiona. Não discutem frente a frente: estão sentados lado a lado. Penso: «um casal não deveria discutir olhando nos olhos, o que acontece?» A resposta vem com a legenda que finalmente consigo colocar. Ambos encontram-se diante de um olhar frio, exterior. Este olhar decide suas vidas. Estão perante um juiz.

Sonhando com melhores condições de existência, as quais são improváveis na situação do Irã, como conclui, Simin (Leila Hatami) pretende ir com a família para o exterior. O marido, Nader (Peyman Moaadi), recusa-se a deixar o país e o pai. Seu pai sofre de Aizheimer, é categórico, não o abandonará. Me pergunto: e seu país, sofre de que?

O juiz conclui que não há razões suficientes para autorizar a separação, e deste modo, Simin não poderá deixar o Irã com sua filha, Termeh (Sarina Farhadi), uma adolescente. Simin  vai para a casa da sua mãe. Deixa a casa e a filha, que decide ficar com o pai e o avô. Na esperança de a mãe voltar?

Nader pretende cuidar do pai e da educação da filha, como supõe já fazer. No entanto, trabalha. Com ajuda da ‘ex’-esposa, consegue uma pessoa para ficar com o pai e organizar a casa enquanto está fora, contrata Rozieh (Sareh Bayat).

Rozieh surpreende-se com a situação. Seu ofício consistirá em trabalhar na casa de um homem no qual a esposa não está em casa e ficará sozinha com um idoso o dia inteiro. No entanto, seu marido encontra-se desempregado e imerso em dívidas. Aceita a contragosto e começa a trabalhar na residência.  O que nasce dessa decisão é descoberta a ser vista ou ser lembrada para quem lê.

A personagem que mais me toca é a filha da Rozieh. É uma criança de aparentemente 6 anos. Fala pouco e parece esperar mais daquilo que a cerca. Seus grandes olhos falam, choram, perguntam, questionam, amam, sentem medo, sem que seja preciso que ela grite ou fale. Seu sofrimento, nascido das decisões adultas, é inocente.  Já Termeh, a filha do casal (interpretada pela filha do diretor do filme), questiona um pouco mais, está mais tempo no mundo, sabe mentir para defender aquele que ama. Sabe fazer escolhas...?

Ganhador do Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2011, este filme do diretor Asghar Farhadi é considerado um filme político; surpreendentemente, é político sem falar em revolução, Estado, governo, como pode se supor. As relações são extremamente pessoais; são as atitudes das personagens, que se deslocando peça por peça apontam a imagem final, que é política.

E por fim só nos resta a pergunta: nos separamos daquilo que insiste em nos determinar? Espera...
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Michelle Fernandes é formada em Filosofia (UFCA) e estuda Albert Camus.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 18, de 07 de maio de 2014), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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'Muito Mais Que Um Crime', filme de Costa-Gavras, no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Muito Mais Que Um Crime
Ficha técnica:
Título original: Music Box
Direção: Dir. Costa-Gavras
Roteiro: Joe Eszterhas
Elenco: Jessica Lange, Armin Mueller-Stahl, Frederic Forrest, Donald Moffat, Lukas Haas
Duração: 125 minutos
Ano: 1989
País de origem: Estados Unidos

"Mike Laszlo é acusado de ter prestado serviços aos nazistas. Sua advogada é sua filha que, por mais que queira ser justa nas acusações, não consegue desconsiderar a relação afetiva com o acusado." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 16 de março de 2015, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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sexta-feira, 13 de março de 2015

'Beato Zé Lourenço', poema de Patativa do Assaré



Embalado pra viagem # 114

Beato Zé Lourenço

Sempre digo, julgo e penso
Que o beato Zé Lourenço
Foi um líder brasileiro
Que fez os mesmos estudos
Do grande herói de Canudos,
Nosso Antônio Conselheiro.

Tiveram o mesmo sonho
De um horizonte risonho
Dentro da mesma intenção,
Criando um sistema novo
Para defender o povo
Da maldita escravidão.

Em Caldeirão trabalhava
E boa assistência dava
A todos os operários,
Com a sua boa gente
Lutava pacificamente
Contra os latifundiários.

Naquele tempo passado
Canudos foi derrotado
Sem dó e sem compaixão,
Com a mesma atrocidade
E maior facilidade
Destruíram Caldeirão.

Por ordem dos militares
Avião cruzou os ares
Com raiva, ódio e com guerra,
Na grande carnificina
Contra a justiça divina
O sangue molhou a terra.

Porém, por vários caminhos,
Pisando sobre os espinhos,
Com um sacrifício imenso,
Seguindo o mesmo roteiro
Sempre haverá Conselheiro
E Beato Zé Lourenço. 
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Poesia de Patativa do Assaré em homenagem ao Beato José Lourenço, escrita para o filme O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Rosemberg Cariry, e publicada no livro Ispinho e Fulô (1988).

