terça-feira, 31 de maio de 2011

Conto "O Santo Boi Mansinho"

Centenário de Juazeiro do Norte # 48
Embalado pra viagem # 19

Seguindo na esteira da postagem anterior do centenário, na qual Xico Fredson comentou o livro O Padre e o Romeiro, hoje destacarei outra produção livresca que trata do universo do Juazeiro e do Padre Cícero. Nos últimos dias tive a oportunidade de reunir alguns livros relacionados à história, à cultura e ao universo mítico de Juazeiro. Aos poucos disponibilizarei alguns trechos dessas publicações e comentarei outras.

Hoje destaco o livro Nos tempos do Padre Cícero, de Francisco Nóbrega Teixeira, vencedor do Prêmio Estado do Ceará de 1985 para a Prosa de Ficção. O livro trata-se de uma reunião de contos históricos, baseados em fatos reais, mas naturalmente modificados e reelaborados pela criação literária. O enfoque é sempre o Nordeste do tempo de Lampião e Padre Cícero, tendo como principais personagens dos contos o povo: romeiros, beatos ou o padre santificado pela crença popular, o Padre Cícero Romão Batista.

Do livro de Francisco Nóbrega Teixeira, reproduzi abaixo o conto "O Santo Boi Mansinho", que trata de fatos que já foram destacados na postagem # 07 do Centenário de Juazeiro do Norte.
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O Santo Boi Mansinho

Corria o tempo nos idos de vinte e dois. Em rua do Juazeiro duas comadres se encontram:

— Dos Anjos, minha amiga, to aperreada que nem sei!

— Ôxente, Maricota, nunca tive de lhe encontrar com tamanha palidez. O que aconteceu?

— Foi com meu santo marido, o Zuquinha: pegou uma curuba, que a pele tá que é uma ferida só. Vive morto na coceira — parece um desesperado. Tá se deformando, comadre.

— Valha-me Deus, comadre — retrucou Dos Anjos.

— O pior de tudo é a desesperança na Medicina. Zuquinha já correu todos os médicos do Cariri, sem encontrar alívio.

— Comadre Maricota, vosmicê já viu falar do Boi Mansinho do beato Zé Lourenço, lá do sítio Baixa Dantas? Dizem que a urina dele pode mais que qualquer remédio.

— Já vi falar sim, inté pensei em levar seu Zuquinha lá. Mas voscimê conhece o feitio do meu marido — revoltado com a devoção dos romeiros — tudo ele acha que é supserstição e beatice desta gente ignorante.

— Pois se comadre quiser, me ajunto a vosmicê para tentar um convencimento do Major. Um morador de nossa fazenda jura por todos os santos, que a urina de Mansinho lhe curou de uma sapiranga. Quem sabe se eu lhe contando isto, o Major Zuquinha se convence?

Após muitos rogos gastos para convencê-lo, Major Zuquinha aquiesceu na ida ao sítio Baixa Dantas, fazendo, entretanto, impertinente observação:

— É a primeira vez que vejo mijo servir para alguma coisa!

Ripimpé # 26

Depois de uma capa com cantor mostrando que é galã, hoje é a vez do Ripimpé mostrar um flautista se candidatando a gostosão. O incrível foi ele acreditar que conseguiria isso com essa foto; e que seria uma boa ideia para uma capa de disco.

Herbie Mann, no disco Push Push, de 1971.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Padre e o Romeiro: leitura para o Centenário de Juazeiro

Centenário de Juazeiro do Norte # 47

"Não se assuste o leitor. Você vai caminhar, enquanto reza, vai rezar, enquanto caminha. A estrada é da Fé. A liturgia é das estradas, a salmodia são os passos de uma família alagoana, rumo a Juazeiro do Padre Cícero, no extremo sul do Ceará. Você vai admirar a fotografia do chão dos penitentes, em feliz pitadas de emoção que Geraldo Menezes Barbosa se acostumou a burilar com a mão de artista e paciente profissional da estética odontológica. Mas não fique apenas na admiração do pano de fundo do escritor e cronista. Adentre no conteúdo, penetre na conexão: O Padre, o Romeiro, Juazeiro e suas romarias."

É com essas palavras que o Monsenhor Murilo de Sá Barreto, que fez a apresentação do livro O Padre e o Romeiro, romance escrito pelo pesquisador Geraldo Menezes Barbosa, convida-nos à leitura da obra.

Geraldo Menezes Barbosa, zeloso estudioso e fonte de inestimável e imensurável conhecimento sobre a vida do santo Padre, que antes de iniciar a peregrinação do romeiro alagoano, que viveu uma verdadeira "diáspora" que duraram vários dias, avisa ao leitor: "é uma narrativa real, assegurados fatos, datas, cenários do Nordeste, ambientes místicos com toda a caleidoscopia viva, envolvendo, como destaque, a personalidade do Padre Cícero Romão Batista, e o protótipo do seu romeiro, o sertanejo das Alagoas que se fez devoto e afilhado de corpo e alma, Aureliano Pereira da Silva. O Padre e o Romeiro, num contexto histórico, abrange uma época de importantes fermentações sociológicas, destacando-se o sofrimento de um povo residente e fiel ao seu ao próprio sentimento transcendental, envolvido no misticismo regional, durante a primeira metade do século XX, em lances políticos, cenas de milagres, profecias, perseguições clericais e abuso de poder, que resultaram na transformação da cidade de Juazeiro do Norte, no maior centro de religiosidade popular, talvez do mundo, com o apoio de nada menos que 40 milhões de devotos do Padre Cícero."

É com esses dois fragmentos extraídos do livro, que inicio essa postagem sobre o Centenário de Juazeiro do Norte. Com a intenção de passar uma dica de leitura leve, cheia de fé, esperança, e que também mostra uma virtude do autor da obra, quando ele nos arrebata de onde estamos e nos lança para aquele contexto, aquele momento histórico.

Atualmente, vivemos um momento festivo e de súbita curiosidade — por parte de uma maioria — sobre Juazeiro do Norte. Essa curiosidade não deve se restringir apenas ao foco religioso, o que de certa maneira já virou lugar comum. É bom conhecer um pouco das questões políticas e culturais da nossa cidade, quando da sua origem, e esse livro traz um pouco dessa possibilidade.

Um sábio ensinamento filosófico (mesmo não se tendo feito carne), nos ensina que devemos conhecer a nós mesmos, "conhece-te a ti mesmo", e dessa máxima podemos trazer reflexões não apenas para nossa vida pessoal, mas também para o nosso lado cidadão, que precisa conhecer as origens da cidade em que mora. Para isso, existe uma boa quantidade de documentários, filmes e livros como este. É só escolher uma forma de aprender e enxergar-se como parte integrante dessa construção diária chamada Juazeiro do Norte, do Padre Cícero, do Romeiro, meu, seu, nosso.

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Geraldo Menezes Barbosa, livro O Padre e o Romeiro, edição I.C.V.C - Instituto Cultural do Vale Caririense. Gráfica e Editora Royal, Juazeiro do Norte, 1997.

domingo, 29 de maio de 2011

Juazeiro do Norte em 1968

Centenário de Juazeiro do Norte # 46

Semana passada, como quem não quer nada, estava eu conectado ao twitter e cliquei num link que foi postado lá. Acabei abrindo esse vídeo abaixo que mostra imagens de Juazeiro do Norte em 1968. Nele, podemos notar como a cidade já era movimentada naquela época. O comércio, juntamente com a religiosidade, chamava a atenção do cinegrafista.

O vídeo não possui créditos nem áudio. A trilha sonora e a sonoplastia, caro leitor, pode ficar ao encargo de sua imaginação.

sábado, 28 de maio de 2011

Padre Cícero: pioneiro na região do Cariri em defesa da ecologia

Centenário de Juazeiro do Norte # 45

Dentre as muitas preocupações do Padre Cícero estavam aquelas que dizem respeito às questões ambientais. Se vivo fosse, talvez Juazeiro não tivesse tantos dos problemas já mencionados aqui em postagens anteriores; e até mesmo o nosso sertão não teria que enfrentar tantos problemas.

