domingo, 29 de junho de 2014

'O Ébrio', filme de Gilda Abreu, com Vicente Celestino



por Márcio Silvestre

O filme em destaque é O Ébrio, de 1946, roteiro e direção de Gilda Abreu, inspirado na canção homônima de Vicente Celestino, seu marido e parceiro na criação desse filme.

Estrelado por Vicente Celestino, seu personagem Gilberto Silva, um homem de coração puro que, após a falência do pai, vai à cidade grande em busca de melhorar de vida e terminar os seus estudos; lá chegando os familiares lhes negam ajuda e ele acaba nas ruas. Depois de muito perambular e dormir em praças, encontra numa igreja a tão esperada porta aberta, faz amizade com o Padre que lhe oferece moradia e lhe incentiva a procurar emprego.

Sua sorte começa a mudar desde então: inscreve-se em um concurso de calouros numa rádio, onde garante o primeiro lugar ao cantar sua historia na canção "Porta Aberta", virando assim um cantor exclusivo da emissora de rádio que o apresentou ao mundo e, ao ser contratado, pôde terminar seus estudos de medicina. Anos depois, já formado, concilia as duas profissões. Médico durante o dia e cantor de rádio à noite. No hospital conhece Marieta, uma enfermeira zelosa que o admira e com quem tempos depois se casa.

Ao ficar rico, aqueles familiares que o rejeitaram vieram ao seu auxílio, fingindo-se de amigos, entre eles o primo José, um algoz que arquiteta um plano para roubar sua esposa. Quando consegue, Gilberto se vê sozinho, triste sai pelas ruas sem rumo e decide forjar a própria morte, entrega-se à bebedeira, tornando-se um ébrio sem destino, desolado e cheio de mágoa.

"Tornei-me um ébrio e na bebida eu busco esquecer aquela ingrata que me amava e que me abandonou. Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer. não tenho lar e nem parentes, tudo terminou".

O Ébrio, melodrama cantado, foi um sucesso de bilheteria e um dos filmes mais populares do Brasil, ficando duas décadas em cartaz. 
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Márcio Silvestre é ator/professor de teatro. Trabalha com artes cênicas desde 2004, tem registro no sindicato dos artistas e técnicos em espetáculos de diversão (SATED-CE) e leciona teatro em escolas desde 2009. Atualmente graduando em jornalismo pela UFCA.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 11, de 20 de novembro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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'Yella', filme de Christian Petzold, em exibição no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Encontro com o Cinema Alemão
Exibição do filme Yella
Título original: Yella
Direção: Christian Petzold
Roteiro: Christian Petzold, Simone Baer
Elenco: Nina Hoss, Devid Striesow, Hinnerk Schönemann, Burghart Klaußner, Barbara Auer, Christian Redl, Selin Bademsoy, Wanja Mues, Michael Wittenborn
Duração: 89 minutos
Ano: 2007
País de origem: Alemanha

"Yella parte. Ela anseia pelo futuro. Deseja que a existência que tem levado se torne simplesmente uma questão do passado. Durante a viagem, conhece um homem que opera no mercado de capital de risco. Yella dá provas de competência como sua assistente, mas momentos de sua vida pregressa misturam-se à sua nova vida." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 30 de junho de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Poesia de linhas



por Amador Ribeiro Neto

Um livrobjeto para crianças. De alta qualidade textual, gráfica e ilustrativa. Um brinquedo que se manuseia como um passo de frevo: de um lado para outro lado do lado de lá do lado que é lá do lado de lá. Assim é Formigas, de Mário Alex Rosa com ilustrações de Lílian Teixeira (São Paulo: Editora Cosac Naify).

Um livro que sabe ser lúdico e guardar alta voltagem literária. Um livro que se desenha no caminho das formigas. Nas marcas do dedinho do menino que as acompanha selando seu caminho. E ele, distraído, sela o caminho delas. O que era uma linha transmuta-se em várias. O uno se torna múltiplo. Como se o caos se intrometesse no roteiro geneticamente determinado das formigas.

Que criança não gosta de se intrometer na “lógica” da vida? Seja vida adulta,  vida dos animais, vida da linguagem? Que criança não é um pouco Bandeira brincando de poeta em “tiradas” mágicas de palavras, gestos e sons inusitados?

Pois Mário Alex Rosa sabe captar este olhar da criança. Este comportamento da criança. Este modus operandi e vivendi da criança. Ele e a Lílian Teixeira. Claramente o livro não existiria sem esta composição verbo-visual. Os dois formam um todo indissolúvel. Como a dança e o bailarino, na observação exata de Valéry.

Tira-se o livro de seu envelope-caixinha e imediatamente ele se abre em mil caminhos que, no início, seguem como um poema em linha reta. Para, lá pelas tantas,  bifurcar-se. E, ao final, multiplicar-se em linhas retas e em elipses, entrecruzando, entrelaçando, interpenetrando-se frenética, elétrica e hipnoticamente.

Ao ponto de aquilo que era o lado de trás da folha abrir-se como folha de frente. E daí a história, a ilustração voltam em espelho. Como a vida é. Como a linguagem se faz. Como as formigas reagem.

Um livro delicado. Sutil. Amoroso. Lê-lo é mergulhar no sublime. É imergir no mais profundo alumbramento. Um presente para todas as idades. Dizer isto já virou clichê. Mas o clichê deve ser tomado aqui ao pé da letra. Como se fora enunciado pela primeira vez. O livro é realmente um grande achado dentro da literatura infantojuvenil e adulta. Merece atenção de todos que amam a literatura.

Mário Alex Rosa é mineiro e reside em Belo Horizonte, embora nascido em São João Del Rey. Doutor em Literatura Brasileira pela USP.  Tem outro livro infantojuvenil, ABC Futebol Clube e outros poemas (Campina Grande: Editora Bagagem) e dois de poesia: Ouro Preto (São Paulo: Scriptum) e Via Férrea (São Paulo: CosacNaify). 

Lílian Teixeira nasceu e reside em Belo Horizonte. Cursou Processamento de Dados e Produção Editorial. Atualmente é aluna do curso de Letras. Autora de O pai que lia pensamentos (Belo Horizonte: Abacatte Editorial). Formigas é seu livro de estreia como ilustradora.

Com Formigas o leitor é chamado a ver/ler/brincar/criar/refletir/imaginar. Enfim, a ser cúmplice deste ludismo apaixonante que Mário Alex e Lílian preparam-nos. Vamos ler, ser e estar. Não importa se em “Atenas ou Barbacena”.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 20 de junho de 2014, p. 7.

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Exibição do filme 'A Felicidade Não se Compra', de F. Capra, em Nova Olinda



Cine Café Volante (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme A Felicidade Não se Compra
Título original: It's a Wonderful Life
Direção: Frank Capra
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers, Beulah Bondi, Frank Faylen, Ward Bond, Gloria Grahame, H.B. Warner
Duração: 130 minutos
Ano: 1946
País de origem: Estados Unidos

"Em Bedford Falls, no Natal, George Bailey (James Stewart), que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado à Terra para tentar fazer George mudar de ideia, demonstrando sua importância através de flashbacks." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na sexta-feira, 27 de junho de 2014, às 19h
Na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda-CE. Entrada gratuita.

