quinta-feira, 12 de julho de 2012

Exibição de 'Ajuste Final' no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Ajuste Final
Título original: Miller’s Crossing
Direção: Ethan Coen e Joel Coen (Irmãos Coen)
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Dashiell Hammett (romance)
Elenco: Gabriel Byrne, Albert Finney, Marcia Gay Harden, John Turturro
Duração: 115 minutos
Ano: 1990
Países de origem: Estados Unidos

"Em 1929, na era dos gângsteres, dois rivais se enfrentam pelo domínio do território para venda de bebidas alcoólicas. História repleta de traições e humor negro e com a envolvente fotografia e excelente movimentação de câmera característica dos irmãos diretores." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 14 de julho de 2012, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Embalado pra viagem # 66

manifesto da poesia 2012

minha vida não será televisionada
feito novela sem graça
programa de plateia barata.

prefiro a infâmia
de qualquer hermetismo
a solidão de falas heróicas ao vento

o som desse intravenoso tempo
entre as folhas mortas que voam no céu
bramindo azuis pela madrugada.

quero é lenha na fogueira
porre de sexta-feira
e o velho incômodo de acordar perdido

nada de salutares paisagens
"poeta me passa outro cigarro"
não posso deixar quedar o trago.

outro dia e horas a serem desbravadas
mas minha vida não será televisionada
feito novela sem graça...

____
Da série "Poemas heroicos", parte do livro Obras completas, ainda inédito.

Ythallo Rodrigues é poeta e cineasta.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Um pouco sobre 'Deus e o diabo na terra do sol'

Grifo nosso # 36

Amanhã será exibido em Juazeiro do Norte, um dos grandes filmes do cineasta baiano Glauber Rocha, Deus e o diabo na terra do sol (1964). Para atentarmos um pouco melhor e para que debrucemo-nos sobre sua obra, trago abaixo um insert de um livro do crítico e professor de cinema José Carlos Avellar. Nesse livro, Deus e o diabo na terra do sol – a linha reta, o melaço de cana e o retrato do artista quando jovem¹, Avellar nos aponta algumas questões desse filme, trilhando em diversos momentos do seu texto uma reflexão muito pessoal, sem deixar de forma alguma a análise fílmica de lado.

“A primeira vez que vi Glauber, na verdade eu principalmente ouvi Glauber. E é possível que esta lembrança tenha contribuído forte para pegar esta cena como ponto de partida para uma conversa sobre Deus e o diabo na terra do sol.

Foi num cinema, durante uma sessão especial, pré-estreia de Porto das caixas (1963) de Paulo César Saraceni. Sala cheia, muita gente sentada no chão e eu, que chegara meio em cima da hora, entre eles. A certa altura da projeção algumas pessoas começaram a dizer baixinho uma qualquer coisa contra o filme. O falatório se tornou um ruído incômodo, desviando a atenção da tela até que de repente um vozeirão por trás de meu ouvido berrou um protesto que, se bem me lembro, era um acúmulo de xingamentos:

“Cala a boca idiota, burro, cavalo, animal, cafajeste, sem mãe!”

Era ele.

Ainda não o conhecia pessoalmente, fiquei conhecendo ali. Mal terminou a sessão, olhei para trás e Glauber abriu um papo com todo mundo em volta, falando bem do filme e mal da gente que atrapalhara a projeção.

'Martin Scorsese contou a dona Lúcia, mãe de Glauber, uma história parecida. Ele estava num cinema em Roma quando alguns espectadores começaram a dizer uma qualquer coisa contra o filme italiano que passava. Um vozeirão explodiu na sala exigindo silêncio e a plateia ficou quieta. No final da sessão Scorsese ficou sabendo que o vozeirão era de Glauber, que ele admirava sem conhecer por causa de Terra em transe. A partir de então sua admiração cresceu. Uma voz apaixonada que berra em defesa de um filme: uma imagem que ficou de Glauber.'