A construção de cisternas para o aproveitamento das águas da chuva tem beneficiado várias famílias do semiárido. Implantadas através de várias entidades pelo Programa 1 milhão de Cisternas, esse projeto pode não ter nenhuma ligação com os “preceitos ecológicos”deixados pelo Pe. Cícero, mas pelo simples fato dele ter ensinado essa ideia há quase cem anos atrás, já mostra que ele era um homem bem à frente de seu tempo.

Preceitos Ecológicos do Pe. Cícero, retirados do blog Reação Ambiental:

- Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau;
- Não toque fogo no roçado nem na caatinga;
- Não cace mais e deixe os bichos viverem;
- Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer;
- Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza;
- Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva;
- Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta;
- Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só;
- Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Padre Cícero tem R$ 120 mil para ficar nos trinques

Centenário de Juazeiro do Norte # 44

Foto: Judson Jorge

A Ordem dos Salesianos (que administra a colina do Horto)
recebeu recursos municipais e estaduais no valor de R$120 mil para a reforma da estátua do Padre Cícero. Clique aqui para ler a matéria.

A notícia foi publicada no Jornal do Cariri e replicada pela internet.

A expectativa é de que as obras fiquem prontas antes do dia 22 de julho de 2011, data em que se comemora o centenário de Juazeiro do Norte. Detalhe: as obras nem foram iniciadas ainda.

Tomara que com essa grana e essa pressa toda, Padre Cícero não fique apenas com uma mãozinha de cal...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A fonte que vive seca

Centenário de Juazeiro do Norte # 43

Estimados leitores, primeiramente quero pedir desculpas pela qualidade das fotos que vêm neste post, pois não conhecia bem a qualidade da máquina que usei para resgistrá-las.

Mas, mesmo assim, acredito que a qualidade dela não está tão pior do que a da fonte que fica bem no meio da Praça Padre Cícero.

Como um dos principais cartões postais da cidade de Juazeiro do Norte, essa fonte deveria estar ao menos limpa, já que está seca. Ao contrário disso, já vi roupas velhas lá
esquecidas, lixo e até gato perebento dormindo nela. E essa situação perdura há mais de um mês.

Entristece-me toda vez que vejo o dinheiro público ser tratado de forma irresponsável e descuidada. Para a implantação desta fonte, com seu sistema de iluminação à prova d’água, deve-se ter gasto, certamente, vários milhares de reais.

Independentemente de qual tenha sido a administração municipal que colocou essa fonte lá, é dever de todas as administrações subsequentes fazer com que ela continue funcionando, dando a ela a manutenção necessária.

Mas, parece que os gestores desta cidade devem ter um sistema de teletransporte de suas casas diretamente para os seus gabinetes, que os impede que vejam coisas tão óbvias como estas, paradas, sem funcionar, gerando prejuízo para a cidade. Ou então, eles veem, mas, sem querer dar a devida importância, fazem “vista grossa”.

E, mais uma vez, os cidadãos são desrespeitados.

Programação do Cine Cariri Shopping - de 27/05 a 02/06/2011

Cine I: Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas
(Pirates of the Caribbean 4: On Stranger Tides, 2011)
Horários: 14h40, 17h30 e 20h20
Origem: EUA
Gênero: Aventura, Dub.
Distribuidora: Walt Disney Studios
Lanç. Nacional: 20/05/2011
Sinopse: Jack Sparrow (Johnny Depp) se reencontra com uma jovem de seu passado (Penélope Cruz), ele não está certo se é amor − ou se ela é uma cruel artista trapaceira que o está usando para encontrar a mítica Fonte da Juventude. Quando ela o força a entrar a bordo do Queen Anne’s Revenge, o navio do formidável pirata Blackbeard (Ian McShane), Jack se vê em uma aventura inesperada na qual ele não sabe mais a quem temer: Blackbeard ou a mulher de seu passado.
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Penélope Cruz, Ian McShane, Gemma Ward, Stephen Graham, Kevin McNally, Óscar Jaenada, Sam Claflin
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio
Produção Executiva: John DeLuca, Ted Elliott, Chad Oman, Terry Rossio, Mike Stenson, Barry H. Waldman
Produção: Jerry Bruckheimer
Direção: Rob Marshall
Trailer:



Cine II: Velozes e Furiosos 5
(Fast Five, 2011)
Horários: 15h10, 17h50 e 20h30
Origem: EUA
Gênero: Ação, Crime
Classif.: 14 anos
Duração: 130 min.
Distribuidora: Paramount Pictures
Lanç. Nacional: 06/05/2011
Sinopse: Desde que Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) tiraram Dominic (Vin Diesel) da custódia da polícia, eles têm cruzado diversas fronteiras para evitar as autoridades. Agora, encurralados em um canto do Rio de Janeiro, precisam executar um último serviço para conquistar a liberdade. Conforme montam seu time de corredores, os improváveis aliados sabem que sair limpos significa confrontar o homem de negócios corrupto que os quer mortos. Mas há mais pessoas no encalço. O agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson) nunca perde um serviço. Quando é escalado para perseguir Dom e Brian, ele parte com tudo com sua equipe - mas no Brasil descobre que não é tão fácil distinguir os mocinhos dos bandidos. Hobbs vai precisar confiar em seus instintos para pegar sua presa, antes que alguém o faça.
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Elsa Pataky, Ludacris, Gal Gadot, Matt Schulze, Sung Kang
Roteiro: Chris Morgan
Produção Executiva: Amanda Lewis, Samantha Vincent
Produção: Vin Diesel, Michael Fottrell, Neal H. Moritz
Direção: Justin Lin
Trailer:


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Preço do ingresso (+ pipoca):
De sexta a terça: Inteira: R$8,00 / Meia: R$4,00
Quarta e quinta: Inteira: R$6,00 /Meia: R$3,00

Mais dicas de filmes ou programação de outros cinemas:
http://www.orientcinemas.com.br/programacao

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Procura-se" Beata Maria de Araújo

Centenário de Juazeiro do Norte # 42
No último dia 23 de maio foi comemorado o 148º aniversário de nascimento da Beata Maria de Araujo, que juntamente com o Pe. Cícero é uma das grandes personagens de Juazeiro do Norte e responsável pelo crescimento constante do turismo religioso em nossa cidade. E nesse ponto, um acontecimento polêmico até os dias de hoje tem valor relevante, trata-se do Milagre da Hóstia, que foi protagonizado pelo Pe. Cícero e pela Beata Maria de Araújo.

Tendo sido vitimada e condenada pela própria igreja a afastar-se dos cultos religiosos que tanto lhe iluminavam a alma, a Beata recentemente tornou-se foco de um grupo de artistas intitulado 100 diferente, que tenta trazer luz à memória da Beata que teve seu túmulo violado e os restos mortais jogados em lugar ignorado.

“Procura-se”, é assim que a intervenção grafa em vermelho os diversos cartazes espalhados pela cidade com a imagem de Maria de Araújo. Logo abaixo lemos “Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo - BEATA MARIA DE ARAÚJO - mulher, pobre, negra desaparecida desde 22 de outubro de 1930". Com a profanação do túmulo da beata, fica claro o sentido do “procura-se”, cabendo ao restante do texto a responsabilidade pelas principais indagações.

Será que teria outra sorte se a beata fosse rica e branca?! Ou, pelo menos, buscar-se ia os responsáveis pelo vilipêndio do seu túmulo? E hoje, será possível encontrá-la, ter seu respeito resgatado?

Muito foi (e vem sendo) feito para se redimir os erros com o Pe. Cícero. Resta que seja feito o mesmo com a Beata, que já é respeitada e admirada pelo povo de Juazeiro, por seus artistas e romeiros que, ano após ano, prestam homenagens a esta devota do "Padim Ciço".

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Para ver uma matéria do Fantástico (exibida em 1997) sobre a Beata Maria de Araújo e o suposto milagre clique aqui.

terça-feira, 24 de maio de 2011

TV em Juazeiro a serviço de quem?