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Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 26/06 a 02/07/2014

Amazônia
(Amazônia, 2013)
Direção: Thierry Ragobert
Países: Brasil, França
Gênero: Documentário
Duração: 80 minutos
Distribuidor: Imovision
Classificação: Livre
Sinopse: Amazônia conta a história de Castanha, um pequeno macaco-prego que tem que aprender a se adaptar à floresta depois de sobreviver a um acidente de avião. O nome do personagem principal foi escolhido pelo público em uma enquete durante uma série especial apresentada pelo Fantástico, da TV Globo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado 3D: 14h00, 16h10, 18h30, 20h30 (Sala 1)
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Transcendence - A Revolução
(Transcendence, 2014)
Direção: Wally Pfister
Elenco: Johnny Depp, Morgan Freeman, Paul Bettany, Kate Mara, Rebecca Hall, Cillian Murphy, Cole Hauser, Clifton Collins Jr., Josh Stewart, Olivia Taylor Dudley, Falk Hentschel
Produção executiva: Dan Mintz, Christopher Nolan, Emma Thomas
Produção: Kate Cohen, Broderick Johnson, Andrew A. Kosove, Annie Marter, Marisa Polvino, Aaron Ryder, David Valdes
Países: Estados Unidos, Inglaterra
Gênero: Ação, Drama, Ficção-científica
Duração: 119 minutos
Distribuidor: Diamond Films
Classificação: 12 anos
Sinopse: O Dr. Will Caster (Johnny Depp) é o mais notável pesquisador no campo da Inteligência Artificial. Ele trabalha no projeto de criação de uma máquina consciente, capaz de combinar a inteligência coletiva de tudo o que existe com todas as possibilidades de emoções humanas. Os experimentos altamente controversos trouxeram fama ao cientista, mas também o transformaram no alvo principal dos extremistas antitecnologia, que farão o que for necessário para destruí-lo. Contudo, na tentativa de calá-lo, os extremistas acabaram, inadvertidamente, sendo os catalisadores do maior sucesso do Dr. Will Caster: ter sua mente transferida para o protótipo de um supercomputador e ser, assim, um participante de sua própria `transcendência´. Para a esposa do cientista, Evelyn (Rebecca Hall), e seu melhor amigo Max Waters (Paul Bettany), ambos pesquisadores, a questão não é se eles podem... mas se eles devem seguir em frente com a experiência. O maior temor da dupla é perceber que a infinita sede de conhecimento de Will pode evoluir para uma sede de poder semelhante, cujo desfecho parece imprevisível. No entanto, o que parece terrivelmente claro para os cientistas é que talvez não exista mais como pará-lo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h30, 16h00, 18h30 (Sala 5)
Legendado: 21h (Sala 5)
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Muppets 2 - Procurados e Amados
(Muppets Most Wanted, 2014)
Direção: James Bobin
Elenco: Vozes de: Tom Hiddleston, Danny Trejo, Salma Hayek, Christoph Waltz, Debby Ryan, Ty Burrell, Tina Fey, Ray Liotta
Produção: David Hoberman, Todd Lieberman
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Animação, Comédia
Duração: 107 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação: Livre
Sinopse: Continuação do longa lançado em 201 1 baseado na série de televisão homônima. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h50, 16h20, 18h50 (Sala 4)
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Como Treinar o Seu Dragão 2
(How To Train Your Dragon 2, 2014)
Direção: Dean DeBlois
Elenco (vozes): Gerard Butler, Kristen Wiig, Jonah Hill, Jay Baruchel, Kit Harington, Christopher Mintz-Plasse, America Ferrera, T.J. Miller, Craig Ferguson
Produção executiva: Dean DeBlois, Chris Sanders
Produção: Bonnie Arnold
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Animação, Aventura
Duração: 102 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: Livre
Sinopse: O emocionante segundo capítulo da épica trilogia de Como Treinar o Seu Dragão nos leva de volta ao fantástico mundo do heroico Soluço e seu leal dragão Banguela. A dupla inseparável deve proteger a paz - e salvar o futuro dos homens e dragões de ambicioso Drago. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado 3D: 14h30, 16h50, 19h10 (Sala 2)
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A Culpa é das Estrelas
(The Fault in our Stars, 2014)
Direção: Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Willem Dafoe, Laura Dern, Lotte Verbeek, Sam Trammell, Emily Peachey, Mike Birbiglia, Amber Myers, Sophie Guest
Produção executiva: Michele Imperato, Isaac Klausner
Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey
País: Estados Unidos
Gênero: Drama, Romance
Duração: 125 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: 12 anos
Sinopse: A história gira em torno de Hazel e Gus, dois adolescentes que se conhecem em um grupo de apoio a pacientes com câncer, e compartilham, além do humor ácido e do desdém por tudo o que é convencional, uma história de amor que os faz embarcar em uma jornada inesquecível. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h00, 15h40, 18h20 (Sala 6)
Legendado: 21h10 (Sala 6)
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Malévola
(Maleficent, 2014)
Direção: Robert Stromberg
Elenco: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley, Imelda Staunton, Juno Temple, Lesley Manville
Produção executiva: Sarah Bradshaw, Don Hahn, Angelina Jolie, Palak Patel, Matt Smith
Produção: Joe Roth
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Drama
Duração: 97 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação: 10 anos
Sinopse: Malévola é a história não contada da vilã mais icônica da Disney, do clássico de 1959, A Bela Adormecida. O filme revela os eventos que endureceram o coração de Malévola e a levaram a amaldiçoar a bebê Aurora. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h10, 16h30, 18h40 (Sala 3)
Legendado: 20h50 (Sala 3)
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13º Distrito
(District B13, 2013)
Direção: Camille Delamarre
Elenco: Paul Walker, David Belle, RZA, Gouchy Boy, Catalina Denis, Ayisha Issa, Carlo Rota, Andreas Apergis, Richard Zeman, Robert Maillet, Bruce Ramsay
Produção executiva: Matt Alvarez, Henri Deneubourg, Romuald Drault, Ginette Guillard, Ryan Kavanaugh, Tucker Tooley
Produção: Luc Besson, Claude Léger, Jonathan Vanger
Países: França, Canadá
Gênero: Ação, Drama
Duração: 86 minutos
Distribuidor: California Filmes
Classificação: 14 anos
Sinopse: Quando um policial descobre que um perigoso criminoso tem acesso a uma bomba mortal, ele decide se infiltrar na gangue para resolver o caso. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 21h20 (Sala 4)
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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
(X-Men: Days of Future Past, 2014)
Elenco: Hugh Jackman, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage, Evan Peters, James McAvoy, Anna Paquin, Shawn Ashmore
Produção executiva: Todd Hallowell, Stan Lee, Josh McLaglen
Produção: Simon Kinberg, Hutch Parker, Lauren Shuler Donner, Bryan Singer
Direção: Bryan Singer
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Duração: 120 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: 12 anos
Sinopse: Os X-Men precisam viajar no tempo para mudar um grande evento histórico que terá impacto global no homem e na natureza mutante. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado 3D: 21h30 (Sala 2)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

No Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/

Programação sujeita a alterações.

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Especial Rock Cordel em Juazeiro



Especial Rock Cordel
De 15 a 18 julho de 2014
No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita.

Programação:

Terça-feira, 15 de julho:
18h30: Paranoia
19h50: Los The Os

Quarta-feira, 16 de julho:
18h30: Soul Society
19h50: Águas em Marte

Quinta-feira, 17 de julho:
18h30: Algarobas
19h50: Dudé Casado

Sexta-feira, 18 de julho:
19h30: Silver Lady.

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Workshow com Monotrio no Crato



Workshow com o grupo de Jazz Fusion Monotrio
Monotrio: Daniel Ferrer, Rafael Magoo e Robertinho Marçal
Haverá sorteio de um Amplificador de Guitarra Borne
Sexta-feira, 27 de junho de 2014, 20h
No Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE)
Entrada gratuita
+ info.: (88) 3586.9150.

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terça-feira, 24 de junho de 2014

Angélica Freitas



por Amador Ribeiro Neto

Angélica Freitas (Pelotas, 1973) é formada em jornalismo pela UFRGS e publicou dois livros de poemas pela renomada editora Cosac Naify, de São Paulo.

Sua estreia se dá em 2009 com Rilke shake. No mesmo ano o livro tem duas edições. Um fato raro em poesia. Em 2012 publica Um útero é do tamanho de um punho. Em um ano, o livro que contara com uma tiragem inicial de respeitáveis 2 mil exemplares, logo tem nova reimpressão.