É possível também que uma outra lembrança sonora de Glauber tenha contribuído para trazer esse fragmento do filme mais forte na memória.

No final dos anos 1970, uma sessão especial, fechada, só para ele, de Cabezas cortadas (1972). Estava ali ao lado, por acaso, ele me chamou, acabei vendo o filme ao lado dele. Vi, na verdade, com um olho na tela e outro em Glauber, que, debruçado sobre meu ouvido, comentou o filme o tempo todo, sussurrando observações sobre o que lhe parecia bom e o que não lhe agradava, analisando o ator, a fotografia, a montagem – transformando a projeção na ilustração de uma crítica de cinema.

É possível ainda que o trabalho de voz de Othon Bastos – em Deus e o diabo na terra do sol² – tenha igualmente contribuído para pensar o filme a partir de um momento em que a fala, o jeito de falar do ator, carrega a cena. Além das vozes que faz quando Corisco conta o que se passou em Angicos para o cego Júlio, Othon Bastos faz ainda uma outra voz, a do Santo Sebastião – algo mais grave que as de Corisco e Lampião. A ideia surgiu na montagem, usar a mesma voz para deus e o diabo, de modo a que o espectador pudesse identificar uma certa semelhança entre as propostas e mais rapidamente concluir com o filme que a terra é do homem, nem de deus nem do diabo.

E mais, filme marcante por sua invenção visual, Deus e o diabo na terra do sol deixa gravada na memória um bom número de vozes: frases-imagens como a do Corisco gritando “Mais forte são os poderes do povo!”, a de Sebastião repetindo o Conselheiro, “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”, uma outra de Corisco, “homem nessa terra pra ter validade tem de pegar nas armas pra mudar o destino”, ou como a do cantador que conclui a história lembrando “que assim mal dividido esse mundo anda errado, que a terra é do homem, não é de deus nem do diabo”. Palavras de plasticidade idêntica à das imagens, observou o escritor Alberto Moravia: “a partir do momento em que entra em cena Corisco, a representação alcança efeitos estranhos e terríveis, de notabilíssima eficácia expressiva. O grande achado de Rocha esteve em acampar a figura do bandido, bárbara, atroz, tetricamente retórica, sinistramente racional, bem no meio de uma solitária e desolada clareira do sertão, durante toda uma espécie de monólogo que toma a segunda metade do filme. Corisco, o rosto e as mãos sujas de sangue, fala e fala; em torno dele, rodam, arquejantes e estupefatos, os outros bandidos; atrás dele, aprofunda-se o sertão, maligna estepe de areia e sarça: a palavra, que no cinema é quase sempre subsidiária, aqui, nesta imobilidade alucinante, adquire um valor representativo e plástico não inferior àquele da imagem”.

Mais forte no entanto que tais lembranças existe o sentimento de que nesta cena, ao apresentar Corisco como um homem de duas cabeças – uma por fora, agindo, e outra por dentro, pensando – e ao tornar visível a tensão do olhar (a câmera se fixa no cangaceiro, o ator se representa pra ela), Glauber sugere um modo de se relacionar com o cinema. Com este filme em particular e com tudo quanto é filme de um modo geral. Sugere um espectador igual a Corisco, de duas cabeças: uma sentimento, outra razão; uma, de olhos fixos na imagem, vendo o movimento, a outra, cega como o cego Júlio, pensando o movimento; uma pensando a cena, a outra vendo o olhar.

Mais forte ainda, uma observação de Glauber três anos depois da estreia do filme: “Quando filmei Deus e o diabo gostei muito da paisagem e também da figura de Corisco. E inclusive, assumi uma atitude crítica mas sentia-me ligado a este personagem.”

As duas vozes do cangaceiro na tela, as duas vozes de Glauber na memória, as muitas vozes de Othon Bastos, a observação de Glauber reforçam a sensação de que a imagem de Corisco como Lampião, embora se encontre na metade da história, é um dos pontos de partida de Deus e o diabo na terra do sol.”