Centenário de Juazeiro do Norte # 41
O Berro nas antas # 10

Recordo-me que, quando apresentei o texto que vem logo abaixo à equipe para a edição de nº 28 de O Berro, foi levantada entre nós uma discussão a respeito do papel da TVE Padre Cícero — abrindo espaço para que Luís André emitisse sua opinião rápida, rasteira e acertada sobre a atuação da TV juazeirense naqueles tempos, num artigo também reproduzido abaixo.

Passados todos esses anos, podemos hoje girar o botão de nossos receptores e encontrar dois canais de TV’s instalados em Juazeiro do Norte, transmitidos para praticamente todo o Cariri: a TV Verde Vale e a TV Verdes Mares Cariri. A TVE Padre Cícero não resistiu à pressão e acabou fechando e, recentemente, passou a realizar suas transmissões através da internet, no endereço www.tvpadrecicero.com.br.

Apesar dessas TVs terem em seu propósito interesses comerciais e políticos, dando o pitaco na programação, podemos ver a região melhor "assistida" do que há 11 anos. Mas, ainda assim, nos falta um pouco mais — como já faltava naqueles tempos.

Ainda falta nas TVs locais um espaço real para a valorização da cultura local. Quando falo cultura, não falo somente de manifestações artísticas. Falo, na verdade, de programas que realmente estimulem a valorização de quem somos e que façam com que enxerguemos o que as pessoas de fora (de outros estados e outros países) enxergam e valorizam no Cariri, no seu povo, na sua cultura, na sua história e na sua arte.

Precisamos de TV’s que resgatem o que fizemos no passado, e nos ajude a melhorar o que fazemos no presente e o que faremos no futuro.

Se for apenas para ficar tentando reproduzir o padrão das TVs do Sudeste, já nos bastam a Globo, o SBT e a Record, que diariamente nos bombardeiam com as coisas mais fúteis possíveis, querendo transformar toda uma nação em uma coisa que ela não é, nem nunca foi.


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Abaixo, os textos publicados na edição 28 d'O Berro
(junho de 2000):

TVE Pe CÍCERO

Benefícios X Inimigos

Por
Hudson Jorge

Pertencente à Fundação Gilberto Loyola de Alencar, a TVE Padre Cícero está no ar desde o dia 23 de março de 1999. Com pouco mais de um ano de existência, a emissora já conta com mais de 15 transmissões ao vivo, fato que merece destaque, visto que seus equipamentos ainda são simples (VHS), quando já vivemos a era digital.

Um dos benefícios que a TVE Pe. Cícero proporcionou foi a retransmissão da TVE Brasil, um canal que se destaca por promover a cultura e a educação. Contudo, o que lhe permite ter hoje uma boa audiência é a cobertura de eventos na região do Cariri.

Com seu projeto em Brasília desde o dia 20 de maio de 1999, a TVE Pe. Cícero espera por sua regularização junto ao ministério das comunicações. Esse Projeto deve demorar de 3 a 5 anos para ser aprovado. Por enquanto, a TV funciona devido a uma liminar da Justiça, que pode ser derrubada a qualquer momento. Atualmente, a emissora gera 10 empregos diretos, número que poderá triplicar com a sua regularização.

Enquanto isso, a emissora tem sido alvo de diversas ações contra o seu funcionamento. Segundo Roberto Bulhões, diretor da TVE Pe. Cícero, os interesses comerciais das empresas que dominam o mercado de comunicações são muito fortes, “além disso, vem a ACERT ‘pressionando’ a ANATEL que por sua vez ‘pressiona’ a Polícia Federal e se a emissora estiver ilegal, eles a fecham”.

Pensando nisso, está sendo realizada uma campanha de coleta de assinaturas em prol de sua permanência no ar, cuja meta é “atingir 100 mil assinaturas para que possamos levá-las ao ministro das comunicações demonstrando que a população da cidade deseja que a TVE Pe. Cícero permaneça no ar”, diz Bulhões.

Inimigos à Espreita

Podemos observar que TVE Pe. Cícero conquistou alguns inimigos, que argumentam que a emissora não possui qualidade em suas transmissões tampouco em sua programação. Mas, segundo Bulhões, estão por vir mudanças significativas, como aquisição de novos equipamentos e a elaboração de programas informativos, educativos, culturais e de entretenimento.


OPINIÃO

Por
Luís André Bezerra


Esperava eu que a TVE Pe. Cícero fosse um espaço para boas produções da região do Cariri, mas, infelizmente, ainda estou para ver isso. Vá lá que os equipamentos são modestos, e que cobrir eventos da “high society” tem importância para algumas pessoas, mas não entendi ainda o fato da TV situar-se numa região tão rica culturalmente e não se aproveitar disso, o que abrilhantaria, e muito, sua programação.

Também não a vejo como um espaço para discussões de melhorias da cidade de Juazeiro do Norte. Parece até que tudo está caminhando perfeitamente, coisa de primeiro mundo... Então, acredito que devemos lutar pela legalização da TVE Pe. Cícero, sim, urgentemente, mas também exigir que ela tenha novas propostas, que seja menos conservadora, que procure enxergar um pouco além da aparente mesmice da região.

Precisa-se olhar para os "porões", para os "artistas malditos", os artistas desvalorizados, para poder enxergar além do óbvio. E não são necessários muitos recursos para isso, basta vontade. Existem centenas de artistas juazeirenses que não têm oportunidade de divulgar sua arte e de ensinar isso, como uma forma de doar oxigênio para nossa cultura. E quanto ao óbvio, citado anteriormente, precisa-se lutar para que ele melhore. Um exemplo disso: exibir a romaria e não discutir o horrível tratamento dado aos romeiros em Juazeiro é um tanto hipócrita, é apenas aumentar a estatística de exploração dos mesmos. Para deixar as coisas inertes, já basta quem está no poder contra nós.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Padre Elias responde pergunta sobre o Padre Cícero

Centenário de Juazeiro do Norte # 40

Em meados do ano 2000, o Padre Raimundo Elias Filho, de Crato-CE — que atualmente tem-se dedicado aos estudos em Portugal — participou do Programa Tribuna Independente, da RedeVida. Na ocasião, o Padre Elias divulgava o seu livro Mistérios do Aquém e do Além, resultado de suas pesquisas sobre a Parapsicologia.

Em certo momento da entrevista, o padre foi perguntando sobre os supostos milagres do fundador e primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, o Padre Cícero. Raimundo Elias responde enfatizando, dentre outras coisas, que o "assunto Padre Cícero" sempre desperta opiniões divergentes, mas assegura que, na sua opinão, tratava-se de "um grande homem"; ele também destaca o grande fenômeno das romarias juazeirenses. Confira no vídeo abaixo:



Para ver vídeos tratando do assunto "milagres do Padre Cícero", clique aqui e aqui.

Festa do Pau da Bandeira no Documento Especial

Arquivo Cariri # 05

Em 1998, o programa Documento Especial da Band dedicou uma edição à Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha-CE. A equipe do programa registrou desde o corte do pau até o hasteamento do mesmo na cidade. Também ganharam destaque a fama do santo casamenteiro e a expectativa na cidade pelo dia festa.

Disponibilizamos o programa em três partes:





domingo, 22 de maio de 2011

Juaforró 2011

Centenário de Juazeiro do Norte # 39

Quando tem coisa errada a gente gosta de falar, então quando tem coisa boa é mais do que justo de que nos lembremos delas.

Teve início ontem a 11ª edição do Juaforró, que neste ano de 2011 teve seu período de realização encurtado e modificado . O evento que sempre aconteceu no mês de junho e tinha bem mais do que oito dias de duração, surgiu cobrindo uma lacuna festiva na cidade de Juazeiro do Norte, que não possuía, além da tradicional “Vaquejada” e romarias, eventos de peso que fizessem parte de um calendário.

