sexta-feira, 31 de outubro de 2014

'Coisas Belas e Sujas', filme de Stephen Frears, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Coisas Belas e Sujas
Ficha técnica:
Título original: Dirty Pretty Things
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Audrey Tautou, Chiwetel Ejiofor, Sergi López, Sophie Okonedo, Benedict Wong, Damon Younger, Paul Bhattacharjee, Darrell D'Silva, Sotigui Kouyaté
Duração: 97 minutos
Ano: 2002
País de origem: Reino Unido

"No secreto submundo de Londres, dois imigrantes ilegais descobrem que o preço da liberdade pode ser mais do que eles estão dispostos a arriscar. Um nigeriano, imigrante ilegal, que trabalha como porteiro em um hotel, é acusado de assassinato. Ele se junta a uma camareira turca e uma prostituta chinesa para desvendar o crime." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 01 de novembro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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No Crato: Festival Caldeirão das Danças



Festival Caldeirão das Danças
De 31 de outubro a 02 de novembro de 2014, 19h
Na Praça Siqueira Campos (Crato-CE)
Para ler a programação, clique e amplie a imagem
+ info.: (88) 9236-1100 / 9939-2001 / 8806-0306.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Poesia de guardanapo e Facebook



por Amador Ribeiro Neto

Pedro Gabriel nasceu em 1984, na África, filho de um suíço com uma brasileira. Vive no Rio e adora os bares cariocas. Publicou Eu me chamo Antônio (Rio de Janeiro: Editora Intríseca), um best-seller.

O livro é uma compilação de desenhos e versos feitos a caneta hidrográfica em guardanapos dos bares e depois publicados no Facebook. Em menos de um ano Pedro Gabriel conseguiu o prodígio de ter mais de 300.000 seguidores.

O fato comprova que a “poesia” contemporânea usa e abusa dos trocadilhos boçais. E de uma visualidade supostamente advinda da poesia concreta.

A quarta capa avisa: trata-se de um volume com “grandes doses de irreverência e pitadas de poesia”. Irreverência? Prefiro dizer subserviência ao mercado editorial de facilidades, pressa e comunicação barata. Pitadas de poesia? Nem isto: há apenas uma mínima porção poética aqui. Aquela que existe enquanto intenção de fazer. E que não se realiza.

Vejamos alguns exemplos colhidos ao acaso: “Estou passando por uma frase difícil”. E, para completar o desastre verbal, quem profere tal desdita é o coração de um paciente estirado no divã. Caso para psicanálise? O leitor decida.

A bela canção de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizada por Elis Regina, é parodiada: “Na dança do amor: dor pra cá, dor pra lá”. Pra completar a cena, a foto de um casal moderninho ensaiando um passo de tango. Dói na alma. Dói no corpo.

Claro que a moda da autoajuda não poderia ficar fora deste livro: “Sonhe alto. O máximo que pode acontecer é você realizar um sonho à altura”. “O amor não dá pontos sem nós”. Trocadilhos baratos. Ponderações pífias. Autoajuda adolescente.

Outro: “Amores sempre vêm e vão, mas nunca vêm em vão”. Que armadilha mais inútil de assonâncias e aliterações. A não ser que se considere válido todo e qualquer trocadilho. Aí, vamos combinar: ser beócio é a chave de entrada no mundo da poesia de Facebook.

Estas frases são desenhadas nos guardanapos de bar como se fossem grafitadas nos muros da cidade. É possível estabelecer relação entre o jovem poeta boêmio e o rapaz grafiteiro? Não: soaria falso. Seria dourar a pílula. Os grafites são anos-luz melhores que as “sacações” de Eu me chamo Antônio.

Na apresentação do livro Pedro Gabriel  diz duas coisas relevantes: 1. “É assim, nesse botequim, / Sem pretensão alguma de ser poesia / Que nasceu a minha poesia”. É o próprio poeta quem avisa. Bobo quem não acredita nele. 2. “Às vezes bebo além da conta e minha letra acaba perdendo um pouquinho de sobriedade também”. Se fosse apenas a caligrafia que perdesse a forma, nenhum problema. Sua “poesia’ não tem forma. Logo, nem existe.

Pra finalizar: “Me amasse como se eu te amasse também”. “De não em não o amor enche o saco”. “O amor só termina quando não começa”. “Um grande amor não tem tamanho”. Basta. Pedro Gabriel emparelha-se com as Angélicas Freitas, os Gregórios Duvivier, as Brunas Beber, os Fabrícios Corsaletti. Fim. 
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 27 de outubro de 2014, p. B-7.

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Sábado no Crato com II Kimlik: A Festa



II Kimlik: a Festa
Com Dudé Casado, Mato Seco, Lavô Tá Novo (Raimundos) e DJ Anderson Almeida
Sábado, 01 de novembro de 2014, 22h
No Crato Tênis Clube
Ingresso: R$30,00. Locais de venda:
- Chilli Beans (Cariri Garden shopping)
- Farmácia Gentil 24hs (Crato)
- Loja Caminho das Pedras
- Studio Uran Tattoo
- Secretaria do Crato Tênis Clube.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

No Crato: Festa de Encerramento da Mostra UFCA com 3 atrações



Festa de Encerramento da Mostra UFCA
Atrações: Banda Manacá, Os Transacionais e DJ Batata
Sexta-feira, 31 de outubro de 2014, 21h
Na Praça da RFFSA (Crato-CE).

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Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 30/10 a 05/11/2014