Trailler original do filme Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, 1964.


Música “Manuel e Rosa”, da trilha sonora de Deus e o diabo na terra do sol

____
¹ AVELLAR, José Carlos. Deus e o diabo na terra do sol: a linha reta, o melaço de cana e o retrato do artista quando jovem. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995. (Artemídia).
² Grifo meu.

.

Cinematógrapho exibe 'Deus e o diabo na terra do sol', de Glauber Rocha



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Festival Glauber Rocha
Exibição de Deus e o diabo na terra do sol
Título original: Deus e o diabo na terra do sol
Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha e Walter Lima Jr.
Elenco: Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Maurício do Valle, Othon Bastos, Lídio Silva, Sônia dos Humildes
Duração: 118 minutos
Ano: 1964
País de origem: Brasil

“Revoltado contra a exploração de que é vítima por parte do coronel Morais, o vaqueiro Manuel mata-o durante uma briga. Começa então a fuga de Manuel e de sua esposa Rosa, que são perseguidos por jagunços até se integrarem aos seguidores do beato Sebastião, no lugar sagrado de Monte Santo. Ao mesmo tempo, o matador de aluguel Antônio das Mortes, a serviço dos latifundiários e da Igreja Católica, extermina os seguidores do beato, o que faz com que o casal tenha de continuar fugindo e se encontre com Corisco, cangaceiro remanescente do bando de Lampião.” (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, dia 11 de julho de 2012, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada franca.

Programação do Rock Cordel & Armazém do Som Especial


(clique na imagem para ampliar o cartaz)

Especial Rock Cordel & Armazém do Som
De 11 a 22 de julho de 2012

Programação no CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte):

Quarta-feira, dia 11/07
18h30: Filtro Imaginário
19h30: Siddha Abraxas (Performance Poética)
19h50: Bela Orquídea

Quinta-feira, dia 12/07
18h30: Ovelhas de Garagem
19h30: Assislan Paiva (Performance Poética)
19h50: Carlos Corda

Sexta-feira, dia 13/07
18h30: Esnof
19h30: Claudioreis (Performance Poética)
19h50: Alysson dos Anjos
____

Programação no SESC Juazeiro:

Sábado, dia 14/07
19h: Coiteros (PB)
20h30: Tiro Certeiro
21h30: Edson Xavier (Performance Poética)
22h: DJ Xamex

Quinta-feira, dia 19/07
19h: Trosk
20h: Ythallo Rodrigues (Performance Poética)
20h30: Banda Anonimato (PB)

Sexta-feira, dia 20/07
19h: Sideshow Bob
20h: Guto Bitu (Performance Poética)
21h30: O Sereno Ocioso

Sábado, dia 21/07
19h: Los The Os
20h: Pirose Carneiro (Performance Poética)
21h30: Blues Cream
____

E mais:

Arte Retirante na Fundação Casa Grande (Nova Olinda-CE)
Quarta-feira, dia 18/07
19h: Banda Anonimato (PB)

Show no Largo da RFFSA (Crato-CE):
Domingo, dia 22/07
19h: Bela Orquídea
20h30: Nightlife (lançamento do CD)

.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Programação do III Palco Sonoro URCA/BNB na Expocrato

Dia 9/7 - Segunda
18h - Cortejo do Pau da Bandeira Mirim (Barbalha)
19h - Reisado Menino Deus e Guerreiro Mãe das Dores (Juazeiro do Norte)
20h - Tocando o Mestre da Sanfona: 100 Anos de Luiz Gonzaga, com a Orquestra de Flautistas Guarani (Campos Sales)
21h - Forró di Raiz (Crato)