Recordo-me da 1ª edição — cujo coordenador era o secretário de cultura da época, Alcymar Monteiro — que teve na programação atrações muito boas, a exemplo de Zé e Elba Ramalho, Alceu Valença, entre tantos outros... Era uma luz no fim do túnel em se tratando de eventos que tivessem, entre suas atrações, artistas que realizam um trabalho de qualidade e moralmente digno.

Mas passaram-se os anos, mudou o secretário e mudou também o foco do evento, que passou a servir aos megaempresários do "entretenimento de plástico" — chamado forró eletrônico — e a qualidade das atrações caiu vertiginosamente.

Mas, como um milagre e, quando ninguém mais tinha esperança, eis que surge um Juaforró com atrações daquelas que dão até vontade de a gente se programar para ir e reencontrar bons amigos. Enquanto estou aqui escrevendo esta postagem, Alceu Valença deve estar comendo uma maçã para entrar no palco. Tudo bem que ainda existam algumas aberrações na programação, mas é também justo que se contemple a grande massa.

E, com relação à diminuição dos dias na programação, eu faço uma comparação chula com a área nutricional: o que vale não é a quantidade, e sim a qualidade.

Então, como displicentemente não havíamos publicado a programação do Juaforró em nosso blog, desfazemos o lapso com dois dias de atraso (clique na imagem para ampliá-la), e como uma homenagem que fazemos ao Centenário de Juazeiro e um agradecimento ao atual secretário de cultura — Fábio Carneirinho — e à Prefeitura Municipal, que busca neste ano de 2011 trazer de volta um Juaforró de qualidade.

Ripimpé # 25

Quando o cantor é galã, tem mais é que provar isso na capa do seu disco. Foi o que pensou (e fez) Elino Julião em Meu coração é das mulheres, de 1979.

sábado, 21 de maio de 2011

Juazeiro no fim do mundo

Centenário de Juazeiro do Norte # 38

Finalizando mais um dia que estava programado para o fim do mundo, venho escrever mais uma postagem para o centenário, dando graças a Deus por ainda estar por aqui. Antes de continuar, agradeço ao Harold Camping, que errou mais essa profecia.

Mas como o fim do mundo é o assunto do momento, gostaria de falar da profecia acerca do fim do mundo oriunda daqui, de nossa terrinha. Os nossos profetas talvez não sejam tão "estudados" quando outros profetas mundo afora, mas também não são tão tolos para saírem por aí marcando datas para um suposto juízo final.

Os penitentes Aves de Jesus, que há mais 50 anos alertam o povo sobre os cuidados que devemos ter nesses tempos de fim, vivem em Juazeiro do Norte e dedicam uma vida de fé, regrada e austera, dedicada às proclamações proféticas.

Aqui, link sobre os penitentes Aves de Jesus.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Juazeiro na voz de Gonzagão # 03

Centenário de Juazeiro do Norte # 37

Os juazeirenses estão afeitos a essa história, mas para quem não é da cidade ou não conhece esse fato costumeiro, vale contar. Como o Padre Cícero faleceu no dia 20 de julho (de 1934), uma tradição toma as ruas de Juazeiro no dia 20 de cada mês: milhares de pessoas se vestem de preto, em luto pela morte do Padre. E a tradição atravessa gerações. Conta-se, por exemplo, que na missa de sétimo dia do falecimento do "Padim Ciço", faltou tecido preto nas lojas da cidade. Já se passaram quase 77 anos e os devotos continuam vestindo preto nos dias 20, mostrando que a fé vence até o calor escaldante de Juazeiro.

Já postamos um vídeo que menciona essa tradição e hoje disponibilizamos uma canção gravada por Luiz Gonzaga (com participação de Benito di Paula), que costumeiramente é entoada pelos romeiros, e que diz: "olha lá no alto do Horto / ele tá vivo, o Padim não tá morto" — em alusão à grande estátua do Padre Cícero que está na Serra do Horto e é reverenciada pelos romeiros.

Os Mulheres Negras na Revista Bizz, em 1987

Do papel # 02

Pequena matéria publicada pela Revista Bizz 23, de junho de 1987. Trata do começo da "fama" da dupla — formada por Mauricio Pereira e André Abujamra — no cenário underground paulista.

Mas temos que registrar e alertar para erros crassos da matéria: Mauricio foi indicado como sendo o guitarrista e André o saxofonista (na verdade é o inverso e corrigimos na digitação); e na foto eles também foram indicados erroneamente. Independente desses deslizes, fica o registro de uma matéria publicada há quase 24 anos.



Porão: Os Mulheres Negras
Uma big band de dois desperta interesse dos porões paulistas. E o grande público?

Eles são engraçados... Lembram o Gordo e o Magro no palco. O som cabe tanto num coreto de interior quanto num porão urbano. E talvez por isso mesmo estejam criando uma certa fama no underground paulista. Mas o grande público também iria gostar. No entanto... Peninha Schmidt (produtor da WEA), por exemplo, disse há uns cinco meses, quando ouvia, deliciado, uma fita do grupo: "o Brasil não está preparado para Os Mulheres Negras".

Por essas e outras, talvez o grande público nem venha a conhecê-los. E eles desistirão? André: "mesmo que não aconteça nada, nunca vamos parar de tocar... Se você fizer uma análise melódica, harmônica do nosso som, vai perceber que é primitivo, popular”. A "banda" se compõe de André (guitarra), Maurício (sax tenor), um computador rítmico, um pedal octaver — para reproduzir um timbre de baixo na guitarra — e um sampler. "A eletrônica não é para ser robótica e sim para ajudar a soarmos como uma big band. Se encanarmos, desligamos tudo no meio do show e depois retomamos. Ela (a eletrônica) é obediente", fala André. O som é um misto de "choro, funk, punk jazz e Villa-Lobos", como eles dizem. O senso de humor prevalece nas músicas com vocal. Os títulos variam de "19:30" e "Mãoscolorida" até "História Completa da Abolição da Escravatura/Bugrie Ugre".

Sair do Brasil? "Não", diz André. "O foguete lá fora está caindo. Aqui ele está subindo, nem que seja para o inferno... São outras forças... Só falta encontrarmos um jeito brasileiro de fazer música pop". (Sônia Maia)

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Abaixo, você pode escutar a música "Mãoscolorida", citada na matéria, que faz parte do disco Música e ciência, de 1988.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Juazeiro em fotos: antes e depois 02

Centenário de Juazeiro do Norte # 36

Hoje — seguindo a postagem do Centenário de número # 33 — apresentamos outras montagens que mostram fotos do Juazeiro antigo e como os mesmos espaços estão atualmente (clique nas imagens para ampliá-las).





Controle remorso # 09

As já tradicionais crises de riso de Antero Greco e Amigão (Paulo Soares) no SportsCenter (da ESPN) correm também por outros programas esportivos... desembarcaram no Tambaú Esportes, da TV paraibana:

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Juazeiro do Norte na contramão da história (parte II)

Centenário de Juazeiro do Norte # 35
O Berro nas antas # 09


Trazemos hoje mais um texto publicado na versão impressa de O Berro. O ano era 2000, a edição era a de nº 30 e o mês era novembro.

Nosso angustiado colaborador cita alguns problemas ambientais na cidade de Juazeiro do Norte — no caso, a ocupação irregular de calçadas e ruas no centro da cidade.

Há 11 anos, Gilson de Araújo Pereira dizia em seu texto que Juazeiro do Norte estava na contramão da história. Em 2011, vemos que algumas coisas nesse sentido melhoraram, como é o caso da Rua São Paulo — entre as ruas Santa Luzia e Alencar Peixoto. Mas recentemente pudemos acompanhar o episódio em que o Ministério Público determinou que se retirassem das calçadas churrasqueiras e mesas de bares e restaurantes — principalmente na rua São Francisco, em frente à Praça Padre Cícero.

Menos de dois dias depois da determinação, alguns donos de restaurantes se reuniram, segundo noticiaram alguns veículos da imprensa, e tomaram a decisão de que o "jeito" seria demitir alguns funcionários para minimizar as perdas. Diante de tal argumento, os orgãos fiscalizadores voltaram atrás e permitiram que as mesas, cadeiras e churrasqueiras continuassem a tomar ruas e calçadas.