Que encantos tem a poesia de Angélica Freitas? Vamos ao poema que abre o livro. Cito-o, como sempre farei neste artigo, integralmente:

DENTADURA perfeita, ouve-me bem:
não chegarás a lugar algum.
são tomates e cebolas que nos sustentam,
e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita.
ah, sim, shakespeare é muito bom,
mas e beterrabas, chicória e agrião?
e arroz, couve e feijão?
dentinhos lindos, o boi que comes
ontem pastava no campo.  e te queixaste
que a carne estava dura demais.
dura demais é a vida, dentadura perfeita.
mas come, come tudo que puderes,
e esquece este papo,
e me enfia os talheres.

Lido o poema perguntamo-nos: a intenção é fazer poema-piada à la Oswald? Longe, muito longe do que o poeta fazia, numa síntese brilhante de humor e intertextualidade. A intenção é parodiar Drummond? Não consegue. Sua pseudoparódia não chega a lugar algum. Esgota-se nos trocadilhos duvidosos e nos clichês dos clichês, sem finalidade. A intenção é fazer poesia coloquial? O tratamento textual não surpreende, não sai do usual e, assim, não promove o desvio da norma tão caro à poesia. A intenção é escrever por escrever? Ah, isto foi conseguido. Mas não há méritos nesta empreitada.

Angélica Freitas atira para todos os lados e não acerta o alvo. Resta uma dúvida: ela tem alvo? A dentadura seria um deles? Creio que não. Então, por que abre a boca, menina? Oras, “esquece este papo”. E não reclame se enfio-lhe “os talheres”.

Uma das funções da crítica é apontar as qualidades, ou a falta delas, a fim de informar o leitor. Angélica Freitas vem sendo aclamada por uma parte significativa da crítica dos jornais de cultura deste país. A questão é que esta crítica, como estamos cansados de saber, tornou-se rasteira. E não há espaço suficiente para se discutir um poema, um conto sequer. Daí que a louvação cai no sem-sentido. Isto não é bom pra literatura. E pra nenhuma arte. Mas é o que tem acontecido. Devido ao exíguo espaço dos jornais? Devido à submissão ao politicamente correto  a crítica se tornou sinônimo de elogio? Sempre enxergar o lado bom de tudo? Vivemos mergulhados em um elã à la Poliana? Ou à poliartrite das múltiplas e duvidosas articulações?

Vamos ao poema que encerra o livro:

fim

keats quando estava deprimido
se sentindo  mais pateta que poeta
vestia uma camisa limpa
eu tomei  um banho
com os dedos  ajeitei  os cabelos
vesti roupas  limpas
olhei praquele espelho
o suficiente pra
sem relógio caro
fazer pose de lota
e sem pistola  automática
pose de anjo do charlie
então eu disse: “é, gata”
rápida peguei as chaves
saí  num pulo
só fui rir no elevador.

Lemos o poema e ficamos pensando: é ingenuidade ou falta de informação da poetisa? Ou, quem sabe, ela esteja usando a cartilha de algum poeta canastrão que ainda não se deu conta de que a poesia espontânea nunca teve lugar na sala de qualidade estética? Angélica Freitas revela um desconhecimento tão grande da história da poesia – brasileira e estrangeira – que chega a corar seu leitor. Ela o faz sentir-se “pateta”. Em tempo: epifania e alumbramento – dois conceitos da maior importância estética – não são recursos presentes em seu livro. Ela só dá bandeira, ela só dá bandeira...

Seu poema, via de regra, é uma sucessão de imagens que buscam o nonsense através de intertextualidades. Pena que ambos, aqui, estejam desprovidos de uma funcionalidade.

É, por exemplo, o nonsense pelo nonsense. Então pra quê? O melhor dos recursos poéticos quando usado gratuitamente não se propaga, não rende poesia, não desinstala o leitor. Antes: aloja-o numa posição confortável, já que facilmente digerível. Poesia é pedra de quebrar dente, nos ensina João Cabral. O fácil enfada, nos lembra Valéry.

Tomemos as intertextualidades: o que acrescentam ao poema “fim”? Quando se incorpora a voz do outro é com uma destinação. Evidente. Não como um falso objetivo. Outra coisa: a presença da voz do outro não é garantia de qualidade. Caso contrário, quem saísse por aí colando citações seria, de per si, um poeta. Sabemos que não é.

Angélica Freitas deve deixar a poesia dos outros poetas em paz e fazer sua própria poesia. Coisa que ela não consegue neste livro de estreia.

Vamos a outro poema do mesmo livro:

AGOSTO A OITAVA coelhinha da playboy
ou o templo  dourado de kinkakuji
ou um gato e um pato num cesto

meu avô não gostava de agosto
dizia agosto mês de desgosto
quando passava dizia agora não morro mais

Dá pra perceber que a poetisa gosta da enumeração (no primeiro terceto). Ok, um recurso. Nada contra. Drummond, por exemplo, em certa fase, usava-a à mancheia. Nele ela tinha um significado que o leitor descortina – às vezes à primeira leitura, às vezes em leituras posteriores. Mas o significado estava embutido e a enumeração ganhava pertinência. Aqui, como nos poemas citados anteriormente, e em grande parte do livro, ele é um mero adorno. E adorno nunca rendeu poesia.

Vamos a outro poema:

não consigo ler os cantos

vamos nos livrar de ezra pound?
vamos imaginar ezra pound
insano numa jaula em pisa enquanto
os americanos comiam salsichas
a pasta de amendoim na barracas
querido ezra, quem sabe o que é cadência?
vamos nos livrar de marianne moore?

Eis mais um exemplo de como não se fazer poesia: tripudiando com a voz do outro sem um porquê, e esbanjando-se na mesmice. Ninguém é obrigado a gostar de Pound nem de Moore. Mas se a voz deles é incorporada ao poema, deve-se dizer, repito, a que veio.  Veio, mais uma vez, sem pertinência alguma? Veio com a intencionalidade de um reles humor? Bem, poeta que não domina a linguagem da poesia, e acredita que os recursos presentes em manuais ou em oficinas de poesia são garantia de um bom poema, nasce predestinado ao engodo. Quer ser astuto mas está fadado ao engano. Autoengano. Engano sem fingimento é tiro no próprio pé.

Todavia, incensada por uma determinada ala da crítica de jornal, ela lança seu segundo livro: Um punho é do tamanho do útero. Na orelha, Carlito Azevedo pontua: “Já nos primeiros versos de qualquer poema seu [de Angélica Freitas], há uma atmosfera feliz e profanadora que nos convida a relativizar o gigantismo de certos sentimentos solenes que por muito tempo quiseram, e ainda hoje querem, se fazer passar pela poesia mais autêntica, pela mais sensível forma de se viver em estado poético”.

Carlito é generoso mas não é justo. Não basta malbaratar os temas (sejam eles solenes ou triviais) para chegar-se à boa poesia. Cortázar observou que uma pedra sobre a palma da mão pode render um bom texto literário. Antonio Candido há décadas e décadas nos ensina que o tratamento da palavra é o que importa em literatura. Não a grandiosidade, ou a pequenez, do tema em si.

De fato, nos primeiros versos do poema citado acima o leitor é convidado à atitude de irreverência. Isto até poderia render bons frutos. Mas ao dar continuidade à leitura ele percebe que a poetisa não dá conta do que anunciara – e que o poema prometera. Ele degenera para o surreal, ainda que a partir de fatos históricos. Esvazia-se em si mesmo. Frustra o leitor.

Ou será que Carlito Azevedo se emociona, se toca, se liga na mesmice do poema “uma mulher gorda”? Transcrevo-o:

uma mulher gorda
incomoda  muita gente
uma mulher gorda  e bêbada
incomoda  muito mais

uma mulher gorda
é uma mulher suja
uma mulher  suja
incomoda  incomoda
muito mais

uma mulher  limpa
rápido
uma  mulher limpa

Como adequar a observação do poeta-crítico ao poema acima? Nem com muito esforço. Na verdade, um poema assim nem chega a incomodar, tão banal é sua arquitetura.

A anáfora, recurso poético que consiste na repetição de um termo no início, meio ou fim de dois ou mais versos, é utilizada pela poetisa à exaustão. Tal redundância, reitero, poderia resultar em algum proveito estético. Não resulta. A taxa de informação é zero. Ou próxima do zero.