Dia 10/7 - Terça
19h - Tambores Encantado Homenageiam Luiz Gonzaga, o Menestrel do Sol (grupo Tambores Encantado da APAE/Crato)
20h - Reisando, com a banda Sol na Macambira (Juazeiro do Norte)
21h - Nossas Raízes, com a banda Liberdade e Raiz (Crato)

Dia 11/7 - Quarta
19h - Baião com pop, com a banda Trotsk (Crato)
20h - Geração Ypisilone (Antonina do Norte)
21h - Bluiz Gonzaga, com Aquiles Salles (Juazeiro do Norte)

Dia 12/7 - Quinta
19h - Nosso Rei, com João Nicodemos (Crato)
20h - Gonzagueando in Beatles, com Silvino e Cleivan Paiva (Crato)
21h - Baião de 'Nós', com Flauberto Gomes (Juazeiro do Norte)

Dia 13/07 - Sexta (Homenagem dos conterrâneos do Rei)
18h - Alegria de Pé-de-Serra, com os Forrozeiros Mirins (Exu)
19h - Os Cabas de Gonzaga (Exu)
20h - Seguidores do Rei (Exu)
21h - Chá-Cutuba chegou, com Chá-Cutuba (Exu)

Dia 14/7 - Sábado
19h - Recital de Cordel, com João Dantas (Barbalha)
19h30 - Toque da Zabumba canta 'Seu Luiz', com Toque da Zabumba (Crato)
20h30 - Trio Flor do Piqui (Crato)
21h30 - Herdeiros do Rei (Crato)
____

No stand da URCA no Parque de Exposição do Crato. Entrada gratuita.

.

domingo, 8 de julho de 2012

'Kuhle Wampe' e 'Os Mistérios de Uma Barbearia' no Cinemarana



Cinemarana
(com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Brecht no Cinema

Exibição de Kuhle Wampe
Título original: Kuhle Vampe oder: Wem gehört die Welt
Direção: Slatan Dudow
Roteiro: Bertolt Brecht e Ernst Ottwalt
Elenco:
Hertha Thiele, Ernst Busch, Martha Wolter, Adolf Fischer
Duração: 71 minutos
Ano: 1932
País de origem: Alemanha

"História de uma família operária durante uma crise econômica na Alemanha. Marco do cinema político-social. Roteiro de Bertold Brecht e Ernst Ottwalt." (sinopse da divulgação do evento)

E exibição de Os Mistérios de Uma Barbearia (Mysterien eines Frisiersalons, Alemanha, 1923, 33 minutos). Numa barbearia, clientes aguardam enquanto um aprendiz preguiçoso, interpretado pelo famoso ator Karl Valentin, dorme. Direção de Bertold Brecht e Erich Engel.

Exibição na segunda-feira, dia 09 de julho, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada franca.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Show com a banda Rei Bulldog neste sábado em Crato



Show da banda Rei Bulldog (Tributo a Beatles)
Discotecagem com DJ Xamex
Sábado, dia 07 de julho de 2012, a partir das 21h
No João e Maria Boteco (Pimenta - Crato-CE)
Ingressos: R$5,00.

.

Música ao pôr do sol - Especial de Férias



Música ao pôr do sol (Especial de Férias)
Nos sábados de julho de 2012, sempre às 17h30
Na Pracinha do Cruzeiro (Ladeira da Integração), Crato-CE. Gratuito.

07 de julho - Verônica Decide Morrer
14 de julho - Sol na Macambira
21 de julho - Marco Leonel Fukuda
28 de julho - Rivotrill

Realização e outras informações: SESC Crato (88) 3586.9150.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Exibição do filme 'O Ódio' no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme O ódio
Título original: La haine
Direção e roteiro: Mathieu Kassovitz
Elenco: Vincent Cassel, Hubert Koundé, Saïd Taghmaoui, Abdel Ahmed Ghili
Duração: 98 minutos
Ano: 1995
Países de origem: França

"Num dia turbulento na periferia parisiense, um judeu, um mulçumano e um negro amigos há muito tempo, se revoltam ainda mais contra a truculência de policiais que espancaram até deixar em coma um amigo deles, árabe. Filmado em preto e branco." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 07 de julho de 2012, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada franca.