Bom, aí me vem à cabeça: por que se pode voltar atrás dessa decisão e não se pode voltar atrás da que impediu que os verdureiros mantivessem suas barracas na rua São Paulo? Seria por que, em sua maioria, a categoria dos verdureiros tivesse menos pessoas influentes no seio da política e da sociedade juazeirense?
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Abaixo, o texto publicado na edição 30 'O Berro (novembro de 2000):

Contra a mão da história

Por Gílson de Araújo Pereira

No cotidiano da cidade de Juazeiro do Norte podemos notar situações bem peculiares dessa cidade, como, por exemplo, trafegar pelo meio da feira em frente ao mercado central na Rua São Paulo; é uma verdadeira aventura: os motoristas que se arriscam a fazer isso, principalmente em dia de sábado, se veem obrigados a desviar desde carroceiros mal humorados, que nunca se preocupam em dar passagem a pedestres desavisados que, por sua vez, não sabem que, antes de ser uma feira, ali é uma via pública. Os comerciantes não têm culpa, pois precisam ganhar o sustento das suas famílias. O poder público é que deveria agir, disciplinando outro local para a instalação dessa feira, pois, além de facilitar a vida de comerciantes, consumidores e motoristas, num espaço maior e mais organizado, possibilitaria o aumento do número de vendedores e a consequente criação de mais empregos para a nossa população.

Quem conhece outras cidades do porte de Juazeiro do Norte e consegue perceber a constante preocupação de seus governantes em facilitar o fluxo de carros no centro da cidade, fica a imaginar que em nossa cidade não existe essa preocupação, e o que é pior: comprovado pela dificuldade de se transitar no centro de Juazeiro, principalmente pela rua São Pedro; pela calçada não há espaço, pois ela é tomada, se não pelos camelôs, pelas mercadorias das próprias lojas. A alternativa é a rua que já seria estreita, mesmo se não fosse grande o número de carros estacionados.

Juazeiro do Norte parece estar na contramão da história, enquanto já existem cidades no Nordeste fazendo projeto de revitalização de seu centro, como é o caso de Campina Grande — onde a prefeitura está transferindo camelôs, criando espaços alternativos de acesso ao centro e até demolindo prédios para facilitar o tráfego. Em Juazeiro, alguns proprietários de bares fecham todo um quarteirão para fazerem suas festas, impedindo o fluxo normal de veículos naquela rua.

Quanta diferença e quanto atraso...
(novembro de 2000)

Encerramento da Mostra de Bandas Armazém do Som

O encerramento da Mostra de Bandas Armazém do Som, no SESC Juazeiro, no último dia 14 de maio, reuniu no mesmo palco três bandas com estilos diferentes, num Teatro Patativa do Assaré com lotação máxima.

A BR87, formando um quarteto, agitou bastante o público com músicas autorais e a irreverência de Adriano Dias nos vocais e bateria, a presença marcante de Alexandre Spartano na guitarra base, Admilson Matias no contrabaixo e Higos Diego na guitarra solo. O grande destaque dessa apresentação: músicas compostas para homenagear Marcelo Nova, da banda Camisa de Vênus.

A Roadsider trouxe um som na linha Trash Metal. A banda, vinda de Fortaleza e desfalcada de última hora, teve que tocar com um guitarrista a menos, mas nem por isso diminuiu a qualidade do show. A banda já começou sua apresentação com bastante agito, fazendo com que os headbangers se aproximassem do palco rapidamente. Influenciada em seu trabalho por bandas como Sepultura e Pantera, a Roadsider destilou um som rápido e pesado.

O show mais esperado da noite e, porque não dizer de toda a Mostra de Bandas, foi o terceiro a ser realizado. A banda Rubber Soul, de Fortaleza, considerada por muitos como uma das melhores bandas covers dos Beatles em todo Brasil — vencedora de festivais no seguimento —, apresentou sucessos de vários discos do quarteto de Liverpool, inclusive da primeira fase. A banda se mostrou interativa, abrindo espaço para que o público sugerisse boa parte do repertório. O Teatro Patativa do Assaré parecia um grande coral beatlemaníaco. O show foi encerrado com "Day Tripper" e muito solo de guitarra.


Mostra de Bandas Armazém do Som


Em sua terceira edição, a Mostra de Bandas Armazém do Som foi realizada em 10 dias, divididos em duas semanas. Ao todo, foram 30 bandas e cerca de 120 músicos que tiveram a oportunidade de participar de um evento interativo com palestra, workshop e exibição de filmes temáticos, proporcionando a cada um deles uma vivência mais aprofundada em vários estilos musicais e a possibilidade de troca de experiências e técnicas profissionais.

Para Antonio Queiroz, idealizador do evento e funcionário do SESC (unidade de Juazeiro do Norte), o evento atendeu a boa parte das expectativas e cumpriu seu objetivo principal, que é abrir espaço para que as bandas locais possam mostrar o que vem ensaiando em garagens ou estúdios da região. As apresentações foram feitas num ótimo espaço, que possui uma excelente qualidade técnica de luz, som e profissionais capacitados, num ambiente seguro.

A Mostra de Bandas Armazém do Som vem abrindo as portas para que se vença o preconceito contra diversos estilos musicais alternativos no Cariri. Fizeram parte do evento: hip hop, rock (com seus estilos variados, como heavy metal, hardcore, hard rock, progressivo, entre outros), provando que Juazeiro do Norte e a Região do Cariri são um grande celeiro musical que possui vários trabalhos saindo da linha cover para a construção de trabalhos autorais.

A próxima edição da Mostra de Bandas pode trazer novidades que ainda estão sendo estudas por Antonio e a equipe do setor cultural da unidade, mas deverá manter a proposta de interação entre músicos da região com os que possuem um trabalho em desenvolvimento em outras cidades do Nordeste e do Brasil.

Outro ponto importante é a ampliação do seminário “Música e Comportamento”, que neste ano de 2011 inseriu o cinema na programação através da exibição de curtas metragens e realizou palestras e workshops. "Nosso objetivo é poder trabalhar cada vez mais a questão profissional com os músicos daqui, através da transmissão de conhecimentos e dicas de como se organizar para inserir seu trabalho no mercado", comenta Antonio Queiroz.

Mais informações:
SESC - Coordenação de Cultura
Rua da Matriz , 227, Centro, Juazeiro do Norte-CE
Fone: 3512.3355

Embalado pra viagem # 18

No último final de semana, o programa Goo (da MTV), que trata de diversas tendências musicais, foi dedicado ao selo britânico Warp Records. Com 22 anos de existência, o selo iniciou suas produções voltado para a música eletrônica, e hoje tem um leque bem mais eclético, embora continue sendo a casa do experimentalismo eletrônico.

Dentre os clipes do selo apresentados no programa, resolvi compartilhar dois aqui no Berro:

Autechre: "Second Bad Vibel", de 1997:


Broadcast: "Papercuts", do álbum The Noise Made by People, de 2000:

terça-feira, 17 de maio de 2011

A imprensa no Juazeiro

Centenário de Juazeiro do Norte # 34

Todos sabem da importância da imprensa, tanto pro bem quanto pro mal. E em Juazeiro, o Jornal "O Rebate" [com primeira edição de julho de 1909] teve uma relevância fundamental na emancipação deste município. Pioneiro na imprensa, “O Rebate” teve sua primeira edição relançada em 2009 e marcou o início dos festejos do centenário.

A imprensa de Juazeiro é tratada com muito zelo e faz parte das pesquisas de Renato Casimiro e Daniel Walker, e foram apresentadas em uma exposição no Centro Cultural Banco do Nordeste, também em 2009.

Estou relembrando o fato para destacar a importância da imprensa para a nossa cidade e também por estarmos orgulhosos em fazer parte dessa história. Quando recebemos o folder da exposição e descobrimos "O Berro" e o "Guia Cultural" em sua catalogação, vimos que nossos esforços eram válidos, não só por esse registro, mas por todo o incentivo que recebemos de amigos e pessoas que cobravam o nosso retorno. O resultado é este blog, feito com nosso carinho e dedicação para todos.

