terça-feira, 21 de outubro de 2014

'Made in Ceará': comédia com Edmílson Filho no Crato



Made In Ceará
Uma comédia internacional cearense com Edmílson Filho
O Francisglaydsson do filme Cine Holliúdy
Sexta-feira, 24 de outubro de 2014, 21h
No Crato Tênis Clube
+ info.: (88) 3512.2999 / 3511.8880 / 9624.1716.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Janaina Cruz lança o livro 'Mais Dia, Menos Dia' em Juazeiro do Norte



"Janaína Cruz escreve desde os 12 anos de idade. De lá para cá, lançou seis livros de poesias, sendo agraciada com alguns prêmios literários. É membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza (ALAF) e da Academia de Letras do Brasil (ALB - Seccional Suíça). Cursa Letras na URCA." (sinopse da divulgação do evento)

Lançamento do livro Mais Dia, Menos Dia
De Janaína Cruz
Coordenação: Henoque Viríssimo de Amorim
Produção/Mediação: Monte de Coisas
Performance: Nátali Mikaela, Nicolas Anderson, Gabriel de Oliveira, Saskia Lemos, Bruno Harper, Tallyta Paula, Pippa, Felipe Fonseca Nobre
Quinta-feira, 23 de outubro de 2014, 19h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

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'Lemon Tree', filme de Eran Riklis, em exibição no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Lemon Tree
Ficha técnica:
Título original: Etz Limon
Direção: Eran Riklis
Roteiro: Suha Arraf
Elenco: Hiam Abbass, Ali Suliman, Rona Lipaz-Michael, Doron Tavory
Duração: 106 minutos
Ano: 2008
Países de origem: Israel , Alemanha, França

"Salma, uma viúva palestina, vê sua plantação ser ameaçada quando seu novo vizinho, o Ministro de Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro, e, por isso, precisam ser derrubados. Junto com o jovem advogado Ziad Daud, Salma resolve levar o caso à Suprema Corte de Israel e tentar salvar sua plantação." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 22 de outubro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Artesanato em Biscuit: oficina gratuita em Juazeiro do Norte



"Técnica de artesanato em porcelana fria, o biscuit. Tornando o aluno um profissional capacitado para desenvolver a técnica. Os conteúdos vão do ensino da preparação da massa ao feitio de lembrancinhas para as mais diversas ocasiões." (sinopse da divulgação do evento)

Oficina de Formação Artística
Artesanato em Biscuit
Facilitadora: Isabel Batista (Teresina-PI)
Dias 21, 22, 23 e 24 de outubro de 2014, 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Inscrições gratuitas na recepção do CCBNB
16h/a; 20 vagas.

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P@je realiza debate sobre Diversidade Sexual e de Gênero



Debate sobre Diversidade Sexual e de Gênero
Sábado, 18 de outubro de 2014, das 14h às 17h
Na URCA - Campus Pirajá (Juazeiro do Norte-CE)
Realização: P@je - Programa de Assessoria Jurídica Estudantil.

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Projeto Garagem: encontro para atitudes e atividades artísticas



por Danilo Acácio

Aproveitando o I Escambito de Teatro de Rua, o Grupo Garagem chega com a oportunidade de organizar um espaço que, a partir de agora, propõe gerar encontros que sejam viáveis para possíveis atitudes e atividades artísticas.

A Vila do Caldas, na Chapada do Araripe, em Barbalha (Cariri do Ceará), é o lugar que espera você para boas conversas e negociações artísticas, culturais.

O objetivo principal é fomentar a diversidade cultural junto à comunidade local  e círculos de vizinhança do Distrito do Caldas para desenvolvimento sócioeducativo por meio das artes.
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Clique aqui para ver a programação do I Escambito de Teatro de Rua.

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O menino mais rico do Crato

por Wellington Bringel

Houve uma época, nas cidades do interior, que a tecnologia ainda não havia disponibilizado as opções de brinquedos e passatempos eletrônicos. Nesse momento de que falo não existia computador, telefone celular e outras engenhocas que facilitam o mundo moderno. A própria televisão era ainda uma novidade que ainda não havia hipnotizado as mentes das pessoas. As crianças brincavam na rua.

Na rua tinha o tempo de tudo. Cada coisa reinava por um momento, até a meninada abusar daquilo, e era sucedida por outra brincadeira, e aquela brincadeira que era abandonada voltava novamente mais na frente. Tinha o tempo do peão, o tempo do triângulo, o tempo das corridas, o tempo da baladeira etc. No tempo das ciriguelas, manga ou caju era tempo de viver trepado nas árvores dos quintais. Quando chegava nos meses com vento mais forte era tempo de soltar pipa, e o futebol era jogado o ano todinho às custas de cabeças de dedos dos pés esfolados nas pedras das ruas sem asfalto.