Atentem para “a mulher quer”:

a mulher quer ser amada
a mulher quer um cara rico
a mulher quer conquistar um homem
a mulher quer um homem
a mulher quer sexo
a mulher quer tanto sexo quanto o homem
a mulher quer que a preparação para o sexo aconteça lentamente
a mulher quer ser possuída
a mulher quer um macho que a lidere
a mulher quer casar
a mulher quer que o marido seja seu companheiro
a mulher quer um cavalheiro que cuide dela
a mulher quer amar os filhos,  o homem e o lar
a mulher quer conversar pra discutir a relação
a mulher quer conversa e o botafogo quer  ganhar do flamengo
a mulher quer apenas que você escute
a mulher quer algo mais do que isso, quer amor, carinho
a mulher quer segurança
a mulher quer mexer no seu e-mail
a mulher quer ter estabilidade
a mulher quer nextel
a mulher quer ter um cartão de crédito
a mulher quer tudo
a mulher quer ser valorizada e respeitada
a mulher quer se separar
a mulher quer ganhar, decidir e consumir mais
a mulher quer se suicidar

Melhor: é o leitor – homem ou mulher –, ao fim do poema, quem quer se suicidar. Por quê?

Porque poesia é desautomatização. Velha lição do russo V. Chklóvski. Um semioticista que precisa ser melhor lido e compreendido. Poesia é “novidade que permanece novidade”, como apregoa Pound. Poesia “revela este mundo; cria outro”, na feliz síntese de Octavio Paz. Poesia é convergência do eixo da contiguidade sobre o da similaridade, segundo Roman Jakobson.

Poesia nada tem a ver com desejos reprimidos e viagens malucas de seus poetas e/ou leitores. Poesia não é fricote. Poesia não é playground.

A poesia de Angélica Freitas é confusão de brincadeirinhas com o politicamente correto numa tempestade de estereótipos. Ela opera uma reciclagem da dita poesia marginal. Com os mesmos enganos: acha que faz graça, que é irônica. Acha que faz intertextualidade com finalidade poética. Acha que é dona de um estilo. Acha que faz poesia com o usual. Não faz.

Seus poemas são quase todos macaqueação da prosa com fixação na anáfora. Como se este recurso garantisse qualidade ao poema.

O que Angélica Freitas faz é, no mínimo, ingênuo. Ela cismou que basta copiar frases do cotidiano mais trivial para fazer uma poesia sem solenidade. Levantou-se contra o que já era morto. Desde o Modernismo, nos idos de 22, o solene foi quebrado pelo sublime. Sem citarmos, por exemplo, Gregório de Matos, Arnaut Daniel, Aretino, John Donne, Ovídio, Horácio – e até Safo – dentre tantos outros. Angélica Freitas, repito, é mal informada.

Esta moça vem sendo louvada pela crítica de norte a sul. Tentei ver nela a “esplêndida tradição da poesia universal”, como afirma o poeta-crítico Carlito Azevedo. Só vi “tonterías”. Sua poesia não emociona. Não cheira. Nem fede.

Angélica Freitas foi publicada por uma renomada editora. Isto deveria ser sinal de qualidade. Não é. Uma grande editora também se engana. Seus livros têm tido renovadas tiragens. Isto deveria ser sinal positivo, principalmente por se tratar de poesia. Não é.

Não entendo o bafafá que seus livros têm causado. Este meu artigo, que não vê valor poético nesta poetisa, visa bater de frente com a “crítica” engabelada. Raramente chuto cachorro morto. Mas este, em questão, merece que lhe “enfie os talheres”. Faço-o com gosto. É o troco pelo desgosto de ler Angélica Freitas com todo cuidado.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Correio das Artes, suplemento cultural do jornal A União, de João Pessoa, que circulou dia 22 de junho de 2014, com data de abril/2014. Ano LXV, nº 2, p.32-35.

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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Banda La Gambiaja faz shows em Juazeiro e Brejo Santo



"A La Gambiaja é uma das bandas autorais mais antigas entre as que continuam em atividade no atual cenário cultural da cidade de João Pessoa. A base musical da banda agrega muita música brasileira, samba e ritmos regionais, pitadas de funk, soul, experimentações, entre outros elementos que dão ao som da La Gambiaja um clima dançante." (sinopse da divulgação do evento)
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Shows com a banda La Gambiaja (João Pessoa-PB)
Entrada gratuita.

Quinta-feira, 26 de junho de 2014, 19h30:
No Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), Juazeiro do Norte-CE

Sexta-feira, 27 de junho de 2014, 19h:
No Cine Teatro Professor Julio Macedo Costa (Brejo Santo-CE).

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'Bem-vindo à Alemanha', filme de Yasemin Samdereli, no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Encontro com o Cinema Alemão
Exibição do filme Bem-vindo à Alemanha
Título original: Almanya - Willkommen in Deutschland
Direção: Yasemin Samdereli
Roteiro: Nesrin Samdereli, Yasemin Samdereli
Elenco: Aycan Vardar, Demet Gül, Kaan Aydogdu, Rafael Koussouris, Siir Eloglu, Aliya Artuc, Lilay Huser, Aylin Tezel, Vedat Erincin
Duração: 101 minutos
Ano: 2011
País de origem: Alemanha

"Em 1964, Hüsyin Yilmaz deixou a Anatólia e veio à Alemanha como trabalhador imigrante. Agora está prestes a receber a cidadania alemã, mas não sabe se é isso que realmente deseja. Lembranças do passado se misturam com o presente enquanto a família toda está a caminho da Anatólia. O filme fala sobre identidades, que se transformam pouco a pouco, sobre a complexa pátria de cada um." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 25 de junho de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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domingo, 22 de junho de 2014

Espetáculo 'A Farsa do Cuviteiro' em Arneiroz, Aurora e Araripe



"História do 'cabinha' mais traquina da cultura popular: Pedro Malazartes. Uma narrativa mirabolante e envolvente que objetiva salvar a bela donzela das garras de seu repugnante marido." (sinopse da divulgação do evento)
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Espetáculo A Farsa do Cuviteiro
Grupo Juká de Teatro (Arneiroz-CE)
Gratuito.

Quarta-feira, 25 de junho de 2014, 19h:
Na Praça da Matriz (Potengi-CE)

Quinta-feira, 26 de junho de 2014, 19h:
Na Vila Tipi (Aurora-CE)

Sexta-feira, 27 de junho de 2014, 20h:
Na Praça do Coreto (Araripe-CE).

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sábado, 21 de junho de 2014

Aniversário de 250 anos do Crato: show com diversas atrações na RFFSA



Aniversário de 250 anos do Crato
Atrações da festa:
Flor do Cariri, João do Crato, Luís Fidélis, J. Farias, Maria Luiz, Abidoral Jamacaru, Besouro Rítmico, Liberdade e Raiz
E mais: Tenda Eletrônica com DJ
Espetáculo de Dança Só no Crato Mesmo
E intervenção Bárbara, Onde Vivem Os Heróis.
Sábado, 21 de junho de 2014, a partir das 19h30
Na RFFSA (Crato-CE). Gratuito.

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'Casa no Cariri', de Pachelly Jamacaru e Geraldo Efe

Embalado pra viagem # 103


Casa no Cariri
(Pachelly Jamacaru/Geraldo Efe)

Minha casa no Cariri
a lua do Buriti
cara ave eu te quero
eu te vejo como a divina flor da saudade
esse verde que é fundo
essas fontes que sangram tão puras
brasas sempre arderão
no peito da roda dos tempos.

Alá o teu Cariri
Arábias das juritis,
rara e linda eu te vejo
eu te quero como quem quer
por saber joia ser.

Alá o teu Cariri
Oásis sou louco por ti
pela grande lua do Buriti
eu te quero como quem quer
por saber...


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Pachelly Jamacaru no disco Com as palavras, as músicas (2000).