E além de "Enquanto o garçom não vem", "Sovaco de Cobra", "Gota Serena" e centenas de outros informativos, relembramos nossos contemporâneos: a revista “Geral”, que junto com “O Berro” produziu, além dos seu impressos, eventos alternativos na região; e o "Quatro", que ainda hoje veicula suas poesias e matérias nos espaços comerciais de Juazeiro.

Para saber um pouco mais sobre a pesquisa de Renato Casimiro e Daniel Walker, clique aqui.

Programação do Cine Cariri Shopping - de 20/05 a 26/05/2011

Cine I: Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas
(Pirates of the Caribbean 4: On Stranger Tides, 2011)
Horários: 14h50, 17h40 e 20h30
Origem: EUA
Gênero: Aventura, Dub.
Distribuidora: Walt Disney Studios
Lanç. Nacional: 20/05/2011
Sinopse: Jack Sparrow (Johnny Depp) se reencontra com uma jovem de seu passado (Penélope Cruz), ele não está certo se é amor − ou se ela é uma cruel artista trapaceira que o está usando para encontrar a mítica Fonte da Juventude. Quando ela o força a entrar a bordo do Queen Anne’s Revenge, o navio do formidável pirata Blackbeard (Ian McShane), Jack se vê em uma aventura inesperada na qual ele não sabe mais a quem temer: Blackbeard ou a mulher de seu passado.
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Penélope Cruz, Ian McShane, Gemma Ward, Stephen Graham, Kevin McNally, Óscar Jaenada, Sam Claflin
Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio
Produção Executiva: John DeLuca, Ted Elliott, Chad Oman, Terry Rossio, Mike Stenson, Barry H. Waldman
Produção: Jerry Bruckheimer
Direção: Rob Marshall
Trailer:



Cine II: Vovó...Zona 3
(Big Mommas: Like Father, Like Son)
Horários: 14h00 e 18h30
Origem: EUA
Gênero: Comédia, Dub
Classif.: 12 anos
Duração: 107 min.
Distribuidora: 20th Century Fox
Lanç. Nacional: 04/03/2011
Sinopse: Vovózona está de volta e agora com o grande reforço de seu enteado adolescente, Trend. Martin Lawrence volta a ser o agente do FBI Malcolm Turner e seu disfarce e alterego: Vovózona. Turner se junta a Trent enquanto ele permanece escondido em uma escola de artes apenas para meninas, após ter testemunhado um assassinato. Camuflados como Vovózona e a volumosa Charmaine, eles terão de encontrar o assassino antes que ele os encontre.
Elenco: Martin Lawrence, Brandon T. Jackson, Max Casella, Faizon Love, Portia Doubleday, Jessica Lucas, Ana Ortiz, Michelle Ang
Roteiro: Matthew Fogel
Produção Executiva: Jeremiah Samuels
Produção: David T. Friendly
Direção: John Whitesell
Trailer



Cine II: Thor
(Thor, 2011)
Horários: 16h10 e 20h40
Origem: EUA
Gênero: Aventura, Dub
Classif.: 10 anos
Duração: 114 min.
Distribuidora: Paramount Pictures
Lanç. Nacional: 29/04/2011
Sinopse: Thor (Chris Hemsworth) é um poderoso guerreiro cujas ações imprudentes faz reacender uma guerra antiga. Thor é enviado à Terra por seu pai Odin (Anthony Hopkins) e é forçado a viver entre os humanos. Um jovem bela cientista, Jane Foster (Natalie Portman), tem um efeito profundo sobre Thor, já que ela finalmente se torna seu primeiro amor. É aqui na Terra que Thor aprende o que é preciso para ser um verdadeiro herói, quando o vilão mais perigoso de seu mundo envia as forças mais sombrias de Asgard para invadir a Terra.
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Kat Dennings, Anthony Hopkins, Idris Elba, Stellan Skarsgård, Ray Stevenson
Roteiro: Ashley Miller, Don Payne, Mark Protosevich, Zack Stentz
Produção: Executiva: Louis D´Esposito, Stan Lee, Patricia Whitcher
Produção: Kevin Feige
Direção: Kenneth Branagh
Trailer:


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Preço do ingresso (+ pipoca):
De sexta a terça: Inteira: R$8,00 / Meia: R$4,00
Quarta e quinta: Inteira: R$6,00 /Meia: R$3,00

Mais dicas de filmes ou programação de outros cinemas:
http://www.orientcinemas.com.br/programacao

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Juazeiro em fotos: antes e depois

Centenário de Juazeiro do Norte # 33

Continuamos nossa contagem regressiva até o dia 22 de julho, data do centenário de Juazeiro do Norte. Mas é evidente que a chegada de data tão simbólica tem despertado o interesse de diversos outros juazeirenses ou visitantes da cidade em conhecer um pouco mais sua história, seu passado.

Na internet (principalmente nas redes sociais e blogs) temos visto muitas imagens do "Juazeiro antigo" sendo compartilhadas. Muitos dos que têm acesso a preciosas imagens de fatos e figuras marcantes da cidade estão divulgando o acervo como uma forma de contribuir para a comemoração do centenário. Citamos como exemplo os álbuns do Facebook do Neto Menezes, que já contam com mais de 250 fotos relacionadas à história do Juazeiro.

Como as fotos já estão disponíveis nesses álbuns e não podemos contribuir com outras relíquias das antigas, a ideia da equipe d'O Berro para dialogar com o acervo foi selecionar algumas das imagens e voltar aos locais onde foram feitas. As antigas já têm 30, 40 ou até mesmo 90 anos, e nossa missão foi fotografar os mesmos espaços em 2011.

Postaremos as montagens (com as antigas e novas fotos) aos poucos. Para começar, hoje disponibilizamos três delas (clique nas imagens para ampliar).

   

Ripimpé # 24

A capa de hoje do Ripimpé é digna do DePrê Show.

André Hazes quis representar na capa todo o sentimento de um "natal solitário" (tradução do título do single). É de deixar o papai noel chorando de remorso. Mas também não devia ser santo o infeliz da capa... a janelinha ao fundo mostra que ele aprontou: tava preso!

domingo, 15 de maio de 2011

Sem ter o que fazer, Deputado propõe mudar nome de Juazeiro do Norte

Centenário de Juazeiro do Norte # 32

(Deputado) Heitor propõe fazer plebiscito
Clique para ler a matéria no Diário do Nordeste

Ok! Sei que essa não é uma notícia tão nova assim, mas é uma coisa que não se pode deixar passar em branco.

Nessa semana que passou, circulou na imprensa que um deputado estadual propôs a mudança do nome de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero.

Eu fico me perguntando se um cidadão como esse não tem nada mais importante para pensar ou reivindicar na Assembleia Legislativa. O pior de tudo é que esse cara não é daqui e nunca tive a notícia de que ele tenha vindo nos fazer visita, nem em época de campanha.

Meu amigo! Venha cá dar uma voltinha. Venha ver como as ruas de Juazeiro do Norte estão esburacadas.

Venha ver que em alguns postos de saúde as pessoas reclamam da falta de médicos e vacinas. Proponha algo útil que faça com que as farmácias populares tenham em seu estoque os remédios que as pessoas necessitam.

Proponha, daí mesmo de onde o senhor está, uma investigação para saber onde foi aplicada toda a verba destinada, nesses quase 30 anos que passaram, para a construção do Centro de Apoio aos Romeiros.

Proponha, ao menos, uma revitalização da Bacia do Salgadinho, acabando com a poluição que assola aquele rio.

Proponha que os professores desta cidade (e de todo o Ceará) tenham melhores salários e melhores condições para educar os filhos desta terra, para que, mais adiante, não se tornem bandidos ou frequentadores da famosa cracolândia.