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quinta-feira, 12 de março de 2015

A poesia do interdito



por Amador Ribeiro Neto

André Luiz Pinto (Rio de Janeiro, 1975) é formado em Enfermagem pela Uni-Rio. Graduado em Filosofia pela UERJ, ali cursa o doutorado. Professor da Universidade Estácio de Sá. Com Eduardo Guerreiro editou a revista .doc. Publicou Flor à margem (1999), Um brinco de cetim (2003), Primeiro de abril (2004), Isto (2005), Ao léu (2007). Terno novo (Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2012) é seu mais recente livro.

Ao estrear com Flor à margem já revela o vigor da linguagem que será a marca de toda a sua produção. Cito o poema “Dentro”: “estes versos, canos / de fundo e / vértebra, flor em / flauta, náusea / e terror, estes / vasos de lama / e seda, estas / veias estúpidas, / estrumes de / sangue, vazar / por dentro e de fora / vasa barris / largos de favela / percorrem canudos. / estes laços de garganta / promessas de língua / sem pesos de luz / negociar, negociar / mundos / e fundos de terra / parida e ausência / sob as tripas / de mais um homem”.

O recurso de um verso continuar sintática, semântica e ritmicamente no seguinte, num rol de ideias eladas umas às outras, mais as sugestões ambíguas, é recorrente em todos os seus livros. Isto confere um caráter de continuidade a cada poema e a cada obra. No poema citado, por exemplo, em “largos de favela” o primeiro termo pode ser adjetivo e/ou substantivo. Quando substantivo aponta para as comunidades (favelas) bem como para a vegetação (favela) existente na caatinga, dos “canudos” (povoado de Canudos, Bahia) citados a seguir. Referência a Os Sertões de Euclides da Cunha e às chacinas incrustradas em “sob as tripas / de mais um homem”. Terra, homem e luta. Ontem e hoje.

Em Primeiro de abril, lá pelas tantas ele diz: “Quase um corpo, / armadilha de seu / gesto impossível. // Se a boca revela / raríssimas flores, / o rosto conserva // o passível desejo na / fronha das nuvens, nesse dia incomum // depois de tantos / crimes, notícias de / jornal resumindo // com a boca imunda / os tempos de guerra”. Conservando os procedimentos estéticos temos a afronta aos tempos de chumbo da ditadura brasileira.

Isto (2005) é um único poema em prosa. A busca wittgensteiniana ganha corpo: “Há sentido? Pensa isto ser verdade? Não sabe e não mede. A vida é a vida e ponto. Fez-se coisa e coisa já é. Por isso, o ato de escrever. Por isso, sem rumo ou direção, que atingisse parte alguma: Isto sabe e Isto é. O que pensa e o que chega. E o que for até lá”. A metapoesia na explosão da novidade desentranhada da pasmaceira cotidiana.

Ao léu concentra a energia do desinstalar, desestruturar e decompor o individual dentro do social: “como quem espera uma bala no crânio / não há motivo de honra ou orgulho”.

Terno novo confirma a linguagem do poeta na declaração de processos criativos: “Poemas não pedem para nascer. / Deslocam o ponteiro daquilo que funciona”.

André Luiz Pinto pertence à linhagem dos poetas que sabem o caminho na via profana da linguagem. Nele, o interdito é explícito. E o não-dito é tangenciado. É preciso lê-lo de permeio. Já que constrói sua poesia como contraponto do inusual.  Por isso atinge a beleza em grau de excelência. Terno novo não é apenas título de um livro. É marca da poesia de André Luiz Pinto:  trio, jogo, vestuário, novidade e ternura. Ainda que, muitas vezes, às avessas.
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Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 06 de março de 2015, p. B-7.

Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

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'Um Dia Muito Especial', filme de Ettore Scola, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Um Dia Muito Especial
Ficha técnica:
Título original: Una Giornata Particolare
Direção: Ettore Scola
Roteiro: Maurizio Costanzo, Ruggero Maccari, Ettore Scola
Elenco: Sophia Loren, Marcello Mastroianni, John Vernon, Françoise Berd, Patrizia Basso, Tiziano De Persio, Maurizio Di Paolantonio
Duração: 107 minutos
Ano: 1977
Países de origem: Itália, Canadá

"No dia em que os ditadores da Alemanha e da Itália, Adolf Hitler e Benito Mussolini, se reúnem em Roma, diante de uma imensa multidão, 8 de maio de 1938, um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial, uma mulher e um homem se encontram pela primeira vez, no conjunto residencial em que moram, em um bairro de classe média da capital italiana." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 14 de março de 2015, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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