Houve uma brincadeira, porém, que reinou por alguns anos no gosto da meninada do meu trecho. Foi o tempo de juntar carteiras de cigarro. O negócio começou devagarzinho por ali e de repente virou uma febre no mundo da meninada. E tome menino andando nas ruas do Crato de dia e de noite procurando carteira de cigarro. As carteiras eram cuidadosamente abertas em suas partes coladas e depois dobradas de uma maneira que ficassem parecendo com cédulas de dinheiro. E era isso que elas representavam: simplesmente dinheiro. O valor de cada marca de cigarro era o valor simbólico, para nós, proporcional à dificuldade de se encontrar aquela marca pelas ruas. Assim, as carteiras de Clássicos e Arizona (cigarros baratos, sem filtro), que eram achados facilmente nas calçadas de bares e em praças, valiam, comparando com a moeda de hoje, um real. Continental, um cigarro popular mas que pelo menos tinha filtro, valia cinco reais. Hollywood valia dez reais. Minister valia vinte reais. Carlton e Hilton valiam cinquenta reais. E havia os cigarros importados como Marlboro, Kent, Benson & Hedges etc., difíceis de encontrar, que valiam cem reais.

Esse dinheiro tinha valor dentro da sociedade dos meninos. Tinha lastro. Com esse dinheiro os meninos movimentavam uma micro economia só deles. Com esse dinheiro compravam brinquedos uns dos outros, revistas, lanches e tudo o mais que um menino considerasse seu e pudesse vender. Eu, que na sociedade real não nasci exatamente num berço de ouro, vi naquele negócio uma oportunidade de ter um tanto de coisas que a minha mãe não podia comprar para mim. E eu trabalhava duro. Passava no mínimo três horas do meu dia andando pelas ruas de olhar fixado no chão procurando carteiras de cigarro.

Rapidamente juntei considerável número de carteiras que encheram algumas caixas de sapato. Continuei “trabalhando” e logo precisei dispor de uma mala. Mais à frente esvaziei um velho baú que tinha lá em casa para também enchê-lo de carteiras de cigarro. Quando esses objetos não estavam mais comportando a fortuna, comecei a encher o guarda roupa de minha mãe, que não aceitou aquilo porque as roupas dela estavam ficando impregnadas do cheiro de cigarro, coisa que ela detestava.

Além de trabalhar duro, eu também conhecia os atalhos e os caminhos das pedras. Eu descobri que os lixos dos poucos hotéis existentes no Crato, na época, eram verdadeiras minas de carteiras de cigarro importados (os mais valiosos), que eram trazidos pelos viajantes comerciais que vinham de outros estados. Quando comecei a aparecer com um considerável número dessas carteiras, os outros meninos passaram a me seguir para descobrir o mapa da mina. Despistei como pude mas eles acabaram descobrindo tudo. Só que eu havia partido na frente e tinha bem mais importadas do que eles.

Havia também um tipo de cigarro especial, raríssimo, que era fabricado exclusivamente para ser distribuído gratuitamente com os funcionários da Souza Cruz. Essas carteiras vinham com a gravura de uma grande estrela de cinco pontas, parecido com aquelas de xerife, e com as palavras “PROIBIDA A VENDA” impressas. A Souza Cruz, no Crato, tinha apenas uns cinco funcionários. Essas carteiras de uso exclusivo deles, espécie de cortesia da empresa, eram portanto difíceis de se achar na rua. Ficou acordado que uma “proibida a venda” (era assim que a gente chamava aquelas) valia duzentos reais. Ocorre que quase vizinho à minha casa morava um funcionário da Souza Cruz. Era Seu Araújo. Seu Araújo todo dia me dava uma daquelas “proibida a venda”. Pedi para que ele também trouxesse as carteiras do seus colegas de trabalho. Ele me deu várias por algum tempo. Mas logo os outros meninos também descobriram e passaram a assediar os funcionários da Souza Cruz. Só que mais uma vez eu havia partido na frente.

Eu já era um milionário. Mas a grande jogada que me fez entrar para o seleto grupo dos bilionários da revista Forbes aconteceu quando eu tive a ideia de montar um Cassino. Um dia, brincando na casa de um menino lá do trecho, eu vi jogado num canto do quarto um brinquedo que era uma miniatura de um Cassino. Consistia de uma mesinha com uma espécie de papelão plastificado com onze números, de dois a doze. Tinha também dois dados e um tanto de fichas. Perguntei se ele vendia o brinquedo e ele falou que vendia por mil reais (esses valores falo para que se possa ter uma ideia da coisa, evidentemente que naquele tempo não havia o real). Vendia por mil reais e ainda com a condição de que eu pagasse com carteiras importadas e proibidas a venda.

Aquilo era uma mixaria pra mim. Fechei negócio. “Aluguei” a garagem da casa de um outro menino e instalei o Cassino Fluminense. Na primeira noite já ganhei o valor do investimento multiplicado por vinte. Os meninos compravam as fichas e apostavam em um ou mais números. Eu jogava os dois dados e a soma que eles davam indicava o número vencedor. Evidentemente só um número ganhava e os outros dez perdiam. Um verdadeiro negócio da China. Ao vencedor eu pagava o valor apostado multiplicado por seis. E muitas vezes ninguém ganhava, quando dava um número que ninguém apostou.