Aprove um projeto de lei que dê fardamento e armamento gratuito, melhores condições de trabalho, melhores salários, e bons treinamentos para os policiais (civis e militares) que cuidam de Juazeiro no peito e na raça, e com um efetivo bem menor do que realmente se faz necessário.

Proponha que o Hospital Regional do Cariri comece a funcionar logo e que os profissionais que vão trabalhar lá tenham condições e boa remuneração. Proponha a instalação do serviço de ambulâncias 192 e que o Corpo de Bombeiros tenha viaturas e equipamentos decentes.

Proponha uma solução para os retornos mortais da Avenida Padre Cícero.

Proponha que o Aeroporto Regional do Cariri tenha condições verdadeiras de operação.

Senhores deputados, sei que muitos de vocês querem se tornar (ou já são) um Tiririca da vida. Sei que pode ser difícil, mas tentem deixar de conversa besta e trabalhem verdadeiramente para o bem do povo desta cidade e de todo o estado.

Honrem toda a grana que vocês recebem (valores além do necessário), fazendo coisas realmente úteis, e não ficando de gozação com a nossa cara, com o nosso dinheiro e com a nossa paciência.

Valei-me meu Padrinho Cícero!!!

Controle remorso # 08

A banda RPM estava no Domingão Faustão e... não tem mais como desfazer o GC, foi pro ar assim mesmo:

Controle remorso # 07



Ou essa estatística tá maluca, ou estão vendendo vaga no céu!

sábado, 14 de maio de 2011

Cordelistas Mauditos no dia da mentira (ano 2000)

Centenário de Juazeiro do Norte # 31
O Berro nas antas # 08

Hoje resgatamos mais uma matéria publicada em uma antiga edição d'O Berro.

Contextualizando o texto "resgatado": era ano 2000 e o país estava em meio às comemorações pelos 500 anos de descobrimento das terras brasileiras pelos portugueses.

Obviamente que, perante data tão simbólica, polêmicas não faltaram. E em Juazeiro do Norte, cidade que ainda iria completar 89 anos de fundação na época, a polêmica girou em torno de um grupo de cordelistas que propunha revolucionar a literatura de cordel, lançando novas formas e temáticas nos folhetos publicados pela Sociedade dos Cordelistas Mauditos (que há 11 anos anda com a mesma observação: é assim mesmo, com "u").

No dia do evento (01-04-2000), a equipe d'O Berro foi conferir. A nossa edição de abril daquele ano já estava praticamente fechada. Mas acabamos procurando um jeito de encaixar o registro daquele acontecimento. Ythallo Rodrigues fez um pequeno texto narrando o que se passara no SESC Juazeiro. Devido à falta de espaço na edição e à correria para enviar o jornal para a gráfica, as polêmicas em torno da "modernização" ou não da cultura dita "popular", que renderam acalorados debates, acabaram não tendo espaço no nosso texto. Mas valeu pelo registro rápido e rasteiro... enfim, O Berro estava lá!

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Abaixo, o texto publicado na edição 28 'O Berro (abril de 2000):

Agora são outros 500

por Ythallo Rodrigues

Era dia da mentira e verdadeiramente acontecia mais um evento cultural em Juazeiro do Norte. Foi no SESC o lançamento dos Cordéis da Sociedade dos Cordelistas Mauditos.

Houve, antes de tudo, uma palestra com o Prof. Fábio José, falando, num âmbito geral, da história literária desde suas origens, na Grécia antiga, até o modernismo e a libertação de padrões pré-estabelecidos. Foram palavras rápidas, mas bem esclarecedoras. Em seguida, a Profª. Cláudia Rejane colocou seu ponto de vista com relação à literatura popular e deixou uma pergunta bem interessante no ar: “será que realmente existe uma literatura popular?”. O poeta Abraão Batista também expôs sua opinião a respeito do cordel e suas raízes.

Logo após foram chamados os cordelistas mauditos: Daniel Batata, Camila Alenquer, Edianne Nobre, Fanka, Fernandes Nogueira, Hamurábi, Hélio Ferraz, Júnior Boca (Geraldo Júnior), Onofre Ribeiro, Orivaldo Batista, Salete Maria e Wilson Silman, sendo assim iniciado um debate com a participação de todos os presentes. O cordelista maudito Hamurábi fez um breve recital, seguido por uma encenação de Edianne Nobre e Orivaldo Batista, relacionada a cordéis que foram lançados.

O evento prosseguiu com apresentações musicais. Primeiramente, Camila Alenquer no violão fez dupla com Francisco Ferreira [Di Freitas] no violoncelo. O pessoal do hip-hop apresentou-se com bastante dignidade e não decepcionou. Ciço Gnomo, logo em seguida, com participação de Cleide Rodrigues, deu um clima de descontração ao evento; e Hélio Ferraz fez o encerramento, com uma pequena participação de Camila Alenquer.

O acontecimento promovido pela Sociedade dos Cordelistas Mauditos foi realmente de uma diversificação muito boa e mostrou: quando se quer, sempre se consegue. Não importa o meio artístico, e sim o empenho.
(abril de 2000)

Embalado pra viagem # 17

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

                               2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

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João Cabral de Melo Neto, em A educação pela pedra.

Mostra de Bandas Armazém do Som - 14/05/2011

O penúltimo dia da Mostra de Bandas Armazém do Som, dia 13 de maio, teve atrações para gostos variados. A programação teve início com a Oficina Prática de Conjunto, ministrada por Weber dos Anjos, trazendo alguns conceitos básicos para se montar uma banda, conjunto ou trio. Com a participação dos alunos, o professor Weber ainda criou um quarteto e um trio, fazendo sucesso com os presentes.

A banda Os Cunhados, formada por alunos do Curso de Música da Universidade Federal do Ceará - UFC (Campus Cariri), realizou um show com bastante experimentalismo, deixando bem à mostra as diversas influências musicais que compõem o grupo. A banda, pode-se dizer, é uma reunião de bons talentos individuais.

A segunda atração da noite, Dudé Casado e Banda, trouxe em suas composições o resultado de quase 20 anos de experiência na música caririense/nordestina, embalado por muito Rock’n’Roll. Dudé Casado é um ex-integrante da extinta Dr. Raiz e hoje se concentra em seu trabalho solo. Com composições baseadas em diversos estilos do rock, o som de Dudé é uma boa mistura de progressivo, heavy metal e vários elementos da música brasileira, como o repente, o aboio e o gênero que usualmente chamamos de "brega romântico".

Encerrando mais uma noite, a banda Sex on The Beach deixou boa parte do público de boca aberta. Os caras não vestiram terno preto, mas, realmente, pareciam estar saindo do filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. O estilo da banda é o surf music, no qual as atenções se concentram nos timbres característicos da guitarra distorcida. O trio trabalha apenas a música instrumental, fazendo releituras de sucessos já conhecidos e divulgando seu trabalho próprio — possui em EP gravado que pode ser visto através do seu Myspace.

A programação de hoje, dia 14 de maio, encerra a Mostra de Bandas Armazém do Som deste ano de 2011, com a BR87, às 18h; Roadsider, às 19h30; e Rubber Soul, às 21h.

A banda BR87 tem entre seus integrantes, músicos já conhecidos do rock juazeirense, toca covers e apresenta composições próprias, cativando um público fiel ao seu trabalho.

A Roadsider, de Fortaleza-CE, transita entre o "Thrash Metal” e o “Stoner Rock”, e entre suas influências mais perceptíveis estão Pantera, Crowbar, Down, Slayer, Black Label Society, Sepultura, Kyuss, Black Sabbath, Corrosion of Conformity, entre muitas outras. Porém sempre busca demonstrar sua identidade própria, dando prioridade às músicas de sua autoria. A banda já está no quarto ano de existência.