Tim Maia
(Tim Maia, 2014)
Direção: Mauro Lima
Elenco: Babu Santana, Robson Nunes, Alinne Morais, Cauã Reymond, Laila Zaid, Valdinéia Soriano, Paulo Carvalho, Bryan Ruffo, Luis Lobianco, George Sauma, Tito Naville, Renata Guida
Prod. executiva: Raphael Mesquita, Rômulo Marinho Jr.
Produção: Rodrigo Teixeira
País: Brasil
Gênero: Biografia
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação etária: 16 anos
Sinopse: Desde a sua infância pobre como entregador de marmitas no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, até a sua morte em 1998, o filme, baseado na biografia `Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia´, escrita por Nelson Motta, irá acompanhar a instigante trajetória da vida de Tim Maia, ainda desconhecida de alguns. Sem censura, sem restrições e sem julgamentos, fiel à memória rebelde, desbocada e transgressora de Tim Maia, Sua trajetória vertiginosa desafia a imaginação de qualquer contador de histórias e faz dele um dos personagens mais divertidos e originais do Brasil contemporâneo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 14h30, 17h30, 20h30 (Sala 2)
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O Melhor de Mim
(The Best of Me, 2013)
Direção: Michael Hoffman
Elenco: Michelle Monaghan, Liana Liberato, James Marsden, Luke Bracey, Gerald McRaney, Caroline Goodall, Ian Nelson, Jon Tenney
Produção executiva: Andrew C. Robinson, Tucker Tooley, Jared Underwood
Produção: Justin Burns, Denise Di Novi, Alison Greenspan, Ryan Kavanaugh, Theresa Park, Nicholas Sparks
País: Estados Unidos
Gênero: Drama, Romance
Duração: 117 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: O que você faria se depois de vinte anos reencontrasse o grande amor da sua vida? Amanda (Michelle Monaghan) e Dawson (James Marsden) se apaixonaram perdidamente na primavera de 1964. Ela, uma garota bonita e de família tradicional, via no namorado um porto seguro para toda a sua paixão e seu espírito livre. Separados pelo destino, cada um seguiu o seu caminho até o dia em que um encontro inesperado traz à tona sentimentos que estavam perdidos no passado. O filme é uma adaptação do best-seller O Melhor de Mim, de Nicholas Sparks. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Legendado: 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (Sala 3)
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Drácula - A História Nunca Contada
(Dracula Untold, 2014)
Direção: Gary Shore
Elenco: Luke Evans, Sarah Gadon, Dominic Cooper, Charles Dance, Samantha Barks, Charlie Cox, Zach McGowan, Noah Huntley, Paul Kaye, Tom Benedict Knight
Produção executiva: Joseph M. Caracciolo Jr., Jon Jashni, Alissa Phillips, Thomas Tull
Produção: Michael De Luca
Direção: Gary Shore
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Drama, Fantasia
Duração: 92 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: A mitologia dos vampiros combinada com a história real do príncipe Vlad e a origem do Drácula. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h40, 16h50, 19h10 (Sala 1)
Legendado: 21h30 (Sala 1)
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O Apocalipse: O Começo do Fim
(Left Behind, 2014)
Direção: Vic Armstrong
Elenco: Nicolas Cage, Chad Michael Murray, Cassi Thomson, Lea Thompson, Nicky Whelan, Quinton Aaron, Jordin Sparks, Laura Cayouette, Martin Klebba
Produção executiva: Jason Hewitt, J. David Williams, R. Bryan Wright
Produção: Ed Clydesdale, Paul Lalonde, Michael Walker
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Ficção-científica, Thriller
Duração: 110 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Classificação etária: 12 anos
Sinopse: Adaptação de uma das mais impressionantes profecias da Bíblia, O Apocalipse narra os últimos dias na Terra após o arrebatamento. Em uma interpretação dos eventos descritos na Bíblia Sagrada, a trama acompanha a história de um pequeno grupo de sobreviventes que é deixado para trás junto com milhões de outras pessoas após uma parte da população da Terra desaparecer repentinamente. Investigando as causas desse evento, o jornalista Buck Williams (Chad Michael Murray) cruza o caminho do piloto de aviões Rayford Steele (Nicolas Cage) e de sua filha Chloe Steele (Cassi Thomson). Eles terão a ajuda do Pastor Bruce Barnes (Lance E. Nichols) para entender o que está acontecendo enquanto o mundo entra em colapso, iniciando uma nova era de caos e conflitos. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h50, 16h20, 18h50 (Sala 4)
Legendado: 21h20 (Sala 4)
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Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso
(Alexander and the Terrible, Horrible, Not Good, Very Bad Day, 2014)
Direção: Miguel Arteta
Elenco: Steve Carell, Jennifer Garner, Bella Thorne, Dick Van Dyke, Jennifer Coolidge, Kerris Dorsey, Burn Gorman, Donald Glover, Megan Mullally, Samantha Logan
Produção executiva: Blanca Lista, Jason Lust, Philip Steuer
Produção: Lisa Henson, Daniel S. Levine, Shawn Levy
País: Estados Unidos
Gênero: Aventura, Comédia, Família
Duração: 81 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação etária: livre
Sinopse: Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso da Disney segue as proezas de Alexander, de 11 anos, enquanto ele atravessa o dia mais terrível e horrível de sua jovem vida: um dia que começa com chiclete grudado no cabelo e continua com uma calamidade atrás da outra. Mas quando Alexander conta as desventuras de seu dia desastroso para sua família otimista, ninguém parece compreendê-lo e ele começa a se perguntar se as coisas ruins só acontecem com ele. Logo ele descobre que não está sozinho, quando sua mãe (Jennifer Garner), pai (Steve Carell), irmão (Dylan Minnette) e irmã (Kerris Dorsey) também começam a se ver no mais horrível, terrível e pior dos dias. Qualquer um que diga que não há dias ruins simplesmente nunca viveu um. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (Sala 6)
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O Candidato Honesto
(O Candidato Honesto, 2014)
Direção: Roberto Santucci
Elenco: Leandro Hassum, Luiza Vadetaro, Julia Rabello, Ellen Roche, Victor Leal, Flavio Galvão, Henri Pagnoncelli, Flavia Garrafa, Antônio Pedro, Rafael Infante
País: Brasil
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação: 12 anos
Sinopse: Leandro Hassum é um político muito popular e muito desonesto. Mente para mulher, mente pros colegas, mente pro seu eleitorado. 2014 é ano de eleição para Presidente da República. Nosso Deputado é candidato e com fortes chances de ser eleito. Na véspera de um grande comício, ele cai no chão e quando se levanta algo estranho acontece: ele não consegue mais mentir. Como nosso deputado vai lidar com sua nova situação 'ética'? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h40, 16h10, 18h40, 21h10 (Sala 3)
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A Lenda de Oz
(Legends of Oz: Dorothy´s Return, 2013)
Direção: Will Finn, Dan St. Pierre
Elenco: Vozes de: Dan Aykroyd, James Belushi, Kelsey Grammer, Lea Michele, Tacey Adams, Michael Krawic, Martin Short, Bernadette Peters, Randi Soyland, Oliver Platt
Produção executiva: Greg Centineo, Neil L. Kaufman, Rene Torres
Produção: Roland Carroll, Ryan Carroll, Bonne Radford
País: Estados Unidos
Gênero: Animação, Família, Musical
Duração: 88 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação: livre
Sinopse: A garota Dorothy é levada de volta ao mundo mágico de Oz, onde reencontra os velhos amigos Homem de Lata, Espantalho e Leão. Entretanto, logo ela descobre que todos os habitantes do reino estão correndo sério risco graças aos atos do malvado Jester. Continuação da história exibida em O Mágico de Oz (1939). (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 16h20* (Sala 4)
*somente sábado e domingo
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

No Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/

Programação sujeita a alterações.

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'Minha Vida em Cor-de-Rosa': exibição do filme em Nova Olinda



Cine Café Volante (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Minha Vida em Cor-de-Rosa
Ficha técnica:
Título original: Ma Vie En Rose
Direção: Alain Berliner
Roteiro: Alain Berliner, Chris Vander Stappen
Elenco: Georges Du Fresne, Michèle Laroque, Jean-Philippe Écoffey, Hélène Vincent, Daniel Hanssens, Laurence Bibot, Jean-François Gallotte, Julien Rivière, Gregory Diallo
Duração: 110 minutos
Ano: 1997
Países de origem: Bélgica, França, Inglaterra

"Ludovic tem apenas sete anos de idade e já sabe que é uma menina. O confronto familiar e social em relação ao modo como ele se vê no mundo é o eixo central deste filme emocionante que ensina pais e professores a lidarem com a descoberta da sexualidade na infância." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na sexta-feira, 31 de outubro de 2014, às 19h
Na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda-CE. Entrada gratuita.

Para ler um pouco mais sobre o filme (texto de Gabi Bernardino para a Revista Sétima):
- 'Minha Vida em Cor-de-Rosa' ('Ma vie en rose'), filme de Alain Berliner

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Roda de Conversa com a fotógrafa Jaquelina Rolim na Mostra UFCA



"Jaquelina Rolim, mulher, deficiente visual e fotógrafa, estará presente na Mostra UFCA para conversar um pouco sobre seu trabalho. Primeira fotógrafa cearense a produzir uma exposição fotográfica acessível a pessoas com deficiência visual, ela trará alguns de seus trabalhos para que possamos tocar, sentir e nos apaixonar por este novo olhar sobre a fotografia."
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Roda de Conversa
Com a fotógrafa Jaquelina Rolim
Exposição Olhar do Coração
Quinta-feira, 30 de outubro de 2014, 16h
Na Universidade Federal do Cariri - UFCA (Campus Juazeiro do Norte)
Realização: PROCULT (Pró-Reitoria de Cultura).

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terça-feira, 28 de outubro de 2014

'Vidas Secas', o filme



por Luís André Bezerra

No último mês de julho (de 2013), a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) prestou uma homenagem especial ao escritor alagoano Graciliano Ramos. Dentre as possíveis motivações (além do óbvio reconhecimento à importância e qualidade de sua obra): em dezembro deste ano faz 80 anos do lançamento de sua estreia em livro, com Caetés (1933), e no último mês de março (de 2013) tivemos o 60º aniversário da morte do romancista.

Para a nossa Revista Sétima, naturalmente uma efeméride a ser destacada teria a ver com o cinema. Portanto, enfatizamos o lançamento do filme Vidas Secas, com roteiro adaptado do romance homônimo de Graciliano Ramos (de 1938), filmado por Nelson Pereira dos Santos há 50 anos, em 1963, no interior do estado do escritor: Alagoas.