O sucesso do Cassino Fluminense em grande parte se deu pela credibilidade que a casa tinha de poder pagar os prêmios. Outros meninos tentaram copiar a ideia mas não tinham cacife para conquistar a credibilidade dos desconfiados apostadores. Como acontece com o jogo de azar em geral, os meninos ficaram meio viciados e em poucos meses eu quintupliquei minha fortuna. Ganhei muito dinheiro. Eu era agora O MENINO MAIS RICO DO CRATO. Comprava o que queria dos meninos. Comprava inclusive proteção de meninos mais velhos e mais fortes, para me defender dos que não iam muito com a minha cara. No auge da minha fortuna cheguei a comprar uma bicicleta usada por trinta mil reais. Passei uma semana com a bicicleta até que a mãe do menino descobriu o negócio e foi lá em casa buscar a bicicleta e nem devolveu minhas carteiras de cigarro. Queimou trinta mil reais. Mas eu ganhava aquilo em duas noites.

Tudo corria bem até que Diógenes, um menino que já estava entrando na pré-adolescência e que já não estava vendo tanta graça naquelas coisas, já estava pensando em namoradas e outras coisas, resolveu apostar todas as carteiras dele de uma vez. Ele me desafiou a apostar a fortuna dele, que era considerável, se eu pagasse dez vezes o valor apostado. O meu orgulho e o silêncio que os meninos fizeram quando ele lançou o desafio me fizeram entender que eu não poderia recusar o duelo. Ninguém apostou mais naquela rodada. Fizemos os cálculos do valor das carteiras dele e eu não tinha fichas suficientes para atender tal valor. Ficou calculado em cerca de cento e vinte mil reais. Caso eu perdesse teria que pagar um milhão e duzentos mil reais.

Ele caprichosamente apostou tudo no primeiro número do jogo. Apostou tudo no número dois. Eu propus a ele lançar um dado de cada vez. Ele falou que por ele tudo bem. A frieza dele estava me deixando nervoso. Se o primeiro dado desse qualquer número diferente de um eu já ganharia. O primeiro dado foi lançado e deu o número um. A tensão subiu assustadoramente. Tudo estava agora por um dado. Minha cabeça era um torvelinho de pensamentos. Diógenes, de maneira assustadora e irritante, parecia não estar nem aí. Tive que lançar o segundo dado e pareceu uma eternidade até que ele parasse de girar e... parar... marcando o número um.

Em um milionésimo de segundo percebi que havia perdido um terço da minha fortuna material. Meio tonto fui até minha casa pegar o valor a ser pago. Diógenes havia quebrado a banca. Tive que pedir ajuda a dois amigos pra me ajudar a trazer a mala e algumas caixas de sapato cheinhas de “dinheiro”. Caprichosamente dei um jeito de não pagar nenhuma carteira importada e nem “proibida a venda”. Demorei pra contar o valor a ser pago e chegou um menino lá em casa dizendo que Diógenes estava dizendo que eu não voltaria com a grana. Aquilo mexeu com meus brios. Voltei lá e praticamente joguei as carteiras nos pés dele, mesmo correndo o risco de levar uns cascudos, pois ele era bem maior do que eu.

Depois desse prejuízo fui pegando uma maré de azar e tendo outros prejuízos consideráveis, embora ainda ganhasse mais do que o que o que perdia. Mas estava perdendo o gosto pelo negócio. Os meninos também foram começando a enjoar daquele negócio e o Cassino Fluminense teve o seu ocaso. Já não tinha encanto suficiente para concorrer com Durango Kid, Perdidos no Espaço, Nacional Kid, Daniel Boone, Bonanza e outras atrações em preto em branco da, agora sim, hipnotizante televisão.

Durante muitos anos conservei minhas carteiras de cigarro guardadas em uma espécie de despensa que havia lá em casa. Um dia, quando já estava trabalhando em uma cidade próxima do Crato, cheguei em um final de semana e descobri que minha mãe havia jogado tudo no lixo.
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Wellington Bringel é bancário e escreve por passatempo.

Ilustração: Reginaldo Farias.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

'Os Bastidores de Shirley Dayanna': Percursos Urbanos de outubro



"Travesthriller, um filme de Orlando Pereira e Nívia Uchôa. O curta surgiu a partir da leitura do cordel homônimo de Salete Maria, além de ambos os realizadores terem a vontade de criar algo  focado nas travestis, com base nos estudos já desenvolvidos.