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Go Skateboarding Day em Juazeiro



Personal Skater apresenta:
Go Skateboarding Day
Domingo, 22 de junho de 2014, a partir das 8h da manhã
Concentração: Skatepark Juazeiro do Norte
Parque Ecológico das Timbaúbas (Av. Aílton Gomes s/n)
Com Best Trick. Aberto.

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sexta-feira, 20 de junho de 2014

'O Sol Tornará a Brilhar', filme de Daniel Petrie, em exibição no Cine Café



Cine Café (com mediação de Elvis Pinheiro)
Exibição do filme O Sol Tornará a Brilhar
Título original: A Raisin in the Sun
Direção: Daniel Petrie
Roteiro: Lorraine Hansberry
Elenco: Sidney Poitier, Ruby Dee, Claudia McNeil, Diana Sands, Stephen Perry, John Fiedler, Ivan Dixon, Louis Gossett, Jr.
Duração: 128 minutos
Ano: 1961
País de origem: Estados Unidos

"A família Younger, frustrada com a vida em seu espremido apartamento em Chicago, vê a chegada de um cheque de dez mil dólares de um seguro como a resposta para suas preces. A matriarca Lena Younger imediatamente usa-o como parte do pagamento de uma casa num subúrbio cujos vizinhos são, em sua maioria, brancos. Mas a família se divide quando Lena confia a aplicação do dinheiro ao irrequieto filho Walter Lee, contra os desejos de sua filha e da nora." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição no sábado, 21 de junho de 2014, às 17h30
No Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (Juazeiro do Norte). Entrada gratuita.

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Poesia sem graça



por Amador Ribeiro Neto

Gregório Duvivier é carioca e tem 28 anos. Já se consolidou como roteirista e ator de talento. É ator e criador do canal Porta dos Fundos, grande sucesso da Internet. Sucesso merecido. De fato o grupo desta página vem renovando o humor brasileiro. Além disto, ele assina uma coluna semanal na Ilustrada da Folha de São Paulo.

Em 2008 publicou A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (Rio: Editora 7Letras) e no ano passado Ligue os pontos, poemas de amor e big bang (São Paulo: Companhia das Letras). Ambos de poesia.

É aí que a coisa começa a pegar. Pra usar a linguagem do humorista. Gregório Duvivier cismou que é poeta. E tem sido muito bem recebido por colegas poetas, como o Armando Freitas Filho. Mas não só: ele acaba de entrar para a lista dos finalistas na categoria poesia do Prêmio Telecom. Além disto, ser publicado por uma grande editora como a Companhia das Letras, também é sinal de reconhecimento.

Bem, vamos à sua poesia: “o mês de agosto parece o bairro / de são conrado: é difícil atravessá-lo / às vezes demora meses sobretudo / quando chove mas é inevitável / passar por ele – é inevitável”.

Eu fico me perguntando: que diabos estes poetas da geração 2010 viram no mês de agosto pra cismarem de fazer poesia sobre o surrado dito “agosto mês do desgosto”. A Angélica Freitas é outra que incorre na mesma leseira, no livro que aqui comentamos.

Não é somente pela absoluta obsessão pelo azar que o mês de agosto traz (sic!). É pela rudeza, pela ignorância, pela boçalidade de tomar o prosaico e não conseguir superar sua pasmaceira. Não vertê-lo em poético. Me lembro aqui de Bandeira dizendo da inviabilidade da vida na pensão burguesa. Quanta inventividade no modo de dizer o que todos sabemos, o que todos estamos cansados de ver. E até vivenciar.

Agora vem Gregório Duvivier querendo fazer piada em tom existencialista sobre agosto e são conrado quando chove? Oras, haja paciência...

Não só de piadinhas vive este aclamado poeta. Vejamos: “querer tudo é não querer / nada é perceber que nada / é pior que tudo e qualquer / coisa é melhor que nada / é melhor do que não querer / tudo é querer uma coisa só / pois para ser feliz é preciso / querer uma coisa só e saber / deitar ao lado dela – quieto”. Bem, aqui, o poeta se dá ares de filósofo de botequim: “quem tudo quer, nada tem”. E termina com um auxílio ao leitor: ser feliz é querer uma só coisa e deitar quieto ao lado dela. Auxílio, no caso, é a lição de autoajuda. Evidentemente.

Entendemos que o poeta tem bom coração e boas intenções. Mas ele precisa ler muita poesia. Brasileira e universal. A de hoje e a de tempos passados. Para não ficar macaqueando o desleixo instaurado por este grupo de poetas neomarginais.

Mas ele insiste em ser engraçadinho e a filosofar como se estivesse na mesa de bar. Bêbado. Eis mais um poema com plena falta de rigor da linguagem. E do tema. Este possui título: “deixa passar a noite”. Diz assim: “antes do big bang o mundo / era uma bola de ping-pong / e ao redor dela nada nada / nada a não ser o silêncio / como nos pastos ou nas casas / em que já não mora mais ninguém”. Grande sabedoria. Eu me redimo.
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Amador Ribeiro Neto é poeta, crítico literário e de música popular. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Letras da UFPB.

Publicado pelo jornal Contraponto, de João Pessoa-PB. Caderno B, coluna “Augusta Poesia”, dia 13 de junho de 2014, p. 7.

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Programação Orient Cinemas Cariri Shopping - de 19/06 a 25/06/2014