Embora nosso assunto aqui seja o cinema, mais especificamente o longa do diretor paulistano, a menção a Graciliano Ramos parece inevitável. A adaptação de Vidas Secas é um caso especial de grande aceitação (e de inúmeras menções elogiosas e prêmios) da crítica quando o assunto é adaptação de obra literária para a telona — ainda mais com o desafio de levar para o cinema uma obra tão conhecida e relevante para a literatura nacional.

Quando se fala de "adaptação", comumente temos a história (o enredo) de alguma narrativa literária "adaptada" para muitas das características inerentes à linguagem cinematográfica. Entretanto, muitos dos elogios ao trabalho de Pereira dos Santos em Vidas Secas dizem respeito à capacidade que o diretor apresentou em transpor para a tela muito da estilística literária de Graciliano. No filme, mais do que a história de Fabiano, sinha Vitória, seus dois filhos e da cachorra Baleia (o papagaio vira refeição logo no início do filme, pois "também não servia pra nada, nem sabia falar"), temos uma obra "silenciosa", que se vale da concisão para retratar a sequidão e rudeza de personagens submersos na aridez do sertão.

O silêncio é o verdadeiro condutor da "trilha sonora" do filme. Nada de música de fundo. A música existente é diegética: faz parte da cena, é executada e/ou ouvida por personagens — como nas passagens com a banda cabaçal, o reisado e os cânticos religiosos na hora da missa. Esse é um dado que revela o compromisso da linguagem do filme com a supracitada sequidão, com os personagens igualados a bichos na incapacidade de se manifestar através da linguagem verbal — mais um dado que reforça o silêncio, com poucas falas dos personagens, entrecortadas pelos latidos de Baleia, grunhidos de alguns bichos, rangidos de carros-de-boi, etc.

O Cinema Novo começava a mostrar "sua(s) cara(s)", além de o filme apresentar um forte diálogo com o neorrealismo italiano — na retratação de pessoas simples sem alguma trama "mirabolante", apresentando basicamente fatos "banais" ou acontecimentos isolados, que na junção e na repetição dos infortúnios dos personagens (impossibilitados de melhorarem suas condições de vida) apresentam um panorama aparentemente trivial, mas que muito nos fala sobre a condição humana, sobre a disputa pelo poder (econômico) e a dominação de umas classes sobre outras através da linguagem.

Mas, além disso (ou acima de tudo), os indivíduos (do povo) seguem com a capacidade de insistir, tentando buscar algo melhor, almejando uma vida mais digna. Daí talvez emane a força de Fabiano e sinha Vitória quando recomeçam um nova caminhada (que promete ser longa) no final do filme.

Finalmente têm um momento de conversa, articulam um diálogo efetivo, parecendo encontrar forças e palavras, traçando planos que podem apontar para alguma esperança no futuro. Ele, pragmático e mais realista, deseja que os filhos cresçam e possam seguir sua profissão de vaqueiro; enquanto sinha Vitória, quiçá ancorada pela força (utópica) do seu nome, deseja que os filhos mudem essa história através dos estudos, das leituras, tendo acesso a coisas que eles nunca puderam encontrar nas longas jornadas (sem lar, sem roçado, sem a cama de couro tão sonhada). Não podem parar de andar, até toparem com novos episódios, que nem sempre serão a certeza de um novo (e melhor) destino. 
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Luís André Bezerra é doutor em Letras pela UFPB, professor substituto do Curso de Letras da URCA e integrante da equipe do blog O Berro.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 14, de 11 de dezembro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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Curta o Gênero 2014, na Mostra UFCA



Curta o Gênero 2014
Dias 30 e 31 de outubro de 2014
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Dentro da Mostra UFCA

Programação:

30 de outubro (quinta-feira):
14h30: Cerimônia de Abertura
Marcos Rocha (Fábrica de Imagens), Alexandre Nunes (UFCA) e Marco Aurélio Ramos (BNB)

15h: Mesa Arte, Cultura e Transexualidade
Profª Drª Flávia Teixeira (UFU) e Prof. Ms. Fábio Fernandes (UFOB)
Mediação: Profª Drª Luma Andrade (UNILAB)

17h: Mostra Internacional Audiovisual
- Ontem à noite (Henrique Oliveira, AL-Brasil, 22')
- O olho e o zarolho (Juliana Vicente e René Guerra, SP-Brasil, 17')
- Mariposa (Hamideh Moeinfar, Suécia, 14')
- O segredo segundo António Botto (Rita Alves e Maria Azevedo, Portugal, 12')

19h30: Espetáculo Avental todo sujo de ovo
Grupo Ninho de Teatro


31de outubro (sexta-feira):
15h: Mesa Outros rumos dos estudos de gênero na contemporaneidade
Prof. Dr. Leandro Colling (UFBA) e Profª Drª Simone Schmidt (UFSC)
Mediação: Prof. Ms. Alexandre Nunes (UFCA)

17h: Mostra Internacional Audiovisual
- O jogo (Pedro Coutinho, SP-Brasil, 18')
- Abrigo ao sol (Emerson Evêncio, ES-Brasil, 18')
- The naturalist (Connor Hurley, EUA, 12')
- O segredo dos lírios (Brunna Kirsch e Cris Aldreyn, RS-Brasil, 16').

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Narrativas em Volta do Fogo especial na Mostra UFCA, com Fanka Santos



"Defensora da igualdade de gênero, incentivadora da permacultura na região e seguidora do xamanismo e espiritualismo, Fanka Santos é a convidada do Narrativas em Volta do Fogo especial. Ela compartilhará sua trajetória de vida e um pouco de conhecimento xamânico na mística do fogo." (sinopse da divulgação do evento)

Narrativas em Volta do Fogo apresenta:
O poder do fogo
Convidada: Fanka Santos
Mostra UFCA
Quinta-feira, 30 de outubro de 2014, 18h
No Gramado da ADUFC Cariri.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

'Assédio', filme de Bernardo Bertolucci, em exibição no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Assédio
Ficha técnica:
Título original: L'assedio
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Clare Peploe, Bernardo Bertolucci, James Lasdun
Elenco: Hiam Abbass, Ali Suliman, Rona Lipaz-Michael, Doron Tavory
Duração: 93 minutos
Ano: 1998
Países de origem: Itália, Reino Unido

"Quando seu marido é preso, acusado de propagar ideias subversivas aos seus alunos, a enfermeira Shandurai foge da África, um lugar à beira do caos político, e vai morar na Itália. Lá, para custear sua faculdade de medicina, ela trabalha como empregada para Mr. Kinsky, um excêntrico pianista e compositor inglês. Vivendo praticamente recluso desde a morte da esposa, o músico apaixona-se por Shandurai e passa a assediá-la com presentes e música." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 29 de outubro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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domingo, 26 de outubro de 2014

Mostra UFCA acontece em 5 cidades, de 28 a 31 de outubro de 2014



Mostra UFCA
Palestras, fóruns e conferências; Cinema; Esporte; Lançamento de livros; Exposições; Apresentações artístico-culturais; Minicursos e oficinas
De 28 a 31 de outubro de 2014
Em Juazeiro do Norte, Crato, Brejo Santo, Icó e Nova Olinda

Para conferir a programação completa da Mostra UFCA, clique aqui.