Evento 'Cultura e Sociabilidade' no próximo sábado em Crato



Cultura e Sociabilidade
Programação:
- Oficina de Música, arte e Teatro;
- Oficina de Bonecos com Tereza Neuma;
- Cortejo artístico;
- Apresentação do espetáculo Arte de Corda e Acordes;
- Reisado do Mestre Aldenir;
- Bacamarteiros da Paz;
- Apresentação musical de Josilson Lobo;
- Aprentação do Coral PROCEM (Direção: Aécio Ramos e Tereza);
- Quadrilha Arraiá da Tradição

Sábado, dia 07 de julho de 2012, a partir das 15h
Na Rua Cícero Alves de Sousa, 182 (Lameiro - Sítio Beatos, Crato-CE)
Entrada: 01kg de alimento
Realização: BEATOS (Base Educultural de Ação Trabalho e Organização Social)
Parceria com a URCA e o PROCEM
+ info: ongbeatos@gmail.com

terça-feira, 3 de julho de 2012

Disco 'Pet Sounds' na Discoteca Básica da Revista Bizz, em junho de 1987

Do papel # 09

Hoje buscamos da nossa estante um texto assinado por Fernando Naporano que está na seção Discoteca Básica da Revista Bizz nº 23, de junho de 1987. O texto é uma pequena resenha do Pet Sounds, disco de 1966 dos Beach Boys. Para ampliar a página da revista, clique na imagem.
____

Discoteca Básica
Pet Sounds
(The Beach Boys, 1966)

Imagine o início dos anos 60 na desbundada Califórnia. Uma turma de adolescentes que acreditava no sonho, na paquera e na inocência de um beijo vermelho. A praia. As pranchas. O biquíni. Os flipantes filminhos com Frankie Avalon e Annete Funicello. As festinhas embebidas em lilás. As carangas envenenadas. A aventura do rock'n'roll e a lágrima do rock ballad. E aquela loirinha que não queria nada com ninguém. Em meio a essa deliciosa atmosfera é que nasceram os Beach Boys, um dos mais influentes e legendários grupos da pop music. Formado em 1961 pelos irmãos Wilson (Brian, Dennis e Carl), o primo Mike Love e Alan Jardine, eles gravaram mais de trinta LPs, deixando uma vasta influência que vai desde Beatles a Ramones.

Ao lado de contemporâneos como Jan and Dean, The Hondells e The Surfaris, inicialmente, ficaram conhecidos como os reis da surf music, que nada mais era senão o espírito da época unido aos mais simples acordes de rock'n'roll, boas doses de doo-wop e balada e um gostinho de paixões platônicas derramadas em melodias definitivamente rockmânticas. Sob esta concepção os Beach Boys realizaram onze álbuns, sendo que os quatro primeiros são inteiramente de surf music. Os sete LPs seguintes continuam nessa linha em um tom mais pop. Aí vem o disco em questão. A água divisora na carreira do grupo. O fim de todo um ciclo. Acima de tudo, o mais polêmico.

Para uns Pet Sounds significou a maturidade e o desfecho do lado "alienado" e das tonalidades do fresh surf rock. Porém, para outros representou a morte do grupo. A verdade é que nesse disco os "moleques da praia", realmente, mudaram de forma radical suas características primordiais. Afinal de contas, os tempos eram outros. O final de 1966 indicava grandes mudanças. Guerra à vista, início do psicodelismo, liberação sexual, drogas, posicionamentos políticos eram alguns dos fatores que se chocavam com a "antiga" alegria e os sonhos azuis da banda. Além do mais, o egocêntrico Brian Wilson queria fazer algo bem melhor que os Beatles. E fez, pois ets LP precedeu Sgt. Peppers [Lonely Hearts Club Band], onde consumou-se a já citada influência nos meninos de Liverpool.