Transcendence - A Revolução
(Transcendence, 2014)
Direção: Wally Pfister
Elenco: Johnny Depp, Morgan Freeman, Paul Bettany, Kate Mara, Rebecca Hall, Cillian Murphy, Cole Hauser, Clifton Collins Jr., Josh Stewart, Olivia Taylor Dudley, Falk Hentschel
Produção executiva: Dan Mintz, Christopher Nolan, Emma Thomas
Produção: Kate Cohen, Broderick Johnson, Andrew A. Kosove, Annie Marter, Marisa Polvino, Aaron Ryder, David Valdes
Países: Estados Unidos, Inglaterra
Gênero: Ação, Drama, Ficção-científica
Duração: 119 minutos
Distribuidor: Diamond Films
Classificação: 12 anos
Sinopse: O Dr. Will Caster (Johnny Depp) é o mais notável pesquisador no campo da Inteligência Artificial. Ele trabalha no projeto de criação de uma máquina consciente, capaz de combinar a inteligência coletiva de tudo o que existe com todas as possibilidades de emoções humanas. Os experimentos altamente controversos trouxeram fama ao cientista, mas também o transformaram no alvo principal dos extremistas antitecnologia, que farão o que for necessário para destruí-lo. Contudo, na tentativa de calá-lo, os extremistas acabaram, inadvertidamente, sendo os catalisadores do maior sucesso do Dr. Will Caster: ter sua mente transferida para o protótipo de um supercomputador e ser, assim, um participante de sua própria `transcendência´. Para a esposa do cientista, Evelyn (Rebecca Hall), e seu melhor amigo Max Waters (Paul Bettany), ambos pesquisadores, a questão não é se eles podem... mas se eles devem seguir em frente com a experiência. O maior temor da dupla é perceber que a infinita sede de conhecimento de Will pode evoluir para uma sede de poder semelhante, cujo desfecho parece imprevisível. No entanto, o que parece terrivelmente claro para os cientistas é que talvez não exista mais como pará-lo. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 14h10, 16h40, 19h10 (Sala 6)
Legendado: 21h40 (Sala 6)
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Como Treinar o Seu Dragão 2
(How To Train Your Dragon 2, 2014)
Direção: Dean DeBlois
Elenco (vozes): Gerard Butler, Kristen Wiig, Jonah Hill, Jay Baruchel, Kit Harington, Christopher Mintz-Plasse, America Ferrera, T.J. Miller, Craig Ferguson
Produção executiva: Dean DeBlois, Chris Sanders
Produção: Bonnie Arnold
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Animação, Aventura
Duração: 102 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: Livre
Sinopse: O emocionante segundo capítulo da épica trilogia de Como Treinar o Seu Dragão nos leva de volta ao fantástico mundo do heroico Soluço e seu leal dragão Banguela. A dupla inseparável deve proteger a paz - e salvar o futuro dos homens e dragões de ambicioso Drago. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h50, 16h10, 18h20, 20h40 (Sala 1)
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A Culpa é das Estrelas
(The Fault in our Stars, 2014)
Direção: Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, Willem Dafoe, Laura Dern, Lotte Verbeek, Sam Trammell, Emily Peachey, Mike Birbiglia, Amber Myers, Sophie Guest
Produção executiva: Michele Imperato, Isaac Klausner
Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey
País: Estados Unidos
Gênero: Drama, Romance
Duração: 125 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: 12 anos
Sinopse: A história gira em torno de Hazel e Gus, dois adolescentes que se conhecem em um grupo de apoio a pacientes com câncer, e compartilham, além do humor ácido e do desdém por tudo o que é convencional, uma história de amor que os faz embarcar em uma jornada inesquecível. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h10, 15h50, 18h40 (Sala 2)
Legendado: 21h20 (Sala 2)
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Malévola
(Maleficent, 2014)
Direção: Robert Stromberg
Elenco: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley, Imelda Staunton, Juno Temple, Lesley Manville
Produção executiva: Sarah Bradshaw, Don Hahn, Angelina Jolie, Palak Patel, Matt Smith
Produção: Joe Roth
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Drama
Duração: 97 minutos
Distribuidor: Walt Disney Studios
Classificação: 10 anos
Sinopse: Malévola é a história não contada da vilã mais icônica da Disney, do clássico de 1959, A Bela Adormecida. O filme revela os eventos que endureceram o coração de Malévola e a levaram a amaldiçoar a bebê Aurora. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h20, 15h30, 17h40, 19h50 (Sala 3)
Legendado: 22h (Sala 3)
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13º Distrito
(District B13, 2013)
Direção: Camille Delamarre
Elenco: Paul Walker, David Belle, RZA, Gouchy Boy, Catalina Denis, Ayisha Issa, Carlo Rota, Andreas Apergis, Richard Zeman, Robert Maillet, Bruce Ramsay
Produção executiva: Matt Alvarez, Henri Deneubourg, Romuald Drault, Ginette Guillard, Ryan Kavanaugh, Tucker Tooley
Produção: Luc Besson, Claude Léger, Jonathan Vanger
Países: França, Canadá
Gênero: Ação, Drama
Duração: 86 minutos
Distribuidor: California Filmes
Classificação: 14 anos
Sinopse: Quando um policial descobre que um perigoso criminoso tem acesso a uma bomba mortal, ele decide se infiltrar na gangue para resolver o caso. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 13h00, 15h00, 17h00, 19h00 (Sala 4)
Legendado: 21h (Sala 4)
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Os Homens são de Marte... E é pra lá que eu Vou!
(Os Homens são de Marte... E é pra lá que eu Vou!, 2013)
Direção: Marcus Bladini
Elenco: Monica Martelli, Paulo Gustavo, Marcos Palmeira, Ana Lucia Torre, Irene Ravache
Produção executiva: Bianca Villar
Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha, Karen Castanho
País: Brasil
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Distribuidor: Downtown/Paris
Classificação: 14 anos
Sinopse: Fernanda, exemplo da mulher do terceiro milênio, é livre em suas escolhas, independente... e com dificuldade de encontrar um amor. Assim como suas contemporâneas, ela abandonou a vida pessoal para se dedicar à carreira e agora, com 39 anos, acha que a situação afetiva é emergencial. Fernanda aposta tudo em cada relação, se envolve com diferentes tipos de homens - do político sedutor ao hippie gringo - e a cada tentativa acredita ter encontrado seu par ideal. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Filme nacional: 19h30 (Sala 5)
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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
(X-Men: Days of Future Past, 2014)
Elenco: Hugh Jackman, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage, Evan Peters, James McAvoy, Anna Paquin, Shawn Ashmore
Produção executiva: Todd Hallowell, Stan Lee, Josh McLaglen
Produção: Simon Kinberg, Hutch Parker, Lauren Shuler Donner, Bryan Singer
Direção: Bryan Singer
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Duração: 120 minutos
Distribuidor: 20th Century Fox
Classificação: 12 anos
Sinopse: Os X-Men precisam viajar no tempo para mudar um grande evento histórico que terá impacto global no homem e na natureza mutante. (para assistir ao trailer, clique aqui)

Dublado: 16h50, 21h50 (Sala 5)
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Ingresso:
Valores Inteiros (exceto Sala 3D Digital):
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$11,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$ 15,00

Valores Inteiros para a Sala 3D Digital:
Segunda, terça e quarta (exceto feriado e véspera de feriado): R$15,00 (o dia todo)
De quinta a domingo (e feriado): R$20,00.

No Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte-CE)
Site Orient Cinemas: http://www.orientcinemas.com.br/

Programação sujeita a alterações.

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Entrevista: Elvis Pinheiro fala sobre a exibição alternativa de filmes no Cariri



por Ythallo Rodrigues e Luís André Bezerra
fotos: Verônica Leite e Ravena Monte

Quando se pensa em cinema, atualmente é comum ter a imagem das salas dos Shopping Centers. No Cariri, entretanto, não se pode ignorar o trabalho alternativo de projeção de filmes realizado por Elvis Pinheiro. Desde 2003 ele organiza sessões (sempre gratuitas e seguidas de debates relacionados aos filmes) em algumas cidades da região, com a média de cinco filmes exibidos por semana.

Elvis costuma ter "folga" (de exibição dos filmes) apenas nas terças e domingos, comumente seguindo esta programação semanal: na segunda tem o Cinemarana do SESC Crato; na quarta é a vez do Cinematógrapho do SESC Juazeiro; na quinta tem o Cine Arte Leão (no Campus Saúde da Faculdade Leão Sampaio); sábado com o Cine Café do CCBNB Cariri; e esse último projeto agora também virou Cine Café Volante, alternando as sextas-feiras nas cidades de Nova Olinda e Brejo Santo. E não podemos esquecer, obviamente, da Mostra 21, grande evento realizado anualmente.

Elvis Pinheiro é irmão do poeta, cantor e compositor Ermano Morais, e mostrando que também segue essa polivalência, suas atividades ainda incluem organizar o Lume - Ciclo de Leituras, que se reúne às terças no SESC Crato, além da coordenação da Revista e Grupo de Estudos Sétima de Cinema (com reuniões nas tardes de quarta-feira, no SESC Juazeiro) e conseguir tempo para trabalhar como professor.

Mas, diante de tantas tarefas, era imprescindível fazer um recorte temático. E logo abaixo você confere uma entrevista com Elvis Pinheiro sobre o seu trabalho como exibidor de filmes e demais atividades relacionadas ao cinema. Boa leitura!
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O BERRO - Começando com um clichê, mas que acaba servindo pra situar o leitor no início da conversa: como começou sua relação com o cinema e, mais especificamente, com a ideia de espalhar sessões de filmes (gratuitas) em diversas salas no Cariri?
ELVIS PINHEIRO - Minha relação com o cinema começou muito cedo e foi via televisão. Sempre me fascinaram os seriados e os filmes que passavam em todos os horários na TV. Eu fui um aficionado. As chamadas para assistir os filmes davam dois tons, o do star system e o do cinema de autor, porque aconteciam da seguinte forma: “De Francis Ford Coppola...”, “De Martin Scorcese...”, “Do mestre do suspense, Alfred Hitchcock...” ou se elencava o nome dos grandes astros que fariam parte do filme: “Com Vivien Leigh, Clark Gable e Olivia de Havilland...”, “Sher, Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer e Jack Nicholson em...”. Esse tipo de chamada me dizia que um filme seria muito bom se fosse de determinado diretor e/ou possuísse tais atores no elenco. Isso foi formulando a mística. O horário em que os filmes passavam também funcionavam como “salas de cinema”. À tarde passavam filmes do Elvis Presley, do Jerry Lewis e, pela madrugada, clássicos e filmes de outros países que não fossem exatamente os EUA. Cheguei a ver filmes, ainda criança, num cinema de interior: vi filmes de Kung fu, tenho muita lembrança disso: o cheiro do cinema e da sensação de Evento, de estar num templo da Imagem. Assim o meu gosto foi se formando. Mas no final de 1995, quando comecei a frequentar o Cinema Veneza, no centro de Recife, construí a minha relação espacial com salas de cinema propriamente ditas, em especial, as salas que exibiam o chamado circuito de filmes de arte.