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I Mostra de Curtas-Metragens da UFCA



I Mostra de Curtas-Metragens da UFCA
Um olhar sobre o cinema cearense
Curadoria e mediação: Ythallo Rodrigues
Dias 28 e 29 de outubro de 2014, às 16h e 19h
No Auditório do Centro Cultural Banco do Nordeste
CCBNB Cariri, 7º andar (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.
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Programação:

Dia 28 de outubro (terça-feira), 16h:
Sessão: Moreira Campos
Classificação indicativa: livre
Filmes:
- As corujas (26min, cor, 2009, dir.: Fred Benevides)
- Dizem que os cães veem coisas (12min, cor, 2012, dir.: Guto Parente)
- Visita ao filho (24min, cor, 2014, dir.: Fred Benevides)
Mediação e conversa após a sessão: Ythallo Rodrigues

Dia 28 de outubro (terça-feira), 19h:
Sessão: Narrativas do Desejo
Classificação indicativa: 16 anos
Filmes:
- Acorda (19min, cor, 2013, dir.: Daniel Batata)
- Celina (08min, cor, 2014, dir.: Diego Marcus)
- Passos tortos (12min, cor, 2014, dir.: David Terao)
- Travesthriller (28min, cor, 2014, dir.: Orlando Pereira e Nívia Uchoa)
Mediação e conversa após a sessão: Ythallo Rodrigues

Dia 29 de outubro (quarta-feira), 16h:
Sessão: Na fronteira com o documentário
Classificação indicativa: livre
Filmes:
- Retrato de uma paisagem (28min, cor, 2012, dir.: Pedro Diógenes)
- Mauro em Caiena (18min, P&B, 2012, dir.: Leonardo Mouramateus)
- Cenário (06min, cor, 2014, dir.: Carol Veras, Felipe Gurgel, Mariana Lage e Régis Cunha)
- Até o céu leva mais ou menos (15mi, 13min, cor, 2013, dir.: Camila Battistetti)
Mediação e conversa após a sessão: Ythallo Rodrigues

Dia 29 de outubro (quarta-feira), 19h:
Sessão: Mostra Percursos
Classificação indicativa: 16 anos
Filmes:
Ninguém inventou isso, fui eu que inventei (11min, cor, 2014. Dir.: Camilla Osório, Breno de Lacerda, Hamille Bezerra, Letícia Lenz e Thaís Oliveira)
Novembro #9 (04min, cor, 2014, dir.: Lohayne Lima)
Tokyo sounds (05min, cor, 2014, dir.: Gilberto Manea)
Mixtape dois irmãos (14min, P&B, 2014, dir.: Henrique Gomes e Juliana Siebra)
Quem sabe um dia eu acordo meio você (15min, cor, 2014, dir.: Grenda Lisley)
O completo estranho (25min, cor, 2014, dir. Leonardo Mouramateus)
Mediação e conversa após a sessão: Ythallo Rodrigues.

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'O Porto', filme de Aki Kaurismäki, em exibição no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme O Porto
Ficha técnica:
Título original: Le Havre
Direção e roteiro: Aki Kaurismäki
Elenco: André Wilms, Kati Outinen, Jean-Pierre Darroussin, Blondin Miguel, Elina Salo, Evelyne Didi, Quoc Dung Nguyen, Laika, François Monnié
Duração: 139 minutos
Ano: 2011
Países de origem: Alemanha, Finlândia, França

"Marcel Marx é um escritor boêmio que decide se exilar na cidade de Havre, onde passa seu tempo como engraxate. Mas tudo pode mudar em sua pacata vida quando acaba conhecendo uma criança negra e pobre que acaba de fugir da África." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 27 de outubro de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Poesia e o Prêmio Telecom



por Amador Ribeiro Neto

No próximo mês serão conhecidos os vencedores do Prêmio Portugal Telecom 2014. Em poesia foram 172 livros inscritos. Para a semifinal ficaram 22. E pra final, 4.

A premiação passa por três etapas. A primeira é formada por 300 profissionais do meio literário e elege 60 livros: vinte em cada uma das três categorias – romance, poesia, conto/crônica.

A segunda, por seis jurados mais os quatro curadores. Ela elege os doze livros finalistas. Na terceira e última etapa o júri, com a mesma composição anterior, escolhe o vencedor de cada categoria.

Os curadores são Cintia Moscovich (contos e crônicas), Lourival Holanda (romance), Sérgio Medeiros (poesia) e Selma Caetano (coordenadora). Os jurados: João Cezar de Castro Rocha, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Luiz Costa Lima, Manuel da Costa Pinto e Regina Zilbermann.

Dentre os 22 livros de poesia da segunda fase do concurso não entendo como foi possível figurar entre eles Ligue os pontos, poemas de amor e big bang de Gregório Duvivier; O aquário desenterrado de Samarone Lima; Quadras paulistanas de Fabricio Corsaletti; Rabo de baleia de Alice Sant’Anna e Rua da padaria de Bruna Beber. Todos, sem exceção, adeptos da poesia palatável, cheia de lugar comum. E torpe.

Por outro lado, senti falta de títulos como Bernini de Horacio Costa, A galinha e outros bichos inteligentes de Ronald Polito, Recife, no hay de Delmo Montenegro, Corpos em cena de Susanna Busato, Via férrea de Mário Alex Rosa, Diálogos e sermões de Frei Eusébio do Amor Perfeito de Mafra Carbonieri, O choro da aranha de Sérgio Medeiros, Exília de Alexandre Marino.

Todavia, gostei de reencontrar Adélia Prado com seu belo Miserere, Chico Lopes com Caderno provinciano e Luis Maffei com Signos de Camões.

E, claro, gostei inteiramente da lista dos 4 finalistas: Ximerix de Zuca Sardan; Vozes de Maria Luíza do Amaral; Brasa enganosa de Guilherme Gontijo Flores e Observação do verão seguido de Fogo de Gastão Cruz.

Destes quatro pondero que o mais inventivo, o que possui a linguagem mais irreverentemente rigorosa e que apresenta uma vasta gama de ideias é Ximerix, de Zuca Sardan.

Ele rompe as fronteiras dos gêneros literários ao misturar poesia com drama, HQ com publicidade, música popular eletrônica com erudita. No mesmo caldeirão, junta o vanguardista Mallarmé com as sextilhas dos versos populares. Marx e Chaplin, Eisenstein e Fellini. Nonsense com crítica social didática. Ante sua feroz e ferina inventividade poética o riso vai do chiste ao chulo, num pulo. Carnavaliza o pensamento e a linguagem. Trapaceia com a língua e a literatura de plantão. Desmonta o mise en scène das caras e bocas patricinhas da poesia contemporânea. Sem dó. Com todo gás.

Resumo da ópera: Ximerix é um dos livros mais gostosos de se ler dos últimos anos. E dos mais criativos da nova poesia em língua portuguesa. Merece o Telecom de poesia, sem dúvida alguma.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 17 de outubro de 2014, p. B-7.

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'O Oposto do Sexo', filme de Don Roos, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação e curadoria de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme O Oposto do Sexo
Ficha técnica:
Título original: The Opposite of Sex
Direção e roteiro: Don Roos
Elenco: Christina Ricci, Martin Donovan, Lisa Kudrow, Lyle Lovett, Johnny Galecki, William Lee Scott, Ivan Sergei, Megan Blake, Colin Ferguson
Duração: 105 minutos
Ano: 1998
País de origem: Estados Unidos

"Deedee é uma adolescente precoce que foge de casa, durante o verão, e se instala na casa de Bill, seu meio-irmão, um professor de inglês homossexual." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 25 de outubro de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 23/10 a 29/10/2014