No próximo Percursos Urbanos, 18/10, visitaremos alguns dos sets de filmagens para entender a produção dessa obra e conversar com os participantes, para compreendermos como foi a criação e os bastidores do filme. Nossa mediadora será Nívia Uchôa, idealizadora do curta e fotógrafa. Contaremos também com a participação de alguns dos integrantes que ajudaram para que o trabalho deixasse de ser apenas uma ideia e tornasse algo real." (sinopse da divulgação do evento)
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Percursos Urbanos com o tema:
Os Bastidores de Shirley Dayanna
Mediadora: Nívia Uchôa
Sábado, 18 de outubro de 2014, 15h
Inscrições gratuitas no Centro Cultural Banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
É necessário porte de RG.
Logo em seguida: exibição do filme Travesthriller no Teatro do CCBNB Cariri, às 18h.

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Poesia dialogada



por Amador Ribeiro Neto

Depois de selecionar 22 finalistas, o Prêmio Portugal Telecom 2014 anunciou os 4 “finalistas-finalíssimos”. Dentre eles três foram comentados nesta coluna: Ximerix de Zuca Sardan, Vozes de Ana Luísa Amaral e Observação do verão seguido de Fogo de Gastão Cruz. 

Guilherme Gontijo Flores (Brasília, 1984), mestre em Estudos Literários pela UFMG, tradutor, professor de Língua e Literatura Latina na UFPR, é autor do quarto livro selecionado: Brasa enganosa (São Paulo: Editora Patuá).

O livro é um belo volume de respeitáveis 160 páginas de poesia feita a partir de um deliberado projeto das mais variadas citações diretas e indiretas, de diferentes campos e códigos das artes. Este procedimento que poderia ser facilmente tomado como intertextualidade barata ou mera colagem, não o é. Antes: é um recurso de que o poeta se vale para reescrever a poesia atual em diálogo com a tradição e a poética de nosso tempo.

A cidade e Haroldo de Campos são duas das grandes referências desta poesia. A cidade com seus tentáculos avassaladores. Haroldo, pela linguagem poética e pelo mundo erudito que encerra.

Guilherme Gontijo Flores escreve com a exatidão de poucos. Seu livro é um tecido inconsútil da primeira à última página. Sem dúvida Brasa enganosa aponta para um talento que promete muito.

Sextilhas formadas por versos decassílabos heroicos e sáficos. Quintilhas octossílabas. Soneto petrarquiano. Versos livres. Caligrama. Etc. O poeta vale-se de vários recursos da versificação para fazer uma poesia que se pensa enquanto linguagem e enquanto tema da vida e sua representação.

Lidando tanto com fontes da literatura antiga, como da contemporânea, sua poesia vai de Catulo a Caetano Veloso, passando por Octavio Paz, Cortázar, Augusto de Campos, Leminski, Dante, Baudelaire, Drummond, Roberto Piva, Lezama Lima, Bandeira, Wallace Stevens, Cabral, Walt Whitman, Fernando Pessoa, Borges, Catulo, Safo, Horácio, Apollinaire, John Cage, Bob Dylan. Mas acima de tudo Haroldo de Campos.

A forma da poesia de Guilherme Gontijo Flores emociona pela leveza. Seduz pela serenidade. Encanta pela fluência.

“Daguerreótipos de cão” dialoga imagens em negativo de um cão, um meio cão, um quase cão e um não cão, com versos de intensa plasticidade e musicalidade verbais. Cabral é uma linha no horizonte do vasto quadro composto pelas quatro estrofes de parcimoniosos versos deste poema.

“Labirinto” mistura Borges e Augusto de Campos em 25 quintilhas octossílabas que podem ser lidas de forma intercambiável, como se o olho percorresse labirintos de um poema pop-barroco. O sentido transmuta-se numa cena de rápidas sequências verbo-visuais.

Além disto, as referências explícitas a Maliévitch, Godard, Degas, Cézanne e Picasso fazem ver que o poeta sabe usar as tintas da palavra na tela da poesia. 
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 10 de outubro de 2014, p. B-7.

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Sábado n'Roll com as bandas Algarobas e Silver Lady em Juazeiro do Norte



Sábado n'Roll
Show com as bandas Algarobas e Silver Lady
Sábado, 18 de outubro de 2014, 22h
No Raul Rock Bar & Café (Av. Virgílio Távora, 950, Juazeiro do Norte-CE).