Essa pergunta é imensa e cobra um segundo parágrafo, porque logo emenda me perguntando como tive a ideia de me tornar exibidor. Bem, ainda criança, quando já tinha visto um filme e sabia que ele era bom, se ele passasse de novo na televisão, já tentava agendar que minha mãe visse comigo, adiantando que se tratava de um filme muito bacana por isso, isso e isso... Sempre gostei de compartilhar aquilo que eu gostava. O meu prazer se renovava. Teve uma hora em Recife que eu já tinha visto tanta coisa boa, que achava absurdo que mais gente não tivesse acesso àqueles filmes, àquelas obras. Eu queria e quero que mais gente goste, ame e se relacione em profundidade com o Cinema. Quando voltei pro Cariri, em dezembro de 2002, voltei com a intenção de encontrar algum lugar para exibir os filmes que eu gostava. No final de maio de 2003 aconteceu a primeira sessão, quando exibi Pulp Fiction, e de lá pra cá não parei mais de compartilhar filmes na região.

Você está à frente de sessões no Cariri há 11 anos, exibindo e debatendo filmes na região. Analisando esse período, o que mais chama a atenção quando você pensa no público caririense de cinema? É possível traçar um paralelo entre o início do seu trabalho (as dificuldades e a aceitação) e como você hoje observa as mesmas questões, 11 anos depois?
Outra pergunta quilométrica! (risos) Bom, eu imaginava no início que a sessão seria para os amigos que eu já possuía e que faziam Teatro ou frequentavam um grupo de leitura da Biblioteca. Pensava que os artistas iriam divulgar e movimentar as sessões e que todo mundo que gostava de cinema que eu já conhecia iria se aproximar para juntar forças, para que a coisa não parasse. Nem amigos, nem gente do teatro, nem as pessoas mais conhecedoras de cinema se aproximaram de mim ou da sala de projeção do que se chamou na época de Cineclube Paradiso. De cara, na primeira mostra eu reuni novos cinéfilos e pessoas que começaram a frequentar a sala do Cineclube Paradiso, mas essas pessoas não eram os Cult, ou as pessoas “do meio”. Eram estudantes secundaristas, era gente do comércio, era dona de casa, costureira, era gente que ficava sabendo da sessão e que se viciava e não parava mais de ir, mas que nem me conheciam antes das sessões e nem eu costumava ver a maioria delas em nenhum lugar diferente da sala de exibição. Uma amiga fotógrafa e que gosta muito de cinema e que eu pedi na época que registrasse as primeiras sessões nunca tirou uma única foto de nenhuma sessão realizada e só apareceu na sessão de número 204, quando eu já estava exibindo filmes na cidade do Crato, em 2005. Muito cedo, então, eu descobri que público de cinema é um público único, heterogêneo, que não se enquadra em perfis estanques. Até hoje, quando escuto piadas de que frequentar o Cine Café é moda de “Cult bacaninha caririense”, eu fico muito tranquilo de ter uma sessão que coincida com um evento de música alternativa ou uma peça badalada, porque a minha sessão continua cheia, com gente sentada no chão de pessoas que aqueles que acusam o Cine Café de ser um lugar para determinado público, eles não conhecem, nem nunca viram aquelas pessoas. Não digo, claro, que não seja frequentado por pessoas da cena caririense, principalmente os mais jovens, mas eles não são, definitivamente, a maioria.

O que mudou então? Hoje eu sei que construí um nome, que as pessoas relacionam Cinema com Elvis Pinheiro. As instituições acreditam e aprovam o meu trabalho e já existe uma boa quantidade de público que confia nas minhas escolhas. Mas o número de pessoas que nunca pisou nem nunca pisará num espaço que eu organizo é astronômico e os que fazem campanha contra é dez vezes maior.

Explica um pouco a Mostra 21 (que ocorre anualmente e teve a última edição em janeiro deste ano). O que diferencia as exibições da Mostra 21 das outras sessões que você apresenta semanalmente no Cariri?
Basicamente, a quantidade de dinheiro envolvida. É um orçamento maior para um evento onde compramos direitos de filmes. É quando eu tenho maior liberdade para a escolha dos títulos. A publicidade é maior e isso acaba gerando um público muito abrangente. É como se fosse uma grande rede de pesca. Só que com filtro. Depois de uma sessão que juntou 130 pessoas, eu consigo retirar três pessoas que se tornarão frequentadoras assíduas das salas de projeção durante o ano. A cada Mostra 21, que reúne um atendimento de mais de mais de duas mil pessoas, eu fico com 15 novos frequentadores assíduos das sessões semanais. E isso pode parecer pouco, mas é um número muito importante e relevante.

Qual a relação que você pontuaria entre os eixos temáticos de todas as Mostras 21? Pensando ano a ano, desde a primeira, existiria alguma conexão entre essas temáticas, pensando nos filmes exibidos?
Sim, existe, claro. As primeiras mostras alertavam para a delícia de ver filme de arte e de que como era importante ver cinema. Alertava sobre o Olhar que se expandia, que se transformava. Depois, na retomada, comecei a chamar as pessoas para situações comportamentais, para que as pessoas se vissem: buscasse se concentrar, descobrissem que a convivência é algo difícil. E nesta última que respiramos Política e que não podemos fugir disso.

Sobre cineclubismo: qual a relação que você estabelece entre as sessões que você realiza na salas do Cariri e o movimento cineclubista do Brasil?
Só haverá cineclubismo se houver amantes do cinema. O meu trabalho é o de uma Cinemateca e não de um Cineclube. Depois de mais dez anos exibindo filmes, montando grupo de estudos, criando revista e a cidade possuindo novamente salas de cinema comercial, agora sim, estamos cada vez mais próximos de uma explosão de cineclubes. Eu sei que formei cinéfilos aqui no Cariri e que muitos deles, a maioria, não precisa mais de mim pra nada. Então essas pessoas devem se reunir e montar pequenos clubes para projetar os filmes que lhes interessem e discutir e pensar sobre eles.

Sobre o cinema "mais comercial", que voltou a existir no Cariri nos últimos dias, depois de anos: qual o comparativo entre os filmes que você exibe e os filmes que são exibidos nos cinemas "de shopping"? Haveria alguma relação entre os dois modos de exibição?
O cinema por estar num shopping vai considerar o filme que exibe um produto com etiqueta e prazo de validade. A pessoa entra no cinema como se entrasse na praça de alimentação e consome o filme com a mesma desimportância com que come um sanduíche, toma um sorvete, bebe um refrigerante e exige a mesma qualidade de satisfação que exige de lojas de roupa ou de comida. O problema, portanto, não é o tipo de filme exibido, mas a relação que o público necessariamente consumidor trava com a sala de exibição. Aquela sala é proibida de passar filmes que desagradem ao gosto das famílias, das crianças, dos adolescentes, dos casais de namorados heterossexuais, dos idosos. Ela não vai desagradar a clientela. O filme ruim será sempre o filme tido como “lento”, “difícil”, “chato”, “polêmico”, “sujo”. É maravilhoso que exista esse cinema porque as cadeiras são muito confortáveis, o som e a imagem são excelentes e porque existem filmes muito bons que merecem todo esse aparato para serem vistos. As salas que eu estou à frente não podem competir. Vou continuar mandando as pessoas desligarem o celular, vou servir de bedel, pedindo silêncio e vou continuar exibindo filmes independente que a maioria aprove ou não aquele filme. Precisamos de salas de cinema para que todas as imagens estejam disponíveis para o público. Eu adoro que a sala do shopping esteja funcionando porque aqueles filmes estavam sem espaço de exibição e considerava isso uma injustiça.