Drácula - A História Nunca Contada
(Dracula Untold, 2014)
Direção: Gary Shore
Elenco: Luke Evans, Sarah Gadon, Dominic Cooper, Charles Dance, Samantha Barks, Charlie Cox, Zach McGowan, Noah Huntley, Paul Kaye, Tom Benedict Knight
Produção executiva: Joseph M. Caracciolo Jr., Jon Jashni, Alissa Phillips, Thomas Tull
Produção: Michael De Luca
Direção: Gary Shore
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Drama, Fantasia
Duração: 92 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: A mitologia dos vampiros combinada com a história real do príncipe Vlad e a origem do Drácula. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h, 16h10, 18h30 (Sala 1)
Legendado: 20h40 (Sala 1)
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O Apocalipse: O Começo do Fim
(Left Behind, 2014)
Direção: Vic Armstrong
Elenco: Nicolas Cage, Chad Michael Murray, Cassi Thomson, Lea Thompson, Nicky Whelan, Quinton Aaron, Jordin Sparks, Laura Cayouette, Martin Klebba
Produção executiva: Jason Hewitt, J. David Williams, R. Bryan Wright
Produção: Ed Clydesdale, Paul Lalonde, Michael Walker
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Ficção-científica, Thriller
Duração: 110 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Classificação etária: 12 anos
Sinopse: Adaptação de uma das mais impressionantes profecias da Bíblia, O Apocalipse narra os últimos dias na Terra após o arrebatamento. Em uma interpretação dos eventos descritos na Bíblia Sagrada, a trama acompanha a história de um pequeno grupo de sobreviventes que é deixado para trás junto com milhões de outras pessoas após uma parte da população da Terra desaparecer repentinamente. Investigando as causas desse evento, o jornalista Buck Williams (Chad Michael Murray) cruza o caminho do piloto de aviões Rayford Steele (Nicolas Cage) e de sua filha Chloe Steele (Cassi Thomson). Eles terão a ajuda do Pastor Bruce Barnes (Lance E. Nichols) para entender o que está acontecendo enquanto o mundo entra em colapso, iniciando uma nova era de caos e conflitos. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h20, 15h50, 18h20 (Sala 2)
Legendado: 20h50 (Sala 2)
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Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso
(Alexander and the Terrible, Horrible, Not Good, Very Bad Day, 2014)
Direção: Miguel Arteta
Elenco: Steve Carell, Jennifer Garner, Bella Thorne, Dick Van Dyke, Jennifer Coolidge, Kerris Dorsey, Burn Gorman, Donald Glover, Megan Mullally, Samantha Logan
Produção executiva: Blanca Lista, Jason Lust, Philip Steuer
Produção: Lisa Henson, Daniel S. Levine, Shawn Levy
País: Estados Unidos
Gênero: Aventura, Comédia, Família
Duração: 81 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação etária: livre
Sinopse: Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso da Disney segue as proezas de Alexander, de 11 anos, enquanto ele atravessa o dia mais terrível e horrível de sua jovem vida: um dia que começa com chiclete grudado no cabelo e continua com uma calamidade atrás da outra. Mas quando Alexander conta as desventuras de seu dia desastroso para sua família otimista, ninguém parece compreendê-lo e ele começa a se perguntar se as coisas ruins só acontecem com ele. Logo ele descobre que não está sozinho, quando sua mãe (Jennifer Garner), pai (Steve Carell), irmão (Dylan Minnette) e irmã (Kerris Dorsey) também começam a se ver no mais horrível, terrível e pior dos dias. Qualquer um que diga que não há dias ruins simplesmente nunca viveu um. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h30, 16h30, 18h40, 20h30 (Sala 6)
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Fúria
(Tokarev, 2014)
Direção: Paco Cabezas
Elenco: Nicolas Cage, Rachel Nichols, Peter Stormare, Aubrey Peeples, Danny Glover, Max Ryan, Elena Sanchez, Pasha D. Lychnikoff, Weston Cage, Jack Falahee
Produção executiva: Jim Agnew, Hayley Arabia, Martin J. Barab, Cam Cannon, Luis de Val, Patricia Eberle, Sean Keller, Frederico Lapenda, Michael Nilon
Produção: Michael Mendelsohn, Richard Rionda Del Castro
Países: EUA, França
Gênero: Ação
Duração: 98 minutos
Distribuidor: California Filmes
Classificação etária: 16 anos
Sinopse: Paul Maguire (Nicolas Cage) esteve envolvido durante muito tempo com o mundo do crime, mas hoje ele tenta viver uma vida tranquila, protegendo a sua filha. Um dia, no entanto, a garota é assassinada pelos líderes da máfia russa. Paul decide reunir os amigos de antigamente e se vingar dos assassinos. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h, 15h10, 19h30 (Sala 4)
Legendado: 21h40 (Sala 2)
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Na Quebrada
(Na Quebrada, 2014)
Direção: Fernando Grostein Andrade
Elenco: Jorge Dias, Felipe Simas, Daiana Andrade, Domenica Dias, Jean Luis Amorim, Emanuelle Araujo, Claudio Jaborandy, Eucir de Souza
Produção: Carlos Ciampolini, Luciano Huck, Paulo Ciampolini
País: Brasil
Gênero: Drama
Duração: 94 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação etária: 14 anos
Sinopse: Nas quebradas da maior metrópole do Brasil, entre tiros, perrengues, amor e ódio, histórias de jovens se misturam e colidem em busca de sonhos e escolhas. Inspirado em histórias reais, o longa-metragem `Na Quebrada´ revela a luta e as escolhas de jovens que cresceram entre armas, crimes e muitas dificuldades: Zeca sobreviveu a uma chacina. Gerson nunca viu seu pai fora das grades. Mônica é diferente de todos da família. Junior é fascinado por consertos de televisões. Joana sonha com a mãe que nunca conheceu. Esses jovens descobrem o cinema como um caminho para desafiar seus destinos. Até que ponto o seu passado determina o seu futuro? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 19h, 21h10 (Sala 5)
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Os Boxtrolls
(The Boxtrolls 3D, 2013)
Direção: Graham Annable, Anthony Stacchi
Elenco: Vozes de: Simon Pegg, Elle Fanning, Nick Frost, Ben Kingsley, Jared Harris, Richard Ayoade, Tracy Morgan, Dee Bradley Baker, Steve Blum, Nika Futterman, Pat Fraley, Fred Tatasciore
Produção: David Bleiman Ichioka, Travis Knight
País: Estados Unidos
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Duração: 97 minutos
Distribuidor: Universal Pictures
Classificação: livre
Sinopse: A animação retrata a história de uma cidade habitada por pessoas fanáticas por elegância e queijos. Amaldiçoada por monstros que moram no subterrâneo, a região sofre com roubo de suas crianças e de seus adorados queijos durante as noites. Baseado no livro Here Be Monsters, de Alan Snow. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 17h20 (Sala 4)
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O Candidato Honesto
(O Candidato Honesto, 2014)
Direção: Roberto Santucci
Elenco: Leandro Hassum, Luiza Vadetaro, Julia Rabello, Ellen Roche, Victor Leal, Flavio Galvão, Henri Pagnoncelli, Flavia Garrafa, Antônio Pedro, Rafael Infante
País: Brasil
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação: 12 anos
Sinopse: Leandro Hassum é um político muito popular e muito desonesto. Mente para mulher, mente pros colegas, mente pro seu eleitorado. 2014 é ano de eleição para Presidente da República. Nosso Deputado é candidato e com fortes chances de ser eleito. Na véspera de um grande comício, ele cai no chão e quando se levanta algo estranho acontece: ele não consegue mais mentir. Como nosso deputado vai lidar com sua nova situação 'ética'? (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (Sala 3)
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A Lenda de Oz
(Legends of Oz: Dorothy´s Return, 2013)
Direção: Will Finn, Dan St. Pierre
Elenco: Vozes de: Dan Aykroyd, James Belushi, Kelsey Grammer, Lea Michele, Tacey Adams, Michael Krawic, Martin Short, Bernadette Peters, Randi Soyland, Oliver Platt
Produção executiva: Greg Centineo, Neil L. Kaufman, Rene Torres
Produção: Roland Carroll, Ryan Carroll, Bonne Radford
País: Estados Unidos
Gênero: Animação, Família, Musical
Duração: 88 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Classificação: livre
Sinopse: A garota Dorothy é levada de volta ao mundo mágico de Oz, onde reencontra os velhos amigos Homem de Lata, Espantalho e Leão. Entretanto, logo ela descobre que todos os habitantes do reino estão correndo sério risco graças aos atos do malvado Jester. Continuação da história exibida em O Mágico de Oz (1939). (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h40, 16h50 (Sala 5)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

No Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/

Programação sujeita a alterações.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Elói Teles de Morais: programa Coisas do Meu Sertão do dia 02/11/1999

No último dia 09 de outubro (de 2014) completaram-se 14 anos do falecimento do radialista, escritor e folclorista Elói Teles de Morais.