Pet Sounds é uma resposta a eles mesmos, uma prova de fogo que, em outras palavras, demonstrou que eram capazes de fazer um disco com letras profundas, instrumentação avançada e ruptura com os moldes que estavam em voga. É também o LP que inicia a trilogia da excentricidade progressiva-psicolélica que tem sua continuidade com Smiley Smile e Wild Honey. Excetuando a faixa "Wouldn't It Be Nice", que ainda entrevê a felicidade conjugal, as outras, num tom confessional, são entrecortadas por lamentos, abandono e angústias. Uma reflexão de caráter sentimental, contudo adornada por "novos" elementos tais como as experiências com as drogas, a medida transcendental e as coloridas visões do misticismo.

Acima de maiores suspeitas, provaram que, além de exímios músicos, eram inventivos e, como toda banda que se preze, mergulharam no plano das ousadas transformações. As harmonias vocais reapareceram muito mais trabalhadas. As estruturas musicais escapavam com muita facilidade dos arquétipos convencionais. Sob a produção fanaticamente requintada de Brian Wilson, surgiram novidades como a inclusão de instrumentos de sopro, intromissões orquestrais, teclados com timbres peculiares, percussões diversas (não faltando sininhos e berimbau), flautinhas aciduladas e arranjos complexos e sutis. Enfim, um misto de nuances bizarras e desolação do coração, de psicodelia e sintomas progressivos, de experimentalismo e os santificados, eternamente inperdíveis, fluidos do rock'n'roll.
Fernando Naporano

"God only knows" (Tony Asher / Brian Wilson):

Banda Tiro Certeiro apresenta tributo a Chico Science



Tributo a Chico Science com a banda Tiro Certeiro

Sexta-feira, dia 06 de julho de 2012
No Terraçus Bar e Petiscaria - Crato-CE

Sábado, dia 14 de julho de 2012
No SESC Juazeiro do Norte-CE.

.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Evento '100 anos de Luiz Gonzaga' homenageia o Rei do Baião em Juazeiro



100 anos de Luiz Gonzaga
Sexta-feira, dia 06 de julho de 2012, a partir das 18h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita
+info: (88) 3587.1065.

Programação:
18h - Lançamento de Cordel em homenagem a Luiz Gonzaga / Academia dos Cordelistas do Crato
19h - Show de Humor Matuto com Tranquilino Ripuxado
19h30 - Abertura da Exposição Reverência / Lira Nordestina
20h - Show Alvíssaras ao Rei / João do Crato e Banda

domingo, 1 de julho de 2012

'A Ópera dos Três Vinténs' em exibição no Cinemarana



Cinemarana
(com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Brecht no Cinema
Exibição de Como vive o trabalhador berlinense (Zeitprobleme: wie der Arbeiter wohnt, Alemanha, 1930, 12 minutos)

E exibição de A ópera dos três vinténs
Título original: Die 3 Groschen-Opera
Direção: G. W. Pabst
Roteiro: Rudolph Forster, Lotte Lenya, Reinhold Schunzel, Carola Neher
Duração: 122 minutos
Ano: 1931
País de origem: Alemanha

"A trama se passa na Inglaterra vitoriana, em torno de Mackie Messer (Rudolf) que é o rei do crime nos esgotos e prostíbulos da cidade do Soho, de acordo com o chefe de policia corrupto. Ele se casa com a filha do rei dos mendigos que se revela uma talentosa administradora e abre um banco (ou seja, legalizando o roubo). Brecht foi contratado para escrever o roteiro, mas nunca o concluiu. Mesmo assim suas ideias foram usadas e deixam Mack menos selvagem transformando terceiro ato em algo político durante cerimônia de coroação da rainha."

Exibição na segunda-feira, 02 de julho, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada franca.