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 16/10 a 22/10/2014

Fúria
(Tokarev, 2014)
Direção: Paco Cabezas
Elenco: Nicolas Cage, Rachel Nichols, Peter Stormare, Aubrey Peeples, Danny Glover, Max Ryan, Elena Sanchez, Pasha D. Lychnikoff, Weston Cage, Jack Falahee
Produção executiva: Jim Agnew, Hayley Arabia, Martin J. Barab, Cam Cannon, Luis de Val, Patricia Eberle, Sean Keller, Frederico Lapenda, Michael Nilon
Produção: Michael Mendelsohn, Richard Rionda Del Castro
Países: EUA, França
Gênero: Ação
Duração: 98 minutos
Distribuidor: California Filmes
Classificação etária: 16 anos
Sinopse: Paul Maguire (Nicolas Cage) esteve envolvido durante muito tempo com o mundo do crime, mas hoje ele tenta viver uma vida tranquila, protegendo a sua filha. Um dia, no entanto, a garota é assassinada pelos líderes da máfia russa. Paul decide reunir os amigos de antigamente e se vingar dos assassinos. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h, 16h20, 18h40 (Sala 2)
Legendado: 21h (Sala 2)
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Na Quebrada
(Na Quebrada, 2014)
Direção: Fernando Grostein Andrade
Elenco: Jorge Dias, Felipe Simas, Daiana Andrade, Domenica Dias, Jean Luis Amorim, Emanuelle Araujo, Claudio Jaborandy, Eucir de Souza
Produção: Carlos Ciampolini, Luciano Huck, Paulo Ciampolini
País: Brasil
Gênero: Drama
Duração: 94 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: Nas quebradas da maior metrópole do Brasil, entre tiros, perrengues, amor e ódio, histórias de jovens se misturam e colidem em busca de sonhos e escolhas. Inspirado em histórias reais, o longa-metragem `Na Quebrada´ revela a luta e as escolhas de jovens que cresceram entre armas, crimes e muitas dificuldades: Zeca sobreviveu a uma chacina. Gerson nunca viu seu pai fora das grades. Mônica é diferente de todos da família. Junior é fascinado por consertos de televisões. Joana sonha com a mãe que nunca conheceu. Esses jovens descobrem o cinema como um caminho para desafiar seus destinos. Até que ponto o seu passado determina o seu futuro? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h40, 16h, 18h20, 20h40 (Sala 3)
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Trash - A Esperança Vem do Lixo
(Trash, 2014)
Direção: Stephen Daldry
Elenco: Wagner Moura, Selton Mello, Rooney Mara, Martin Sheen, André Ramiro, Jesuita Barbosa, Maria Eduarda, Daniel Zettel, José Dumont
Produção executiva: Bel Berlinck
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Kris Thykier
País: Inglaterra, Brasil
Gênero: Aventura, Drama, Thriller
Duração: 115 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em uma trama de perseguições e corrupção, três meninos - Raphael, Gardo e Rato - encontram uma carteira no lixão onde vivem e decidem buscar a solução para o mistério que a rodeia. Quando se veem em uma aventura vertiginosa que envolve diretamente os personagens José Angelo (Wagner Moura), Frederico (Selton Mello) e Antonio Santos (Stepan Nercessian), os três vão precisar lutar contra inimigos poderosos. Durante a saga, contarão com a ajuda do pastor Julliard (Martin Sheen) e da professora de inglês Olivia (Rooney Mara). (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 19h, 21h40 (Sala 4)
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Um Amor de Vizinha
(And So it Goes, 2014)
Direção: Rob Reiner
Elenco: Michael Douglas, Diane Keaton, Sterling Jerins, Annie Parisse, Austin Lysy, Michael Terra, Sawyer Tanner Simpkins, Maxwell Simkins, Maurice Jones, Yaya DaCosta, Scott Shepherd
Produção executiva: Brandt Andersen, Remington Chase, Michael T. Chia, Grant Cramer, Jared Goldman, Raymond Mansfield, Stepan Martirosyan, Shaun Redick, Kevin Robl, Tamara Stuparich de la Barra
Produção: Mark Damon, Alan Greisman, Rob Reiner
País: EUA
Gênero: Comédia, Drama, Romance, Show
Duração: 94 minutos
Distribuidor: PlayArte Pictures
Classificação: 12 anos
Sinopse: Um corretor de imóveis egocêntrico (Michael Douglas) vive tranquilamente até que seu filho, com quem ele não fala há anos, pede que ele cuide da sua neta por um tempo. Sem a menor ideia de como proceder com uma criança que ele mal conhece, ele pede ajuda a sua vizinha (Diane Keaton) para cuidar da menina. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Legendado: 19h50, 22h
(Sala 5)
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O Homem Mais Procurado
(A Most Wanted Man, 2014)
Direção: Anton Corbijn
Elenco: Robin Wright, Rachel McAdams, Philip Seymour Hoffman, Willem Dafoe, Daniel Brühl, Martin Wuttke, Nina Hoss, Grigoriy Dobrygin, Rainer Bock, Kostja Ullmann, Homayoun Ershadi
Produção executiva: Sam Englebardt, William D. Johnson, John le Carré, Tessa Ross
Produção: Andrea Calderwood, Simon Cornwell, Stephen Cornwell, Gail Egan, Malte Grunert
País: Inglaterra, Estados Unidos
Gênero: Thriller
Duração: 121 minutos
Distribuidor: Diamond Films
Classificação: 14 anos
Sinopse: O filme acompanha a trajetória de um devotado muçulmano checheno que entra clandestinamente em Hamburgo - a cidade que, após o 11 de setembro de 2001, parece ter abrigado responsáveis pelo atentado. Sua chegada provoca reações conflituosas e atrai a atenção de agências internacionais de espionagem. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Legendado: 14h30, 17h10
(Sala 5)
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Os Boxtrolls
(The Boxtrolls 3D, 2013)
Direção: Graham Annable, Anthony Stacchi
Elenco: Vozes de: Simon Pegg, Elle Fanning, Nick Frost, Ben Kingsley, Jared Harris, Richard Ayoade, Tracy Morgan, Dee Bradley Baker, Steve Blum, Nika Futterman, Pat Fraley, Fred Tatasciore
Produção: David Bleiman Ichioka, Travis Knight
País: Estados Unidos
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Duração: 97 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação: livre
Sinopse: A animação retrata a história de uma cidade habitada por pessoas fanáticas por elegância e queijos. Amaldiçoada por monstros que moram no subterrâneo, a região sofre com roubo de suas crianças e de seus adorados queijos durante as noites. Baseado no livro Here Be Monsters, de Alan Snow. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h20, 16h40 (Sala 4)
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O Candidato Honesto
(O Candidato Honesto, 2014)
Direção: Roberto Santucci
Elenco: Leandro Hassum, Luiza Vadetaro, Julia Rabello, Ellen Roche, Victor Leal, Flavio Galvão, Henri Pagnoncelli, Flavia Garrafa, Antônio Pedro, Rafael Infante
País: Brasil
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação: 12 anos
Sinopse: Leandro Hassum é um político muito popular e muito desonesto. Mente para mulher, mente pros colegas, mente pro seu eleitorado. 2014 é ano de eleição para Presidente da República. Nosso Deputado é candidato e com fortes chances de ser eleito. Na véspera de um grande comício, ele cai no chão e quando se levanta algo estranho acontece: ele não consegue mais mentir. Como nosso deputado vai lidar com sua nova situação 'ética'? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h, 15h30, 18h, 20h30 (Sala 6)
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A Lenda de Oz
(Legends of Oz: Dorothy´s Return, 2013)
Direção: Will Finn, Dan St. Pierre
Elenco: Vozes de: Dan Aykroyd, James Belushi, Kelsey Grammer, Lea Michele, Tacey Adams, Michael Krawic, Martin Short, Bernadette Peters, Randi Soyland, Oliver Platt
Produção executiva: Greg Centineo, Neil L. Kaufman, Rene Torres
Produção: Roland Carroll, Ryan Carroll, Bonne Radford
País: Estados Unidos
Gênero: Animação, Família, Musical
Duração: 88 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação: livre
Sinopse: A garota Dorothy é levada de volta ao mundo mágico de Oz, onde reencontra os velhos amigos Homem de Lata, Espantalho e Leão. Entretanto, logo ela descobre que todos os habitantes do reino estão correndo sério risco graças aos atos do malvado Jester. Continuação da história exibida em O Mágico de Oz (1939). (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado 3D: 13h10, 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (Sala 1)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

No Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/

Programação sujeita a alterações.

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'Bem-vindo à Casa de Bonecas', filme de Todd Solondz, no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Bem-vindo à Casa de Bonecas
Ficha técnica:
Título original: Welcome to the Dollhouse
Direção e roteiro: Todd Solondz
Elenco: Heather Matarazzo, Matthew Faber, Daria Kalinina, Angela Pietropinto, Bill Buell, Brendan Sexton III, Eric Mabius, Victoria Davis, Christina Brucato, Christina Vidal, Amouris Rainey
Duração: 90 minutos
Ano: 1995
País de origem: Estados Unidos

"Dawn Wiener é uma garota que está na sétima série e odeia sua escola, por ser constantemente ridicularizada pelos colegas. Seu relacionamento com sua família não é dos melhores, e ela é complexada por isso. Tudo o que ela deseja é ser aceita por seus colegas e família, assim como iniciar um namoro com um rapaz mais velho." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 18 de outubro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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Barba, cabelo e bigode no primeiro turno

por Hudson Jorge

Já eram nove horas da noite, em fins de apuração dos votos para o primeiro turno para as eleições estaduais. O celular descansava em cima da mesa. Olhos tensos ao seu redor. De repente, o bicho vibra. Todos se agitam. No entanto, após um gesto rápido com a mão e um “Eu atendo!” com uma voz meio confusa, todos se calam. Romualdo olha para o visor e lê: “Nissim – Linha segura”. Atende.

- Nissim?

- Não. Aqui é o Zeca de Maria da Penha, auxiliar do assistente do assessor de Nissim.
Confuso, Romualdo fingiu se lembrar da pessoa.

- O chefe ta querendo falar contigo. Amanhã, às 7h da manhã, no seu gabinete em Palmas. Pede que não se atrase. Até logo!

Com o olhar perdido numa parede esverdeada do comitê, Romualdo vai retirando, vagarosamente o celular da orelha e o coloca em cima da mesa. Olhou para todos e disse baixinho com a pálpebra trimilicando: “Ele deve ta puto da silva!” Um de seus assessores comenta mais baixinho ainda: “Da silva é binga, Tá puto é de Oliveira, mermo”.