Para registrar uma homenagem ainda neste mês de outubro, disponibilizamos duas gravações feitas do programa Coisas do Meu Sertão, na Rádio Educadora (Crato-CE), no dia 02 de novembro de 1999, com Seu Elói recitando alguns poemas.

Poesia de Francisco Benício de Oliveira:


Poema de Geraldo Barbosa e um poema de Zé Praxedes:


Clique nos links abaixo para ouvir outras gravações com Elói Teles:

- 'Seu Elói' e o Programa Coisas do Meu Sertão
- Poema em homenagem à Rádio Educadora na voz de Seu Elói Teles

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Cinema brasileiro na estrada



por Luís André Bezerra

Na reunião que pautou esta edição da Revista SÉTIMA, o editor Elvis Pinheiro sugeriu como mote uma fala do professor Paulo Cunha, da UFPE, que destacava o viés do «estar na estrada» do cinema brasileiro. Partindo apenas da ideia geral, assumi então o compromisso de falar sobre filmes nacionais com esse espírito de «pé na estrada».

No exercício de puxar pela memória, lembrei que justamente o último filme que vi em uma sala de cinema foi uma produção nacional com essa temática: À Beira do Caminho, dirigido por Breno Silveira (2012). No enredo, a história do pequeno Duda, sozinho após a morte da mãe e obstinado a viajar até São Paulo para tentar conhecer o pai. Na estrada acaba conhecendo o caminhoneiro João (João Miguel), um antigo fã de Roberto Carlos. As canções do «Rei» embalam a história, com quilômetros de encontros e desencontros. Fácil também lembrarmos do início da carreira do próprio Roberto Carlos (na Jovem Guarda, anos 60), com todo um apreço pela velocidade, carros e «curvas da estrada de Santos».

Na busca pelo pai do Duda temos um diálogo com uma produção brasileira bastante conhecida: Central do Brasil, de Walter Salles. No filme de 1998, Dora, uma «escrevedora de cartas», se aproxima de Josué, que após a morte da mãe deseja conhecer o pai, que mora a milhares de quilômetros do Rio de Janeiro. A estrada (desconhecida) passa a ser o fio de esperança para o encontro com o desconhecido, para a possível construção de uma nova história de vida (tentando amarrar passado, presente e futuro).

Podemos encontrar a fenda de esperança (e a marca da decepção) nascida com a estrada em Iracema - Uma Transa Amazônica (Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1976): a promessa de que a (recém-inaugurada à época) Rodovia Transamazônica fosse sinônimo de desenvolvimento e progresso para a região Norte do Brasil. E na história conhecemos articulações político-econômicas para o controle das estradas e terras, que enriquecem uma elite que finge ignorar a exploração do trabalho escravo, a prostituição como uma das poucas alternativas para muitas mulheres (algumas ainda adolescentes) e o desmatamento de florestas.

Bye Bye Brasil (Cacá Diegues, 1979) também segue viagem na Transamazônica, com um grupo de artistas mambembes acreditando que melhores oportunidades sempre estarão por vir na próxima cidade. De vilarejo em vilarejo, nos recantos mais humildes do país, os artistas agarram-se à expectativa do Lorde Cigano (José Wilker), de que a chegada à cidade paraense de Altamira significará nova sorte para eles. Quando a Caravana Rolidei segue um caminho diferente do novo propósito do acordeonista Ciço e de sua esposa, Dasdô, temos um conflito entre o partir ou o ficar, ambos alimentados pela esperança de melhores oportunidades.

Por fim, saindo um pouco dessa expectativa de novas oportunidades socioeconômicas, consideremos o filme Estrada para Ythaca, dos cearenses «Irmãos Pretti e Primos Parente», de 2010. Na película, o silêncio e a falta de indicadores de «para onde, quando e porque estamos indo» insere o espectador em uma viagem (ao lado dos atores-diretores) rumo ao suposto encontro de Júlio, um grande amigo já falecido (interpretado pelo cineasta juazeirense Ythallo Rodrigues).

A estrada é tomada como espaço vivo (e vivido) por cada sentido dos personagens, interagindo com bebidas, comidas, fogo, ventos, luz, escuridão, silêncio, barulhos (de poucos carros na estrada, de pássaros, de uma gaita). Algo que remeta à «vida prática» aparece, ironicamente (ou como o grande propósito disso tudo), em forma de metalinguagem, com o «personagem morto» reencenando a atuação de Glauber Rocha no filme Vento do Leste (Jean-Luc Godard, 1969), ao indicar na encruzilhada a opção pela «estrada para Ythaca» como um caminho para o cinema do terceiro mundo: «perigoso, divino e maravilhoso». Estradas «perigosas, divinas e maravilhosas» do cinema brasileiro.

Precisamos aqui fazer um recorte com alguns poucos filmes, mas tanto mais poderia se falar de Cinema, Aspirinas e Urubus (Marcelo Gomes, 2005), de O Caminho das Nuvens (Vicente Amorim, 2003) ou da grande trajetória (a pé) da família de retirantes em Vida Secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), etc. E mesmo em produções estrangeiras recentes, temos o brasileiro Walter Salles dirigindo filmes como Diários de Motocicleta (2004) e, mais recentemente, o Na Estrada (2012), adaptação do romance On The Road, de Jack Kerouac.

As razões para essa «sina» do (cinema) brasileiro já seria assunto para outras páginas. Textos que possam vasculhar essa verve utópica de buscar sempre novas paisagens, conhecer novos personagens — seja por implicações sócio-econômicas ou pela pura sede de descoberta, na esperança de que a próxima parada seja a «terra prometida», a nova «Pasárgada». 
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Luís André Bezerra é doutor em Letras pela UFPB, professor do Curso de Letras da URCA e integrante da equipe do blog O Berro.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 14, de 11 de dezembro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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'Made in Ceará': comédia com Edmílson Filho no Crato



Made In Ceará
Uma comédia internacional cearense com Edmílson Filho
O Francisglaydsson do filme Cine Holliúdy
Sexta-feira, 24 de outubro de 2014, 21h
No Crato Tênis Clube
+ info.: (88) 3512.2999 / 3511.8880 / 9624.1716.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Janaina Cruz lança o livro 'Mais Dia, Menos Dia' em Juazeiro do Norte



"Janaína Cruz escreve desde os 12 anos de idade. De lá para cá, lançou seis livros de poesias, sendo agraciada com alguns prêmios literários. É membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza (ALAF) e da Academia de Letras do Brasil (ALB - Seccional Suíça). Cursa Letras na URCA." (sinopse da divulgação do evento)

Lançamento do livro Mais Dia, Menos Dia
De Janaína Cruz
Coordenação: Henoque Viríssimo de Amorim
Produção/Mediação: Monte de Coisas
Performance: Nátali Mikaela, Nicolas Anderson, Gabriel de Oliveira, Saskia Lemos, Bruno Harper, Tallyta Paula, Pippa, Felipe Fonseca Nobre
Quinta-feira, 23 de outubro de 2014, 19h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Entrada gratuita.

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'Lemon Tree', filme de Eran Riklis, em exibição no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme Lemon Tree
Ficha técnica:
Título original: Etz Limon
Direção: Eran Riklis
Roteiro: Suha Arraf
Elenco: Hiam Abbass, Ali Suliman, Rona Lipaz-Michael, Doron Tavory
Duração: 106 minutos
Ano: 2008
Países de origem: Israel , Alemanha, França

"Salma, uma viúva palestina, vê sua plantação ser ameaçada quando seu novo vizinho, o Ministro de Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro, e, por isso, precisam ser derrubados. Junto com o jovem advogado Ziad Daud, Salma resolve levar o caso à Suprema Corte de Israel e tentar salvar sua plantação." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 22 de outubro de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Artesanato em Biscuit: oficina gratuita em Juazeiro do Norte



"Técnica de artesanato em porcelana fria, o biscuit. Tornando o aluno um profissional capacitado para desenvolver a técnica. Os conteúdos vão do ensino da preparação da massa ao feitio de lembrancinhas para as mais diversas ocasiões." (sinopse da divulgação do evento)

Oficina de Formação Artística
Artesanato em Biscuit
Facilitadora: Isabel Batista (Teresina-PI)
Dias 21, 22, 23 e 24 de outubro de 2014, 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri (Juazeiro do Norte-CE)
Inscrições gratuitas na recepção do CCBNB
16h/a; 20 vagas.