Encerrando o evento com chave de ouro, às 21h, vem a banda Rubber Soul. Com 20 anos de estrada, a banda se destaca na capital Fortaleza, apresentando-se em diversos bares e restaurantes e, anualmente, no evento denominado Frequência Beatles, realizado na Concha Acústica da UFC. A formação atual da banda está junta há sete anos, o que proporciona entrosamento e confiança. A Rubber Soul, além de executar os grandes sucessos da maior banda de todos os tempos, trabalha sempre novas possibilidades e novos arranjos para as músicas, dando força à intenção de não serem meros reprodutores das músicas dos discos e, prosseguindo com a tradição dos próprios Beatles, sempre dão uma nova roupagem às músicas durante as apresentações ao vivo.

Outro destaque para a programação de hoje está na abertura excepcional da galeria de exposições do SESC Juazeiro num dia de sábado. Aproveitando o encerramento da Mostra de Bandas de Armazém do Som, a galeria estará aberta à visitação das 17h às 21h. A exposição em cartaz intitula-se Guardanapos, do artista plástico, contista, poeta e ilustrador Ricardo Campos.

Os shows terão início às 18h, com entrada franca. E, para hoje, vale uma dica: chegue cedo para garantir seu ingresso.

Mais informações:
SESC - Coordenação de Cultura
Rua da Matriz , 227, Centro, Juazeiro do Norte-CE
Fone: (88) 3512.3355

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Juazeiro na música do Dr. Raiz

Centenário de Juazeiro do Norte # 30
Embalado pra viagem # 16

Borboletas Azuis (Aves de Jesus)

(Dudé Casado / Geraldo Júnior)

Lá se vai, fiéis amigos, a santa procissão
por entre olhares tristes de pobreza e aflição
Juazeiro, terra santa, muita fé e oração
sofrimento, muita reza e penitência
pra encontrar a salvação

Penei, rezei até me afobar
tanta reza nunca que me ajudou
subia e descia o horto todo dia
mas minha paciência agora já se esgotou

Sofrimento, muita reza e penitência
fanatismo, hipocrisia e miséria
é verdade, e ainda dizem que o paraíso
se consegue sendo pobre sofredor
e desse jeito vivi a vida reprimido
pensando estar certo, meu senhor.
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"Borboletas azuis" no CD do Dr. Raiz:


"Borboletas Azuis" com Geraldo Júnior e banda, no Teatro SESI de Jacarepaguá (Rio de Janeiro):

quinta-feira, 12 de maio de 2011

As antigas, as novas e as eternas poluições do Juazeiro

Centenário de Juazeiro do Norte # 29
O Berro nas antas # 07

Algumas coisas são costumeiras em Juazeiro do Norte: calçadas estreitas; calçadas ocupadas ilegalmente; a reclamação da população por ver as calçadas ocupadas; e a reclamação (de parte) da população quando algo é feito para combater esses "vícios" (mas que muitos parecem se acostumar e dizer "deixa assim mesmo").

Portanto, não deixa de causar discussão a operação do Ministério Público que, esta semana, começou uma operação para desobstruir calçadas ocupadas por comerciantes no centro de Juazeiro. Segundo o promotor José Carlos Félix da Silva, que está à frente da operação, todos foram comunicados sobre a operação há um ano e agora está apenas cumprindo a promessa de recolher o que os comerciantes não retiraram.

Mas esta nossa postagem sobre o Centenário quer apenas pegar carona nesse assunto atual para pescar um texto publicado pelo Berro há 11 anos, sobre o "Festival de Poluição de Juazeiro do Norte". Veremos no texto, assinado por Reginaldo Farias, que algumas coisas mudaram (para melhor, incrivelmente, como a retirada das placas luminosas no centro). E que outras coisas, infelizmente, continuam do mesmo jeito e outras, quem sabe, pioraram.

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Texto publicado originalmente na edição 28 d'O Berro (abril de 2000):

Juazeiro: poluição moral

por Reginaldo Farias

Juazeiro está entregue nas mãos do "Deus dará". Ao que parece, nossos órgãos de fiscalização não estão desempenhando bem suas funções. Mostra disso é a grande quantidade de poluentes em nossa cidade. Não me refiro a gases tóxicos lançados por carros, indústrias, etc., refiro-me à grande quantidade de sujeira visual, sonora e locomoção de nosso município.

Quem já andou pela principal rua do centro comercial juazeirense sabe do que estou falando. Como se já não bastasse o número crescente de consumidores andando pelas calçadas, os nossos lojistas infestam este espaço destinado aos pedestres com suas mercadorias, obrigando a estes ocuparem a rua. Considero até louvável a construção das rampas para deficientes, mas se o trânsito de pedestres pelas calçadas já é difícil, imaginem para os deficientes.

Mas Juazeiro continua crescendo e, pelo que parece, cresce também a ignorância dos responsáveis por nosso meio ambiente e por nosso comércio. É uma tortura sonora transitar na rua São Pedro. O que se ouve é uma competição entre lojas para ver quem é capaz de deixar o consumidor surdo. A cada dia as lojas investem em sistemas de sons que entopem o ouvido do consumidor com suas porcarias musicais.

Positivamente, temos a "Rádio Centro", que coloca nesta tumultuada rua uma boa programação musical e comercial num volume ambiente, inclusive bem aproveitada por uns poucos empresários deste centro.

Mas como não poderia faltar, contamos ainda com um agravante para a nossa visão: a sinalização de nossas lojas. Sinto-me um autêntico chinês andando por "aqueles" bairros cheios de lojinhas e de um número ainda maior de placas com letrinhas riscadas. Lembram? "Aqueles" dos filmes de aventura, onde geralmente aparecem uns carinhas jogando facas para todos os lados e voando por entre os prédios. E quando chega a noite tudo se transforma, como num passe de mágica. Saímos de um bairro chinês para uma Las Vegas maravilhosa, com seus incríveis painéis luminosos. Estas placas formam um complexo sistema de poluição visual, onde cada um dos "ignorantes" disputa pela maior capacidade de deixar-nos cegos.

Com certeza existe uma negligência por partes das pessoas responsáveis por este tipo de fiscalização. Mas os principais culpados são as pessoas que cometem tamanhos absurdos. Demonstram total falta de ética e respeito para com os seus clientes. Não há uma assessoria neste setor. Quem mora em Juazeiro do Norte já há algum tempo percebe a falta de criatividade de nossos empresários. Lembro-me da época dos letreiros em luz néon: bastou um fazer para em pouco tempo o néon virar uma epidemia. Depois foi a vez daquelas horríveis placas que giravam em nossas calçadas. Por incrível que pareça a moda pegou, mas dou graças por ter durado pouco. E agora estamos na era das placas luminosas, e estas não querem sumir facilmente, pois o dinheiro investido nelas não é de se jogar fora. Resta saber se o retorno é o esperado. Tenho minhas dúvidas...

Vemos que este não é um fato generalizado. Algumas lojas (principalmente as franqueadas e as de telecomunicações) realizam um belo trabalho onde suas decorações e sinalizações prezam pela simplicidade e o bom aproveitamento do espaço.

Estamos vivendo um momento de modificações, em que atitudes como preservação ambiental e o respeito à vida são virtudes procuradas por pessoas que enxergam adiante dos seus semelhantes. São pessoas preocupadas mais com o futuro do planeta do que só "juntar tesouros para o seu túmulo".

E mais...
É inadmissível que uma cidade como Juazeiro, com uma população com mais de 200 mil habitantes e uma população flutuante na ordem de milhões anuais, não tenha um aterro sanitário. E que o nosso lixo seja jogado a céu aberto, onde prejudica o nosso meio ambiente, tornando-se foco de origem de várias doenças.

Como se não bastasse, um dos lixões está localizado no perímetro urbano, caso do lixão localizado próximo ao CEFET [hoje IFET] e hotel Verdes Vales. Lixão que, aliás, tinha sido desativado e que agora volta à ativa sem nenhuma explicação.

Tristes são as expectativas nesse setor, onde os projetos são engavetados e obras estão inacabadas. O que aconteceu com o Parque Ecológico das Timbaúbas, um dos projetos que enriqueceriam o turismo, a cultura e o esporte de nossa região, mas que, infelizmente suas obras foram abandonadas e o local tornou-se uma área perigosa, onde vários crimes de mortes já foram registrados.
(abril de 2000)