Há doze quilômetros dali, Muncedão já estava bem relaxado na poltrona do papai, vestido no seu tradicional samba canção de bolinhas azuis, gravata ainda no pescoço e uma bacia de pipocas no colo, assistindo às apurações pela rede globo. O telefone para linhas seguras dispara em cima do criado mudo, assustando o velhinho bonachão que espalha as pipocas pelo carpete do seu quarto climatizado e livre de muriçocas. De uma forma inocente, Muncedão atende em tom de brincadeira.

“Nissim meu filho! Segundo turno na veia, hein!”
- Muncedo, aqui é o Zeca de Maria de Penha.

- Zeca meu fí, como vai sua mãe! Tô com saudade daquele pirão de peixe! Manda um abraço pra ela e...

- Muncedo, o chefe quer falar com você e o assunto é sério. Sem falta amanhã no seu gabinete, às 7h.
- Mas, é que...

Antes mesmo de terminar de falar, o telefone sonoriza o clássico “tu tu tu tu”. Muncedão não quis mais comer pipocas naquela noite.

Dia seguinte em Palmas da Cajueira. Pela cidade, os moradores esgueiram-se pelas fachadas e mal falam bom dia! Um clima de velório foi instaurado na cidade. Ninguém quer comentar o assunto.

Na sala de espera de um escritório localizado há cinco quilômetros da sede do município, numa fazenda servida de farto rebanho e “pesque e pague”, Muncedão e Romualdo aguardam ansiosos.
Aos seus pés, um mói de filepas de unhas dão um contraste ao piso da cor grafite. Enquanto Muncedão torcia seus bigodes, Romualdo fazia redimuinhos em sua barba espessa.

- E aí, Fenômeno? O que você acha que vai rolar aí dentro dessa sala?

- Mistério Muncedão, mistério! Falou com os olhos perdidos mais uma vez numa parede verde musgo que separa a sala de espera do escritório do grande líder.

De repente, ouvem lá de dentro estrondosos barulhos de vidros sendo quebrados, móveis arrastados e objetos sendo atirados nas paredes.

Minutos depois, a porta se abre sobre os olhares atônitos dos dois. Era o prefeito José Paulo, correligionário de Romualdo e Muncedão, disfarçando os olhos marejados e acenando um cumprimento com as mãos. Escapole pelo corredor sem dizer uma palavra.

Um assessor assustado se apresenta e autoriza a entrada dos dois.
Hesitavam na tentativa de fazer com o outro entrasse na frente, mas acabaram entrando juntos.

Em cima de um birô gigantesco de vidro, os charutos cubanos, presente do ex-presidente Lula, tinham dado lugar a alguns maços de Hollywood. Em uma enorme cadeira executiva que estava de costas para entrada, via-se apenas a fumaça que escapava freneticamente da boca de seu usuário. Muncedão e Romualdo entraram em silêncio e com cuidado para não pisarem nos objetos espalhados pelo chão. Ao canto da parede, três assessores com pranchetas, tablets e celulares procuravam concluir alguma tarefa.

A cadeira se vira e junto com ela um Nissim completamente desfigurado, cujos cabelos já não lembravam os fios lisos e sedosos que costumam refletir uma certa vaidade capilar,  olheiras e certo ar furioso davam um toque assustador à sua fisionomia, denunciando que as coisas não estavam nada bem. Com a voz mais rouca do que de costume pergunta asperamente: “E vocês! Como explicam isso?”

Muncedão e Romualdo abaixam a cabeça automaticamente. “Vamos, respondam!” Fala firme e calmamente apertando a bituca de cigarro contra o cinzeiro e em seguido acendendo mais um.
“Sabe como é o Kid, né Nissim?”, começou Muncedão tão vermelho de pavor que destacava seus bigodes prateados como a lamina de um peixeira sob o sol do meio dia. “O Kid minou a minha gestão”, disse tentando fugir pela tangente.

Romualdo tentou argumentar que lá em Mirandopólis a estrada para Santa Fé virou piada de campanha, que os munícipes andam dizendo que vão mudar o nome do distrito para “Só Com Muita Fé a Estrada Vai Sair”; que o canal foi consertado pela metade, o SAMU demorou à chegar e o “Minha Casa Minha Vida” anda a passos lentos por causa da demora da obra e do cadastro.

Nissim que ouvira com aparente calma, bradou: “Incompetentes! Isso sim! Incompetentes vocês são! Sabem por quantos anos da minha vida venho me preparando para ser governador? Sabem?!?I?I?
Nisso deu um soco tão grande na mesa que fez tombar uma garrafa de uísque 21 anos que já estava pela metade.

E continuou fungando: “desde que eu era menino novo aqui em Palmas eu sonho com isso. Tenho investido minha vida toda nesse projeto. Minha campanha investiu milhões e milhões de reais!”.

E continuou...