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P@je realiza debate sobre Diversidade Sexual e de Gênero



Debate sobre Diversidade Sexual e de Gênero
Sábado, 18 de outubro de 2014, das 14h às 17h
Na URCA - Campus Pirajá (Juazeiro do Norte-CE)
Realização: P@je - Programa de Assessoria Jurídica Estudantil.

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Projeto Garagem: encontro para atitudes e atividades artísticas



por Danilo Acácio

Aproveitando o I Escambito de Teatro de Rua, o Grupo Garagem chega com a oportunidade de organizar um espaço que, a partir de agora, propõe gerar encontros que sejam viáveis para possíveis atitudes e atividades artísticas.

A Vila do Caldas, na Chapada do Araripe, em Barbalha (Cariri do Ceará), é o lugar que espera você para boas conversas e negociações artísticas, culturais.

O objetivo principal é fomentar a diversidade cultural junto à comunidade local  e círculos de vizinhança do Distrito do Caldas para desenvolvimento sócioeducativo por meio das artes.
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Clique aqui para ver a programação do I Escambito de Teatro de Rua.

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O menino mais rico do Crato

por Wellington Bringel

Houve uma época, nas cidades do interior, que a tecnologia ainda não havia disponibilizado as opções de brinquedos e passatempos eletrônicos. Nesse momento de que falo não existia computador, telefone celular e outras engenhocas que facilitam o mundo moderno. A própria televisão era ainda uma novidade que ainda não havia hipnotizado as mentes das pessoas. As crianças brincavam na rua.

Na rua tinha o tempo de tudo. Cada coisa reinava por um momento, até a meninada abusar daquilo, e era sucedida por outra brincadeira, e aquela brincadeira que era abandonada voltava novamente mais na frente. Tinha o tempo do peão, o tempo do triângulo, o tempo das corridas, o tempo da baladeira etc. No tempo das ciriguelas, manga ou caju era tempo de viver trepado nas árvores dos quintais. Quando chegava nos meses com vento mais forte era tempo de soltar pipa, e o futebol era jogado o ano todinho às custas de cabeças de dedos dos pés esfolados nas pedras das ruas sem asfalto.

Houve uma brincadeira, porém, que reinou por alguns anos no gosto da meninada do meu trecho. Foi o tempo de juntar carteiras de cigarro. O negócio começou devagarzinho por ali e de repente virou uma febre no mundo da meninada. E tome menino andando nas ruas do Crato de dia e de noite procurando carteira de cigarro. As carteiras eram cuidadosamente abertas em suas partes coladas e depois dobradas de uma maneira que ficassem parecendo com cédulas de dinheiro. E era isso que elas representavam: simplesmente dinheiro. O valor de cada marca de cigarro era o valor simbólico, para nós, proporcional à dificuldade de se encontrar aquela marca pelas ruas. Assim, as carteiras de Clássicos e Arizona (cigarros baratos, sem filtro), que eram achados facilmente nas calçadas de bares e em praças, valiam, comparando com a moeda de hoje, um real. Continental, um cigarro popular mas que pelo menos tinha filtro, valia cinco reais. Hollywood valia dez reais. Minister valia vinte reais. Carlton e Hilton valiam cinquenta reais. E havia os cigarros importados como Marlboro, Kent, Benson & Hedges etc., difíceis de encontrar, que valiam cem reais.

Esse dinheiro tinha valor dentro da sociedade dos meninos. Tinha lastro. Com esse dinheiro os meninos movimentavam uma micro economia só deles. Com esse dinheiro compravam brinquedos uns dos outros, revistas, lanches e tudo o mais que um menino considerasse seu e pudesse vender. Eu, que na sociedade real não nasci exatamente num berço de ouro, vi naquele negócio uma oportunidade de ter um tanto de coisas que a minha mãe não podia comprar para mim. E eu trabalhava duro. Passava no mínimo três horas do meu dia andando pelas ruas de olhar fixado no chão procurando carteiras de cigarro.

Rapidamente juntei considerável número de carteiras que encheram algumas caixas de sapato. Continuei “trabalhando” e logo precisei dispor de uma mala. Mais à frente esvaziei um velho baú que tinha lá em casa para também enchê-lo de carteiras de cigarro. Quando esses objetos não estavam mais comportando a fortuna, comecei a encher o guarda roupa de minha mãe, que não aceitou aquilo porque as roupas dela estavam ficando impregnadas do cheiro de cigarro, coisa que ela detestava.

Além de trabalhar duro, eu também conhecia os atalhos e os caminhos das pedras. Eu descobri que os lixos dos poucos hotéis existentes no Crato, na época, eram verdadeiras minas de carteiras de cigarro importados (os mais valiosos), que eram trazidos pelos viajantes comerciais que vinham de outros estados. Quando comecei a aparecer com um considerável número dessas carteiras, os outros meninos passaram a me seguir para descobrir o mapa da mina. Despistei como pude mas eles acabaram descobrindo tudo. Só que eu havia partido na frente e tinha bem mais importadas do que eles.

Havia também um tipo de cigarro especial, raríssimo, que era fabricado exclusivamente para ser distribuído gratuitamente com os funcionários da Souza Cruz. Essas carteiras vinham com a gravura de uma grande estrela de cinco pontas, parecido com aquelas de xerife, e com as palavras “PROIBIDA A VENDA” impressas. A Souza Cruz, no Crato, tinha apenas uns cinco funcionários. Essas carteiras de uso exclusivo deles, espécie de cortesia da empresa, eram portanto difíceis de se achar na rua. Ficou acordado que uma “proibida a venda” (era assim que a gente chamava aquelas) valia duzentos reais. Ocorre que quase vizinho à minha casa morava um funcionário da Souza Cruz. Era Seu Araújo. Seu Araújo todo dia me dava uma daquelas “proibida a venda”. Pedi para que ele também trouxesse as carteiras do seus colegas de trabalho. Ele me deu várias por algum tempo. Mas logo os outros meninos também descobriram e passaram a assediar os funcionários da Souza Cruz. Só que mais uma vez eu havia partido na frente.

Eu já era um milionário. Mas a grande jogada que me fez entrar para o seleto grupo dos bilionários da revista Forbes aconteceu quando eu tive a ideia de montar um Cassino. Um dia, brincando na casa de um menino lá do trecho, eu vi jogado num canto do quarto um brinquedo que era uma miniatura de um Cassino. Consistia de uma mesinha com uma espécie de papelão plastificado com onze números, de dois a doze. Tinha também dois dados e um tanto de fichas. Perguntei se ele vendia o brinquedo e ele falou que vendia por mil reais (esses valores falo para que se possa ter uma ideia da coisa, evidentemente que naquele tempo não havia o real). Vendia por mil reais e ainda com a condição de que eu pagasse com carteiras importadas e proibidas a venda.

Aquilo era uma mixaria pra mim. Fechei negócio. “Aluguei” a garagem da casa de um outro menino e instalei o Cassino Fluminense. Na primeira noite já ganhei o valor do investimento multiplicado por vinte. Os meninos compravam as fichas e apostavam em um ou mais números. Eu jogava os dois dados e a soma que eles davam indicava o número vencedor. Evidentemente só um número ganhava e os outros dez perdiam. Um verdadeiro negócio da China. Ao vencedor eu pagava o valor apostado multiplicado por seis. E muitas vezes ninguém ganhava, quando dava um número que ninguém apostou.