Para encerrar, fala um pouco sobre a Revista e o Grupo de Estudos (ambos chamados de Sétima), que você criou e coordena. Certamente são projetos que fazem parte de uma ideia mais ampla que você tem sobre a cultura cinematográfica. Explica a importância de tais trabalhos e de onde vem o impulso para tocar cada projeto desse.
Eu acredito que não podemos, mesmo, pôr o carro na frente dos bois. Primeiro eu precisava de tempo para perceber que já existia muita gente a fim de ver filmes diferentes, gostando cada vez mais intensamente de cinema para ousar pensar em criar um grupo de estudos. Em 16 de maio de 2012 este grupo podia ser criado. Em 11 de setembro de 2013 podíamos começar a publicar uma revista. Não tenho pressa. Acho que começamos lendo O Que é Cinema, da coleção Primeiros Passos e teve gente que frequentava o grupo naquele momento e sugeria que começássemos por Gilles Deleuze, A Imagem-Tempo. Nunca concordei em assustar as pessoas, tentando jogar na cara delas o que elas não conhecem. Eu não conheço nada, eu não li nada ainda. Vamos começar juntos, ler juntos do início, levantar juntos as primeiras e essenciais questões. A Revista Sétima tem crítica impressionista, tem texto que é apenas a descrição do enredo do filme, tem opinião pura e simples. E este exercício é importantíssimo, antes de exercitarmos uma crítica mais fundamentada em bases teóricas X ou Y. O que eu acredito é que estudar cinema, gostar de cinema e escrever sobre cinema está ao alcance de todos os mortais. Isso não é tarefa de poucos e especiais indivíduos: está aberto para pessoas que estejam ou não na universidade, homens, mulheres, adolescentes, não importa a raça, a orientação sexual, a condição socioeconômica. O Grupo de Estudos e a Revista são dois pontos altos do meu trabalho, mas eles são construções coletivas e que estão sempre se transformando naquilo que as pessoas envolvidas, cada uma dentro do seu tempo, de acordo com a sua dedicação particular está conseguindo fazer.
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Para conferir semanalmente a programação dos filmes exibidos por Elvis Pinheiro no Cariri, acesse o Guia Cultural O Berro deste blog. E para ler os textos da Sétima - Revista de Cinema, curta a fan page no Facebook, clicando aqui.

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terça-feira, 17 de junho de 2014

José Mojica Marins



por Gabi Bernardino

José Mojica Marins (São Paulo, 13 de março de 1936), cineasta, ator, roteirista, é mais conhecido principalmente como diretor de cinema de terror e precursor do cinema trash brasileiro, embora já tenha trabalhado com outros gêneros, como drama, faroestes e a pornochanchada. Mojica atua em mais da metade de suas produções, além de produções de quadrinhos, teatro e programas de televisão, como o atual O Estranho Mundo de Zé do Caixão, exibido no Canal Brasil.

Zé do Caixão é um personagem criado por Mojica a partir de um pesadelo, em que um vulto o arrastava até seu próprio túmulo, em outubro de 1963. Foi interpretado pela primeira vez no filme À meia noite levarei sua alma (1963), pelo próprio Mojica. Curiosamente, a fama da criatura ultrapassou a do seu criador e intérprete. Até hoje Mojica tem sua personalidade associada a seu personagem mais famoso.

Mojica foi criado desde os três anos de idade nos fundos do cinema em que seu pai (Antônio André) trabalhava, e este foi o principal estímulo de sua carreira no cinema nacional. Mojica produziu, de dentro de um estúdio improvisado em uma sinagoga abandonada, a sua obra-prima já citada, À meia noite levarei sua alma.

Alvo de muitas censuras e perseguições na época da ditadura militar — embora tenha namorado a filha de um general, e foi o que lhe garantiu segurança considerável para continuar a produzir, mesmo com pouca liberdade. Seu trabalho sofreu as críticas nacionais, não auferindo o mesmo prestígio e reconhecimento internacional, considerado como cinema cult e trash.

Participou do cinema Boca do Lixo (na época em que tinham acabado todos os estúdios como Vera Cruz, Multifilme e Cinedia, do Rio de Janeiro) iniciando o cinema independente com o apoio de Glauber Rocha.

"Eu mostrei que com uma câmera podia-se fazer [cinema]. Eu incentivei o Brasil todo a filmar. Colaborei pra que nosso cinema não acabasse. Eu fui o primeiro da Boca do Lixo e sou o último" — José Mojica Marins em entrevista para a revista Janela (2012). 
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Gabi Bernardino é estudante do Ensino Médio.

Texto originalmente publicado na SÉTIMA: Revista de Cinema (edição 11, de 20 de novembro de 2013), que é distribuída gratuitamente na Região do Cariri cearense. A Revista Sétima é uma publicação do Grupo de Estudos Sétima de Cinema, que se reúne semanalmente no SESC de Juazeiro do Norte-CE.

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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Encenação do espetáculo 'Cacos Para Um Vitral' no Crato



"A Comum Unidade Oitão de Teatro encena o espetáculo Cacos para um Vitral, com atuação de Alan Oliveira, Edmilson Soares, Mauro Cesar e Suzana Carneiro; e direção de Mauro Cesar.

Obra baseada no ridículo das ilusões da vida, em fragmentos da obra poética e fonográfica de Adélia Prado e Cida Moreira.

O espetáculo é uma aspiração artística a partir do questionamento da direção: como criar uma obra teatral em que o ator/atriz e o espectador estejam suspensos pelo sentimento em toda duração do espetáculo?" (sinopse da divulgação do evento)
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Espetáculo Cacos Para Um Vitral
Comum Unidade Oitão de Teatro
Direção: Mauro Cesar
Atuação: Alan Oliveira, Edmilson Soaresm Mauro Cesar, Sizana Carneiro
Sexta-feira, 20 de junho de 2014, 20h
No Teatro Adalberto Vamozi (SESC Crato-CE)
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
Classificação: 14 anos
+ info.: (88) 3523.4444.

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'A Vida é Um Canteiro de Obras', filme de Wolfgang Becker, no Cinematógrapho



Cinematógrapho (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Encontro com o Cinema Alemão
Exibição do filme A Vida é Um Canteiro de Obras
Título original: Das Leben ist eine Baustelle
Direção: Wolfgang Becker
Roteiro: Tom Tykwer, Wolfgang Becker
Elenco: Jürgen Vogel, Christiane Paul, Ricky Tomlinson, Christina Papamichou, Martina Gedeck, Armin Rohde, Rebecca Hessing, Andrea Sawatzki, Frank-Michael
Duração: 118 minutos
Ano: 1997
País de origem: Alemanha

"Inverno em Berlim: um jovem operário perde seu emprego e é condenado a pagar uma multa. Seu pai morre e Vera, sua nova namorada, vai com ele ao velório. Um filme provocante e, às vezes, cômico, sobre a postura de vida de uma nova geração da cidade grande." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na quarta-feira, 18 de junho de 2014, às 19h
No SESC Juazeiro do Norte-CE. Entrada gratuita.

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domingo, 15 de junho de 2014

'Sonnenallee', filme de Leander Haußmann, em exibição no Cinemarana



Cinemarana (com mediação de Elvis Pinheiro)
Mostra Encontro com o Cinema Alemão
Exibição do filme Sonnenallee
Título original: Sonnenallee
Direção: Leander Haußmann
Roteiro: Thomas Brussig, Detlev Buck, Leander Haußmann
Elenco: Alexander Scheer, Alexander Beyer, Robert Stadlober, Teresa Weißbach, Katharina Thalbach, Henry Hübchen, Elena Meißner, Winfried Glatzeder
Duração: 101 minutos
Ano: 1999
País de origem: Alemanha

"Retrato humorístico da vida dos jovens na Berlim de 1973 através da Sonnenallee, avenida que tem o trecho mais longo na Berlim Ocidental e seu trecho mais curto na oriental da cidade dividida." (sinopse da divulgação do evento)

Exibição na segunda-feira, 16 de junho de 2014, às 19h
No SESC Crato-CE. Entrada gratuita.

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