“Na época das campanhas de vocês eu dei suporte, fiz palanque. Se lembra Romualdo, das horas e horas de conversas lhe ensinando como deveria proceder como candidato e, depois, como prefeito?”
Os olhos de Nissim começaram a esbugalhar. A jugular pulsa freneticamente. A testa sua em bicas.

Do outro lado do luxuoso birô, Muncedão e Romualdo ouvem tudo congelados em suas cadeiras, olhos fixos no centro da mesa.

Nissim continua... “E vocês me retribuem com uma pêia nas eleições? Que tipo de cabos eleitorais são vocês???

Muncedão, sem muita convicção, tenta justificar as dificuldades financeiras provocadas pela crise...

“O que Muncedo? E que diabos você fez com as verbas parlamentares? Ao invés de investir, saiu fechando unidade de saúde, sucateando hospital... E os recursos do IPVA, o que fez com eles? As ruas de Juapólis parecem queijos suíços com tantos buracos. Quando cheguei ao final da carreata parecia ter levado uma surra!”

Nisso, Romualdo ameaça rir com o canto dos lábios e é interrompido com outro soco na mesa! Nissim dava sinais que iria perder o controle totalmente. “E em Mirandopólis?!?! Como se explica inexpressiva votação? Como?”

Romualdo embarga a voz: “A culpa é da santa...”

“Santa? Santa inércia, isso sim! Comemorações dos 250 anos do Mirandopólis um fiasco! Pessoas reclamando da saúde, do DEMUTRAN... Greve de professores às vésperas da eleição! E pra acabar você e o presidente da câmara se metendo em briguinhas pra ver quem me apoiaria melhor...”

Nissim fungava e espumava pela boca enquanto jogava na mesa dezenas de páginas impressas de blogs e sites de notícias da Região para endossar o que acabara de falar. “Bem como se diz por aí: quem tem dois, tem nenhum. Paciência! Paciência!”

“Mas, é que...” Romualdo tenta se defender novamente, mas é interrompido por um Nissim cada vez mais descontrolado que joga contra parede a garrafa de uísque.

“Vocês me decepcionaram! Até aqui maus gestores e péssimos palanques eleitorais. Vão! Partam e melhorem suas estratégias. Zeca de Maria da Penha já tem as novas coordenadas. E que fique claro uma coisa: se quiserem verbas parlamentares até o fim de seus mandatos e apoio para as eleições em 2016 é bom virarem esse jogo!” Nissim acenou friamente para que deixassem a sala enquanto pedia outra garrafa de uísque.

Saíram calados do escritório, não houve brecha para um adeus. O corredor que dava acesso à saída parecia interminável e, pelo caminho, assessores do senador os olhavam com desdém.

Já do lado de fora, Muncedão chutava pedrinhas no calçamento, sujando de poeira as pontas dos sapatos. Pensou que talvez fosse a hora certa para se aposentar, aproveitando sua impopularidade e o patrimônio construído e viver por uns tempos no Chile com a esposa.

Romualdo por sua vez, com seu clássico dedo indicador na queixada também pensava calado.
Lembrou-se da campanha meteórica, dos abraços e beijos distribuídos, dos falsos elogios da high society mirandopolisiense agora cada vez mais distante. Lembrou-se também das promessas não cumpridas de uma Mirandopólis diferente. No entanto, as urnas denunciavam que tudo estava por virar cinzas. Pensou que seu sorriso talvez não brilhasse tanto como antes.

Ambos voltaram para suas cidades pensando numa forma de não decepcionar mais uma vez o grande chefe.

Essa é uma obra de ficção. 

Roteiro Poético Bohêmio com lançamento de livro em Juazeiro



Roteiro Poético Bohêmio
Poemas para todos os gostos da cadeia alimentar
Lançamento do livro Ossuário de palavras malditas (João Henrique Ferreira)
Sexta-feira, 17 de outubro de 2014, 21h
No Raul Rock Bar & Café (Av. Virgílio Távora, 950, Juazeiro do Norte-CE).

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

'Feliz Natal', filme de Christian Carion, em exibição em Nova Olinda



Cine Café Volante (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Feliz Natal
Ficha técnica:
Título original: Joyeux Noël
Direção e roteiro: Christian Carion
Elenco: Diane Kruger, Benno Fürmann, Guillaume Canet, Gary Lewis, Dany Boon, Daniel Brühl, Lucas Belvaux, Alex Ferns, Steven Robertson, Frank Witter
Duração: 116 minutos
Ano: 2005
Países de origem: França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Romênia

"Na véspera do Natal de 1914, entre trincheiras nos campos da Primeira Guerra Mundial, surge o que pareceria impossível: a confraternização entre os soldados inimigos. Baseado em registros fotográficos e cartas, essa é a prova de que há esperança de paz no espírito humano, independentemente de política e diferenças culturais." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na sexta-feira, 17 de outubro de 2014, às 19h
Na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda-CE. Entrada gratuita.

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