O sucesso do Cassino Fluminense em grande parte se deu pela credibilidade que a casa tinha de poder pagar os prêmios. Outros meninos tentaram copiar a ideia mas não tinham cacife para conquistar a credibilidade dos desconfiados apostadores. Como acontece com o jogo de azar em geral, os meninos ficaram meio viciados e em poucos meses eu quintupliquei minha fortuna. Ganhei muito dinheiro. Eu era agora O MENINO MAIS RICO DO CRATO. Comprava o que queria dos meninos. Comprava inclusive proteção de meninos mais velhos e mais fortes, para me defender dos que não iam muito com a minha cara. No auge da minha fortuna cheguei a comprar uma bicicleta usada por trinta mil reais. Passei uma semana com a bicicleta até que a mãe do menino descobriu o negócio e foi lá em casa buscar a bicicleta e nem devolveu minhas carteiras de cigarro. Queimou trinta mil reais. Mas eu ganhava aquilo em duas noites.

Tudo corria bem até que Diógenes, um menino que já estava entrando na pré-adolescência e que já não estava vendo tanta graça naquelas coisas, já estava pensando em namoradas e outras coisas, resolveu apostar todas as carteiras dele de uma vez. Ele me desafiou a apostar a fortuna dele, que era considerável, se eu pagasse dez vezes o valor apostado. O meu orgulho e o silêncio que os meninos fizeram quando ele lançou o desafio me fizeram entender que eu não poderia recusar o duelo. Ninguém apostou mais naquela rodada. Fizemos os cálculos do valor das carteiras dele e eu não tinha fichas suficientes para atender tal valor. Ficou calculado em cerca de cento e vinte mil reais. Caso eu perdesse teria que pagar um milhão e duzentos mil reais.

Ele caprichosamente apostou tudo no primeiro número do jogo. Apostou tudo no número dois. Eu propus a ele lançar um dado de cada vez. Ele falou que por ele tudo bem. A frieza dele estava me deixando nervoso. Se o primeiro dado desse qualquer número diferente de um eu já ganharia. O primeiro dado foi lançado e deu o número um. A tensão subiu assustadoramente. Tudo estava agora por um dado. Minha cabeça era um torvelinho de pensamentos. Diógenes, de maneira assustadora e irritante, parecia não estar nem aí. Tive que lançar o segundo dado e pareceu uma eternidade até que ele parasse de girar e... parar... marcando o número um.

Em um milionésimo de segundo percebi que havia perdido um terço da minha fortuna material. Meio tonto fui até minha casa pegar o valor a ser pago. Diógenes havia quebrado a banca. Tive que pedir ajuda a dois amigos pra me ajudar a trazer a mala e algumas caixas de sapato cheinhas de “dinheiro”. Caprichosamente dei um jeito de não pagar nenhuma carteira importada e nem “proibida a venda”. Demorei pra contar o valor a ser pago e chegou um menino lá em casa dizendo que Diógenes estava dizendo que eu não voltaria com a grana. Aquilo mexeu com meus brios. Voltei lá e praticamente joguei as carteiras nos pés dele, mesmo correndo o risco de levar uns cascudos, pois ele era bem maior do que eu.

Depois desse prejuízo fui pegando uma maré de azar e tendo outros prejuízos consideráveis, embora ainda ganhasse mais do que o que o que perdia. Mas estava perdendo o gosto pelo negócio. Os meninos também foram começando a enjoar daquele negócio e o Cassino Fluminense teve o seu ocaso. Já não tinha encanto suficiente para concorrer com Durango Kid, Perdidos no Espaço, Nacional Kid, Daniel Boone, Bonanza e outras atrações em preto em branco da, agora sim, hipnotizante televisão.

Durante muitos anos conservei minhas carteiras de cigarro guardadas em uma espécie de despensa que havia lá em casa. Um dia, quando já estava trabalhando em uma cidade próxima do Crato, cheguei em um final de semana e descobri que minha mãe havia jogado tudo no lixo.
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Wellington Bringel é bancário e escreve por passatempo.

Ilustração: Reginaldo Farias.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

'Os Bastidores de Shirley Dayanna': Percursos Urbanos de outubro



"Travesthriller, um filme de Orlando Pereira e Nívia Uchôa. O curta surgiu a partir da leitura do cordel homônimo de Salete Maria, além de ambos os realizadores terem a vontade de criar algo  focado nas travestis, com base nos estudos já desenvolvidos.

No próximo Percursos Urbanos, 18/10, visitaremos alguns dos sets de filmagens para entender a produção dessa obra e conversar com os participantes, para compreendermos como foi a criação e os bastidores do filme. Nossa mediadora será Nívia Uchôa, idealizadora do curta e fotógrafa. Contaremos também com a participação de alguns dos integrantes que ajudaram para que o trabalho deixasse de ser apenas uma ideia e tornasse algo real." (sinopse da divulgação do evento)
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Percursos Urbanos com o tema:
Os Bastidores de Shirley Dayanna
Mediadora: Nívia Uchôa
Sábado, 18 de outubro de 2014, 15h
Inscrições gratuitas no Centro Cultural Banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
É necessário porte de RG.
Logo em seguida: exibição do filme Travesthriller no Teatro do CCBNB Cariri, às 18h.

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Poesia dialogada



por Amador Ribeiro Neto

Depois de selecionar 22 finalistas, o Prêmio Portugal Telecom 2014 anunciou os 4 “finalistas-finalíssimos”. Dentre eles três foram comentados nesta coluna: Ximerix de Zuca Sardan, Vozes de Ana Luísa Amaral e Observação do verão seguido de Fogo de Gastão Cruz

Guilherme Gontijo Flores (Brasília, 1984), mestre em Estudos Literários pela UFMG, tradutor, professor de Língua e Literatura Latina na UFPR, é autor do quarto livro selecionado: Brasa enganosa (São Paulo: Editora Patuá).

O livro é um belo volume de respeitáveis 160 páginas de poesia feita a partir de um deliberado projeto das mais variadas citações diretas e indiretas, de diferentes campos e códigos das artes. Este procedimento que poderia ser facilmente tomado como intertextualidade barata ou mera colagem, não o é. Antes: é um recurso de que o poeta se vale para reescrever a poesia atual em diálogo com a tradição e a poética de nosso tempo.

A cidade e Haroldo de Campos são duas das grandes referências desta poesia. A cidade com seus tentáculos avassaladores. Haroldo, pela linguagem poética e pelo mundo erudito que encerra.

Guilherme Gontijo Flores escreve com a exatidão de poucos. Seu livro é um tecido inconsútil da primeira à última página. Sem dúvida Brasa enganosa aponta para um talento que promete muito.

Sextilhas formadas por versos decassílabos heroicos e sáficos. Quintilhas octossílabas. Soneto petrarquiano. Versos livres. Caligrama. Etc. O poeta vale-se de vários recursos da versificação para fazer uma poesia que se pensa enquanto linguagem e enquanto tema da vida e sua representação.

Lidando tanto com fontes da literatura antiga, como da contemporânea, sua poesia vai de Catulo a Caetano Veloso, passando por Octavio Paz, Cortázar, Augusto de Campos, Leminski, Dante, Baudelaire, Drummond, Roberto Piva, Lezama Lima, Bandeira, Wallace Stevens, Cabral, Walt Whitman, Fernando Pessoa, Borges, Catulo, Safo, Horácio, Apollinaire, John Cage, Bob Dylan. Mas acima de tudo Haroldo de Campos.

A forma da poesia de Guilherme Gontijo Flores emociona pela leveza. Seduz pela serenidade. Encanta pela fluência.

“Daguerreótipos de cão” dialoga imagens em negativo de um cão, um meio cão, um quase cão e um não cão, com versos de intensa plasticidade e musicalidade verbais. Cabral é uma linha no horizonte do vasto quadro composto pelas quatro estrofes de parcimoniosos versos deste poema.

“Labirinto” mistura Borges e Augusto de Campos em 25 quintilhas octossílabas que podem ser lidas de forma intercambiável, como se o olho percorresse labirintos de um poema pop-barroco. O sentido transmuta-se numa cena de rápidas sequências verbo-visuais.

Além disto, as referências explícitas a Maliévitch, Godard, Degas, Cézanne e Picasso fazem ver que o poeta sabe usar as tintas da palavra na tela da poesia. 
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 10 de outubro de 2014, p. B-7.

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